Que equilíbrio é esse?

QUE EQUILÍBRIO É ESSE?…
Rui Guilherme

 Capa da revista alemã Der Spiegel estampa ilustração com dois bebês de fraldas, um bem louro, outro com traço puramente asiático, aos berros, cavalgando uma enorme bomba que oscila sobre mola instalada em um pedestal precário. Diz a legenda “- TODESSPIEL – Donald Trump und Kim Jong Um riskieren den Atomkrieg” (JOGO DA MORTE. Donald Trump e Kim Jong Um arriscam a guerra atômica).

Que planeta é este em que dois bilhões e meio de pessoas aceitam, impotentes, a ameaça de ver o globo ser desintegrado, caso um dos dois líderes, cheio de fogo e fúria, resolva apertar um certo botão, despejando artefatos com impensável poder de destruição, sob ação dos quais a Terra explodiria em milhões de fragmentos?

No “Espirito das Leis”, a lição de Montesquieu:- “Todo poder corrompe. Até o excesso de virtude é uma forma de corrupção. Assim, para que haja equilíbrio é necessário que o poder limite o poder.”

No Epílogo do Apocalipse (Ap IV – 14, 15), diz o apóstolo: Felizes aqueles que lavam suas vestes para ter direito à árvore da vida e poder entrar na cidade pelas portas. Fora os cães, os envenenadores, os impudicos, os homicidas, os idólatras e todos aqueles que amam e praticam a mentira!

Em tempos da Segunda Guerra Mundial, durante a frenética preparação da Overlord, nome em código da operação de desembarque na Normandia, o supremo comandante das Forças Aliadas, general Dwight D. Eisenhower (Ike), mantinha seu Estado Maior em permanente reunião acertando o necessário para o Dia D. Um dos militares integrantes do estafe era um descendente de escocês, o general Ira C. Eaker. Ira se mantinha imperturbavelmente calmo pitando seu velho cachimbo, em contraste com o nervosismo que a todos acossava.

Incomodado com a fleugma do escocês, Ike lhe fala:- “Ira, todo mundo está com os nervos à flor da pele. As decisões que estamos tomando afetarão o mundo inteiro, custarão a vida de milhares de soldados, bilhões de dólares em armas e materiais, e você fica aí, calado, fumando seu cachimbo fedorento! Será que em vez de sangue o que corre em suas veias é  água gelada?” A resposta:- “Ike, o que me mantém controlado é saber que o que quer que nós venhamos a decidir agora, daqui a duzentos anos não terá a menor importância…”

No cenário atual deste nosso Brasil varonil, a notícia que mais vem mexendo com a opinião pública é a reforma da previdência social. Sem ela, o governo prenuncia o debacle do país tropical. E, neste nosso país até hoje bonito por natureza, a decantada reforma ou passa no Congresso – sabe-se lá a que preço –, ou a coisa vai ficar ainda mais feia do que já está. A reforma, contudo, só surtirá efeito completo daqui a algumas décadas.

A pergunta que não cala é se ianques, norte-coreanos, chineses, europeus e demais poderosos vão refrear seus ímpetos bélicos de modo a que, neste século vinte e um, haja mundo; por consequência, haja Brasil. Se não, de nada adianta fazer cálculos da aposentadoria em tempos futuros, quando se ameaça de não haver futuro algum. E isso para ninguém, pois nem o Surfista Prateado será capaz de deslizar no cosmo usando como prancha um meteorito gerado de um fragmento da Amazônia. Para isso acontecer, basta que um dos bebês da capa do Der Spiegel resolva apertar um certo botão.

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