Especial Macapá – Quando o aeroporto era na Av. FAB

Macapa4-Fab1Essa avenida larga, tida como a principal de Macapá, por onde passam todos os ônibus e onde ficam escolas, secretarias de governo, hospitais, tribunais, Assembleia Legislativa, Câmara de Vereadores e Prefeitura, foi o primeiro campo de aviação de Macapá. Por isso quando virou avenida recebeu o nome de Avenida FAB (Força Aérea Brasileira). Aí  pousavam todos os aviões que chegavam em Macapá e daí decolavam.

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Aeronave DC-3 da Cruzeiro do Sul

O saudoso advogado Adelmo Caxias contava que o check-in era numa casinha e quando o avião da Cruzeiro partia, virava um verdadeiro muro das lamentações de tanta choradeira dos parentes de quem viajava.

O José Ribamar Pessoa trabalhou neste aeroporto da avenida Fab. Ele contou ao blog que não havia cerca, muro, nada que impedisse que as pessoas chegassem bem pertinho do avião para receber quem estava chegando ou se despedir de quem estava partindo.

O Lindoval Souza, que trabalhou na Cruzeiro do Sul como despachante de voo, dizia que os estudantes iam a pé para o aeroporto dar as boas vindas quando chegava alguma autoridade federal ou o Cel. Janary Nunes, governador do Território do Amapá.

bispo-113x150O poeta Manoel Bispo – que chegou gitinho em Macapá – conta que  quando a molecada ouvia o barulho do avião corria pro “aeroporto” vislumbrando ganhar uma grana pra comprar gibis, picolés e garantir o da matinê do cinema.
É que naquela época não existia táxi em Macapá e quase nenhum carro particular (ônibus nem pensar). A pessoa chegava, descia do avião e ia a pé pra casa. É aí que a molecada entrava. Se aproximava do passageiro e oferecia o serviço: carregar a maleta, do aeroporto até a casa. “O ‘carreto’ mais longo que fiz com uma mala na cabeça foi do aeroporto pro bairro do Trem. A maleta era daquelas de madeira, mas me rendeu um bom dinheirinho”, me disse o poeta certa tarde.

celsoUm dia conversando com o Celso Façanha ele lembrou  dos seus tempos de moleque e disse que uma vez viu “com esses olhos que a terra há de comer” um avião quase entrar num prédio ali por perto de onde é hoje a Escola Integrada.
– Era um dia de chuva, a pista tava um lamaçal, o avião aterrissou mas não conseguiu parar logo. Foi indo, indo, indo…  e só conseguiu  parar ali perto do GM, quase que entra no prédio onde era o Irda. Quando a porta  abriu  o primeiro passageiro a descer foi o Pernambuco, um açougueiro brabo. Ele desceu reclamando: “Pô, esse cara (piloto) podia ter logo me deixado em casa.”
Cópia-de-Professoras-Raimunda-Façanha-e-Delzuite-CavalcanteMinha mãe, a professora Delzuite Cavalcante, contava que, sentada no pátio da nossa casa, via os pousos e decolagens.
Era ali, dizia apontando com o dedo, o campo de aviação e daqui a gente via tudo.”
E minha avó completava: o avião passava aqui na ilharga.”
  • Eu nasci e fui criado na Jovino de Noá atrás do hospital geral e próximo ao aeroporto, meu pai Álvaro Bonfim Dos Reis e minha mãe BENITA Fernandes dos Reis trabalhavam para o governo, e minha infância passei correndo neste aeroporto onde hoje encontra-se a PREFEITURA de Macapá, como sempre fui apaixonado por aviões eu corria para o campo ( CCA e HOSPITAL DE PEDIATRIA) e ficava abaixado na esquina da Leopoldo Machado com Av. FAB esperando o DC3 da FAB pousar, todos chegavam perto dos aviões, Cruzeiro do Sul e Real.
    Eu e meu irmão éramos conhecido como ” os carequinhas” pois careca era como meu pai era conhecido.
    Era uma época de ouro e maravilhosa.
    E Deus em sua infinita bondade me fez piloto de avião.
    Cmte.José Hermen Fernandes dos Reis.
    Hermen Reis.

  • Verdade. Na foto podemos notar a mutidão aglomerada próximo do avião. Hj nao temos mais o mesmo privilégio. Aliás nem aeroporto digno temos. Eu lembro, ainda criança, quando íamos a macapá. Morávamos em santana, e ir a macapá era uma viagem inesquecivel. Na maioria das vezes íamos comprar corte, também chamado de fazenda naquele tempo. Comprávamos nas PERNAMBUCANAS, loja grande e espacosa, repleto de ventiladores, que nos deixava deslumbrados, sem falar que pra chegar à nossa querida macapá, vínhamos a bordo do ônibus Canário do norte (Nao sei ao certo se é esse o nome da empresa, só sei que era do Jarbas Gato). Passavamos o dia todo perambulando, olhandos as singelas vitrines das lojas. Lembro que tinha o Rei da Roupa, Príncipe da Roupa, Beirute namérica, Tecido do povo, Gina Charme, Ótica Menina, Casa Aliança, Orivesaria Estrela de Jesus, depois surgiram, mundo dos tecidos, Tecido do Sul, etc… Essa é macapá, e esse é o jeito de ser do povo daqui.

  • Alcinéa,
    Ao ler postagens assim em seu blog vem-me lembranças de minha infância aí no querido T.F.A. Escola, cinema, futebol, pescaria, pular do trapiche em maré cheia. Embora com pouco mais de sessenta e pouco menos de setenta ainda lembro do aeroporto da FAB. Boas lembranças. Aí cabe bem Casimiro de Abreu com ” Meus Oito Anos”

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