Caras velhas – Sombras são

Caras velhas – Sombras são
Luiz Alberto Guedes

Velas ao mar revolto!
Revolta de um mar sem velas,
De caravelas,
De caras velhas,
Cansadas, enrugadas,
Como as águas desse rio;
Como os rios desse mar;
Velhas caras!

Velas que balançam
Num mar de gaivotas,
Num rio de cobra-grande,
De sombras,
De ação,
De polos de ação
Da poluição.
Ação de embarcação,
Sem mão nem contramão,
Talvez haja assombração,
– Embarca não, João!
– Pois não!

Tua vela, João,
Já era: – Rasgou com o tufão!
Vento terral: – que maldição, João!

Ação de sombras
São sombras
Com assombração
No mar-rua-rio, João,
As caras velhas
São velhas caras,
Caríssimas!

(Da coletânea “Poemas, poesias e outras rimas” que será lançada em 23 de fevereiro em Macapá)

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