Alcinéa Cavalcante

Liberdade de expressão!
Macapá - Amapá

Audiência de Waldez é adiada

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 20/10/14 as 10:26 pm

Marcada para às 9h desta terça-feira, a audiência do ex-governador Waldez Góes (PDT), candidato ao governo, foi adiada sine die. Os motivos do adiamento não foram divulgados.

A ação de improbidade administrativa foi movida pelo Estado contra Waldez Góes e refere-se a compra de um terreno pelo governo do Estado por R$ 1,7 milhão, na época que Góes era governador.

ALAP monta comissão para apurar veracidade do vídeo em que o governador aparece recebendo dinheiro

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 20/10/14 as 6:05 pm

Desde a sexta-feira está nas redes sociais um vídeo em que aparece o governador Camilo Capiberibe (PSB), candidato à reeleição, supostamente recebendo dois pacotes de dinheiro num gabinete.
O tal vídeo foi o principal assunto de hoje na Assembleia Legislativa. Os deputados aprovaram, em regime de urgência, requerimento de autoria do deputado Zezé Nunes (PV), solicitando a constituição de uma Comissão Especial, com o objetivo de apurar a veracidade dos fatos e a filmagem.
Em sua justificativa, Zezé Nunes diz que “é  preciso confirmar se é mesmo o governador e em que circunstâncias, bem como, a identificação dos responsáveis pela veiculação do vídeo, feita através da internet, na última sexta-feira (17)”

Na sexta-feira, quando o vídeo ganhou as redes sociais a Frente Popular a Favor do Amapá – coligação pela qual Capiberibe concorre  à  reeleição divulgou esta nota:

“Indignação. É assim que a Frente Popular a Favor do Amapá recebe mais uma armação montada pela quadrilha que quer a todo custo voltar a tomar conta do dinheiro do Amapá.

Nós temos consciência do que estamos enfrentando, não esperamos outro comportamento dos nossos adversários e vamos até o final na luta contra a corrupção.

Em 2006, eles enganaram você, fazendo uma covarde montagem contra o Capi. Daquela vez, soltaram um vídeo de baixa qualidade da maternidade, que não provava nada, ganharam a eleição e deu no que deu: Waldez assumiu e, segundo a Polícia Federal, roubou mais de 1bilhão da saúde, foi preso e envergonhou o Amapá.

Em 2012, a vítima foi a candidata a prefeita de Santana Marcivânia. Eles inventaram que ela estava recebendo dinheiro do prefeito Nogueira num motel. A mentira também pegou e Marcivânia perdeu a eleição. Robson Rocha virou prefeito de Santana.

 Camilo cresce nas pesquisas não manipuladas. A população do Amapá abriu os olhos para a verdade. Isso faz os adversários demonstrarem desespero, espalhando na internet um vídeo de baixa qualidade e insinuando em suas rádios e TVs que Camilo está recebendo dinheiro ilegal. A Frente Popular já denunciou a farsa à polícia federal e ao Ministério Público Federal e pediu perícia e investigação. Não vamos nos deixar roubar outra vez. Fiquem de olho, eles vão montar novas farsas. Mas nós seguimos firmes e vamos vencer essa eleição!

Frente Popular a Favor do Amapá”

Waldez no banco dos réus

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 20/10/14 as 5:38 pm

Na reta final da campanha,  o ex-governador e candidato ao governo Waldez Góes (PDT), terá que suspender sua agenda de candidato para atender intimação da Justiça.
Acusado de improbidade administrativa à época em que era governador, Góes  enfrenta as barras da justiça nesta terça-feira, 21. A audiência está marcada para às 9h.

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De Maiakovski

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 20/10/14 as 2:00 pm

Eu não forneço nenhuma regra para que uma pessoa se torne poeta e escreva versos. E, em geral, tais regras não existem. Chama-se poeta justamente o homem que cria estas regras poéticas.
(Maiakovski)

Jardim, pode

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 20/10/14 as 1:40 pm

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De Isnard Lima

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 20/10/14 as 12:00 pm

“Estes poemas não tem idade
nem sexo
nem luz.
Nasceram por acaso
sem razão”

De Garcia Lorca

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 20/10/14 as 10:00 am

Mas o que vou dizer da Poesia? O que vou dizer destas nuvens, deste céu? Olhar, olhar, olhá-las, olhá-lo, e nada mais. Compreenderás que um poeta não pode dizer nada da poesia. Isso fica para os críticos e professores. Mas nem tu, nem eu, nem poeta algum sabemos o que é a poesia. (Garcia Lorca)

Semana do Poeta

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 20/10/14 as 8:25 am

Hoje é o Dia do Poeta. Em Macapá, o dia acordou com um sol bochechudo saudando os poetas. O céu está azulzinho e nuvens impecavelmente brancas brincam formando códigos que só os poetas conseguem decifrar. Um convite à poesia. Um dia perfeito para ler, dizer, declamar poemas, relembrar os primeiros poetas amapaenses, relembrar os que partiram, conversar e abraçar  todos aqueles que vivem a poetar no meio do mundo, estimular a juventude que está se dedicando à arte de construir versos e incentivar as crianças que traduzem em versos os sentimentos mais puros.
Ontem começou aqui no blog a “Semana do Poeta”, com uma homenagem a Arthur Nery Marinho. Durante todo esta semana, o maior espaço neste blog será dedicado à poesia, aos poetas e grupos poéticos.
O espaço está aberto para todos. Mande sua poesia, sua foto, sua história ou do seu grupo poético. Esta semana quem manda no blog são os poetas e os amantes da poesia.
Lembremos hoje a Antologia Modernos Poetas do Amapá, lançada em junho de 1960, reunindo os mais importantes poetas do início do Território Federal do Amapá: Alcy Araújo, Álvaro da Cunha, Aluízio da Cunha, Arthur Neri Marinho e Ivo Torres. Intelectuais que demarcaram, como área de cultura, um território ainda jovem. Foi a primeira iniciativa, no gênero, cultivada na linha setentrional do país.
Publico abaixo recorte do jornal Amapá (que recebi de presente do poeta Paulo Tarso) noticiando o lançamento da Antologia em Belém do Pará, na livraria Dom Quixote.
O lançamento em Belém foi bastante concorrido e contou com a presença de estudantes, intelectuais, professores, jornalistas e dos nomes mais importantes da literatura paraense como Bruno de Menezes, Haroldo Maranhão, Max Martins, Rodrigues Pinagé e Georgenor Franco – que saudou os amapaenses em nome da Academia Paraense de Letras. Alcy Araújo, meu pai (de terno branco, óculos, à direita) falou em nome dos modernos poetas do Amapá.

modernospoetas1

Hoje é Dia do Poeta

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 20/10/14 as 7:00 am

20 de outubro é o Dia do Poeta. Neste dia em  1976, em São Paulo, surgia o Movimento Poético Nacional, na casa do jornalista, romancista, advogado e pintor brasileiro Paulo Menotti Del Picchia.

A data homenageia e lembra deste momento ímpar para os poetas do Brasil.

Poetas são doutores em ciências abstratas

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 20/10/14 as 6:58 am

Os poetas são doutores em ciências abstratas. Eles sabem a espessura das palavras, a leveza de cada objeto e timbre das sensações. Poetas inventam velas e barcos, viajam através do tempo e descobrem mundos novos e nos falam múltiplos dialetos desses mundos abstratos.
Sabem projetar e construir palcos, pintar e iluminar cenários, dar forma, voz e movimentos aos seus personagens.
Poetas são incansáveis e exímios artífices no lidar com a lapidação da palavra, e, assim sendo tratam com talento admirável e surpreendente desenvoltura o sentimento do mundo.
E como se não bastasse o maravilhoso conteúdo que se lhe apresenta a vida real, dana-se o poeta a inventar e reinventar-se, tendo como instrumental de trabalho a imaginação e como matéria-prima a palavra.

Manoel Bispo, poeta, escritor, compositor, artista plástico e professor

Agenda dos candidatos

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 20/10/14 as 5:55 am

Camilo 40
A assessoria do candidato não forneceu a agenda

Waldez 12
Manhã:
Das 8h às 14h –  Gravação de Programa para Horário Eleitoral
Tarde
16h – Caminhada no Bairro Buritizal
Noite
Agenda não divulgada

Coisa mais linda!

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 19/10/14 as 3:25 pm

agoraJá contei pra vocês que meu quintal é um pedacinho do paraíso, né? Cheio de flores, árvores, frutos, pássaros… Os passarinhos estão tão acostumados com a gente que fazem até pose para fotografias, como esse aí nesta tarde ensolarada de domingo

A República do Cunani

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 19/10/14 as 3:03 pm

cuna1De vez em quando fico  folheando minha modesta coleção de revistas antigas. Gosto muito de fazer isso e gosto também de compartilhar. Então hoje divido com vocês a capa e o editorial  da edição número 8 Revista do Amapá, de novembro de 1948.
A revista era uma publicação do governo do então Território Federal do Amapá e nesta edição trazia como matéria de capa a história da vila de Cunani, que chegou a ser, por um curto período , um país independente.
Moedas da República do Cunani ficaram por muitos anos expostas no Museu Histórico-Científico Joaquim Caetano da Silva, em Macapá. De lá foram roubadas. (Sim. No Amapá se rouba tudo)
Uma das grandes atrações da vila eram os sinos da capelinha, feitos na França. Verdadeiras obras de arte.
Cunani, que fica a cerca de 300km de Macapá.
Neste editorial a revista diz que a história do Amapá clama por estudiosos. Passados quase 70 anos podemos dizer que a nossa história ainda clama por eles.
O Amapá é carente de historiadores, é carente de obras sobre sua rica história.
Dito isto, vamos ao editorial:

O sino do Cunani

A história do Amapá clama por estudiosos. Aqui e ali encontram-se referências ligeiras a um passado cheio de aventuras, de lutas e de sonhos. Mas os episódios desenrolados na imaginação dos que caminharam pelos seus rios e estradas interiores, correndo atrás de pepitas, carregando a bateia, descendo nas ravinas das montanhas para, turvando os igarapés, buscar no seu leito a pinta do ouro, ainda não tiveram o seu escritor. É mina que está por explorar.
Nossa capa constitui um exemplo vivo. Ali está o sino do Cunani, da sua capela pequenina, porém rica de tradição. Foi fundido na França, com o melhor bronze, especialmente para a Nossa Senhora do Cunani. Obra de arte perfeita, construída com carinho exemplar.
Cunani tem sua lenda no mundo. No fim do século passado e no princípio do presente serviu de motivo para comentários internacionais. Quando o Amapá atraía milhares de aventureiros à busca de filões auríferos, assistiu lindas festas e alimentou grandes ambições.
Duas vezes tentaram transformar esse lugarzinho em país independente. A primeira foi em 1886, durante a visita do célebre naturalista Henri Coudreau. Os franceses ali residentes elegeram-no Supremo Magistrado da Nação do Cunani. Conta Elisée Reclus que Paris em peso desabou às gargalhadas com esta idéia da eleição do sábio de Vauves para a presidência de um país sem súditos!… O caso é que logo após S. Excia. cercava-se de uma comitiva respeitável e seleta: foi fundada a ordem nacional Étoile de Cunani, mas esta instituição continha mais comendadores, cavaleiros e titulares do que habitantes havia em Cunani… Um belo dia o Ministro das Colônias da França, diante dos protestos do Governo brasileiro, com a penada eficaz de um decreto, fazia riscar do mapa a República de Cunani … (Alfredo Gonçalves).
A segunda ocorreu em 1903. O francês Adolfo Brezet proclamou a República do Cunani, abrangendo todo o território ex-contestado. Mas os seus áulicos tiveram sua ilusão desfeita pela Polícia de Belém.
Cunani teve também a sua moeda, cunhada na França, como possuía cerâmica original.
Hoje apenas a capela guarda a lembrança do passado glorioso. As telhas da cobertura e os tijolos do piso vieram de Marselha. Encontram-se no altar lindos castiçais e crucifixos.
Atrás da povoação acham-se os restos da linha de tiro, onde os soldados franceses faziam exercícios. Existem cafeeiros plantados no século findo que dão frutos.
Fala-se também que debaixo da capela há um subterrâneo. Alguns afirmam que ele é longo de vários quilômetros e vai até à serra do Cunani.
Aí fica um breve roteiro para os faiscadores da história amapaense. Cunani é um filão à espera de quem o descubra de novo.”

Domingo na Banca do Dorimar

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 19/10/14 as 1:47 pm

banca5É assim. Todo domingo  essa turma se encontra na banca de revistas mais famosa da cidade: a Banca do Dorimar, na Praça Veiga Cabral. Fala-se de tudo, futebol, política, economia, cultura. Conta-se causos, piadas e, claro, se resolvem todos os problemas do Amapá, do Brasil e do mundo.
Domingo sem uma passadinha na Banca do Dorimar não é domingo.

Bom dia!

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 19/10/14 as 8:02 am

SDo meu jardim para enfeitar teu domingo

Artigo dominical

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 19/10/14 as 6:54 am

As joias da rainha
Dom Pedro José Conti, Bispo de Macapá

 Certo dia, Rabi Samuel estava de passagem em Roma quando encontrou, no caminho, algumas joias de raro esplendor. Ainda estava admirando aquelas preciosidades quando um arauto chegou para anunciar ao povo que a rainha tinha perdido todas as suas joias. Pela descrição eram, justamente, aquelas que Samuel tinha encontrado. Quem as devolvesse no prazo de trinta dias receberia uma boa recompensa, mas quem fosse encontrado na posse delas, após os trinta dias, teria a cabeça cortada, porque seria considerado um ladrão. Rabi Samuel fez exatamente o contrário. Apresentou-se à corte no dia seguinte ao vencimento dos trinta dias. Ao entregar as joias para a rainha, esta lhe perguntou:

– Tu não ouviste o meu anúncio?
– Com certeza – respondeu o rabi.
– Então por que desobedeceste?
– Para provar que estou te devolvendo as joias por temor a Deus e não por medo de ti.

Tocada por esta resposta a rainha exclamou:
– Bendito seja o Deus dos judeus!

O evangelho deste domingo nos apresenta mais uma armadilha dos inimigos de Jesus e a sua brilhante resposta. Pagar o tributo a César significava reconhecer a autoridade dele e, portanto, aceitar a submissão ao Império Romano. Os nacionalistas fanáticos e os descontentes revoltados nunca poderiam aceitar isso. Do outro lado, porém, os mais tolerantes e os que ganhavam com a circulação das moedas e das mercadorias achavam melhor pagar os impostos. Assim podiam continuar nos seus negócios sem ficar brigando o tempo todo. Se Jesus tivesse respondido que o tributo a César não devia ser pago, teria sido apontado como um revolucionário que ensinava a desobediência. Se tivesse respondido que precisava pagar o imposto, alguns dos próprios judeus o acusariam de traição à pátria, ao templo, às tradições. Nesta altura, Jesus pede que lhe mostrem uma moeda. Nela estavam a inscrição e a figura do imperador. A resposta final é bem conhecida: “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que de Deus”.

Jesus se saiu bem, ainda chamando os questionadores de hipócritas, mas o que podem significar estas palavras para nós, hoje, quando “Império” é título de telenovela e o próprio país onde nós vivemos nos cobra impostos para a manutenção das estruturas e dos serviços sociais? Jesus queria nos ensinar a separar as coisas do mundo das coisas de Deus? Isso é realmente possível e seria também justo e correto?

Talvez a resposta esteja numa simples palavra, hoje muito explorada, mas nem sempre entendida e, sobretudo, aplicada. A palavra pode ser “ética”. Vou fazer o exemplo mais fácil da economia, a “ciência” – segundo alguns – que hoje domina o cenário do mundo. A economia funciona com o lucro e o crescimento. Todas essas palavras e esses dados são bem propagandeados. Nesse sentido, economia “boa” é aquela que dá lucro, vantagem. Custe o que custar e doa a quem doer. Tendo lucro, não interessa se alguém fica desempregado, morre de fome ou de guerra, de ebola, de overdose ou de câncer por falta de prevenção e de remédios. Ao contrário, agir com “ética” significa reconhecer que existe algum princípio ou valor que está acima do lucro, que deve ser considerado maior do que os próprios ganhos. Esses valores mais importantes são muitos: a vida digna das pessoas, o direito à liberdade de ir e vir, de morar no seu país em paz, de expressar a própria religião, de ter água e chão para cultivar, de ter leis respeitadas por todos e assim por adiante. São muitos os direitos humanos, tão badalados, mas tão pisoteados em tantos lugares do mundo.

Os “césares” da história humana são obcegados pelo poder e pelo lucro. Talvez nem acreditem em Deus, porque eles mesmos se consideram deuses, como no tempo do Império romano. Menos mal se ficassem sozinhos em suas loucuras. Muito pior é nosso medo de mudar as coisas, de acreditar para valer no Deus do amor, da paz, da fraternidade e da justiça, o Deus de Jesus Cristo. O horizonte material nos escraviza e amedronta. Com a liberdade, a fé e o temor de Deus, muitas joias da vida nos seriam devolvidas.

Macapá

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 18/10/14 as 4:19 pm

praçadabandeiraPraça da Bandeira – Macapá-Amapá

O poeta Arthur Nery Marinho

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 18/10/14 as 2:24 pm

“Meu coração é público, senhores!
É como o botequim dali da esquina.
À turba não ilude.
Sempre há de ter lugar aos sofredores,
pois, sendo núcleo da mais triste sina,
tem calma e tem virtude.”

Poeta, músico, jornalista e desportista, Arthur Nery Marinho nasceu em Chaves (PA), em 1923,  mas aos 23 anos de idade veio para o Amapá e nunca mais saiu daqui. Cantou, tocou e escreveu as coisas desta terra como se fosse a sua terra natal.

Arthur1

“Que saibam pois, meus filhos, sem sigilo,
que fui isto, fui isso e fui aquilo,
porque não tive o dom de ser lacaio”

Compadre de meus pais, Arthur Nery Marinho frequentava muito nossa casa. Lembro-me que quando eu era criança eu ficava boaquiaberta ouvido-o declamar suas poesias para minha vó Elvira Araújo.
Nossa casa tinha uma grande varanda, onde minha vó, paralítica, passava a maior parte do dia em sua cadeira de rodas rezando, cerzindo, lendo, fazendo crochê… o poeta chegava, cumprimentava-a e começava a declamar (outro que costumava fazer isso era o Cordeiro Gomes, mas em outro post eu conto). Eu corria para ouvi-lo e a poesia que eu mais gostava era Auto-Retrato, que está publicada no livro Sermão de Mágoas. Ele dava tanta vida ao poema que eu, na inocência da infância, jurava que ele tinha o corpo todo marcado de cicatrizes.
Uma das imagens que ficou gravada é o poeta levantando a barra da calça ao dizer o verso “E por toda parte a perna cortada.” Eu arregalava os olhos na tentaviva de ver os golpes em sua perna e morria de pena dele. “Isso deve doer muito”,  pensava.
Só na adolescência fui entender o Auto-Retrato do poeta.

Cresci, fiquei adulta,  meus pais se separaram, morreram e meu contato com o poeta foi rareando. Mas nas poucas vezes que nos encontramos após a morte de meu pai sentia o enorme carinho que ele tinha por mim e isso me fazia muito feliz.

“Se alguém me pergunta onde é que moro,
prego mentira e de vergonha coro,
pois não moro nem dentro de mim mesmo”

Poucas vezes estive na casa dele. Era uma casinha tão aconchegante, na rua mais tranquila do bairro Jacaré-acanga, bem na frente de uma pracinha. Pensava com meus botões: todo poeta deveria morar num lugar assim, onde há paz, verde, crianças jogando bola, gente enamorada e canto de passarinhos. Uma das vezes que estive lá foi para convidá-lo a sair na escola de samba Unidos do Buritizal, em 1992, cujo enredo era “Alcy Araújo – o poeta do cais”. Fazia pouco tempo que Arthur tinha passado por uma delicada cirurgia na cabeça. Mas mesmo assim ele topou. Enfrentou o desafio de ir para a avenida, sambar em homenagem ao compadre, na comissão de frente da escola que estreava no carnaval. E estreou em alto estilo: foi a vice-campeã.

Outras vezes encontrei-o à sombra da “mangueira da Sead”. Ele costumava dar uma paradinha ali quando ia falar com os secretários de Estado em busca de apoio para a publicação do livro “Sermão de Mágoa”. E foi ali, embaixo daquela mangueira, numa manhã de sol bochechudo e céu azulzinho de 1993, que ele me deu a boa notícia: finalmente Sermão de Mágoa ia ser publicado. Já estava no prelo. Vibrei. E foi também embaixo da mangueira que ele me deu um exemplar do livro tão logo saiu da gráfica, antes do lançamento.

“Quero sonhar que vou pelos caminhos
jogando rosas, destruindo espinhos,
deixando luz em cada escuridão”

O poeta Arthur Nery Marinho faz parte da primeira geração dos modernos poetas do Amapá.
Nascido em Chaves (PA), em 27 de setembro de 1923, veio para o Amapá em 1946. Ao lado de Alcy Araújo Cavalcante, Álvaro da Cunha, Aluízio Cunha e Ivo Torres, Arthur desenvolveu importantes projetos culturais.
Está na Antologia Modernos Poetas do Amapá, na enciclopédia Brasil e Brasileiros de Hoje, na Grande Enciclopédia da Amazônia e na Coletânea Amapaense de Poesia e Crônica.
Foi vice-presidente da Sociedade Artística de Macapá, diretor do Jornal Amapá, presidente da Federação Amapaense de Desportos (hoje FAF) e sócio-fundador da Sociedade Esportiva e Recreativa São José e do Grêmio Literário e Cívico Ruy Barbosa.

Arthur Marinho tocou no coreto da antiga Praça da Matriz. Num de seus poemas relembra assim:
“Da igreja o velho coreto
eu avisto, neste ensejo.
Do mestre Oscar vejo a banda
e lá na banda eu me vejo.”

arthur3Em 1993 publicou o livro de poesias “Sermão de Mágoa”. Morreu em 24 de março de 2003 e alguns meses após sua morte a Associação Amapaense de Escritores fez o lançamento do livro de poemas e trovas “Cantigas do Meu Retiro”.

arthur2Arthur e o presidente da Associação Amapaense de Escritores, Paulo Tarso

As caminhadas de hoje

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 18/10/14 as 12:22 pm

As militâncias dos dois  candidatos ao governo do Amapá, Camilo Capiberibe (PSB) e Waldez Góes (PDT) fizeram animadas caminhadas hoje  em Macapá.
Os yellows (Camilo)  fizeram a festa no bairro Novo Buritizal e os azuis (Waldez) no centro de Macapá, na rua Cândido Mendes.

camilo2Caminhada Camilo 40

waldez3aCaminhada Waldez 12

(As fotos são dos perfis de assessores dos candidatos no Twitter)

Poema de sábado

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 18/10/14 as 11:35 am

No caminho com Maiakovski
Eduardo Alves da Costa

Na primeira noite, eles chegam mansamente
e roubam uma flor do nosso jardim.
E nós não dizemos nada.

Na segunda noite, já não se escondem.
Pisam nas flores de nosso jardim, batem em nosso cão
e nós, mais uma vez, não dizemos nada.

Até que um dia, o mais frágil deles entra em nossas casas,
violenta a nossa família, bate em nossas crianças
e arranca-nos a voz da garganta.

E nós já não podemos falar nada,
porque já não temos voz.