Poema do Retorno

Poema do Retorno
Alcinéa Cavalcante

Voltaste
driblando nuvens e pássaros
e trazendo nas mãos
estrelas azuis que me encantam.

Durante a tua ausência
tentei plantar a paz,
clamei pelo direito de ser livre
e colhi dores e desenganos
que abriram feridas profundas
e machucaram o meu verso,
inaugurando revoltas e frustrações.

Voltaste
trazendo no olhar marrom
esperanças que arranham
as minhas desesperanças.

Mais uma vez,
talvez inutilmente,
uniremos nossos gritos
pedindo liberdade para viver
amar
cantar
e sorrir.

Serão protestos aos crimes
cometidos contra a liberdade
os nossos gritos
(ainda que não encontrem eco).

Mas, se te faz bem,
posso dizer
que não é proibido
sonhar que todos os caminhos se abrirão
e a liberdade será uma realidade palpável.

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