Rumo – A revista que projetou o Amapá

Edição N.1
Edição N.1

Dois mil e sete é o ano que marca o cinqüentenário de lançamento da revista Rumo, a realização de um sonho de poetas, intelectuais e jornalistas amapaenses. Totalmente produzida no Amapá, a Rumo circulou em todo o Brasil e contava com correspondentes em vários estados. Era uma revista mensal e foi fundada por Ivo Torres, Alcy Araújo, Arthur Nery Marinho,Vilma Torres, Aluízio da Cunha, entre outros.

Considerada uma publicação de alta qualidade, foi identificada por críticos literários e renomados autores como um veículo de difusão cultural dos mais importantes do país. O primeiro número, que circulou em novembro de 1957, mostrava a participação do Amapá pela primeira vez em um Congresso Nacional de Jornalistas. Foi o VII Congresso, realizado em setembro daquele ano marcando o cinqüentenário da Associação Brasileira de Imprensa (ABI). E o Amapá foi representado por Alcy Araújo.

Alcy Araújo autografando a Antologia Modernos Poetas do Amapá
Alcy Araújo autografando a Antologia Modernos Poetas do Amapá

O jornalista aproveitou a viagem para conhecer Brasília “e os trabalhos que se realizam no Planalto goiano para a instalação da futura capital do país“. Isto rendeu a matéria “Brasília – obra de saneadores, artistas e poetas”, tendo como subtítulo “Pioneirismo e técnica moderna erguem a cidade do futuro – Uma visita aos verdes altiplanos de Goiás”.

Uma matéria assinada por John H. Newman abordava a cultura da seringueira no Amapá, enquanto Paul Ledoux escrevia sobre agricultura, silvicultura e pecuária, e Amaury Farias sobre latifúndio; “A música no Território Federal do Amapá” era também destaque na primeira edição da Rumo, com matéria assinada por Mavil Serret, o pseudônimo de Vilma Torres.

Esta edição trazia também poemas de Fernando Pessoa, uma página de ciências, uma de economia e finanças, contos de Guy de Maupassant e de Almeida Fischer. Noticiava a morte do escritor José Lins do Rêgo, falava de teatro, de educação e traçava um perfil histórico de Macapá.

A revista – que trazia artigos e reportagens enfocando os mais importantes movimentos artísticos e culturais do Amapá, do Brasil e do exterior – inseriu a cultura amapaense no contexto nacional. Suas páginas recheadas de teatro, música, folclore, sabedoria popular, eram freqüentadas por ícones da época.
Por sua envergadura, a Rumo chegou a ter projeção internacional. “A Rumo conduz e explica o Amapá“, escreveu o ensaísta Osório Nunes. Uma crítica publicada no suplemento literário do jornal Diário de Minas, em outubro de 1958, assim se expressou sobre a revista: “Encontramos suas raízes na Semana de Arte Moderna. A sua vida constitui um resultado de descentralização cultural que houve a partir daquela data e que cada vez se acentua. Se fôssemos um Carlos Drummond, Mário de Andrade, um Vinícius de Morais ou Aníbal Machado, nada nos alegraria mais do que nos saber lido lá pelos confins do Brasil, no Amapá.”

Num tempo em que livros eram praticamente instrumentos de uma pequena elite, o jornalismo passou a ser utilizado como uma forma de intervenção social. Naquele momento o jornalismo tinha mais importância do que a literatura, porque ajudou a criar o impacto para despertar a sociedade mexendo com as pessoas. Para haver literatura era preciso um conjunto de coisas funcionando a um só tempo: crítica literária,

Ivo Torres e Álvaro da Cunha
Ivo Torres e Álvaro da Cunha

leitores, debate, produção de livros, escolas… como um conjunto de elementos articulados. Daí a

necessidade e a pertinência da revista Rumo, responsável pela articulação de todo

um movimento que se consolidou com a projeção da obra intelectual do grupo de escritores amapaenses para além das fronteiras do Amap

á.

A promoção do debate levou a revista a criar outros mecanismos de apoio à produção literária. E assim nasceu a Editora Rumo, que viria a publicar em 1960 a antologia Modernos Poetas do Amapá, o livro Quem explorou quem no contrato do manganês do Amapá, de Álvaro da Cunha (1962), e Autogeografia, livro de poesias e crônicas de Alcy Araújo (1965). A revista Rumo também deu origem ao Clube de Arte Rumo, que reunia poetas, pintores, músicos e artistas de teatro para discutir o que se fazia no Amapá e no Brasil no campo da literatura, da música e das artes cênicas e plásticas. Ao mesmo tempo em que promovia concursos de crônicas e poesias na busca de novos talentos.

  • A revista Rumo pode ser considerado o embrião da imprensa amapaense, pós emancipação, refiro-me a imprensa não oficial. E é sem dúvida um excelente mateial para pesquisa. Parabéns pela lembrança, Nea!!

    Bjs e abraços

  • Olá Alcinéa, estou graduando na área de língua e literatura e tenho um especial interesse por literatura amapaense.Inclsive gostaria de trabalar meu TCC falando de nossa literatura local. Se vc puder me ajudar com artigos publicados e/ou materiais sobre o tema desde já te agradeço.
    Um forte abraço!

  • Olá…

    sou professora de Literatura e quando graduanda em Letras pela UNIFAP entrei em contato com os primeiros textos de literatura regional dai em diante apaixonei-me ainda mais pela cultura amapaense. Mande – me textos , artigos desta revista que projetou nossa Literatura no cenário nacional.

  • Alcinéa,

    Tudo bem ? Nos conhecemos menininhas e perdemos o contato.Sou filha do Álvaro e vi ,nos comentários acima que a prima Ioneida (com quem também não tenho contato) também jjá encontrou você na internet. Fiquei super feliz de ver que você não esqueceu os nossos poetas no seu site. Ficarei em contato sempre e espero que possamos nos encontrar, qualquer dia. Estive em Macapá,onde nasci, somente duas vezes e infelizmente,não sabia que voce ainda morava aí. Moro no Rio e minha mãe ainda mora no mesmo endereço onde voce esteve quando veio ao Rio ,no ano de 19….sei lá quando. Beijos e obrigada por defender tão bravamente nossa terra.

  • Olá Alcinéa, sou professora de língua e literatura e tenho um especial interesse por literatura amapaense.Se vc puder me ajudar com artigos publicados e/ou materiais sobre o tema desde já te agradeço.
    Um forte abraço!

  • Cara Alcinéa.
    Como eu poderia ter acesso ao acervo da revista Rumo? Está digitalizada? Ou pode ser encontrada em bibliotecas públicas ou particulares?

    Agradeço sua atenção

    • Nas bibliotecas de Macapá com certeza não tem.
      Tenho em casa algumas edições, inclusive a primeira, mas não estão digitalizadas.
      Abraços

      • Cara Alcinéa.

        Agradeço sua resposta.

        Aluízio Cunha e Álvaro da Cunha eram meu pai e tio. Minha famíla gostaria de reunir esse trabalho realizado por eles. Teria como eu ter acesso ao seu acervo pessoal e fazer cópias? Teríamos todo cuidado no manuseio, pois sabemos quanto coisas assim são caras ao colecionador…
        Grata por sua atenção.

        • Ioneida, tenho o maior prazer em disponibilizar meu arquivo pra ti. Além da Rumo, tenho a Antologia Modernos Poetas do Amapá, fotos e alguns documentos.
          Me manda um e-mail ([email protected]) pra gente combinar.

          • Morei muitos anos no Amapá, leio sempre seus artigos e comentários, adoro, com isso lembro-me dos amigos, recordo minha infancia, enfim fico feliz . Um grande abraço e continue a seresta lutadora, não conheço você pessoalmente, mas conheci seu pai e sua mãe .
            josemar

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