Especial Macapá – Quando o aeroporto era na Av. FAB

Av. FAB domingo a tarde

Essa avenida larga, movimentada, tida como a principal de Macapá, por onde passam todos os ônibus e onde ficam escolas, secretarias de governo, hospitais, tribunais, Assembleia Legislativa, Câmara de Vereadores e Prefeitura, foi o primeiro campo de aviação de Macapá. Por isso quando virou avenida recebeu o nome de Avenida FAB (Força Aérea Brasileira). Aí  pousavam todos os aviões que chegavam em Macapá e daí decolavam.

O José Ribamar Pessoa – que trabalhou no aeroporto da avenida Fab – contou ao blog que não havia cerca, muro, nada que impedisse que as pessoas chegassem bem pertinho do avião para receber quem estava chegando ou se despedir de quem estava partindo. “Naquela época, era permitido a todos receber autoridades, familiares, etc embaixo da aeronave, inclusive também no embarque”, conta.

O poeta Manoel Bispo – que chegou gitinho em Macapá – conta que  quando a molecada ouvia o barulho do avião corria pro “aeroporto” vislumbrando ganhar uma grana pra comprar gibis, picolés e garantir o da matinê do cinema.
É que naquela época não existia táxi em Macapá e quase nenhum carro particular (ônibus nem pensar). A pessoa chegava, descia do avião e ia a pé pra casa. É aí que a molecada entrava. Se aproximava do passageiro e oferecia o serviço: carregar a maleta, do aeroporto até a casa. “O ‘carreto’ mais longo que fiz com uma mala na cabeça foi do aeroporto pro bairro do Trem. A maleta era daquelas de madeira, mas me rendeu um bom dinheirinho”, me disse o poeta certa tarde.

Dia desses o Celso Façanha estava lembrando dos seus tempos de moleque e disse que uma vez viu “com esses olhos que a terra há de comer” um avião quase entrar num prédio ali por perto de onde é hoje a Escola Integrada.

Deixemos o Celso contar:

– Era um dia de chuva, a pista tava um lamaçal, o avião aterrissou mas não conseguiu parar logo. Foi indo, indo, indo…  e só conseguiu  parar ali perto do GM, quase que entra num prédio onde era o Irda. Quando a porta  abriu  o primeiro passageiro a descer foi o Pernambuco, um açougueiro brabo. Ele desceu reclamando: “Pô, esse cara (piloto) podia ter logo me deixado em casa.”

Minha mãe, a professora Delzuite Cavalcante, contava que, sentada no pátio da nossa casa, via os pousos e decolagens.

“Era ali, dizia apontando com o dedo, o campo de aviação e daqui a gente via tudo.”

E minha avó completava: “o avião passava aqui na ilharga.”

 

Ao ler esse texto, Mazinho Silva deixou agora sua contribuição na caixa de comentários. Contribuição tão importante que reproduzo aqui:

“Boa Noite,
Gostaria de fazer um pequeno reparo na informação ora apresentada, pois como um amapaense nascido (25 de agosto de 1952) e criado aqui, na Rua General Rondon, 1226, esquina da Avenida Procópio Rola, posso dizer com certeza total a quem interessar possa que, ao contrário do que muitos pensam ou relatam, a pista de aviação nunca foi localizada exatamente onde hoje se encontra a Avenida FAB e sim, entre a Avenida FAB e a Avenida Procópio Rola, que à época era apenas uma via projetada. Portanto, afirmo e reafirmo que a pista de pouso de Macapá, Território Federal do Amapá, localizava-se exatamente onde hoje se encontram os prédios do governo do Amapá entre as duas avenidas acima citadas. A Pista tinha sua cabeceira principal na frente do Fórum Desembargador Leal de Mira e terminava exatamente onde hoje está construído o Palácio do Governo do estado do Amapá (nessa época a Rua General Rondon não atravessava a Avenida FAB), onde havia uma cerca de arame farpado, que se estendia em sua laterais até as proximidades da Escola Industrial,para evitar a travessia de animais e veículos, Lembro disso desde os cinco anos de idade pois assistia os aviões DC-3 e C-47 manobrando ao final da pista, bem ao lado da minha casa e por várias vezes, vi os aviões varando a pista e parando somente ao final, na área de escape, próximo da Escola Industrial, em razão da pista molhada e que era feita em cima do solo original, sem piçarra ou asfalto. E, por medida de segurança, quando os aviões varavam a pista, os passageiros desembarcavam e vinham andando com os sapatos ou sandálias na mão pois a pista estava escorregadia. O prédio do aeroporto ficava na Avenida FAB, bem em frente à Igreja Batista. Era um prédio extremamente pequeno, construído em Madeira e coberto com telhas de barro. Caso alguém tenha fotos da época, poderão comprovar o que aqui estou relatando. Conta-se inclusive que a Avenida FAB não tem buracos em razão de ali ter sido a pista de pouso, o que não procede pois a pista não era asfaltada e nem havia piçarra na sua superfície. Apenas a terra nua.
Espero ter contribuído positivamente com a História Real da nossa terra.

Cordialmente,

Valdemar das Graças Figueira da Silva (Mazinho Silva)”

  • Boa Noite,
    Gostaria de fazer um pequeno reparo na informação ora apresentada, pois como um amapaense nascido (25 de agosto de 1952) e criado aqui, na Rua General Rondon, 1226, esquina da Avenida Procópio Rola, posso dizer com certeza total a quem interessar possa que, ao contrário do que muitos pensam ou relatam, a pista de aviação nunca foi localizada exatamente onde hoje se encontra a Avenida FAB e sim, entre a Avenida FAB e a Avenida Procópio Rola, que à época era apenas uma via projetada. Portanto, afirmo e reafirmo que a pista de pouso de Macapá, Território Federal do Amapá, localizava-se exatamente onde hoje se encontram os prédios do governo do Amapá entre as duas avenidas acima citadas. A Pista tinha sua cabeceira principal na frente do Fórum Desembargador Leal de Mira e terminava exatamente onde hoje está construído o Palácio do Governo do estado do Amapá (nessa época a Rua General Rondon não atravessava a Avenida FAB), onde havia uma cerca de arame farpado, que se estendia em sua laterais até as proximidades da Escola Industrial,para evitar a travessia de animais e veículos, Lembro disso desde os cinco anos de idade pois assistia os aviões DC-3 e C-47 manobrando ao final da pista, bem ao lado da minha casa e por várias vezes, vi os aviões varando a pista e parando somente ao final, na área de escape, próximo da Escola Industrial, em razão da pista molhada e que era feita em cima do solo original, sem piçarra ou asfalto. E, por medida de segurança, quando os aviões varavam a pista, os passageiros desembarcavam e vinham andando com os sapatos ou sandálias na mão pois a pista estava escorregadia. O prédio do aeroporto ficava na Avenida FAB, bem em frente à Igreja Batista. Era um prédio extremamente pequeno, construído em Madeira e coberto com telhas de barro. Caso alguém tenha fotos da época, poderão comprovar o que aqui estou relatando. Conta-se inclusive que a Avenida FAB não tem buracos em razão de ali ter sido a pista de pouso, o que não procede pois a pista não era asfaltada e nem havia piçarra na sua superfície. Apenas a terra nua.
    Espero ter contribuído positivamente com a História Real da nossa terra.

    Cordialmente,

    Valdemar das Graças Figueira da Silva (Mazinho Silva)
    RG 232155/PTC-AP
    CPF 033.793.372-34
    Fone e WhatsApp (96) 99154-8586

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