O essencial é bem visível aos olhos

O essencial é bem visível aos olhos
Obdias Araújo
A casa da Rua São José canto com a Avenida Capitão Pedro Baião ainda vive na memória.
Toda vez que a prefeitura elevava a rua desafiando o Ar Mar Zonas, meu pai construía outra casa sobre a anterior.
Lembro-me bem desta, dos meus 10… 12 anos. A janelinha lá em cima era o quarto de Ivonete, a mais velha das irmãs que durante muito tempo, junto com Ivonilde, me subistituiu mamãe.
O coqueiro emoldurando a Ivonilde foi plantado por meu pai. Lembro do Mestre Zaca amarrando trouxinhas de sal em seu tronco, para adoçar a água de seus cocos.
Eu, o Eurico da Casa Santa Maria, o Jorge Caroço e o Jorge Malcher éramos gazeteriros e desviávamos o caminho da Escola Teixeira Gueiros para a Vacaria do Barbosa. Roubar mangas, cajus e cutites.
Lembro que doutra feita por aqui passaram o Capitão-mor Feliciano Coelho de Carvalho mais os capitães Ayres de Sousa Chichorro e Pedro Baião de Abreu.
Iam com eles trinta soldados e duzentos e cinquenta índios tucujus – todos flecheiros.
A tropa acampou no tubulão defronte à Casa Gisele e eles faziam tanta zoada que Maurício Ghamachi e Mamed Ganem jogaram umas tantas moedas para que aplacassem a sede.
Sempre gostei de ter nascido aqui. Nem tanto pelo santo que deu azo ao nascimento do menino Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo nem quanto pelo militar que dá nome à rua.
Mas é que, de noitinha, as saracuras piam chamando seus companheiros ao descanso e sopra o terral avisando Zacarias da urgência de novas venezianas.
Não quero crescer. Não quero nunca nunca sair daqui. Afinal de contas, nasci aqui e a casa da Rua São José canto com a Avenida Capitão Pedro Baião ainda vive na memória.

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