Artigo

“Mudança” ou “Harmonia”? Eis a questão!
Lourival Freitas*

Quem acompanha a política no Amapá pode identificar facilmente a disputa entre duas principais forças políticas nas últimas quatro eleições para o governo do Estado. De um lado a força liderada pelo PSB comandada pelos Capiberibes, que governou o Estado por oito anos, e do outro lado a força que elegeu Waldez Góes para suceder o governo do PSB/PT e que também ficou no governo por oito anos. O PT que ficou junto com o PSB nos primeiros oito anos pós Barcelos, acabou migrando para o lado do Waldez, vestiu a camisa azul e participou do segundo governo da chamada “harmonia”. Na última eleição o PT decidiu retornar ao convívio do PSB e veste novamente a camisa amarela e participa do atual governo da “mudança”.

Qualquer que seja o partido ou coalizão haverá no seu governo aspectos positivos e negativos. É fácil perceber que do lado negativo, a “harmonia” é um agrupamento caracterizado por uma administração perdulária, populista e irresponsável na administração que teve um fim triste na operação “Mãos Limpas” da Polícia Federal. Mas eles se vangloriavam de promoverem a harmonia entre os poderes, uma boa relação com o funcionalismo público e a paz reinava entre os agentes políticos.

A turma da “mudança” é criticada por não cumprir acordos, arrogância e truculência na relação com o funcionalismo público e perseguição aos empresários. Mas o PSB e seus aliados tem mostrado maior seriedade na gestão dos recursos públicos, responsabilidade e transparência na administração pública e grande promoção dos valores culturais da nossa terra.

O clássico debate ideológico que acontece em todas as democracias do mundo está totalmente ausente da disputa política no Amapá. PT e PSDB aqui no Brasil travam este debate. Nas recentes eleições na França e nas próximas nos Estados Unidos, a disputa é entre partidos de centro-direita que defendem mais a eficiência econômica do que a igualdade social; e partidos de centro-esquerda que pregam a melhoria de vida dos mais pobres através de gastos com programas sociais e transferência de renda. Até a polêmica sobre o modelo de desenvolvimento (PDSA) presente no primeiro governo do PSB/PT foi totalmente esquecida.

A ausência deste debate ideológico reduziu a política no Amapá a uma disputa meramente eleitoral entre grupos, sem conteúdo programático ou ideológico. O debate moralista, puritano e maniqueísta não constrói nada e tem um efeito pedagógico negativo que resulta na deseducação política do nosso povo. O verdadeiro debate fica totalmente envolto em um festival de acusações, animosidades e intrigas que impedem o eleitorado de optar por um governo que aponte o verdadeiro caminho para o desenvolvimento do nosso Estado.

Pior do que a ausência do debate político qualificado é a transformação do exercício do governo em mera preparação para a próxima disputa eleitoral. O governo da “harmonia” ilustra bem o quanto foi danoso para o Amapá este tipo de comportamento. Devido ao descontrole das finanças públicas decorrente de gastos exagerados e improdutivos com a finalidade de criar felicidade artificial e faturar a próxima eleição, estamos pendurados em dívidas que comprometem seriamente o nosso crescimento econômico.

O meu temor é que a “mudança” não resista à tentação eleitoral e que continue transformando as decisões corretas do governo em batalhas com seus adversários ou possíveis desafiantes. Perde-se precioso tempo em pendengas políticas com setores ou atores que de certa forma demonstram independência política ou não aplaudem o governo.

Para ficar em apenas dois exemplos refiro-me à disputa com o senador Randolfe Rodrigues pela paternidade da banda larga. A disputa com o senador teve um custo considerável à nossa combalida receita estadual através da concessão de benefícios fiscais a uma solução diferente daquela encaminhada pelo senador e o Ministério das Comunicações. Nas desastradas negociações com os médicos e professores parece que o objetivo maior era deslegitimar e desmoralizar o movimento e impor-lhes uma derrota e desgaste perante a opinião pública. O prejuízo para a população poderia ter sido evitado.

Com o foco na próxima eleição, “harmonia” e  “mudança” por caminhos diversos produzem o mesmo resultado indesejado: perda de tempo e dinheiro imprescindíveis para a solução dos nossos problemas.

Espero que o PT, que ajudou a eleger este governo, vista sua camisa vermelha e possa contribuir para mostrar que o importante para a população é que exista uma determinação de construir uma arquitetura estatal que alie o investimento social, principalmente educação, saúde, segurança e transferência de renda, com equilíbrio de contas públicas, planejamento de longo prazo, rigorosa política de gestão administrativa alicerçada na eficiência do dispêndio público e investimentos em infraestrutura. A disputa tem que ficar para o período eleitoral.

*Lourival Freitas é ex-deputado federal – PT/AP

  • Texto interessante. Só ressalvo que “A ausência deste debate ideológico” não é privilégio do Amapá, e sim do Brasil. Aliás, no AP “deseducação política do nosso povo” é assim pq temos a economia do contra-cheque. E no Brasil é assim, pois a política PTista assistencialista dos 7233 tipos de bolsas existente emburrece politicamente a população q fica refém do governo.

  • Que bom ver uma crítica que não caiu na vala comum do maniqueísmo harmonia/mudança. Só vale dizer que partidos como o PT (e que se cuide o PSOL!) não são mais porta vozes, senão daqueles que os tem utilizado para manter cargos e vantagens pessoais afundando o Estado no atraso e entupindo as instituições públicas de gente despreparada para encaminhar as demandas da sociedade.
    É preciso surgir alternativas “eleitorais” que superem esse modelo nefasto de política no Amapá.
    Nesse ponto nem o Randolfe fez seu dever de casa com seu aliancismo desesperado na última eleição.

  • Me pareçe que o PT desde 2002 não consegue unidade,a dep Dalva que paricipou ativamente da antiga harmonia, não aceita a vitória do Joel. Essa é a democracia do PT, não conseguiram se quer lançar um nome para concorrer a PMM, e agora fica chorando ter que ir de vice. Mas não abre mão do espaço que ocupa na gea. Realmente fAZ FALTA O PT do BAtista e do Pery.

  • Parabéns Lourival pelo seu artigo, porém em relação ao último parágrafo, considerando as participações do PT nas administrações do dinheiro público no Amapá, suas esperanças são utopias. TU SABES……A SE EU TE PEGO BONITINHO.

  • Sinceramente, tenho saudades do PT do professor Manoel Batista, do Pery Arquelau e muito outros, lembro até de um mimiografo a pasta que ficava na garagem do batista, ali começava o PT, não sei de qual PT se fala hoje, o da Dalva, o do Nogueira, o do Joel, eu hem é tanto dono sabe~se la quanro cada um vende a sua metade, de verdade sinto saudades da camisas vermelhas na rua, mais defendento o traabalhador afinal não foi com está bendeira que cresceu o PT, afinal não é o partido dos trabalhadores? Mais qquais trabalhadores? Essaé a quatão que o diga os trabalhadores da Educação, alô atual senador e deputada federal vcs também não são professor? eu Hem Deus me livre, agora intendo porque de um velho jargão….eles são traira…..

  • Muito boa análise! Quem perde nesta briga, com certeza é o povo amapaense.
    A maioria de nossos alunos estão sem aula, devido a irresponsabilidade dessas brigas de “egos”.

  • Mesmo longe, e acompanhando diariamente o cotidiano carregado de mazelas e viciado em notícias politicamente ruins, não consigo deixar de chorar por dentro, ao observar as notícias que qualificam o Amapá como o lugar mais irresponsável no que tange à aplicação do erário brasileiro, tão sofridamente arrecadado. Quem olha do prisma que vejo, apenas observa uma terra cheia de paraquedistas aventureiros, que se aliaram a nativos inconsequentes para delapidar o montante remetido pelo poder público federal.
    Dá nojo, dá tristeza e desesperança… espero que os verdadeiros amapaenses acordem a tempo. enquanto ainda há tempo…

  • NOVAMENTE O AMAPA PASSA VERGONHA NO JORNAL NACIONAL OBRIGADO A TODOS OS NOSSOS POLITICOS CARA DE PAU.A HORA QUE ELES APARESEM NA TELEVISAO FALANDO QUE ESTAO LA PARA REPRESENTA A POPULACAO EU MORRO DE RI

  • ” Gostaria de trabalhar com pessoas mais politicas e menos técnicas” palavras do Diretor presidente de uma autarquia, o IMAP. O por quê disso não sabemos, ou sabemos?

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