Contra a corrupção

Do Estadão

Senadores de vários partidos defendem ações de Dilma

ANDREA JUBÉ VIANNA – Agência Estado

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) inaugurou na tarde de hoje uma série de discursos em apoio às ações da presidente Dilma Rousseff no combate à corrupção. Simon, Cristovam Buarque (PDT-DF) e Ana Amélia (PP-RS) encabeçam uma frente pluripartidária de senadores que decidiu defender, publicamente, as iniciativas de Dilma contra a corrupção.

“Não é alinhamento automático, é apoio a ações de governo”, definiu Ana Amélia. No final de seu pronunciamento, ela pediu à presidente que “não ceda a pressões de grupos determinados e prossiga em sua decisões. Ela tem o tem o direito e dever de intervir em ministérios quando e sempre que considerar necessário”, concluiu. Tanto Ana Amélia, quanto Simon e Cristovam assinaram requerimentos de comissões parlamentares de inquérito (CPIs) contra o governo Dilma. No caso, pedindo a investigação da evolução patrimonial do ex-chefe da Casa Civil Antonio Palocci.

No entanto, esse grupo passou a defender a criação de uma frente suprapartidária em apoio a Dilma depois que partidos da base aliada ao governo ameaçaram retaliar a presidente devido à “faxina” contra a corrupção que ela deflagrou, começando pelo Ministério dos Transportes e, depois, atingindo o Ministério da Agricultura. Neste caso, entretanto, Dilma dá sinais de que preservará o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, do PMDB. Por esse motivo, o PR acusa a presidente de “tratamento diferenciado”, já que não poupou o ex-ministro da Agricultura Alfredo Nascimento, que havia sido indicado pelo PR para o cargo.

O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) – que também assinou CPIs contra o governo – destacou que Dilma não precisa de uma base em defesa do governo, “mas em defesa do Brasil”. E acrescentou: “quantas vezes a presidente tomar a iniciativa de apoiar a Controladoria-Geral da União, o Ministério da Justiça e a sua Polícia Federal, de apoiar todos os mecanismos de combate à corrupção, terá de nós integral apoio”.

Da Folha.com

Senadores lançam movimento para apoiar ‘faxina’ de Dilma

GABRIELA GUERREIRO

Um grupo de senadores lançou nesta segunda-feira (15) uma frente suprapartidária de apoio à presidente Dilma Rousseff para o combate à corrupção no Executivo. Os parlamentares se revezam com discursos na tribuna da Casa em apoio à “limpeza” que Dilma promoveu no Ministério dos Transportes, afastando servidores suspeitos de envolvimento em irregularidades.

Depois que a Câmara paralisou os trabalhos em resposta à “faxina” da presidente, os senadores manifestaram apoio à ação de Dilma.

O senador Pedro Simon (PMDB-RS), idealizador do movimento, pediu que o Congresso se una para permitir que o governo tome medidas anti-corrupção.

“Se, neste momento, nesta segunda-feira, 15 de agosto, um mês histórico, uma semana histórica, que invoca a renúncia do Jânio, a morte do Jango e a legalidade do Brizola, se nessa hora nós tivermos condições de fazer esse movimento, se o presidente Sarney tiver a grandeza de ser presidente do Congresso e os líderes tiverem um pouco mais de humildade, nós podemos iniciar o movimento.”

O peemedebista cobrou que Dilma, além focar a “limpeza” nos Transportes, atinja outros partidos que ocupam cargos na Esplanada dos Ministérios.

“Claro que não pode a presidenta fazer apuração em cima do Partido Republicano, em cima do PMDB e não fazer no PT, fazer no PDT, até porque, lamentavelmente, com todo respeito, na composição do governo, nosso amigo Lula exagerou. É muito PT e muito pouco de outros partidos.”

Além de Simon, outros senadores também cobraram de Dilma uma “faxina ampla” que abrigue todos os partidos aliados.

“A presidente tem que ter a consciência que a faxina tem de ser completa. Não pode deixar outros partidos, inclusive o meu, o PMDB, sem ser punido. Ela tem de punir. O combate não pode ser leviano”, disse o senador Jarbas Vasconcellos (PMDB-PE).

“Pelo menos aqui no Senado a presidente Dilma não vai ficar refém ou vítima de dificuldades. Eu apoio o movimento pela frente suprapartidária de combate a corrupção e impunidade”, disse Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR).

O grupo classificou a segunda-feira de “cívica” pela decisão do Senado de reagir às denúncias de corrupção no governo.

Além de governistas, senadores da oposição também manifestaram apoio às medidas anti-corrupção.

“Vamos dizer à presidente que ela conte com uma base parlamentar de defesa, não de seu governo, mas de defesa do Brasil. Enquanto tiver corrupção no Brasil, qualquer governo não terá sucesso. A base parlamentar que deve ser constituída nesta Casa é uma base de defesa do Brasil”, disse o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP).

Do G1

Parlamentares de vários partidos se revezaram em discursos na tribuna

Iara Lemos Do G1, em Brasília

Senadores de vários partidos revezaram-se nesta segunda (15) na tribuna do Senado para discursar em favor de medidas da presidente Dilma Rousseff de combate à corrupção no governo.

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) disse que o objetivo das manifestações é criar um “movimento” de apoio à presidente, que tem sofrido com pressões da própria base aliada.“ Segundo Simon, a sociedade brasileira “quer justiça e ética” no combate às irregularidades.

“Quando começamos o movimento Diretas Já, não éramos mais que meia dúzia [de parlamentares] na Câmara dos Deputados, e conseguimos. Hoje, a sociedade toda quer justiça, ética e dignidade””, afirmou o senador.

Só no Ministério dos Transportes, 24 servidores foram demitidos ou afastados desde que denúncias de irregularidades tiveram início, no início do mês de julho. Entre os que deixaram o cargo está o ex-ministro e senador Alfredo Nascimento. O PR, partido do senador, já deixou o bloco do governo no Senado e ameaça a deixar o bloco também na Câmara.

Na semana passada, a Operação Voucher, da Polícia Federal, prendeu por suspeitas de irregularidade integrantes da cúpula da pasta, como o secretário-executivo, Frederico da Silva Costa, e um secretário do ministério, o ex-deputado federal Colbert Martins (PMDB-BA)

“”É hora de nós empoderarmos a presidente da República para que ela tenha a autonomia política necessária para que implemente essas mudanças e acabe com o fisiologismo político que existe no Congresso Nacional. A presidente tem o poder de interferir nos ministérios quando e sempre que necessário para livrar o país da corrupção””, disse a senadora Ana Amélia Lemos (PP-RS).

O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PT-PE), ocupou a tribuna para pedir apoio aos senadores para as ações de ajuste fiscal defendidas pelo governo. “O que se espera é um apoio às medidas de austeridade do governo”, disse.

Pedro Simon, criticou o discurso de Costa e disse que esperava que o senador falasse sobre as medidas de combate à corrupção. O senador pernambucano respondeu que as medidas da presidente não são novidade.

““Para mim, não são novidade as ações da presidente Dilma de combate à corrupção. Ela sempre teve essa postura, desde quando era ministra””, disse.

O senador Jorge Viana (PT-AC) defendeu as medidas de combate à corrupção, mas destacou que as ações não podem ser cometidas com abuso. “”Que ninguém cometa, se é que foi cometido, abuso. É preferível sofrer injustiça do que cometer uma injustiça. Essa mistura é muito perigosa””, disse.

O senador Mozarildo Cavalcante (PTB-RR) também subiu à tribuna para manifestar apoio à presidente, e disse que as ações de combate à corrupção devem ser tomadas, independentemente de quem está envolvido. O senador pediu apoio para que o movimento em favor das ações da presidente cresça no Senado.

” A corrupção em qualquer área significa tirar a vida das pessoas […] Portanto, nós temos sim de ter uma postura clara de quem está a favor da decência e de ter um governo como este que não tem medo de demitir A, B ou C. Temos de fazer este movimento crescer. Aqui no Senado, temos a maioria para dar à presidente Dilma esta tranqüilidade”, declarou Cavalcante.

Para o senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), “é preciso que neste momento a gente apóie a verdadeira faxina que a presidente Dilma está fazendo na política brasileira””.

Em manifestação durante o discurso de Ferraço, Pedro Simon pediu apoio de outras entidades como a Confederação Nacional dos Bispos (CNBB) e a União Nacional dos Estudantes (UNE) para que o movimento de apoio às medidas da presidente tenha mais força.

O senador Pedro Taques (PDT-MT) pediu a criação de uma frente de combate à corrupção. “”Quem rouba o dinheiro público é lixo. É nojento. A corrupção mata. Ela rouba o futuro das crianças. O que queremos é buscar os princípios da República””, disse o senador.

““Siga em frente, presidente Dilma. Faxina se faz limpando o que há debaixo do tapete”, afirmou Randolfe Rodrigues (PSOL-AP).

O oposicionista Álvaro Dias (PR), líder do PSDB no Senado, ocupou a tribuna para dizer que não iria aplaudir a presidente Dilma, mas os órgãos responsáveis pelas denúncias de irregularidades.

“”Só o discurso não resolve. Me refiro à própria presidente da República, que se refere a uma limpeza no governo. É retórica, e só retórica não resolve. Hoje eu gostaria de aplaudir, não a presidente Dilma, mas a imprensa do Brasil, a Polícia Federal e a Controladoria da União”, afirmou.

    • Você não deixa de ter razão. Eu me lembro de um certo candidato que levantava a bandeira de “caçador de marajás”.
      Este meio candidato foi eleito Presidente da República e foi cassado.

  • Tem senador falso moralista, que apoia o movimento “Pro faxina”, mas na hora de assinar o pedido de CPI, tira o corpo fora, pipoca.

  • Apesar do meu ceticismo político, tô começando a gostar da nossa Presidente Dilma. Se ela continuar com essa corrente de combate à corrupção – o câncer deste país – não só votarei como também farei campanha para reelegê-la.

  • Acredito ter sido alavancado um grande movimento em favor da moralização do País, à decência e o estado democrático de direito. Acredito também que o povo, grande prejudicado em todos os sentidos com as ações maléficas, apoiará toda e qualquer iniciativa que venha cortar de vêz por todas com as amarras da impunidade
    que se instalou no País. Agora, das entidades aí citadas, a UNE ainda existe? Faz pelo menos oito anos que não se vê ou ouve falar em uma manifestação em prol dos próprios estudantes apesar da educação não estar nem de longe próximo do satisfatório, vide piso salarial dos professores, será que toda classe é atendida?

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