Tem pato na corda!

TEM PATO NA CORDA!
Antonio Juraci Siqueira

Minha terra tem mangueiras,
maniçoba e tacacá,
os patos que aqui patetam,
não patetam como lá!
E nessa arena de corda
todo pato passará
porque, neste mundo ingrato,
quem ainda não foi pato,
na certa, um dia, será!

Em Belém, no mês de outubro,
não há festança mais bela!
Vem pato do mundo inteiro
para cair na esparrela!
De pato o Círio transborda:
tem mais pato junto à Corda
do que dentro da panela.

Há patos pra todo gosto,
disso nem pato discorda.
Além do pato do Círio
que tantos patos engorda,
tem o pato marionete
que só levanta o topete
se outro pato puxa a corda.

Existe o pato mané
que só entra em bonde errado
porque vive dando bola
a qualquer papo furado.
Acredita em curupira,
boiuna, boto encantado…
Com tudo o mané concorda
e está sempre indo na corda
de político safado.

Há outro tipo de pato
que cultiva a malandragem:
não tem onde cair morto
mas se diz de alta linhagem.
Vive no fundo do poço
com a corda no pescoço
e ainda conta vantagem.

Tem o pato prepotente,
sujeito mal-encarado,
que alardeia aos quatro ventos
nunca ter sido enganado.
Porém o grande barato
é que não se achando pato
torna-se pato ao quadrado.

Do ninho de uma serpente
veio ao mundo um tipo novo:
esse bicho diferente
com tentáculos de polvo
é, na verdade, o anti-pato
que se esconde num mandato
só para enganar o povo!

E eu, por viver entre patos,
pato também me tornei
mas na corda dos meus versos
outros patos apanhei.
Arrimado em minha pena
faço a minha própria lei
sem responder por meus atos
porque na terra de patos
quem posa de cisne, é rei!

E tenho dito!
(Do livro: “Os Versos Sacânicos II “)

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