Cronistas do blog

O DIA EM QUE CHOVEU LATA
Aloisio Menezes de Cantuária

Decisão do basquete masculino nos jogos estudantis amapaenses. Final dos anos 60; se a memória não falha, o ano era 1969. O palco foi o antigo Ginásio de Esportes “Paulo Conrado”, entre o Colégio Amapaense e o Instituto de Educação (IETA), atual Universidade do Estado do Amapá. A expectativa para a decisão era imensa: de um lado, o Colégio Amapaense (CA); do outro, o Ginásio de Macapá (GM).

Ser campeão em qualquer modalidade esportiva aumentava a pontuação para o título de campeão dos jogos escolares.
As torcidas, embaladas por suas charangas, estavam eufóricas, bastante animadas. Na arquibancada do lado direito, a torcida formada pelos alunos do CA (e mais alguns simpatizantes do CCA); na do lado esquerdo, a do GM, engrossada pela do IETA, eterno rival do CA, principalmente nas decisões femininas. A temperatura ambiente estava bastante elevada em razão da histórica rivalidade nos jogos escolares.

O tempo vai longe (lá se vão 40 anos redondos), alguns neurônios não funcionam mais e, infelizmente não me lembro dos atletas. Um dos cobras do basquete do CA era o Enilton Cardoso, outro era o Luís Façanha, colega de turma. Os demais, conto com os amigos do blog para completar.

A partida foi muito disputada. Esqueci o placar, mas não do resultado: o time do CA venceu e foi campeão. E como se diz hoje, a torcida, agitando as bandeiras, correu para o abraço e para a comemoração no meio da quadra, numa verdadeira manifestação de alegria. Parecia carnaval antecipado.

Foi então que, de repente, no interior do ginásio de esportes, começou uma chuva de… latas. Isso mesmo, chuva de latas. Latas de óleo vegetal (vazias, ainda bem).

Alunos das torcidas do GM do IETA, na possibilidade de uma derrota da equipe do GM, levaram, escondidas, grande quantidade de latas e começaram a jogá-las no meio da quadra, atingindo os alunos do CA que comemoravam a vitória no basquete masculino.

Em seguida, as torcidas de GM e IETA, resolvidas a estragar a festa, desceram para a quadra e começaram a tomar e rasgar as bandeiras dos alunos do CA. A reação foi instantânea: ato contínuo, o pessoal do CA, com os paus onde estavam as bandeiras, e também com as mãos, partiu para a briga, memorável. Foram muitas emoções, como diria hoje o Roberto Carlos.

Saí ileso da confusão porque, na hora em que começou a “chuva de lata” eu me encontrava no último lance da arquibancada e resolvi ficar lá em cima observando a cena. Ainda bem, porque graças à posição em que me encontrava, presenciei todos os fatos acima relatados.

Uma ressalva: a rivalidade entre os colégios manifestava-se com mais intensidade no período dos jogos escolares. Durante o ano era diferente; o relacionamento era mais tranqüilo. De modo geral, a maior parte dos alunos era vizinho um do outro, amigos do bairro, parentes, inclusive irmãos que estudavam em colégios diferentes. Isso, sem esquecer as namoradas. Era comum alunos do CA namorarem alunas do IETA e vice-versa, e alunos do GM as do CA.

  • Olá, Leonildo.
    Obrigado pela sua participação e observações. Talvez eu tenha apresentado uma visão unilateral; como se diz, esqueci de combinar com os russos.
    Minhas lembranças mais fortes de ex-aluno do CA estão relacionadas ao período de 1965 (quando entrei) a 1973 (quando saí).
    Confesso que nesse tempo todo não percebi nenhuma rivalidade entre CA e CCA; a disputa que percebíamos com clareza era entre CA e GM, no masculino, e CA e IETA, no feminino.
    Talvez vocês do CCA tivessem suas chateações contra nós (tipo George Harrison contra Paul McCartney e John Lennon, que colocavam mais músicas nos discos do que ele), mas confesso que não percebí. Mas lembro, daí ter afirmado no texto, que alguns alunos do CCA ficavam ao nosso lado na torcida (não era comum, mas acontecia).
    E essa rivalidade era muito forte no período dos jogos, iniciando pelos desfiles, quando havia alguma desavença. Geralmente, o CA encerrava os desfiles (na época, na av. FAB) e os rivais se posicionavam após o palanque
    da autoridades (depois da General Rondon). Começavam vaias, xingamentos até as “vias de fato”.
    Hoje, no fundo a gente entende que essas coisas fazem parte da natureza humana, fruto da exacerbação das paixões.
    Quanto à troca dos nome das escolas, entendo que não deveria ser feito, assim como também nome de ruas e praças. Essas coisas foram e são referências em nossas vidas. Homanagens novas para coisas novas.
    Um abraço.

  • Grande Lulu, dis bons tempos também do bairro do Trem, da Jovino Dinoá entre Antonio Caoelho de Carvalho e Henrique Galúcio, vizinho do nosso saudoso Belízio, marido da dona Siloca e pai do Pedrao, Maria, Edna, Pericles e Plínio. Sou o Paulo Silva (Paulão), morava na Henrique Galúcio, entre Leopoldo a Jovino, ao lado do Enock (filho do seu Joveniano), Dilermano (Dilé), Douglas e Nonato. Te reconheci na foto ao te imaginar sem o bigode (você não usava naquela epoca), Fico feliz em saber que vc está bem com o nosso grande Tadeu. Quando estiver por aqui faz um contato comigo e com o Humberto Moreira, pois estamos na Rádio Difusora.

    • Oi, Paulo.
      Acho que estou lembrando de você, porque a Alcinéa já colocou alguma coisa sobre seu trabalho no blog.
      Lembro bem de tudo isso que você falou, de toda essa turma. As lembranças estão bem armazenadas na memória. Basta só uma faísca para serem reavivadas.
      Hoje fico pensando nas vantagens de se morar em vários lugares. Uma delas é essa de fazer muitas amizades. Ainda bem que meu pai não sossegou.
      Conheci o Humberto quando no antigo bairro da CEA (parece-me que hoje é Santa Rita). Muita pelada na rua de piçarra, muito time de botão. Isso foi entre 1963 e 1965.
      Depois, no início de 1965, meu pai se mudou para o Trem, justamente para esse espaço de que você falou: Antonio Coelho de Carvalho, bem na esquina da Jovino Dinoá. Ficamos lá um ano; em 66 fomos para a Favela, e lá fiquei mais tempo.
      Foi o tempo de um ano, aproximadamente, mas de muita intensidade. Até hoje lembro da pelada na Henrique Galúcio: o Nonato era o dono da bola, mas o craque era o Dilermano, lembra? O Douglas era meio desengonçado (acho que pela altura).
      Lembro também da pequena vacaria do do “seu” Belizio; o Pedrão geralmente levava a vaca pra pastar naquela parte da Henrique Galúcio após a Jovino Dinoá. Tinha também o Amiraldo, que morava na esquina da Jovino com a Henrique Galúcio.
      Grande parte da minha família (acrescida de sobrinhos e filhos de sobrinhos) ainda está em Macapá. E de vez em quando dou uma volta por aí.
      Um abração.

  • Aloisio me lembro bem destes tempos, agora quero fazer uma correção, no meu historico escolar como aluno do CCA nunca em momento algum torcemos pelo CA, era uma rivalidade eterna e nunca nessa epoca tinha aluno do CCA torcendo pelo CA, e vice-versa… lembro com muito saudosismo tudo isso.. Tempos bons que não retornaram nunca mais, até porque nossos governantes sem ter mas nada pra fazer, estão trocando os nomes de nossas tradicionais escolas.. na minha cabeça serão sempre CA, GM, CCA, IETA, etc…

  • Vim meio por acaso ao seu blog. Gostei do que li. Sempre bom saber histórias da cidade onde nasci. Sou de 1967. Me alegro por saber como era Macapá nesse período.

    Depois de nove anos em Belém, completei 13 anos de DF. Volta e meia, lembro da cidade onde nasci. Saio atrás dos blogs amapaenses. Assim cheguei ao seu.

    Tudo de bom sempre!!!

  • Oi Aloisio! Pô cara, outro dia estava falando desses jogos. Lembro de um outro craque: O José Paulo, o cara acertava a cesta de fora do garrafão. Naquele tempo ainda não valia três pontos. Um abração.

    • Oi, Domênico.
      Lembrei de alguns alunos, mas mas não tenho certeza se participaram desse jogo: Neném (irmão do Enilton), Zeca Furtado, Cláudio (sobrinho do Abdalla), Maurício Bandeira.
      Uma coisa é certa: o “campinho” onde “se formou” boa parte dessa turma do basquete, inclusive alunos de outros colégios, foi a praça Barão do Rio Branco.
      Um abraço.

  • Oi Aluisio
    Quanto tempo! A mamãe me falou com muita felicidade quando vc esteve aqui na terrinha e foi visitá-la, acho que ela ainda estava na Jovino Dinoá, pois mudou-se para o bairro jardim felicidade exatamente para a rua com o nome do Paulo.
    Legal mesmo é a oportunidade que João Lázaro proporcionou aos amigos do mano se reencontrarem.
    Eu moro na casa que era da vovó, lembra? na Hamilton Silva próximo a casa que seus pais moravam na Presidente vargas.
    Um abração

    Cleide

    • Oi, Cleide.
      Que bom ter notícias de você. Da última vez que estive aí encontrei com o Oreco.
      Olha, você falou na Presidente Vargas, e aí bateu saudade, daquele tempo de mais simplicidade e mais amizade (acho que isso é influência da foto antiga da rua da Alcinéa).
      Mas saudade a gente tem mesmo é das coisas boas. Por isso, vamos ficar com as lembranças boas do Paulão, certo?
      Um abraço, Cleide.

  • Eu tambem estava lá e choveu muita coisa ruim, pau, pedra, lata e outras coisas mais. Só não lembrava desses outros detalhes.

    • Vou ligar para o meu compadre, primo e irmão Oreco, ele sempre marca presença com a tia Chechê na casa da mamãe aos domingos e até nos aniversários da mamãe ele sempre aparece para dar aquele abraço carinhoso.
      Eu trabalho na Superintendência do Ministério da Fazenda no Amapá, tenho 04 rapazes de 39,32,27,e 26 anos 02 netas de 20 e 18 anos, esperando a 3ª para o mês de março.
      Um abraço

      • Oi, Cleide.
        Minha descendência é menor: três filhos (uma de 35 anos, outra de 31 e um rapaz de 26), uma neta (15 anos) e um neto a caminho (provavelmente em janeiro).
        Um abração, inclusive na dona Mimi.

  • Aloísio, bacana vc contar esses fatos. Revelam para a posteridade, um capítulo das acirradas disputas estudantís. Parabéns.

  • Lulúúúúú!!!! Filho do seu Pacífico e irmão do Tadeu, Darí e Darci. Onde tu andas rapá. Lembra do nosso tempo de moleques? Da pelada do Meninão, do Careca, Jorge Cambéua, Floriano e da turma toda? Lembra dos bonecos de pau e arame que formavam um exército. Tempo bom cara. Manda notícias pois eu estou sem te ver faz mais de 40 anos.

    • Oi, Humberto.
      Quanto tempo, rapaz! Continuas botafoguense? E a Cristina? Lembro que tinhas mais dois irmãos. E o “seu” Piloto?
      Estou em Belém desde 1976 e eventualmente vou a Macapá.
      O “seu” Pacífico, dona Nini, Dari e o
      Mauro (era o caçula; na época tinha uns 4 pra 5 anos) já não estão mais neste plano.
      O Tadeu também está em Belém (desde 1978). É professor de História e advogado; também vai a Macapá de vez em quando.
      A Cici ainda mora aí. Professora,já está aposentada. Ficou viúva em 1989; seu marido era o Píndaro; ex-bilheteiro do Cine João XXIII, baterista de “Os Gaviões” e funcionário da PMM.
      Nossa ponto de referência, agora, é a Anita (professora Ana), nossa irmã mais velha, aposentada, mas que de vez em quando está em Belém. Ela no Trem, na Pedro Baião.
      Ainda lembro das “peladas” do Meninão (ele era o dono da bola) naquela rua que hoje tem outro nome, mas na época era um prolongamento da Iracema Carvão Nunes, de toda aquela turma. Perdí muita unha de dedo naquelas peladas.
      Tinha também o time de botão, lembra. Ali tu começastes tua carreira radiofônica, “irradiando” as partidas de time de botão. Lembra do microfone improvisado?
      Quanto a mim, continuo rubronegro, sou economista aguardando aposentadoria no governo do Estado, e retornei à universidade; estou fazendo nova graduação na UFPA (História, ano 2008).
      Um abraço.

      Alcinéa, obrigado pelo espaço para comunicação com os velhos amigos.

  • Aloísio, que bom o Amapá ter produzido bons frutos, iguais a você, que ajudam a escrever a história deste pedaço de chão, ao invés de guardar pra si o que sabe. Lembro desse fato, pois eu e meu irmão mais velho estávamos lá. Ao chegarmos, o Ginásio Coberto já estava lotado, o que fez com que assistíssemos o embate no portão que dava para o lado do IETA. Como meu irmão estava com o braço quebrado e no gesso (acidente de trabalho), saímos antes da coisa pegar fogo. Mas o fato virou história, que, por muito tempo, ficou na boca do povo. Agora, pelas mágicas mãos de um historiador, vem à baila, num brinde à mestra da vida, como dira Heródoto. Parabéns e um abraço.

    • Oi, Cléo.
      Obrigado pelas palavras de incentivo. Mas me considero um aprendiz de historiador; estamos sempre aprendendo, até porque a história está sempre sendo reescrita.
      Um abraço.

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