Chuvas castigam Calçoene

Em Calçoene, carros e bicicletas foram substituídos por canoas
(Foto: Ascom/Prefeitura de Calçoene)

Desde sexta-feira chove sem parar no município de Calçoene, distante 370km de Macapá.
De acordo com a Prefeitura o rio já subiu quase 3 metros. A água invandiu casas e transformou as ruas em rios.
Desde sexta-feira passada que esta chovendo sem intervalo, ou seja, 24 horas por dia de chuvas torrenciais e agora a situação ficou muito séria e preciso da ajuda do governo Estadual e Federal disse a prefeita Maria Lucimar. Na quarta-feira ela viaja para Brasília em busca do apoio da bancada do Amapá na Câmara e no Senado.

Calçoene é conhecido como o município mais chuvoso do país. Meu saudoso sogro dizia que em Calçoene chove tanto tanto que lá pato escorrega na ladeira e urubu cai do pau.

Para saber mais
Achei no meu arquivo esta matéria da revista Meio Ambiente, publicada em janeiro de 2007, e repasso pra vocês:

“Identificado o local mais chuvoso do Brasil

Após analisar séries históricas de chuvas em mais de 400 estações localizadas na região amazônica, o município de Calçoene, no Amapá, com uma precipitação média anual de 4.165 mm, foi identificado como o local mais chuvoso do Brasil. O município, de apenas 7.000 habitantes, localiza-se no extremo norte do Brasil, na micro-região do Oiapoque, e abrange uma área de aproximadamente 14.000 km2. As principais atividades produtivas são a agropecuária, a silvicultura e o garimpo de ouro. A descoberta do ouro no rio Calçoene culminou com o surgimento de vários conflitos entre brasileiros e franceses de Caiena pela posse da terra, a qual foi, em 1900, anexada ao território brasileiro. Anteriormente, a literatura citava a região da Serra do Mar, entre Paranapiacaba e Itapanhaú, em São Paulo, com uma precipitação média anual de 3.600 mm, como o local mais chuvoso do país. Segundo Daniel Pereira Guimarães, pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo, situada em Sete Lagoas, MG, a falta de dados de registros históricos consistentes e de longa duração limitava esses estudos. A partir da criação da ANA (Agência Nacional das Águas), foram organizados bancos de dados contendo milhares de séries históricas em todos os estados da federação. Era natural de se supor que, na Amazônia, estariam os locais de maior pluviosidade. Segundo o pesquisador, a caracterização climática de uma região deve-se basear em dados consistentes e coletados por, pelo menos, 30 anos, fato ocorrido recentemente com a estação de Calçoene. O Atlas Climatológico para a Amazônia Legal, elaborado pelo Inmet, em 2001, baseou-se em apenas 100 estações e registros de séries históricas de dez anos. Com essa nova abordagem, informações mais detalhadas puderam ser obtidas para a região. A precipitação em Calçoene é cerca de três vezes maior que a registrada na cidade de São Paulo.

Entre janeiro e junho, praticamente todos os meses registram mais de 25 dias de chuva, ou seja, chove quase todos os dias. No ano de 2000, foram registrados quase 7.000 milímetros de chuva. A pesquisa permitiu a elaboração de um novo mapa da precipitação na região amazônica e mostra que existe uma enorme variação nos padrões de distribuição das chuvas. Roraima apresenta áreas no nordeste do estado onde a precipitação é muito inferior à média regional e a distribuição das chuvas mostra maior concentração nos meses de maio a julho, enquanto, nos demais estados, essa concentração se dá entre janeiro e abril. Áreas de baixa pluviosidade são também observadas no sul dos estados de Tocantins e Rondônia. Conforme o pesquisador, no Pantanal Matogrossense, as precipitações são tão baixas quanto as registradas no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, região do Polígono das Secas. As áreas de maiores precipitações ocorrem no litoral do Amapá e na região do estado do Amazonas conhecida como “Cabeça de Cachorro”. Em ambas, existem zonas onde as precipitações médias superam os 4.000 milímetros mensais. A identificação de Calçoene como o local mais chuvoso do Brasil coloca mais lenha na fogueira sobre a recente descoberta de um sítio arqueológico nesse local. O “Stonehenge Amazônico” é formado por 127 granitos megalíticos alinhados de forma circular, o que lembra um observatório astronômico, foi construído no período pré-colombiano e, curiosamente, no local de maior incidência de chuvas. Seria coincidência?”

  • O triste de Calçoene é que foi erigida em uma área muito baixa. Quando coincidem os dias de chuva com a lua cheia dá essa bronca. As águas do Rio Calçoene, empurradas pelo oceano sobem de nível, não conseguem escoar. Por isso mesmo a água da chuva não consegue drenar formando um grande lago temporário, represado pela própria água do Rio Calçoene.
    Para resolver isso só muita reza e promessa a todos os santos. Ou muito dinheiro e vontade política. Sabem quem seriam os caras certos para resolver esse problema? Os holandeses. São especialistas em tomar terra do mar. Mas acho que a população de Calçoene vai mesmo é continuar rezando.

  • Emquanto a agua invade as casa no Calçoene, minha falta água estou a mais de dois meses carregando água no balde, to me sentido na epoca da minha vó que se carregava nos baldes agua do poço para lavar roupa e outras afazerez domésticos como conta a minha mãe, não sei mais o que fazer, minhas minhas filhas acostumadas com o luxo da água jorrando nas torneira hoje sofrem com este nosso problema, varias vezes pedi para que viessem verificar o problema mas nada até agora sei que seu espaço não tem esta finalidade mais me senti a vontade para em desabafar aqui!!! E parabens pelo seu trabalho!

  • É triste o cenário, mas é a Natureza!
    Temos apenas que tentar atenuar seus trágicos efeitos!
    Sobre eles, digo que costumo correr pela nossa bela orla e vejo os visíveis estragos que a maré já está promovendo na mesma, peço as autoridades que tomem providências a respeito, sob pena de perdermos nosso principal cartão de visita, pois a tendência desses eventos é se agravarem!!O processo de erosão pluvial, fluviar, eólica e outros mais não perdoam a omissão do Estado!
    Estamos Observando>>

  • Em menor escala, a cena me fez lembrar do tempo em que minha rua (Coaracy Nunes quase de canto com São José) alagava. O que me deixava encabulado era o aparecimento instantâneo de tamatás. Não sei de onde surgiam (será que estavam enterrados, como acontece com algumas espécies de sapos?), só sei que surgiam grandes e gordos. Daí pra assar na brasa não dava trabalho e resultavam em um saboroso almoço.

  • Morei um ano em Calçoene e passei um “inverno” inteiro por lá. Quando fazia sol, os urubus se levantavam e se colocavam em cima das cercas e postes pra enxugar as asas. Os cães sofriam de depressão crônica, porque viviam encharcados e com fome. Não se via quase ninguém na rua de tanta chuva.

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