Caso Carol

Por que Wellington Raad da Costa matou Caroline Passos, Marcelo e Vitória? A pergunta continua sem resposta. “Só quem pode responder é o próprio Wellington“, disse hoje o delegado Roberto Prata, durante entrevista coletiva que delegados, promotores de Justiça e peritos que investigam o caso deram à imprensa para apresentar o resultado da primeira etapa da investigação.

Wellington foi indiciado como assassino da professora universitária e assessora jurídica do Ministério Público Caroline Passos e dos dois filhos dela, Marcelo, 17 anos, e Vitória, 11 anos. O promotor Flávio Cavalcante informou que o acusado responderá como incurso no artigo 121, § 2º, inciso III(emprego de tortura e meio cruel) e IV(a traição e com uso de recursos que tornaram impossível a defesa das vítimas) combinado com artigo 61, inciso II, letra “h”(contra criança) e 69 (por três vezes) todos dispositivos do Código Penal.

Os promotores e delegados de polícia exibiram  em vídeo trechos do depoimento de Wellington, onde ele confessa o triplo assassinato, diz que agiu sozinho, afirma que Marcelo era um dos seus melhores amigos, que gostava de Vitória como se fosse sua irmã e que tinha grande respeito por Caroline. O vídeo chocou alguns jornalistas, pela frieza com que Welligton assume a autoria do crime, sem demonstrar qualquer emoção. Até mesmo quando diz que está arrependido sua voz e expressão são frias.O depoimento foi prestado na noite de sexta-feira passada, 14, na Promotoria de Investigações Cíveis e Criminais do Ministério Público para delegados e promotores de Justiça, na presença dos advogados do acusado.

Além de exibir o vídeo, delegados e promotores  falaram sobre a dinâmica do crime que chocou a população macapaense, emocionando até quem tem que agir sob os rigores da lei, como o promotor Flávio Cavalcante que em alguns momentos ficou com a voz embargada enquanto uma lágrima teimava em cair.  Antes a  informação divulgada dava conta que o crime aconteceu na madrugada de terça-feira, quando depois de deixar a namorada em casa, Welligton – que cedo já teria estado na casa das vítimas – voltou lá, por volta de uma hora e matou os três. O próprio Wellington disse que cedo esteve na casa de Caroline, jogou víde-game com Marcelo, depois  foi namorar, lanchou com namorada, deixou a menina na casa dela e foi para a casa dele e que como saiu de casa para voltar para a casa das vítimas não lembrava. Mas lembra que depois de meia-noite estava tocando a campainha da casa de Carol e não se recorda quem abriu a porta. Disse lembrar vagamente de algumas facadas que desferiu nas vítimas e de ter passado a mão suja de sangue na parede da cozinha.

As investigações e provas periciais mostraram que o crime não aconteceu ma madrugada de terça-feira, 11, mas na noite de segunda-feira entre às 20h e 22h30, ou seja, Wellington matou Caroline e seus filhos, tomou banho na casa das vítimas, trocou de roupa não se sabe onde,  depois foi namorar, passear no “lugar bonito” do Buritizal, comer sanduíche, como se nada tivesse acontecido.

No entendimento do delegado Celson Pacheco, coordenador do Grupo Tático Aéreo (GTA),o primeiro a ser morto foi Marcelo com uma facada certeira no pescoço, no seu próprio quarto, onde os dois jogavam víde-game. Caroline deve ter escutado alguma coisa e correu para o quarto, debruçou-se sobre o filho e foi atingida por uma facada fatal nas costas. O golpe foi tão violento que a faca quebrou e ficou cravada na costa dela. Vitória foi morta  na sala e arrastada pelos cabelos para o quarto. Os três corpos foram trancados no quarto de Marcelo, a casa foi toda revirada para dar a idéia de latrocínio (roubo seguido de morte).

O crime só foi descoberto na manhã de terça-feira, por volta das 8h30, quando a empregada da família chegou para trabalhar e deparou-se com a casa bagunçada e suja de sangue. A polícia foi acionada, arrombou o quarto e encontrou os três cadáveres.

Várias hipóteses para o crime foram levantadas, como a de latrocínio já que alguns objetos teriam sido “roubados”, como aparelhos celulares e um vídeo-game.  Logo depois, estes objetos foram encontrados num bueiro, derrubando a hipótese de latrocínio.

Wellington  – que no início das investigações se apresentava como um dos maiores amigos da vítima Marcelo Konishi e íntimo da família, é revelado  como algoz autor do triplo assassinato”, disse o promotor Flávio Cavalcante ao apresentar esta cronologia do crime:

– Dia 11 de maio de 2010 (terça-feira)

– 10h17. CIODS recebe comunicação de que a empregada doméstica entra na residência situada na Rua João Sussuarana, bairro Jardim Equatorial, e encontra vários vestígios de sangue. Polícia Militar chega ao local e encontra três corpos em um quarto da casa.

– Polícia Técnica realiza o exame no local do crime;
– Corpos são necropsiados pelo Departamento de Polícia Técnica;
– São encontradas duas facas na casa (a empregada reconhece que as facas são da própria residência das vítimas);

– Dia 12 de maio de 2010 (quarta-feira)
– Várias hipóteses para os crimes são levantadas e estudadas pelas equipes;
– São observados inicialmente o desaparecimento do local do crime de alguns objetos, tais como os aparelhos de telefonia celular das vítimas Caroline Camargo e Vitória Konishi assim como, o Play Station Portable(PSP) da vítima Marcelo Konishi;
– O aparelho celular de Marcelo Konishi permaneceu no local dos crimes.

– Dia 13 de maio de 2010 (quinta-feira)
– Várias testemunhas são ouvidas pelas equipes de Delegados, sob o acompanhamento de Promotores de Justiça;
– Em depoimento, a namorada de Marcelo informa que Wellington Luiz Raad Costa estivera na noite do dia 10 de maio na casa da família encontrada morta;
– Policiais buscam Wellington para ser ouvido e recebe a informação de que ele apresenta lesões em suas mãos.
– Wellington presta depoimento e confirma que estivera na casa das vítima na noite do dia 10 de maio;
– Wellington apresenta versão de que fora vítima de agressões à faca em sua casa na noite do dia 12 de maio;
– Wellington é encaminhado para vários exames periciais.

– Dia 14 de maio de 2010 (sexta-feira)
– Equipes se desdobram na busca de provas;
– Após intenso trabalho de inteligência das equipes da PICC e da Polícia Civil, são localizados os bens retirados da casa da vítima, que foram jogados em um bueiro da Avenida 1º de maio;
– Polícia Técnica apresenta exame preliminar dando conta da existência de vários fragmentos de impressões digitais e palmar (com sangue) de Wellington na cena do crime.
– Delegados de Polícia representam pela prisão preventiva de Wellington;
– Juiz plantonista decreta a prisão preventiva de Wellington para manutenção da ordem pública, por conveniência da instrução criminal e garantia da aplicação da lei.
– Wellington é preso e trazido à sede da Promotoria de Justiça de Macapá;
– Wellington é submetido a interrogatório pelos Delegados de Polícia, na presença de Promotores de Justiça e Advogados;

Dia 15 de maio de 2010 (sábado)
– No dia 15 de maio (sábado), Wellington é levado ao local dos crimes, a seu pedido, justificando que queria tentar lembrar detalhes do crime.

Dia 17 de maio de 2010 (segunda-feira)
– No dia 17 de maio são ouvidas a namorada de Wellington, amiga da namorada e mãe desta amiga. As três afirmam que encontraram Wellington por volta das 23h30 do dia 10 de maio (segunda-feira), e que Wellington ofereceu para a namorada o aparelho de telefonia celular com idênticas características do celular da vítima Vitória.
– Testemunha que limpou os ferimentos da mão esquerda afirma que Wellington tinha “Pitiú” de sangue.

– A namorada e amiga da namorada de Wellington viram na terça-feira (dia 11), dentro do carro de Wellington uma mochila cargueira, de cor rosa e lilás. Indagado sobre a mochila pelas duas, Wellington disse:

– “Larga isso daí que não é meu”

– Conforme colhido na escola de Vitória e confirmado pela empregada de sua casa, a mochila vista no carro de Wellington possuía enorme semelhança com a mochila escolar de Vitória.

– Franqueado pelo pai, no dia 17 de maio realiza-se busca na casa de Wellington onde dentro da cômoda do quarto foi encontrado adaptador de cartão com um microchip, com vídeos de Caroline Camargo.

A coletiva durou cerca de duas horas. Promotores, delegados e peritos responderam pacientemente todas as perguntas, inclusive as repetitivas, para que os jornalistas saíssem de lá sem qualquer dúvida e assim pudessem passar para a sociedade informações baseadas em provas. Ao final eles pediram aos jornalistas que evitem especulações.

  • Lembrando que o latrocínio se caracteriza tanto como o roubo seguido da morte como vice-versa. Não há necessária cronologia dos tipos para caracterizá-lo. art. 157 §3º, in fine.

  • Concordo que nesse crime algumas pessoas devem raciocinar se o Advogado teria coragem para defender o acusado, Conheço dois dos Advogados que acompanharam o caso no inicio, não sei se ainda estão no caso, Dr. Fábio e Dr. Eduardo, pessoas de idoneidade limpa, e sei que em primeiro momentos eles sofreram demais pois estavam presentes em todas as situações, acompanhando os familiares, emfim, é o trabalho do Advogado, e se ninguem quiser pegar o caso, o Estado vai dar um Advogado pra ele, o que é pior, pago pelo nosso bolso.

    • Se o advogado indicado pela Defensoria Pública pegar ou não o caso, ele já está pago de qualquer forma. Para os nossos bolsos, CUSTO ZERO de valor agregado.

      • Pois é mas a familia deve ter dinheiro, ja tem Advogado novo no caso, e o q é pior esse quer aparecer, ele é candidato ao senado, heheeheheheehehehe

        • arnaldo a familia do welligton nao tem dindin somos todo cidadões digno de nosso salarios ninguem e politico e nem policia para ter dinheiro trabalhamos honestamente

  • Olá ! Ainda estou muito chocada com todo esse acontecido, pois faço parte do M.P. Comunitário e lá conheci Carol… Determinada,ágil,espontânea e amiga! Adjetivos me faltam para descrevê-la…
    Não deixarei que este crime me amargue, Não deixarei que esta monstruosidade me tire o encanto de ver a vida com o prisma de DEUS, Porque há certos desertos em nossas vidas que nos tira a beleza e o prazer de viver Não deixarei de acreditar que a vida é bela… mesmo com tantas pessoas más, ainda há pessoas do bem… que a paz ainda pode reinar em nosso meio , começa dentro de nos…
    Todas os dias ao acordar precuro lembrar daquele belo sorriso….
    E é isso… Deichou seu legado, escreveu sua história… Fechou o ciclo! Dói !
    Abraços…

  • Bem, se ele confessou e a investigação forense diz que a única impressão encontrada foi a dele próprio, então significa dizer que o material encontrado foi muito bem preservado, caso encerrado. Agora uma coisa me intriga muito, a vizinhança não ouviu nenhum grito das vítimas, um pedido de socorro sequer? O que não consigo entender é como ele pode ter agido sozinho. E outra coisa, a confissão é o único caminho para o encerramento de um caso? A polícia não levanta nenhuma outra hípótese, por exemplo, uma conspiração talvez, a participação de outras pessoas. Caramba, a vizinhança é surda? Institivamente as pessoas ameaçadas gritam mesmo, ainda mais quando é mulher ou criança.

  • Néa, aproveito p/ comentar aqui este post e o “O que eu acho” que está logo abaixo,primeiramente quero dizer que você resumiu de forma concisa o brilhante trabalho de investigação feito pela equipe de investigação(não é à toa que o seu blog e da Lene tem sido referência na divulgação de informações verdadeiras sobre o caso Carol), tenho notado que esta, apesar de interinstitucional, tem atuado em clima de verdadeira parceria e sem vaidades pessoais (exceto por aquele infeliz episódio das declarações da diretora da Polítec)e deve ser parabenizada pois se empenhou ao máximo na condução das investigações desse caso que marcou para sempre a nossa cidade.
    Quanto ao post “O que eu acho”, confesso que não posso deixar de pensar na situação dos pais do Welington, não consigo sequer imaginar o sofrimento por que eles tem passado, foi muito bom vc ter lembrado de mencioná-los aqui de forma tão respeitosa.

  • O que me deixa pasmo é que ainda tem advogado pronto para defender um monstro dessa estirpe.Não resta dúvida que todos tem direito à defesa. Mas confesso, se eu fosse advogado, dinheiro algum me faria ser patrono de um assassino frio como este Wellington. Deixaria o Estado nomear um defensor público de formas a atender a nossa Constituição. Mas como tem advogado por ai correndo atras de $$$$$$…

    • Concordo plenamente. infelizmente , há ‘ …advogado por ai correndo atras de $$$$$$…” e de notoriedade eu acrescento!

    • Infelizmente a defesa desse “monstro” é por três advogados de nomes aqui em Macapá, por mim ia morfar dependendo de um advogado e até se eu fosse defensor ia nem ler a solicitação.

  • É muito triste uma família ser acabada nas mãos de um assassino desmedidamente frio, calculista e imperdoável. Devos juntos orar por essas almas que teve seus corpos cortados com uma ganância dos picopatas e lutar por uma sociedade melhor. Cuidemos de nossos filhos e filhas, vamos labutar por caminhos de paz. Eu, particularmente, vivo com um medo depois deste crime que não passo muito tempo fora de casa, pois tenho uma filha e esposa sempre a minha espera. Que as leis pesem contra este monstro e que a sua pena ecoe por sua eternidade e que sofra ele e os que o defedem a vida toda!

  • A meu ver a reportagem està muito boa! Estou chocada e acompanho o caso!Não querendo ser indelicada, mas observei que no 5° parágrafo há um erro:
    “… Marcelo matou Caroline e seus filhos…”
    Abraços!

    • Você não foi indelicada de jeito nenhum.
      Muito obrigada pela contribuição. Acabei de corrigir.
      Abraços

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