O caos na saúde

Sai governo, entra governo, sai “governo da harmonia” entra “governo da mudança” e o caos na saúde só aumenta no Amapá.
Diariamente, através de emissoras de rádio e televisão, jornais e caixas de comentários dos blogs, doentes pedem socorro e seus familiares denunciam que a saúde do Amapá está em coma profundo há vários anos. Pacientes esperam meses para fazer um exame, uma consulta médica, uma cirurgia. Tem gente morrendo por falta de atendimento ou de medicamentos.
Por falta de leito, pacientes são jogados nos corredores dos hospitais e há casos de dois doentes ocupando o mesmo leito.
Conseguir marcar uma consulta é um calvário. As pessoas – inclusive os idosos – passam a noite ao relento na frente do Hospital. Alguns, tão fragilizados fisicamente, deitam-se no chão, tendo como cama um pedaço de papelão ( No site do jornal ExtraAmapá há imagens chocantes. Um retrato sem retoques da saúde pública no Amapá).

Em março do ano passado o então deputado e hoje governador Camilo Capiberibe fez uma inspenção no Hospital de Emergências.  Semana passada, mais precisamente no dia 17, a deputada Roseli Matos, visitou o Hospital de Emergências e o que viu lá foi praticamente a mesma coisa que Camilo Capiberibe viu há um ano e cinco meses.

Posto abaixo o relatório da deputada Roseli – que foi entregue ontem ao Ministério Público – e republico um texto da assessoria de imprensa do então deputado Camilo Capiberibe, postado neste blog no dia 24 de março de 2010.

RELATÓRIO DE VISITA DA DEP. ROSELI MATOS NO HOSPITAL DE EMERGÊNCIA
NO DIA 17.08.11

No dia 17.08.11 às 16h00 a Deputada Roseli Matos(DEM), esteve visitando as dependências do Hospital de Emergência do Estado do Amapá acompanhada do Presidente do SINDESAÚDE, Sr. Dorinaldo Malafaia para ver “in loco” o funcionamento daquela casa de saúde. A iniciativa da visita é principalmente devido a várias denúncias que a parlamentar tem recebido de pacientes e parentes de pacientes.

O que se pode presenciar logo na chegada foi a situação desumana a que são submetidos os pacientes que necessitam de atendimento naquela casa de saúde. Os corredores que deveriam servir de circulação estão lotados de macas que servem de leitos. Os pacientes são obrigados a levarem seus ventiladores para amenizar o calor intenso do ambiente. Nos quartos a situação não é diferente visto que a maioria das centrais de ar não está funcionando. A Deputada foi abordada por vários pacientes revoltados com a situação caótica que são obrigados a suportar, tendo que trazer até água para beber, eles aproveitaram para denunciar a falta de equipamentos necessários para realização de exames, tais como o aparelho de tomografia que está quebrado, a máquina de endoscopia que não tem no Hospital e que a do HCAL está  quebrada deixando os pacientes à  mercê da sorte.

Os parentes do Sr. Aluísio Araújo Saraiva que sofreu um AVC estão inconformados, pois, por falta de leito o mesmo encontra-se em uma cadeira de rodas no corredor do hospital. O Sr. Daniel dos Santos Gomes morador de Santana, sofreu um acidente de moto há uma semana em encontra-se com traumatismo crânio encefálico aguardando a avaliação de um médico neurologista para poder ser transferido para UTI, estando em estado de pré coma. Um paciente do Laranjal do Jari que não quis se identificar denunciou que é obrigado a ficar em cadeira de rodas no corredor e que está há mais de 12 horas aguardando a visita de nutricionista. Os parentes da Sra. Maria de Lurdes de Oliveira Borges de 76 anos, moradora no Laranjal do Jari, denunciaram que a mesma está ficando desidratada, pois não está tomando soro e está há 15 dias com o braço quebrado aguardando para fazer cirurgia e que outros pacientes que chegaram depois tiveram prioridade no atendimento. O Sr. Edmar Pereira da Silva denunciou que está há uma semana para fazer cirurgia.  O paciente Jonatas Elber Amaral da Silva encontrava-se em uma cadeira fazendo um procedimento demonstrando estar sentindo muita dor, a mãe dele Sra. Regina Amaral da Silva desesperada pedia por um leito até que outro paciente que disse “estar em situação melhor” cedeu o seu.

Na sala onde ficam os medicamentos não é diferente o calor no ambiente, e segundo uma enfermeira, pode até comprometer a eficácia do tratamento, visto que os mesmos deveriam ficar em ambiente climatizado.

A remoção de pacientes quando é necessária é outra dificuldade, visto que o Hospital tem somente uma ambulância que vive dando problemas, pois a mesma foi adquirida há 12 anos, quando é preciso recorre-se à SESA para dar agilidade no procedimento. Foi informado que somente o Hospital da Criança possui ambulância em boas condições de uso.

Os profissionais foram unânimes em denunciar a sobrecarga a que estão submetidos, tendo que atender até 13 pacientes quando resolução do COREN prevê 05 pacientes para cada profissional .Falaram que sentem-se impotentes com a situação; o local que serve para o descanso dos mesmos também não tem as mínimas condições, é um local apertado com uns armários de aço com as portas destruídas que não dão nenhuma segurança para guardar seus pertences.

Durante a visita a Diretora do Hospital a Dra. Edna Silva apareceu e inclusive houve uma pequena discussão entre ela e o Presidente do SindSaúde. A Deputada Roseli se apresentou e explicou que estava apenas desempenhando seu papel de fiscalizadora do executivo.

A Diretora justificou a questão das centrais de ar dizendo que está em processo licitatório, e que antes da instalação é necessário fazer uma revisão na rede elétrica, visto que é muito antiga e está sobrecarregada; falou também das dificuldades financeiras para administrar o Hospital com um fundo rotativo no valor de R$320.000,00 para quatro meses, inclusive confidenciou que já está com débito de R$120.000,00 para o próximo repasse, pois a verba que é destinada para compra de medicamentos, material de consumo, etc., e devido as necessidades está sendo usada para outros fins.

Em relação aos pacientes que estão pelos corredores a Diretora  falou que a demanda aumentou consideravelmente sendo a maioria vítimas de acidente de trânsito e que a empresa  que fornece peças cirúrgicas parou o fornecimento em consequência houve um acumulo de cirurgias e atualmente só é possível a transferência de 01 paciente por dia  para o HCAL que também está com superlotação. A Diretora falou ainda que tem momentos que não tem nem maca  para tirar os pacientes do Centro Cirúrgico pois as macas estão  ocupadas com pacientes.

Durante a visita várias sugestões foram dadas para tentar resolver a situação, a Coordenadora de Enfermagem, Sra. Eliana Saldanha sugeriu que fosse feito um mutirão de cirurgia, o Presidente do Sindicato é a favor que se faça atendimento domiciliar nos casos menos urgentes, ou seja, o paciente seria chamado somente quando já fosse ser atendido, sugeriu também uma força tarefa envolvendo Secretaria de Inclusão e Mobilização Social, Secretaria de Administração e Secretaria de Saúde, foi dito que o executivo pretende utilizar umas salas do HEMOAP para servir de enfermarias o que discordado pelos profissionais, pois terá que ser montado toda uma nova estrutura, sugeriram a construção de um novo hospital, assim como a verticalização do prédio atual. O que ficou bem claro é que os profissionais não tem como oferecer um serviço de qualidade, se não lhe são dadas condições.

Inspeção da Comissão de Direitos Humanos da AL
identifica falhas no Hospital de Emergência

Texto: Eduardo Neves, da assessoria de imprensa do deputado Camilo
24.03.10 12:01 am

Após denúncia do Sindicato de Saúde do Amapá (Sindsaude), que no Hospital de Emergência, pacientes estavam sendo atendidos no chão, a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, tendo a frente o deputado Camilo Capiberibe (PSB/AP), realizou no início da noite de segunda-feira, 22, inspeção para apurar a denúncia.

Durante a vistoria, que foi acompanhado pelo Coordenador do Sindsaude, Dorinaldo Malafaia, o deputado Camilo pode constatar que no segundo andar do HE, por falta de leito pacientes estavam no corredor, deitados em macas sem colchões. “O meu filho de 5 anos está com o braço fraturado e ainda pouco ele estava recebendo atendimento no chão”, relatou a mãe da criança, a dona-de-casa Irene Picanço.

Nos leitos improvisados a maioria dos doentes são vítimas de fraturas. “Eu estou a um mês aguardando cirurgia e nem o ortopedista vem avaliar como está a minha situação”, cobrou o paciente Dinaldo Neves, do município de Laranjal do Jari.

No Centro de Terapia Intensiva (CTI), há cinco leitos funcionando, dois estão desativados por falta de equipamentos. O aparelho de hemodiálise está parado por que não tem técnico para operar. “Quando é preciso fazer a hemodiálise dos doentes, temos que levá-los até o Hospital Geral”, disse uma  técnica de enfermagem que estava de plantão.

No setor de enfermagem, dona Maria Laura Alves, de 99 anos, estava deitada na mesma posição há oito dias aguardando cirurgia. “Olhe a situação dela e ninguém faz nada”, denunciou a acompanhante da aposentada, ao receber a informação do deputado Camilo, que vai solicitar a direção do HE, que garanta a prioridade da paciente, que é estabelecido  no estatuto do Idoso.

INFRAESTRUTA – Uma tábua encobre um buraco que há no corredor e que dá visão para o corredor no andar debaixo do hospital. “Um senhor caiu hoje nesse buraco, só não varou porque ele não passa no buraco”, relatou uma paciente.

Os profissionais que estavam de plantão foram unânimes em dizer que há necessidade urgente de contratação de pessoal. “Hoje, por exemplo, é um técnico de enfermagem para atender 12 pacientes, o que na realidade deveria ser um profissional para três doentes no máximo”, explicou um técnico de enfermagem.

Fiscais do Coren que se encontravam de plantão informaram ao deputado Camilo que possuem relatórios detalhados sobre a falta de pessoal. “O Coren conseguiu na justiça impedir que os enfermeiros tivessem que dar conta das enfermarias e da UTI ao mesmo tempo”.

Na Unidade de Terapia Intensiva os técnicos em Enfermagem normalmente têm que dar conta do dobro de pacientes do que é aceito pelos padrões hospitalares. “Muitas vezes temos só um ou dois técnicos para seis pacientes quando seriam necessários três, na razão de um para cada dois pacientes no máximo”, relatou uma profissional da UTI.

Faltam medicamentos, como Pramol, Azaquitan, Omeprazol, além de aparelho para medir pressão arterial e até termômetro.

O Coordenador do SindSaúde Dorinaldo Malafaia  contou que as cirurgias ortopédicas não estariam sendo realizadas por falta de pagamento da empresa que fornece os materiais de imobilização, pinos e platinas que são utilizados para correção óssea. “Não pagam os fornecedores e quem sofre são os pacientes”, disse.

Diante da situação encontrada pela Comissão de Direitos Humanos da AL, o deputado Camilo Capiberibe (PSB/AP) vai produzir  um relatório para encaminhar ao governo do Estado e a Secretaria de Estado da Saúde (SESA), solicitando melhorias no Hospital de Emergência. “São vidas humanas, não podemos aceitar esse tipo de tratamento que é dado aos pacientes e aos trabalhadores”, disse Camilo.

  • Meu irmão faleceu no ultimo dia 18, no pronto socorro, ao chegarmos lá, não tinha maca, nem cadeira de roda, para tira-lo do carro, um paciente que estava lá que teve que tira-lo, ele chegou com muita dificuldade para respirar, não tinha aparelho de oxigênio, ninguém veio nos ajudar, não apareceu médico, umas estagiárias vieram socorrer, depois de gritarmos muito, foi que apareceu médico e um oxigênio precário, infelismente foi tarde demais, e ele faleceu cedo demais, com apenas 18 anos.

  • reconheco que o problemada da Saude no Amapa nao e so responsabilidade do gov,e gostaria de informar que nao faco parte do gov municipal de Santana e que farei visita tambem no meu municipio.

    • Cara Deputada,a Sra. ja tem uma porrada de tempo como politica e so agora está enxergando problemas com a saúde.Onde a senhora estava que não via?

    • HÁ NECESSIDADE URGENTE DE TODOS OS DEPUTADOS E VEREADORES SAIREM DE SEUS GABINETES E FAZEREM ISSO!!!.
      Será que só o povo vê os problemas,… nosso estado é 0 em saneamento básico, o centro da cidade está indo no fundo na cara de nossos governantes e não fazem nada o que vejo é o POVO , contribuindo ainda mais para o caos, O TRECHO DA AV. CARLOS GOMES, ENTRE HILDEMAR MAIA E MANOEL EUDÓXIO, CONTINUA SENDO ATERRADO NA CARA DE PAU POR MORADORES E OS ORGÃOS RESPONSAVEIS NÃO FAZEM NADA!!!.

      DEPUTADOS E VEREADORES SAIAM DE SEUS GABINETES E FAÇAM ALGUMA COISA PARA AJUDAR, DENUNCIEM, FAÇAM PROJETOS DE LEI E BUSQUEM RECURSOS,…

      Gestão urgenteee!!!!.

  • Precisamos de cobrança em cima da rede municipal, é não é porquê o Roberto é Prefeito, e sim porque os postos e centros de saúdes municipais funcionando a contento, tiram parte da demanda que hoje é atendida equivocadamente pelo hospital de emergência, e permite melhorar os investimentos onde realmente é preciso. Uma gripe tratada em um posto evita a internação por pneumonia mais tarde. A grande MUDANÇA, ocorre com a participação de todos e principalmente dos profissionais de saúde.

    • Como cobrar de um prefeito ex-presidiário? Estamos numa cidade sem prefito e num estado sem governo. É o fim da picada.

  • Meu filho recem nascido fico internado na Maternidade Mae Lucia, para fazer exames teve despesas aprox. R$ 1.558 para fazer os procedimentos solicitados na rede privada de saúde. Solicite resarcimento, o processo esta há aprox. um mês na maternidade. No responsabilizo ao atual governo da situação da saúde publica, reconheco que a unidade de neonatal do referido hospital melhoro sua infraestrutura, mais me preocupa a falta de compromisso de alguns profissionais.

  • E o Maranhão, hem!? Saiu até no JN da globo. Quem governa lá é a filha do homem, que extrapola e rasga a constituição com a sua pecha de “estadista”, derrubando através de liminar a proibição dos super salários do senado. Enquanto isso a saúde no Amapá no Maranhão, OH!

  • Concordo plenamente com Elton e Eduardo Oliveira. E tem mais, sera que 8 meses e o suficiente para o governador resolver problemas que foram causados por 8 anos? Acho complicado!! Para isso seriam necessario mais 8 anos, mas como ele e sua equipe sao de alta competencia com certeza irao resolver em muito menos tempo!! E isso ai companhaeiros!! Precisamos acreditar em quem realmente trabalha em prol da nossa sofrida populacao amapaense.

  • Parabéms às meninas do Extra pela excelente matéria. Acredito que não é hora de apontar culpados, mas buscar soluções. Chega de choradeira. É preciso arregaçar as mangas e trabalhar pela população.

  • E quanto tempo mais o agora GOVERNADOR vai querer para priorizar a saúde? O mesmo deveria ter um pouco mais de bom senso e zerar parte de investimentos inócuos, como propaganda. O que será que ocorreu com as “…vidas humanas, não podemos aceitar esse tipo de tratamento que é dado aos pacientes e aos trabalhadores”?

  • Quanta demagogia. O caos na saúde pública não é só no Amapá. Outro detalhe, o problema não será resolvido a curto prazo, muito menos em 7 meses de governo. Só para se ter uma idéia, para se pensar em resolvcer o problema há a necessidade de se construir mais um pronto socorro e um outro hospital de espcialidades e isso demanda tempo e muito recurso, o que o Amapá não tem. Então por favor, turma da hamonia, vamos olhar um pouquinho para o rabinho!

  • Na verdade teriam que demolir o Hospital de Emergências e o Hospital de Especialidades que não deveria ter esse nome “ESPECIALIDADES” devido não ter a os parametros obrigatórios estabelecidos em lei/ resolução federal, mas como aqui pra enganar os otários mudam o nome pra dizer que melhorou, quando na verdade piorou, vejo o Hospital de Especialidades falta leito, falta equipamento tem mais de dez pacientes necessitando de um equipamento ortopédico chamado popularmente de “gaiola” nas pernas para darem prosseguimento ao tratamento, porém estão mais de mês internados na eminência de pegarem uma infecção hospitalar. O Governador deveria criar coragem para construir novos hospitais e implodir os Hospitais de Especialidades, Emergências,mâe Luzia e o da criança, para construir novos a altura do nosso povo amapaense que muito sofre com o descaso que há anos sentimos na pele. Dinheiro tem o que falta é competência de Gestão e se os gestores da saúde não o tem que entreguem seus cargos e o governo nomeie pessoas competentes e com zelo na coisa pública. MORALIDADE JÁ!!!!!!!!!

  • O Caos na saude Publica não é só previlégio do Amapá o Brasil todo está provando este remédio amargo, mas em relação ao Amapá tem um agravente maior ou seja nem um invetimento nestes ultimos anos sendo assim a Bomba um dia ia estourar, mas nossa esperança e que ela caiu nas mão de quem esta provando que sabe gorvernar sendo assim eu agredito em dias melhores na saúde, só o tempo dirá

    • Os dois governos estão uma bosta e voces ainda tentam tomar partido de um ou de outro. Vão procurar o que fazer. Pior que o estado do Amapá, só estado de sítio.
      Esses dois relatórios confirmam: na política tudo é retórica. Bom mesmo é ganhar. Depois, o povo que sifú.

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