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As fronteiras no Platô das Guianas
Arnaldo J. Ballarini*É possível que seu navegador não suporte a exibição desta imagem.

O distanciamento do poder político central levam os espaços de fronteiras a serem  territórios alijados das políticas publicas e excluídas dos processos econômicos.  Carentes de integração socioeconômica são áreas marginalizadas com características distantes  das outras áreas do território as quais fazem parte,  assumindo perfis  próprio. A região fronteiriça do Platô das Guianas reflete com clareza esta realidade onde os territórios das Guianas e do Amapá, são espaços geopolíticos  que se parecem mais entre si, do que com as demais áreas dos seus países.

Traços étnicos marcados pela miscigenação, a musica, a língua e a hábitos alimentares fazem da fronteira do rio Oiapoque região peculiar, dificultando identificar de que lado o rio essas pessoas vivem.  Quando se trata de descendência indígena, torna-se impossível identificação da nacionalidade visto que além dos aspectos da semelhança fenotípica, a identidade, o comportamento, os conceitos de espacialidade e  territorialidade são iguais.

As diferenças surgem no poder da economia, ou melhor, poder de compra no qual  os moradores do lado francês em sua maioria, goza de um montante digno para aquisição dos insumos e condições básicas como alimentos, roupas , moradia, lazer e pequenos luxos. Do lado brasileiro poucos conseguem garantir meios dignos de sobrevivência. Mas, o que sobressai nas diferenças, está nos aparelhos sociais à disposição, como saneamento básico, serviços de saúde e educação disponível, pendendo favoravelmente ao lado estrangeiro.

Percebe-se que as semelhanças étnicas contrastam com o antagonismo social presente, tornando heterogêneo a vida desta população, o que fatalmente leva aos conflitos sociais pelo jogo dos interesses. Há também os conflitos ambientais com a exploração de áreas de garimpo, madeiras, transformação de áreas de florestas em pastagens para gado e outras atividades predatórias em busca da sobrevivência sem o devido cuidado ao meio ambiente.

A região fronteiriça no Platô da Guiana é, portanto um espaço de vulnerabilidade populacional do ponto de vista social e ambiental. As distorções sociais, com acentuada exclusão, a alta mobilidade populacional, o forte transito das mercadorias e os danos ambientais, dão a importância que esforços deverão ser empreendidos pelos governos.  Invoco os governos com poderes locais pela facilidade de compreensão dos problemas do cotidiano das pessoas, assim como pela facilidade nos arranjos dos micros poderes.

Os problemas sócio-ambientais são comuns  aos diferentes países da região, como também são comuns os seus condicionantes e determinantes.  Isso nos reflete a necessidade de adequar os aparelhos sociais à prestação de serviços a população geral, universalizando o atendimento, independendo das distintas nacionalidades.  Para tal, a conversa das áreas da saúde, educação e segurança deverão ser os elos desta aproximação visando buscar soluções em conjunto.

*Arnaldo J. Ballarini é mestre em desenvolvimento regional

  • CARO AMIGO BALLARINI, VC É UM PAULISTA COM ALMIA AMAPAENSE . TEM NA VÊIA O SANGUE DO POVO DO ARQUIPELAGO DO BAILIQUE.
    PARABÉNS PELO ARTIGO E PELA VISÃO GLOBALIZADA DOS PROBLEMAS DO NOSSO PAÍS.
    SOU SUA AQDMIRADOPRA HÁ 23 ANOS.
    A .F.B

  • Creio que os problemas relatados pelo nosso amigo são pertinentes. E é fato também que, isso não acontece somente no Platô das Guianas, toda região fronteriça tem em comum os seus costumes e ao mesmo tempo diferem-se entre si. Porém, mesmo sendo a figura do governo o ponto de partida para tal assistência, é essencial que o povo, julgue necessário essa ajuda.

  • Grato pelo comentario pertinente, não tive a intenção de aprofundar nas questões da seguridade social. Concordo com sua abordagem e faço a ressalva de que temos que ter cuidado em culpar a historia pelo que somos hoje. Muitos usam a historia para explicar certo determinismo, o que pode freiar as mudanças. Sei que não é o seu caso , no entanto não culpo os lusitanos pelas oligarquias aqui formadas. Infelizmente é uma vergonha de um produto genuinamente nacional.

  • Que boa sua comparação, Dr. Ballarini. Tudo bem até chegar ao poder economico. A partir daí a coisa muda, e muito. Por aquelas bandas, o dinheiro público é seguro social, uma forma de manter a diginidade dos seus, dentro de sua sociedade. Prover-lhes, nos momentos críticos, de tudo que um cidadão precisa ter. Por aqui o dinheiro público nos mata de vergonha e humilha o cidadão. São bolsas das mais diversas, não para dgnificar o cidadão, prover-lhe o sustento no momento crítico, mas para torná-lo dependente, peado como um boi manso de carga, dentro de dos mais diversos currais políticos. E lhe digo mais: nesse aspecto não existe esquerda, centro ou direita. Essa é uma prática nacional. Herança cultural de portugueses e bandidos degredados, nossos ascentrais colonizadores.

    • Dois regimes de governo não aprovo: o imperialista e o assistencialista. Ambos exploram os pobres, sendo que o assistencialista explora de forma inconsciente.

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