Chá da tarde

Um passeio na orla
Bruno Muniz

Eu vi o rio levando o andor
e um povo envolto às pausas do açaí;
vi das pedras fortes, ido ao norte, um São José,
e um pouco à frente,
ao sorvetear todo o sabor de um bacuri,
sentei a ver cada detalhe do lugar:
“Um pesqueiro quando às águas é doutor?”
“Como o arteiro beira o céu a esculpir!”.
Na boca da noite,
Alcinéa traz os versos ao passar.
Na volta pra casa,
uma rede bambeia ao soluçar do vento
e um vazio mede as horas da maré;
às esquinas paradas no tempo,
uma placa encostada no muro
descama à sombra do sol
que reluz à cor do jambo:
“Bem-vindo a Macapá”.

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