A poesia de Saulo Ribeiro atravessa fronteiras

Com o poema “Doce Menina”, o amapaense Saulo Carneiro Ribeiro (foto) vai mostrar agora seu talento além do Rio Amazonas. Ele foi, entre quase dois mil inscritos, um dos 250 selecionados para a edição deste ano da famosa e já tradicional Antologia Poética Sarau Brasil.

Advogado, servidor do TRF-1ª Região, nas horas vagas dedica-se à literatura. Ele conta que começou a exercitar sua veia poética em 2012 quando mudou-se para Belém para trabalhar na SJ/PA. Foram quatro anos exercendo  suas atribuições lá e nesse período sentia uma imensa saudade de Macapá. “Por mero passatempo, comecei a exercitar minha veia poética como forma de amenizar a saudade da terrinha”. Ele diz que foi assim que, de tema em tema e de mais erros que acertos, acabou adquirindo o gosto pela literatura, em especial pela poesia.
Em homenagem ao seu avô Errazuris Torquato Carneiro (já falecido),  Saulo costuma apor, após seu nome, o pseudônimo S.C. Ribeiro Torquato.

De repente, incentivado por amigos resolveu participar este ano do Concurso Nacional Novos Poetas promovido pela Vivara Editora Nacional e logrou êxito. Este certame está entre os mais destacados concursos literários da língua portuguesa.

Eis o poema:

Poema Doce Menina
Algumas vezes absorto, do nada,
Com uma simples ideia apenas,
Um imperfeito rabisco, uma canetada,
Saio a lançar palavras às dezenas,

Assim como faço agora.
Depois de um tempo não sei,
Aquela ideia que era só isso, outrora,
Levado sou pra outra que não pensei,
Que nunca foi minha,

Mas ante tamanha majestade não resisto,
Sou forçado a dobrar-me àquela rainha,
E assim, resignado, de mim desisto.

É quando acontece algo difícil de explicar,
Porque me escapa como dizer o indizível:
Esse frenético lançar de frases no ar,
Que à evidência parece não ser crível.

Mas no quadro geral que se desenha…,
Após mirar diversos prismas gradativamente,
Sinto então a ideia sufragada, a resenha,
Que rebenta na praia do meu pensamento.

E uma vez parida, essa doce menina,
Ainda que acaso a julguem,
Terá nome e sobrenome, será alguém,
E um dia quem sabe há de cumprir sua sina.

Autor: Saulo Carneiro Ribeiro
Pseudônimo: S.C. Ribeiro Torquato
  • AGRADECIMENTO
    Agradecemos pelo livro que me presenteaste através de teu irmão ALCIONE, meu paciente. É um sujeito afável, educado, inteligente e culto.

    Temos algo em comum: a escrita.
    Visite: amapaulo.com. br

    A seguir, um texto meu.

    TALVEZ
    (quem sabe)

    Se vivesse noutro tempo eu teria menos tribulações,
    menos preocupações, palavra inexistente na época.

    Não viveria na servidão individual nem da inquietude das paixões, da escravidão do amor nem do patrão.

    Viveria no solipsismo se houvesse, sem dor.

    A minha “preocupação” seria apenas sobreviver e não buscar ser nem de ter o poder, viver de aparências, pois acumular riquezas, esse pensamento sequer existia.

    Não haveria a noção de tempo nem hierarquia, realeza nem nobreza

    Não haveria a avareza, a ganância, o egoísmo nem o orgulho nem a vaidade, apenas a sede a fome diárias. Não haveria a tristeza.

    Não haveria a correria de hoje nem ansiedade nem a síndrome do pânico. Apenas o ânimo.

    Caçar, pescar e sair pelos campos para colher frutos, folhas e raízes seriam não só as minhas necessidades básicas, mas as necessidades plenas. Viveria feliz e realizado.

    Não existiria a bomba atômica.

    Assim, não viveria de elucubrações, mas numa eterna abstração banhando-me nos rios e cachoeiras, alimentando-me das amendoeiras e de macaxeira, dormindo agasalhado do frio com debaixo pele animal, debaixo das estrelas, ao som do farfalhar dos ventos na copa das árvores.

    E quando chuva nela cantando alegremente dançaria.

    Não haveria dinheiro. Para que? Nem existiria o porta cédulas nem bolso, pois estaria como Adão.

    Viveria de folga, sem carteira assinada, deitado na rede, debaixo da sombra das árvores.

    Se me desse vontade, colocaria o pé na estrada e quando batesse o sono dormiria por toda a madrugada.

    Não haveria o despertador.

    Não teria que levar menino na escola, carregar alimentos do supermercado nas sacolas, passar no banco.

    Não haveria poluição.
    Não haveria tiroteio.

    Não haveria leis de trânsito.

    Nada de sorteios nem rebuceteios.

    Só canto de pássaros e maresias, marulho e banzeiros.

    E se tivesse algum motivo sairia para caminhar nas matas, na praia deserta, sem receio de assaltos e do aquecimento global

    Paulo Rebelo, o médico poeta.

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