Aos 97 anos, morre o jornalista Lóris Baena, sócio mais antigo da ABI

Mais antigo sócio da ABI – Associação Brasileira de Imprensa – o jornalista esportivo Lóris Baena Cunha, de 97 anos, morreu nesta sexta-feira (5/3), Dia do Cronista Esportivo, na Casa de Saúde São José, no Humaitá, zona sul do Rio de Janeiro. Ele lutou bravamente durante duas semanas contra uma pneumonia aguda que o deixou em estado grave na UTI.

Lóris foi muito amigo do meu pai, o jornalista Alcy Araújo. Os dois trabalharam juntos em Belém do Pará, cidade onde ambos iniciaram a carreira jornalística. Meu pai veio para o Amapá, Lóris foi para o Rio, mas não perderam o contato. Quando meu pai morreu em 1989, Lóris manifestou toda sua tristeza pela perda do amigo.
A última vez que falei com ele acho que tem uns dois anos. O meu amigo jornalista amapaense Ramilton Farias estava no Rio de Janeiro, em um evento, do qual Lóris também participava e de quem era também amigo. Ramilton me ligou para dizer que estava com Lóris, passou o telefone a ele e batemos um longo e alegre papo, no qual ele me contou algumas peripécias do meu pai e falou da grande amizade que os unia.

Fundador da Acerj
Além de pertencer a ABI, Lóris era o último sócio-fundador ainda vivo da Associação de Cronistas Esportivos do Estado do Rio de Janeiro (Acerj), que completa nesta sexta 104 anos.“Cumpro o doloroso dever de informar o falecimento do sr. Lóris Baena Cunha. Morre no dia do aniversário da Acerj, era o último sócio-fundador vivo”, anunciou o presidente da Acerj e ex-conselheiro da ABI, Eraldo Leite.

Vida e obra
Anunciando a morte de Lóris Baena, o portal da ABI ressaltou a vida e obra dele.
Eis:
Vida e obra do velho cronista esportivo
Natural de Belém (PA), o jornalista Lóris Baena Cunha começou sua carreira em 1945 no jornal Folha do Norte e na Rádio Clube do Pará. Em 1947, veio para o Rio de Janeiro, onde atuou no jornal Folha Carioca. Mudou-se em seguida para São Paulo, onde atuou no Mundo Esportivo. Em 1955, de volta ao Rio, trabalhou na Luta Democrática, quando filiou-se à ABI.

Como cronista esportivo, Lóris tinha orgulho de ter assistido ao primeiro gol de Pelé pelo time do Santos, em 7 de setembro de 1956, contra o Corinthians de Santo André. Mas sua maior alegria era ter entrevistado Charles Muller, o introdutor do futebol no Brasil, entre outros grandes craques e centenas de jogadores, dirigentes e técnicos de grandes times e seleções.
Em 1963, Lóris Baena fundou a Organização Brasileira Esportiva (OBE), uma agência de notícias dedicada ao mundo dos esportes que dirigiu durante 30 anos. Ainda na década de 70, foi representante da Rádio Brasil de Campinas. Detentor de diversos diplomas no jornalismo esportivo, representou a crônica esportiva em mais de 20 congressos pelo país.
Além de fundar a Acerj, foi sócio-fundador da Aceb – Associação de Cronistas Esportivos do Brasil e da Abrace – Associação Brasileira de Cronistas Esportivos. Foi sete vezes agraciado com a Bola de Ouro, importante prêmio da crônica esportiva, além do Troféu Mané Garrincha e da Comenda Mauro Pinheiro.
O trabalho de Lóris não se limitava à crônica esportiva no rádio. Ele ainda escreveu diversos livros sobre esportes e poesias, como ‘Sonhos de Amor’ e ‘Temas da Vida’ – este último, sobre os clubes de futebol cariocas. Suas poesias também estão estampadas desde 2010 na Sala de Memória do Futebol Brasileiro, no Estádio do Maracanã.”

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