Um poema de Paulo Fonteles Filho

Pequeno Poema para Minha Mãe
Paulinho Fonteles

A noite cai no Araguaia e penso em ti, minha mãe.
Minhas botas estão sujas pelos dias com meus companheiros,
mas meu coração está limpo
e sereno
e minhas lembranças estão em combate.
Escrevo-te como filho parido no cárcere e em Xambioá,
pequena mãe,
ainda escutamos os sussurros da vida futura.
Bem quisera beijar-te o rosto luminoso,
e dizer-te, como quem entoa rouxinóis,
que vencemos os matadores de crianças,
os pusilânimes da tortura e da morte anunciada,
os algozes das masmorras do Planalto,
os pústulas do obscurantismo e da infelicidade geral de nosso povo.
E vencemos, querida mãe,
o ministro do Garrastazu, que como lobo rodeava-me,
com sangue nas mãos e as presas afiadas
e este dizia:”Filho desta raça não deve nascer”.
Mas nascemos, filhos do povo, às centenas
aos milhares
aos milhões.
E como vão meus irmãos?
E Ronaldo periquito, gerado na prisão
e o roqueiro guerrilheiro João?
A noite cai e penso em ti, minha mãe.
Minhas botas estão sujas pelos dias com meus companheiros,
mas meu coração está limpo e sereno
e nutro grandes esperanças.
Sou todo combate.
(6 de Agosto de 2009)

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