Minhas histórias, minhas paixões

Minhas histórias, minhas paixões
Carlos Sérgio Monteiro*

A Política

O ano era 1985, a dor ainda estava presente com a morte do meu pai, Luiz Carlos Araújo Monteiro (17/04). Nesta época, eu peregrinava nas oficinas mecânicas como vendedor da White Martins (solda, maçarico, máquinas, etc.) num Corcel II azul do meu irmão Luizinho.

Em junho/85 bate na porta do meu apartamento o amigo de muitas estripulias e peripécias, desde Macapá até Belém – alunos da Escola Técnica Federal do Pará, Sandro Azevedo que me convida para trabalhar na campanha eleitoral do seu pai, Azevedo Costa.

Resolvi apostar no projeto, trocando um salário de R$ 3.500,00 (dinheiro de hoje), da White Martins, por uma ajuda de R$ 1.000,00, para trabalhar como mobilizador.

Naquele tempo, a justiça eleitoral credenciava os partidos para tirarem o título de eleitor e nós, com uma mão preenchíamos o formulário para tirar o título de eleitor e com a outra entregávamos de casa em casa, as propostas do candidato.

Cumprida a primeira etapa em Macapá, fomos pra Santana, que era distrito de Macapá. (Adoro fazer campanha em Santana). Foi a primeira vez que me envolvi em campanha eleitoral, confesso que apaixonei ao ver os diabinho (hoje fake news) do Raimundinho Capiberibe, as estratégias de Manoel Dias (Duca), João Capiberibe, Leonai Garcia, César Bernardo, Paulo Guerra, Jurandil Juarez, Manoel Costa, Douglas, Abdon e tantos outros… No comando do marketing estava Walter Jr., um banho de competência para fazer do professor de inglês, perseguido da ditadura militar, negro e pobre, Raimundo Azevedo Costa, Prefeito de Macapá, com o slogan “Macapá vai brilhar”, na voz do interprete Dominguinhos do Estácio.

Prefeito Azevedo Costa e Vice Raquel Capiberibe, venceram a eleição, sendo os mais votados proporcionalmente de todo o País. Raquel, dava o tom feminino, professoral e de mulher aguerrida. Ela mostrava o lado social que Macapá precisava resolver.

Fazendo um corte epistemológico, me vem a lembrança a estratégia marcante de pegar o candidato Azevedo Costa, que era bom de discurso no palanque, não colocar, por enquanto, no programa de Tv. Um mês de campanha e já havia um clamor do eleitorado. Cadê o Azevedo? Na verdade estava sendo preparado pela equipe de média training (nessa época nem era esse nome. Kkk). Os adversários tremeram quando viram o professor negro na telinha, dando show com a apresentação das propostas para governar Macapá. Todos os dias quando terminava o meu trabalho de mobilizador, me enfurnava no comitê central que funcionava na Rua Cândido Mendes com Av. Pe. Júlio Ma. Lombaerd. (Prédio do Seu Celestino) para ver os meus ídolos da política local. Júlio Pereira (PDT) e Geovane Borges eram os grandes adversários de Azevedo Costa, principalmente pela força que tinham no sobrenome e na estruturas econômicas, a BETRAL e a máquina da Prefeitura de Macapá, respectivamente, já que o primo Jonas Pinheiro Borges era o prefeito de Macapá (tampão). Refrescando a memória, me vem a cabeça um fato pitoresco, quando os apoiadores de Geovani Borges, escrevem nos muros dos moradores do bairro do Trem: “O TREM ESTÁ COM GEOVANI”. Na calada da madrugada, fomos completar a frase: “E OS PASSAGEIROS COM AZEVEDO”. Kkkk Foi uma campanha de muito aprendizado. Inesquecível!
Com a posse de Azevedo Costa e Raquel Capiberibe, fui o primeiro do segundo escalão nomeado Diretor de Material e Patrimônio da PMM, meu primeiro emprego público, o que aproveito para agradecer eternamente ao Prefeito Azevedo Costa e ao amigo Sandro Azevedo (Secretário de Administração). Aliás, não poderia deixar  de mencionar os intermináveis debates na maloca do Circulo Militar que protagonizávamos com o amigo Zé Maria, secretário de administração do prefeito Jonas, Luiz dentista da CEA.

Esse primeiro passo me fez conhecer na prática as campanhas eleitorais para depois estudar e chegar a Consultor Político, uma das minhas profissões preferidas. Depois de 34 anos nessa estrada com muito mais vitórias do que derrotas, continuo sendo um eterno aprendiz, um eterno aluno, afinal nenhuma campanha é igual a outra, não tem receita de bolo, não tem Ctr C Ctr V.

Ao término de cada campanha sempre prometo que aquela foi a última, vou parar, esquecer política, campanha eleitoral, vou me aposentar. Aí chega alguém pra me fazer mudar de ideia. Sou um apaixonado, sonhador dessa cachaça político/eleitoral e olha que essa porra já me deu tantas decepções.

Bem fique atento, nos acompanhe que no próximo capítulo vou contar sobre a minha primeira campanha eleitoral que coordenei, elegendo Luis Banha (PTB) para vereador de Macapá, junto com Carlos Lobato, Paulão, Isaias Lima, Tio Jair, Mário Cuia, Tia Orlandina, Breka, Dona Nair, Lair e tantos outros.

*Carlos Sérgio Monteiro é advogado, consultor político e jornalista

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