Chá da tarde

A noite é só nossa
Ray Cunha

Meu bem, estou à tua espera, vibrando de alegria
Pois esperar-te é como a emoção que precede o garimpeiro
Ao encontrar a maior pepita de ouro
No morro do Salamangone, Serra Lombarda, município de Calçoene
Dez anos depois
Como a felicidade de abraçar crianças que escaparam de um barco que afundou
Ao largo do Marajó
Ver rosas nuas em toda parte
Só de te esperar!
Amor da minha vida, esta noite será eterna
Porque nesta casa
Só haverá nós dois e a noite, presente de Deus, para ti
Já arrumei tudo, as flores, o vinho e a comida, camusquim com camarão pitu
Seremos nós dois e uma infinidade de diamantes
Que só encontramos no céu de Macapá, em agosto, nos anos 1960
Ouviremos La Cumparsita, na voz de Julio Iglesias, e dançaremos
Lentamente, nossos lábios se roçando
E ouviremos Suave é a Noite, com Alcione
E Granada, com Juan Diego Florez
Então, voando nas asas de Dom Pérignon, safra de 1954
Sentirei o sabor da tua pele e do teu púbis, e beberei colostro
E será madrugada
A quem ofertarei teus gemidos, que espalharei no jardim da minha alma
Mulher amada
Vem logo
Pois a noite já chegou
Como um navio, um continente, uma galáxia,
Só nossa!
  • Esse menino é bom, mesmo. Fomos parceiros, na juventude, de boas jornadas na poeira cósmica da via láctea.
    Uma pena que do morro de Salamangone hoje só reste lembranças, como essa, eternizada em sua poesia.

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