Velho graças a Deus (continuação)

Milton Sapiranga Barbosa

Sei que muita gente  vai se perguntar: “como pode um texto finalizado ter continuação?” Eu  Explico.  Tive que  voltar  ao assunto porque o motorista apressado e fdp que quase me manda dessa para melhor, como se costuma dizer, me conhece muito bem. Cheguei  a  essa conclusão,  após receber um  telefonema por volta de 20 horas  do  dia 10/09/09, quando um cidadão me chamou de “Sapiranga”, com  tanta intimidade, que pensei: esse cara me conhece. Era verdade. Mesmo   ele  não tendo  se identificado e  tomado todas  as precauções para não ser rastreado, pois tendo o número de meu telefone em sua agenda telefônica, ligou de um orelhão. No papo, ele se  desculpou pelo incidente, quase acidente, dizendo que  naquele  dia estava com pressa e perturbado pois  um  parente seu estava em estado grave.

Disse  que ficou sabendo do caso ao ler  meu texto aqui no blog da Alcinéa, de quem ele, como  eu  e milhares, também é fã.  Em resposta, disse-lhe  que  estava tudo bem,  que  “quase” não é “acontecido”, e finalizamos a conversa. Só que ele não sabia que há muito já o havia perdoado. É possível, que depois que  ler este relato, ele  possa se apresentar, para  nos abraçarmos e darmos boas risadas com o ocorrido.

A  continuação, do “Velho graças a Deus”, é  também para agradecer  as pessoas que postaram comentários no blog, de incentivo, cumplicidade e, principalmente, de felicitações pelos meus 64 anos de vida. Aos amigos conhecidos e  aos desconhecidos, que  já  estão  dentro do meu órgão  bombeador   de sangue, como a Tica Lemos, que segundo ela, já está também na fase do SOU DO TEMPO QUE:  se comprava caranguejo no côfo direto das mãos do cabloco, sem  a figura do famigerado atravessador. Sou do tempo que farinha era vendida no paneiro. Sou do tempo que se comprava  banana em  dúzia, penca ou cacho, melancia a unidade, sem a maldita pesagem, na qual o consumidor não sabe se a balança foi corretamente aferida, mesmo sendo digital. Sou do tempo que Macapá tinha banheiro público, do tempo que a LBA distribuía leite do programa Aliança  para o Progresso. Sou do tempo que o governador Janary  homenageava o trabalhador  no Dia  1º  de Maio com churrasco à vontade no Glicério Marques. Sou do tempo que se tirava retrato e se guardava as louças no “pitisqueiro”  e os perfumes na “ pintiadeira”. Sou do tempo que meu ídolo Altair Lemos jogava basquete no Amapá Clube e era o rei do lance livre, no estilo lavadeira (com as  pernas abertas, o atleta segura a  bola com as duas mãos e arremessa de baixo para cima em direção a cesta). Neste tipo de jogada, o Altair dificilmente errava. Sou do tempo do time de botão formado com tampas de bilhantina gessy, talco palmoliver, pomada glostora, do  remédio pepsamar e dos potes de pickles.  Nas tampas  colávamos fotos de jogadores dos times cariocas que vinham em bombons vendidos na casa Nely. Sou   do   tempo  que  se bebia  o Café Canário. Você bebeu Café Canário? Não?  Pois é,  eu bebi, e muito.  Finalizando, sou  do tempo que em Macapá se podia dormir de janelas abertas, varar quintais  dos vizinhos ou não, sem o menor problema.

Sou  da Macapá antiga, com aeroporto em pleno centro  da cidade. Sou  do tempo que em  Macapá  era muito melhor de se viver, disso não tenho dúvidas. Sou do tempo que… no the end.

  • Não nasci no Amapá também já passei dos sessenta anos, nasci na Bahia, Rio Real e tudo que você escreveu eu vivi. Lendo essa maravilha de texto me faz ter saudades desse clima de tranquilidade e paz. O mundo em muitos aspectos tem piorado, graças aos automóveis que vieram para azucrinar à vida.
    Parabéns Alcinéa, você é tri legal !
    Daniel de Andrade

  • Tica, quer dizer que vc é filha do inesquecível Altair Lemos? Que bom. Conheci seu pai quando ele jogava basquete. Era uma figura ímpar, em tudo. Meu cunhado Justo, zagueiro do Amapá, era muito amigo de seu pai e eu estava sempre por perto me divertino com as piadas, que o Altair contava como ninguém. Será que vc não é aquela moreninha bonitinha de cabelos enrolados e de um lindo sorriso? Terei muito prazer de papear com vc.É só marcar. Que te abençoe, sempre. Bjs. Sapiranga

  • OLÁ ALCINEA,TUDO BEM EU LI A SUA REPORTAGEM NA REVISTA EPOCA E ADOREI,É BOM SABER QUE VOCE NAO CONCORDA COM A VINDA DO SARNEY PARA PARA O AMAPA,COMO BOM AMAPAENSE QUE SOU NUNCA VOTEI NESSE CARA,EU NAO VEJO A HORA DESSE PILANTRA DEIXAR O AMAPA.BEIJOS.

  • Sapiranga, esse seu relato me levou as lágrimas. Além de uma saudade bonita que é falar de nossa Macapá de ontem, citar o meu pai, Altair Lemos, como alguém que deixou uma gostosa lembrança em quem com ele conviveu, mexeu comigo. Há 40 anos ele partiu e parece que virou fumaça os 36 que passou nessa terra. Quase ninguém mais inclui Altair Lemos nas histórias do carnaval, do futebol, do serviço público, na turma do buraco, enfim, você lembrou e eu amei. Por isso e por outras histórias que você presenciou, gostaria de conhecê-lo pessoalmente e lhe dá um forte abraço e saber mais um pouco das histórias de nossa cidade.
    Que Deus lhe proteja. Tica Lemos

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