Poeta em destaque – Pat Andrade

A gaveta está aberta…
pega da pena e vai.
cumpre a tua sina, poeta.
(Pat Andrade)

A poesia de Pat Andrade atravessou os mares e ancorou em Portugal, mais precisamente na Cidade do Porto, onde ontem foi declamada e aplaudida no Sarau da Lua Minguante.

Numa rápida entrevista ao blog, Pat contou que  através da poesia extirpa dores e desamores, frustrações, cansaços, angústias, rancores. “É através da lente imaginária da poesia que posso ver um mundo melhor, com mais amor, harmonia, inteligência.

Ela se apaixonou pelos versos  ainda quase criança. Pré-adolescente fez um caderno de versos no qual copiava trechos de poemas que lia por aí e gostava. Nele também rabiscou seus primeiros versos.
Pergunto a ela quais seus poetas preferidos e ela lembra que seu primeiro amor nessa arte foi Vinicius de Moraes. E conta:
“Aos 15 anos, ganhei de presente da minha mãe – que também escreve poesia – um diário com poemas de Vinícius de Moraes, meu primeiro poeta, meu primeiro amor na poesia.
Depois veio o Augusto dos Anjos, com sua poesia maldita e forte. Foi ele que me ensinou que ninguém assistirá ao formidável enterro de minha última quimera…

E depois disso, já estava na veia. Outros poetas vieram: Mário Quintana, Paulo Leminski, Maiakovski, Cora Coralina, Charles Bukowski, Drummond, Martha Medeiros e tantos outros.

Todos meio irreais, intocáveis, distantes, embora objeto de minha admiração.

Aí, vieram os mais próximos, os que eu quase podia tocar: Alcy Araújo, Isnard Lima, Ruy Barata.
E, finalmente, os que posso ver, ouvir, conversar e amar. Entre eles, Joãozinho Gomes, Alcinéa Cavalcante, Manoel Bispo, Obdias Araújo, Fernando Canto, Marven Franklin e outros.

Põe poesia
na mesa vazia
e faz dela
o teu prato do dia
poe poesia
na noite insone
e, se der, mata
a tua fome…
(Pat Andrade)

“A poesia me salva de muitas maneiras”, diz  Pat. “A poesia me sustenta. Dela tiro um pedaço do pão de cada dia”. Sim, Pat sai por aí vendendo poesia. Com seus livros (que ela mesma produz, cada um deles uma carinha única, como capas exclusivas e ilustrações autorais) e cartões poéticos embaixo do braço vai aos cafés, restaurantes, bares,  eventos literários, shows e onde mais couber poesia. “Todos os dias faço  longas caminhadas, porque acredito que “todo artista tem de ir aonde o povo está” (e também porque preciso)”.
Por onde chega é recebida com carinho. Sua poesia encanta,  por isso todos querem comprar.  Além disso, Pat é doce, delicada, papo super agradável. Sua presença – como as flores – embeleza e deixa pleno de ternura qualquer ambiente.
Mas ela diz que não é sempre assim, não. “Infelizmente, nem tudo são flores. Assim como há quem goste de poesia e me trate com o mais profundo carinho, o sentimento inverso também se faz notar, às vezes com mais intensidade, até”.
Ah, mas quando isso acontece – que é muito raro, eu sei – ela responde com poesia, como essa:

meu traje te incomoda,
minha aparência te choca,
meu olhar te aborrece,
minha voz te provoca,
minha natureza te fere,
minha fala te anula,
minha poesia te cala.
(Pat Andrade)

E a poesia acaba calando mesmo o mal educado. Sua poesia tem atravessado fronteiras. Já chegou em Portugal e no Brasil está conquistando bons espaços. Recentemente alguns de seus poemas foram selecionados para a Coletânea Jaçanã e outros estarão na 15ª edição da revista  LiteraLivre.
Grande parte de suas poesias está publicada no Blog de Rocha, do jornalista Elton Tavares.

  • Obrigada, Alcinéa. Fiquei emocionada. É muita farinha pro meu pirão! Beijos carinhosos e gratos!

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