Poeta em destaque – Maria Ester

ester1Ela estreou na literatura com o romance “As aventuras do professor Pierre na terra Tucuju”, lançado em 2013 na Feira de Livros do Amapá. Mas além de romances e contos, escreve poesia. E das melhores. Está na coletânea “Poesia na Boca do Rio”, que reúne 16 grandes poetas amapaenses e será lançada neste mês de março.
“O ato de escrever pode ser um dom, mas para mim é um desafio, sinto responsabilidade por isso, mas é também uma tarefa imensamente prazerosa, sou dedicada”, diz.

Quero ser atemporal!
Quero contar minha estadia no mundo
Em momentos de felicidades e desatinos.

Maria Ester Pena Carvalho diz que  escreve por necessidade, mania, vício… Gosta de escrever à noite, rodeada de livros e tendo ao lado uma garrafa de café. “Sou movida a cafeína”, conta. E escreve de fôlego, quanto mais inspirada mais os versos fluem… naturalmente. E não sente fome, sede (a não ser de café) nem vê o tempo passar. Fica horas e horas tecendo versos nas noites estreladas ou nubladas.
Escreve, reescreve, lê, relê. Tem a mania de conversar com os escritos, gesticular, fazer caretas pra eles. Isso quem conta é uma amiga dela.

Atendendo um convite meu filiou-se ano passado à Rede de Escritoras Brasileiras (Rebra) e um de seus contos foi publicado na coletânea da Rebra do ano passado. Agora em março, no Salon du Livre, em Paris, será lançada a antologia “Ainsi écrivent les bresiliennes” … e… adivinha! Está lá um conto da Ester. A menina que conta as aventuras do professor Pierre e faz poesia quando o sol se poe já pode se considerar internacional. Né não?
Ela participa ativamente dos movimentos culturais. Debate sobre literatura produzida no Amapá, declama poesias suas e de outros autores (é apaixonada pela poesia de Aracy Mont’Alverne) e faz parte do Movimento Poesia na Boca da Noite e do grupo poético Pena & Pergaminho.
Até o final do ano lançará seu primeiro livro de poemas – o que vem sendo cobrado há muito tempo já por amigos que conhecem algumas de suas poesias. Belas e doces como esta:

Olhos doces

Quando os teus olhinhos de jabuticaba
Encontraram os meus grãos de café,
Ah! Eu soube, num instante,
Que nunca mais estaria só.

Posso apertar os olhos de emoção,
Posso fechá-los para dormir,
Ou de vez, quando meu tempo acabar,
Sei que os teus olhos estarão lá, a olhar por mim.

Posso não vê-los por um momento,
Mas ainda assim estarão em mim.
A dizer, como naquele primeiro encontro,
Docemente e num relâmpago:

Cuida de mim,
Que seremos dois, juntos,
Viajantes neste mundo enorme
De agruras e venturas.

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