Chá das cinco

Vem comigo!
Alcinéa Cavalcante

Vem comigo!
Vamos sair por aí plantando alegrias.
Traz um pincel, eu levo a tinta
e pintaremos de verde-esperança
todas as venezianas daquela ruazinha
por onde passeamos tantas vezes de corações dados.

Vem comigo!
Vamos plantar dálias, rosas e margaridas na velha praça
onde dividíamos algodão-doce no arraial do padroeiro
quando ainda tínhamos medo de pecar.

Vem comigo!
Vamos plantar papoulas vermelhas e amarelas nos canteiros da ladeira
para alegrar a cidade e os passantes.
E depois – cansados e felizes – tomaremos um sorvete.
Eu te darei um beijo sabor tucumã
tu retribuirás com um beijo sabor açaí.
Vendo isso, o Anjo que nos acompanha
– cheinho de ciúme – dará de asas
(tu sabes, poeta, os anjos nunca dão de ombros)
mas Deus sorrirá e acenderá sóis na nossa estrada.

  • Alcinéa ou para os intimos (como eu) a Estrala azul. Tu já sabes o carinho que tenho por tí então só posso dizer que quando te encontrar “Eu te darei um beijo sabor tucumã” para não me esquecer. rsrs.. Abraços.

  • Alcinéa,
    Sempre tive mais afinidade com números do que com letras, a minha análise sempre foi mais combinatória do que sintática, já li muitas poesias aqui, no entanto, esta poesia transmite leveza, mistura o amor mágico com o divino. Parabéns a você e a todos os poetas que em quadras expressam a beleza e a pureza do ser.
    Sds,

  • Oi!
    Sou fã do poesia na boca da noite. Adoraria poder participar, mas acontece sempre no meu horário de trabalho. Minha filha já começou seus “rabiscos poéticos” como este:
    “Contradição
    A maior tristeza do amor,é não ser amado
    A maior angústia de ser amado,é não amar
    O maior medo de dar,é de não receber
    O maior medo de receber,é de não querer dar
    A maior dificuldade de aproximar-se,é a distância
    A maior dificuldade de distanciar-se,é a aproximação
    A maior alegria da partida,é a chegada
    A maior tristeza da chegada,é a partida
    O maior medo de querer,é não ter
    O maior medo de não ter,é querer
    A maior aflição de gostar,é perder
    A maior aflição de perder, é gostar (…)
    Alorrane Santos.”
    Quando der, terei imenso prazer em levar minha Loló ao poesia na boca da noite.

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