Nota triste – Falece em Macapá o violonista Sebastião Mont’Alverne

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Sebastião Mont’Alverne (Foto: F. Canto)

Ele nasceu no dia de São José em 1945, em Belém (PA). Imagino que quando ele nasceu um daqueles anjos que vivem a tocar harpa nos cabelos das estrelas sussurrou no seu ouvido: Vai, Sabá, espalhar notas musicais no meio do mundo.
E ele veio. Aos 12 anos mudou-se com a família para Macapá e já dedilhava algumas modinhas que aprendeu tocando de ouvido no violão da mãe, a professora e poetisa Aracy Mont’Alverne.
O mestre Nonato Leal, com seu ouvido clínico, viu naquele garoto um grande violonista e incentivou-o. E ainda de calças curtas,  Sebastião Mont’Alverne fez sua primeira apresentação pública. Foi no Clube do Guri da Rádio Difusora de Macapá. Mais tarde fez parte do conjunto Regional da emissora que acompanhava os famosos “cantores do rádio”. E Sabá não parou mais, foi espalhando música, alegria e ternura no meio do mundo. Fez parte do conjunto “Os Cometas”, tocou com grandes instrumentistas como Sebastião Tapajós, acompanhou grandes nomes da música brasileira, tornou-se professor de violão clássico e foi mestre de muitos que se destacam hoje na música amapaense.

Hoje, dia de São Tiago, aos 71 anos de idade, o violão do Sabá emudeceu. Imagino que aquele mesmo anjo do inicio deste texto, pegou Sabá pela mão e disse: Por ordem do Pai vim te buscar para compores a maravilhosa orquestra celestial da qual já fazem parte alguns dos teus amigos. No camarim celeste teus pais e irmão te receberão com sorrisos plenos de carinho.

Vai em paz, querido Sebastião Mont’Alverne. Aqui choraremos um pouco ou muito, lamentaremos tua brusca partida nesta manhã ensolarada, mas à noite quando o cintilar das estrelas emitir notas musicais ergueremos nossos olhos para o céu e agradeceremos a Deus o privilégio que tivemos de te conhecer e te ouvir, rir e aprender contigo.

Obrigada, Sabá, por teres feito o meio do mundo mais bonito com tua música e alegria.

Velório e sepultamento
O  corpo de Sebastião Mont’Alverne está sendo velado  na capela mortuária São José (Rua Jovino Dinoá esquina com Cora de Carvalho). O sepultamento será as 11 horas de terça-feira, 26, no cemitério N.S.da Conceição (Centro)

  • Até a minha vinda para Fortaleza, sempre que podia valorizar este violonista eu valorizava, pois lembro muito dele tocando nos Cometas, eu criança indo para adolescência, relembro os ensaios na casa do Roberval pois minha casa ficava na mesma rua, Coriolano Jucá, eu me deliciava das músicas que ouvia da minha varanda como se chamava naquela época. Que Deus dê o seu descanso eterno, e pra sua família o consolo.

  • Eu só tenho a lamentar , era um artista nato . Um violonista excelente . Embora não lesse partituras musicais , tinha uma audição musical inigualável , graças à sua grande sensibilidade artística . Num encontro entre o Sabá Mont´Alverne e o Sabá Tapajós ( retornando da Alemanha após uma tourné ) , durante a ” Semana de Arte Amapaense “, nos anos setenta . O Tapajós me disse : ” Eu adoro conversar com o Sabá através do violão…”

  • É incrível, inacreditável ficamos absortos quando tomamos conhecimento de tão triste e lamentável ocorrido, pois sempre imaginamos que isso nunca vá acontecer,ou não queremos acreditar ou aceitar a perda de uma pessoa tão querida e admirada que faz parte de nossas vidas e do nosso universo. Mas essa é a vida no seu curso natural, e vamos guardar as doces lembranças da arte de Sebastião Mont’ Alverne. Descanse em paz.

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