Andando pela cidade

Em suas andanças atrás de notícias, o jornalista Silvio Souza foi bater no bairro Novo Horizonte e lá viu este anúncio na frente de uma casa. Fotografou e mandou pro blog.

Quem nunca conheceu uma velhinha ou teve uma avó ou vizinha de “mãos mágicas” que rezava em cima da rasgadura, “puxava” barriga de grávida e dava jeito em pé desmentido?
Quando eu era criança lembro de uma vizinha chamada Otília que curava rasgadura nas costas. Com uma linha branca enfiada numa agulha, ela fingia que estava costurando enquanto fazia uma oração. Terminada a reza, colava um emplastro Sabiá (lembram?)  na costa rasgada e mandava que só fosse tirado quando começasse a coçar. E dava certo, viu?

  • Aqui perto de ksa tem a dona zizi ‘ quando a gnte ta com auguma dor na costa a gente vai la com ela ela puxa doi um poukinho mais logo logo a gente ta boa”’

  • Nossa consegui recordar um pouco minha infancia, quando torcia meu pé … ai meu Deus… lá vinha meu avo José Veronico puxar, senão fosse com ele tinha que ser com seu Lelê um crioulo que morrava bem pertinho de casa. Confesso que preferia meu querido avô que hj não esta mais aqui, saudades eternas… A dor era terrivel mas depois dessas sessoes ficava com o pé legal de novo.

  • É Néa, na favela tinhamos muitos pessoas que tinham as mãos santas, entre elas, Zeca Caiana, Tio Congó, Antônia Mangabeira, Tio Zuza, Dona Maria Sabiá, Antônia Duarte, Antonio Lopes, Tia Maria Grande e outros mais. Agora eu não procuraria o cidadão ou cidadã do anúncio. Puxar rasgadura? Vote!

  • “puxar”.Isso dai veio com certeza da cultura oriental que algum caboclo aprendeu e passou para a nossa cultura de baixa tecnologia.

  • Na esquina de casa tinha a Dona Maria Cunhã; todo moleque aqui do Laguinho tinha pavor de ser puxado pelas mãos da D.Cunhã, alí era braba… e grande rsrsrs. Foi ela quem furou a minha orelha com espinho, não lembro de que árvore, só sei que ela esquentava o espinho, entertia a gente e pronto. Fiquei uma semana com uma linha na orelha, até cicatrizar, pra colocar o brinco.Nunca tive problemas por isso!

  • Yashá Gallazzi, vc perdeu uma ótima oportunidade de ficar calado. Sinceramente, nunca vi ninguém reclamar de uma “puxadinha” de alguma pessoa experiente. Eu por exemplo toda vez “curava” a minha garganta com a dona Neriana, no bairro Perpetuo SOcorro. Além de curar minha garganta ela também puxava muito bem. Pena que a idade chegou e ela hoje não faz mais isso. E com um detalhe… ela não cobra absolutamente na por isso. Ainda lembro quando chegava com o pé inchado por uma ou outra partida de futebol na antiga praça aqui do Laguinho, que deu lugar para o Centro de cultura Negra.

  • Quantos aos comentários relacionados a Ortografia deste povo humilde, releva-se! Mas dizer que eles na sua prática de “Rezadeiras, benzedores e puxadores” acabaram por piorar a situação de alguem, isso é mentira!! Médico formados pelas melhores Faculdades de Medicina matam a vontade, tem letra de “Doutô” e por isso não são questionados. Viva a nossa cultura, viva as nossas parteiras, benzedeiras,rezadores e puxadores, Viva ao Emplasto Sabiá!!!!

  • O nosso preclaro Amanajas reclamou do assassinato da lingua portuguesa, mas ele acabou “matando” os velhinhos (velinhos).

  • No Laguinho, tinha a Dona Maria Cunhã.
    Acho que ví a constelação toda, de tanto que fui em sua casa com dedo desmentido e torção. As “massagens” eram feitas com Azeite de Andiroba.

  • Roque,o nome do caboclão ou cabocão era Albertino,ele dava jeito em pé,braço,desmentido,porém se o moleque falasse que a lesão tinha sido de futebol.Ele fazia o moleque mijar de dor.No Bairro do Trem,na Rua General Rondon,com a Rua Rio Jupati,morava a Mãe Preta,além de excelênte parteira,só da minha mãe,ela aparou onze e mais treze da minha irmã,também tinha uma mão de fada. Minha tia Idalina Sandim,conhecida como (Dona Caboquinha),herdou da mãe preta o dom e,com seus 70 anos,sempre cura rasgadura usando ventosa,puxa barriga de mulher buchuda,para ajeitar a criança.Ela mora na General Rondon,entre Acelino de Leão e Desidério Antonio Coelho.Copiou!

    • O nome da índia que “puxou” a barriga da minha irmã era Leonor. Morreu com aproximadamente 80 anos, sem um dente cariado.

  • Não sejamos rígidos com a ortografia. Lembro-me da Dona Castorinha(puxou minha batida e inchada e depois benzeu), da Dona Totó(mexeu na minha garganta com azeite e alho), da Dona Caridade(puxou o meu braço), do seu Caiana(me benzeu contra mau olhado). Todos eles fazedores da cultura popular e trazendo conhecimento dos seus antepassados, como as nosas antigas e atuais parteiras.

    Substituiam as pipulas e injeções por conhecimento adquiridos dos nosso indígenas e caboclos. Nas regiões ribeirinhas ainda se vê muito dessa prática e que trás uma identidade da nossa cultura.

    São cantadas e reverencidads através das músicas de Zé Miguel, Osmar Júnior, Val Milhomem, etc.

  • Aqui perto de casa, mas precisamente na rua Diogenes Silva tem ou tinha uma senhora que fazia tudo isso ai também, lembro bem que a chamavam de dona “caiena”. Quando batia meu dedo jogando bola era p/ lá que corria p/ ela puxar.. rsrs.. sempre dava certo 😛
    Abraço..

    • Existe. E estou aqui pra contar a história. É a histórica medicina popular, passada de geração à geração. Hoje é condenada, mas eu sobrevivi.

  • Caramba, apesar do assassinato da lingua portuguesa e do preço com cifrão pra trás , a puxadeira deve ser bem mais eficiente que o CRTN onde os velinhos penam pra conseguir uma massagem.

  • Dona Castorina, que curava quebranto de bebês como ninguém. Também o Criolo Branco, papai me levava lá para curar torcicolos e torções. Os dois já viraram lendas macapaenses.

    • Acho que de tanto fazer massagens pré-parto de uma índia (Leonor), à base de unguentos fedorentos e alho, minha sobrinha nasceu pelo pé.

    • Ola! Vc esqueceu de dizer q muitas dessas senhoras tambem sao responsaveis por atenuarem muito sofrimento das “dismintiduras”, como tbm até de salvarem vidas, a exemplo das parteiras.

  • Na minha infância, tinha um tal “Velho Caboco”, índio de nome Ernestino (acho), na baixada da Mucura, ali nas imediações da Fortaleza, que “puxava”. Moleque com torcicolo, ele benzia e fazia cada manobra no músculo que a gente via estrelas. Não sei se os ortopedistas aprovam, mas dava certo.

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