Sapiranga e os amigos da Favela

VALEU. COMO VALEU
Milton Sapiranga Barbosa

Moacir e Sapiranga
Moacir e Sapiranga

“Você não tem créditos para  completar essa ligação” .  Toda vez que tentava fazer uma ligação e recebia esta informação, ficava fulo da vida (puto se preferir). Primeiro pelo esquecimento de ligar para *200 para consultar saldo e segundo, porque o posto de recarga mais perto, nem sempre tinha cartão ou recarga disponível pelo sistema on-line, forçando-me andar, ou melhor, pedalar um pouco mais. Na última quarta-feira, quando tentei ligar e recebi a tão odiada informação,  não me aborreci, tiquinho de nada, pois tinha  contatados  com todos os  meus  amigos de infância, que estavam com seus telefones livres. Infelizmente, uns estavam  desligados  ou fora da área de serviço. Todos os  convidados para abraçar  o amigo Walter Miranda Maia,  39 anos ausente de Macapá.

Compareceram Aluízio Cuiú, Biló do Gaivota, Galo Vick, Zé Góes,

Rui, Antônio e Galo
Rui, Antônio e Galo

Moacir, Antônio, Pires, Paulo, Ruy  e até o Alcione, que estava atarefado arrumando as malas para viajar a Belém, deu uma passadinha na casa do Domingos para rever  seus velhos amigos da Capelinha e do Grupo de Escoteiros São Maurício. Como convidada hiper especial, sempre   com  seu lindo sorriso, recebida  de pé pelos presentes, não podia faltar, como não faltou, a  minha poetisa preferida  Alcinéa Cavalcante. Pena que não consegui  falar com sua irmã Alcilene, outra pessoa querida por todos os favelenses .

afavelaO  encontro foi uma festa, um verdadeiro festival de gargalhadas. Durante o papo gelado, como não poderia deixar de ser, relembramos situações vividas na  infância, que nunca canso de repetir, FELIZ, no querido bairro da Favela. Causos do arco da velha, afinal de contas, o mais novinho ali  já  passou dos   cinquentinha.. Entre os muitos causos narrados, destaquei  os  que seguem:

1)-Numa  partida de futebol de salão,  jogada  no campo de chão

Walter Caíta
Walter Caíta

batido da Capelinha, o Walter Maia  deu uma  senhora bicuda, a poeira subiu e a bola sumiu. Cadê a bola? perguntavam todos, até  que alguém olhou  e gritou: “Olha tá enfiada no dedão do Caíta (apelido do Walter) .

2) –  Numa noite de quarta feira, dia de estréia de filme no Cine Macapá, o Moacir e o Boquinha, chegaram  na casa  do Wálter Maia  e o convidaram para  acompanhá-los. O Walter não queria ir de jeito nenhum. Para convencê-lo,  o Boquinha falou: “Vamos que eu  pago  a tua”. Quem resistiria a um  convite desse tipo? Pois é, o Walter também não resistiu, se  arrumou  e  acompanhou  os dois  amigos. Chegando em frente a bilheteria do cinema, Moacir e Boquinha disseram: “Wálter, paga as nossas entradas”.  Mesmo tendo sido sacaneado, o Wálter  só fez  sorrir  e comprou os ingressos.

3) – Mesmo  ausente por questão de trabalho, o Bilica, não escapou. Ele  e o Wálter  aprontaram  uma traquinagem daquelas, mas só o Bilica, que era o menor, foi pego pelo guarda boa praça Waldemar, que ao botar  as mãos no moleque pergungou: Como é teu nome? E o Bilica, Satiro! Quem é teu pai? E o Bilica, Ramiro. O guarda mandou ele embora, não sem antes ameaçar:  VOU CONTAR TUDO PRO TEU PAI! No outro dia, coitado, o SATIRO mostrava as costas marcadas pelo surra com galho de cuieira, que o Ramiro lhe aplicara, depois do fuxico do seu guarda. E o Bilica sorria, que sorria. Sim, o nome do pai do Bilica? Felix Alcântara do Couto.

4)- Também contaram que o Pires, filho caçula do Seu Wilson Maia, estava  com catapora, mas não dispensou um banho de chuva, para  desespero  de  sua mãe , dona Iracema, que ao ver o moleque na biqueira da casa gritou, muito brava e preocupada: Moleque, saí já  dai, não vês  que estás com catapora e podes morrer? E o Pires mandou em resposta: Mamãe, catapora não é nada e se eu morrer eu me compro outro. Pode?

E  não parou por aí, mas  vou  deixar  para contar o restante depois do próximo encontro, já marcado para Fevereiro, quando estarão em Macapá, vindos do Rio de Janeiro,  os irmãos Branco e Boquinha.  Aí sim, a coisa vai pegar, mas com certeza, mais uma vez, poderei dizer. VALEU, COMO VALEU! mesmo ouvindo outra vez:  VOCÊ NÃO  TEM CRÉDITOS…

  • Olá amigo MILTON BARBOSA, foi realmente algo fantástico o encontro na casa do Domingos, principalmente pela presença da nossa querida Alcinéa(essa tem origem, nome e sobrenome). Foi ótimo rever velhos e queridos amigos de infância como o Gajo(Alcione), Aluisio Cuiu, o Galo, Chope e os demais. Lembrar dos momentos felizes renova a alma e a mente e isso nos trouxemos eu e o Walter de retorno às nossas cidades. Um fato me deixou triste, foi ver a Lagoa dos Indios de muitas cambadas e cambalhotas estar servindo de depósito de óleo mineral provocando a morte de alguns peixes que ali teimam em sobreviver. Um abraço a todos e prometemos que ano que vem, com a permissão de Deus tem mais.

  • Ola milton vi a foto do meu querido padrinho a seu lado meu padrinho e mano esta um pouco fora de forma. = vc continua o mesmo .abraço

  • O Sapiranga, acompanho sempre as suas histórias da bairo da favela, fico imaginando como seria há 30 anos, fico feliz em saber que você foi amigo do meu pai Pataca, Magro e Dijesus. A Oswaldina mora em Belém há muitos anos, mas hoje ela está passando uma temporada aqui, na casa do Sérgio Sampaio Figueira. Ela está planejando ficar por aqui, e ainda continua com aquela voz linda. abraço.

    • FÁBIO, só uma correção, fui, não, sou amigo do seu pai pra todo o sempre. Fico feliz em saber que a Osvaldina está bem, assim como os demais da família Figueira. Mas ela está em Macapá ou Fortaleza. Obrigado por sua atenção as minhas modestas crônicas.

  • Ô Tricolor vc se confundiu foi com o caçula dos maias que sou eu, e não o Pires, que é o penúltimo, mas valeu muito esse grande encontro e da próxima teremos um grande local para relembrar todas as historias que ficaram marcadas em nossas vidas, um abraço Néa e Lene ( a musa da mini saia)!

    • Amigo Paulo, descculpe, mas juro que pensava que o Pires, pirex para os íntimos, era o filho caçula do casal Wilson/Iracema Maia. Fica valendo a coreção.

  • Foi na Favela que nasci e aprendi muitas coisas boas, mas sou fruto da familia figueira, neto do Manoel Figueira, popularmente conhecido como “Manelão”, foi garçom do Hotel Macapá por muitos anos, era um apaixonado pelo paysandú. Através desse maravilhoso emprego, criou o Francisco de Assis Guedes figueira, masi conhecido como “Pataca”, José Alberto Guedes Figueira (o magro), Manoel de Jssus Guedes Figueira, (o Dijesus) e Nazaré Guedes Figueira, a Nazi. Cresceram na Favela, criaram histórias inesquecíveis, e hoje são lembrados por muitos que ali conviveram. Quero apenas homenagear a minha familia, que tambem tem história nesse bairro de grandiosas lembranças. Parabéns pelo encontro dessa velha guarda, pessoas que tambem fazem parte da criação do bairro.

    • Fábio,
      que bom te encontrar aqui no blog.
      Realmente, a família Figueira tem história no bairro e é importante.
      Lembro muito do Pataca e do Magro e das peripécias deles nos tempos de estudante.
      A Naza é uma grande amiga verde-rosa.
      Fábio, receba meu carinhoso abraço e volte sempre.

      • Fábio, um abraço bem grandão, para enlaçar vc e os amigos Pataca, Magro e o DiJesus. Jogamos muita bola no campo do Jacareacanga, área do aeroporto e nos campinhos onde hoje estão construídos o CCA e a Pediatria. Na sua relação faltou a Osvaldina Figueira, que foi locutora na RDM, dona de uma beleza corporal e uma voz linda. Por onde ela anda?.

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