Cronistas do blog

Desventuras da Linguagem
Wirley de Oliveira

Olá, querido leitor!
Quero convidá-lo a realizar comigo um desventuroso passeio pelo reino encantado da Linguagem.
Vamos começar?
Uma família encontra-se ‘sentada na mesa’ para almoçar. De repente, o pai pede para o filho: “Me passa o arroz!” Então o filho, compreendendo o pedido, levanta-se calmamente, enche a mão de arroz, caminha até a cabeceira da mesa e passa arroz em todo o rosto do pai. Imagine a confusão que ocorrerá…

Em outro momento, a mãe fala para sua filha: “Minina, vai tirar a roupa do sol”. A filha olha para o céu e fica pensando na distância que lhe separa do sol para que consiga tirar-lhe a roupa. Nesse momento de profunda meditação, ela ainda pensa com certo ar de preocupação: “Quer dizer que o sol vai ficar ‘pelado’ no céu?”.

Então escurece, e a mesma mãe diz: “Meu filho, acende a lâmpada da sala!”. O filho começa a procurar o fósforo para que possa ‘acender a lâmpada’. Ele, finalmente, encontra o fósforo, mas quando se aproxima da lâmpada ele olha, olha e… nada! Muito preocupado, ele grita: “Manhê, num tô encontrando ‘o pavio’ dessa lâmpada! Como é que a gente acende isso?”.

Em outro lugar, algumas amigas estão conversando. Então, uma delas diz: “Hoje é domingo, vamos pegar um sol lá na piscina?” Porém, outra amiga questiona: “Ah, mas se a gente for ‘pegar o sol’, eu vou ficar com a minha mãozinha toda queimada”. Assim, as amigas desistem de bronzear-se ao sol.

Ao telefone, dois jovens procuram conciliar o horário para passearem no shopping. Tentando desistir do passeio, um deles diz: “Acho que eu não vou, porque já está ficando tarde. Inclusive, quantas horas têm?” Imediatamente, o outro aborrecido com a desfeita responde: “Tem uma, duas, três, quatro… Qual você quer?”

Na drogaria, o consumidor meio adoentado, dirige-se à atendente e franzindo a testa, pergunta: “Vocês têm ‘piula’ pra dor de cabeça?”. Completando a desventura linguística a atendente responde que “Sim” e acrescenta: “Tem um ‘compromido’ novo muito ‘mais melhor’ que vai lhe ajudar bastante”.

Agora vamos pensar em duas senhoras conversando. De repente, uma diz para outra: “Nem te contei que ontem eu levei uma queda muito feia”. Aí, a outra, demonstrando um ar de preocupação, pergunta: “E a senhora ‘levou a queda’ pra onde, cumadre?”

No outro lado da cidade, em um consultório médico, um senhor explicava sobre a súbita cefaleia que lhe atormentava: “Essa dor começou lá em casa, quando meu cachorro latiu e eu ‘peguei’ um susto horrível”. Então, calmamente o médico questiona: “E o senhor ‘pegou’ o susto com as duas mãos ou só com uma?”

Para finalizar, vamos a mais uma desventura:

Na empresa, o funcionário chega atrasado e pergunta ao seu colega: “Faz tempo que começou a reunião?”. O outro funcionário, muito concentrado nas palavras do chefe, responde: “Não, ‘acabou de começar’”.

É isso aí, são muitas desventuras para poucos corações!

Agora, quero me despedir fazendo um convite desventuroso: “Umbora imbora?”. E até posso ouvir sua resposta, dizendo: “Umbora!”.
E aí vamos nós!

  • O professor, mais grosseiro, mesquinho, bruto, egocêntrico que conheci. Odeio pessoas que se acham melhor que os outros e que acham que sabem tudo, sendo que nossa vida está em constante aprendizagem! Sinto pena de você meu caro Wirley! _|_

  • Dominar os vernáculos linguísticos é um dos maiores desafios da sociedade atual. Muitos egressos do ensino superior não conseguem escrever duas linhas de texto. Não se trata de uma hipérbole e sim uma triste realidade.Não conseguir coordenar um punhado de pensamentos e transcrevê-los no papel é o retrato da sociedade da informação.

  • “Se fazer entender” é muito importante, assim como se “comunicar”. É isto mesmo parecem ter o mesmo significado, mas não é assim no cotidiano, e o teu cotidiano, na maioria das vezes é diferente do da maioria das pessoas. É o profissional, o familiar e o social, dimensões e rotinas diferenciadas, que podem exigir de voce um linguagem formal, técnica, científica, dependendo do ambiente em que realmente voce exerce suas atividades. Porém, pode até parecer que estou me contradizendo, o mais importante pra todos nós é compreender e ser compreendido, nada melhor do cultivarmos o AMOR DE DEUS.

  • Apenas um lembrete para o pessoal que escreveu aqui como que a defender a ideia do “vamos nos comunicar, que é o que importa”: NÃO SE ESQUEÇAM DE DIZER ISSO PARA OS CORRETORES DE PROVAS E REDAÇÕES EM CONCURSOS, PROCESSOS SELETIVOS ETC, pois estes não querem nem saber desta possibilidade. E mais: No dia que esse intento for alcançado, podemos decretar a falência de uma das mais nobres artes: a de se COMUNICAR (no real sentido da palavra). Ah!! Já ia me esquecendo de analisar, juntamente com estes mesmos que defendem a ideia do “fazer-se entender”: Vamos imaginar a remota ideia de um dia, os demais profissionais, em seus nobres ramos da ciência, se empolgando com a possibilidade de apenas “fazerem-se entender” ou “comunicar-se é o que importa” (quem puder, entenda o simbolismo). Já imaginou um profissional da construção civil a construir apenas buscando “fazer-se entender”? Ou um médico, advogado, jornalista etc. exercendo a sua ciência, o seu conhecimento com este objetivo simplista e diminuindo seu conhecimento e a excelência do saber que tanto se esmerou por aprender? Façam a comparação… E pergunto: por que tratar apenas a Língua Portuguesa com esse desleixo? Ou será que dá para resolver um problema de matemática, física apenas buscando “fazer-se entender”? Vamos ser sinceros e admitir que precisamos melhorar nossa forma de falar e expressar pela escrita nossos pensamentos e mais sinceros ainda em reconhecer que não somos bons e por causa disso é melhor encontrar as famosas desculpas.

  • Olá Néia, td bem?
    Muito bacana esse texto. Concordo que o mais importante é se comunciar. O que não dá para aguentar é esse povo que dá entrevista por aí, assasinando nossa já tão combalida língua portuguesa. Por exemplo: Não deu pra “mim vim” antes porque bla, bla. Já “fazem” cinco dias que a água não bla, bla. Essa foi demais: O pessoal “interviram” e o homem não foi agredido. Faça-me o favor. A Profa. Risalva iria ficar muito triste, se por aqui ainda estivesse.
    Bjs.

  • Uma das maiores necessidades da sociedade atual é de pessoas, estudantes, profissionais que atentem para a correção e a pureza no falar e escrever. Proceder com um vocabulário esmerado jamais prejudicará alguém em qualquer situação, tanto no cotidiano, quanto no mundo do trabalho. Então, essa escusa de que o “importante é se comunicar” está adequada em parte, pois se assim o fosse, falaríamos e escreveríamos sem zelo algum e isso não nos ocasionaria nem uma apreciação desfavorável no meio social. Além de imbuir uma escassez intelectual que assola os indivíduos hodiernos. Afinal, as estatísticas indicam que a Língua Portuguesa é responsável pela REPROVAÇÃO de 70% dos candidatos em Entrevistas de Empregos (quando não conseguem elaborar, oralmente, suas respostas), bem como nos Processos Seletivos (quando não conseguem sistematizar suas ideias, em provas subjetivas e na Redação).

    Destarte, quando alguém for prejudicado no dia a dia, na escola, no trabalho, por falar e escrever isento de erros; então, nesse dia, eu relaxarei o vocabulário.
    Até lá, MINHA DICA é: não basta apenas se comunicar, É PRECISO SE COMUNICAR COR-RE-TA-MEN-TE!

    E SEREMOS FELIZES!

  • O IMPORTANTE É FAZER-SE ENTENDER.SEGUNDO O DOUTOR EM LINGUÍSTICA PASQUALE CIPRO NETTO,É IMPOSSÍVEL FALÁRMOS O TEMPO TODO “CERTINHO” PORQUE NOSSA LÍNGUA PORTUGUESA É EXTREMAMENTE COMPLEXA.ENTÃO O IMPORTANTE É REALMENTE FAZER-SE ENTENDER.

  • Wirley, meu colega do curso de Letras da letra impecável, de sorriso sempre aberto, gostei do seu divertido texto sobre as múltiplas facetas da linguagem, assunto sempre fascinante para nós. Agora vamos aguardar outros textos inteligentes, leves e escritos por um grande professor que nos deixa bastante orgulhoso. Abraço fraterno, meu caro Wilrley.

    • Meu particular amigo, Paulo Tarso, muito obrigado pelos comentários. Seu elogio, para mim, representa o próprio Prêmio Nobel em Literatura. Afinal, você é um dos melhores escritores que eu tenho a honra e o privilégio de CONHECER.
      Abraços saudosos.

      • Parabéns Wirley, que tb foi meu colega do curso de Letras. Lembro-me muito bem das tuas parodias que nos faziam rir muito e nao esqueço tb de uma que fizeste com a musica do Zé Ramalho “ha um cheiro de…” Sem contar tb que adoravas “desenhar” a tua letra, jamais conheci uma que fosse mais perfeita que a tua, parecia textos de antigos papirus caprichosamente escritos…é isso ai Muralha! kkk

  • Sem falar nos caras da Globo que dizem:
    A CORRIDA COMEÇA NA MADRUGADA DE SEXTA PRA SÁBADO. Pode???? Explica o que é isto??
    Um abraço.

  • Professor Wirley que saudade! lembro das suas aulas de literatura brasileira!quanto a língua, ta provado que a comunicação é o mais importante, estudar a linguagem é maravilhoso.Bjs!

  • Em plena discussão linguística sobre a variedade no falar, na oralidade, no linguajar, que advêm da diversidade cultural dos povos, não torna-se muito viável ficar percebendo essas ” desventuras da linguagem”, afinal estamos nos comunicando, e isso é o que vale!Bagno muito bem disserta sobre esta temática, fica a dica! Um abraço

    • Taí, Val
      Discussões lingüísticas por discussões lingüísticas, achei a crônica extremamente criativa com tudo a haver.
      Parabéns para o Wirley, que nem conheço.

  • É isso ai, todos os dias matamos um poukinho nossa lingua,pq td q escrevemos é errado, mas o q importa!? o q vale é o entendimento, num é? então bora em bora…

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