Alcinéa Cavalcante

Liberdade de expressão!
Macapá - Amapá

Justiça afasta Moisés Souza da presidência da ALAP

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 23/04/14 as 2:44 pm

Em Sessão Judicial  que acabou agora há pouco, o Pleno do Tribunal de Justiça do Amapá decidiu pelo afastamento dos deputados Moisés Souza e Edinho Duarte dos cargos de presidente da Assembléia Legislativa e   1º secretário da Mesa Diretora da AL, respectivamente.
Esta é a segunda vez que os dois são afastados. A primeira foi em 26 de junho de 2012. Mas em 25 janeiro deste ano eles reassumiram os cargos amparados por uma liminar do Supremo Tribunal Federal.
O afastamento, tanto o de 2012 como o de hoje, foi pedido pelo Ministério Público Estadual que denunciou os dois parlamentares  por  formação de quadrilha, fraude em licitação, peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro, com base no material apreendido durante a Operação Eclésia, deflagrada pelo MPE em maio de 2012 com o objetivo de desmontar um possível esquema de corrupção envolvendo a Assembléia Legislativa e empresas que prestam serviço ao Poder Legislativo.

Amapaense conquista 1º lugar em concurso nacional de redação

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 23/04/14 as 2:19 pm

É do Amapá a vencedora da etapa nacional do concurso de cartas promovido em todo mundo pela União Postal Universal (UPU) e realizado no Brasil pelos Correios.
Fernanda de Souza Valente, de apenas 14 anos, disputando com centenas de jovens de todo o Brasil conquistou o primeiro lugar. Ela cursa o 1º ano do ensino médio no Colégio Conexão Aquarela
e vai  representar o Brasil na etapa internacional, que será realizada em outubro em Berna (Suíça).
“Fernanda escreveu um texto sobre o aprendizado de um mestre que a fez perceber os sons da vida, dando asas à sua alma e contou a experiência de ter se sentado em um banco de uma praça e simplesmente parado para escutar e sentir os sons ao seu redor
, explicou a jornalista Natália Campos, assessora de comunicação dos Correios.

O resultado foi divulgado ontem, 22, no site dos Correios.

Para ler o texto de Fernanda clique aqui

Bom dia!

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 23/04/14 as 4:41 am

Hoje é o Dia Mundial do Livro

diadolivroQue tal começar o dia lendo autores amapaenses?

Senado aprova marco civil da internet

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 22/04/14 as 11:49 pm

Da Agência Senado

Plenário do SenadoSenador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) defendendo a aprovação do projeto

O Senado aprovou sem alterações o marco civil da internet (PLC 21/2014). Embora a oposição tenha firmado a necessidade de mais tempo para discussão sobre o tema, uma manobra regimental do governo possibilitou a inversão de pauta e colocou o projeto como primeiro item da Ordem do Dia desta terça-feira (22). O interesse da base foi a aprovação rápida e sem emendas para que o projeto vire lei durante o seminário Netmundial, que ocorrerá em São Paulo a partir desta quarta-feira (23).

Assim que for publicado, o projeto irá para sanção da presidente da República, Dilma Rousseff. Ele estabelece princípios, garantias, direitos e deveres para internautas e provedores na rede mundial de computadores no Brasil.
(Leia mais)

Veja aqui os principais pontos do marco civil

PMN lança pré-candidatura de Marba ao governo

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 22/04/14 as 10:14 pm

Amanhã, quarta-feira, o PMN faz o  lançamento da pré-candidatura do empresário Luciano Marba ao governo do Estado e da  ex-deputada federal Raquel Capiberibe ao Senado.
A festa política será na boate Copacabana e começa às 19h.

Plenário da ALAP recebe o nome do deputado Dalto Martins

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 22/04/14 as 9:58 pm

Em solenidade realizada na manhã dessa, terça-feira, 22, na Assembleia Legislativa do Amapá (ALAP), deputados, servidores da casa, familiares e amigos do deputado Dalto Martins (PMDB), recordaram e se emocionaram durante o evento que homenageou o parlamentar, morto há 2 anos em um acidente aéreo.

A solenidade marcou a denominação do plenário da Assembleia que agora passa a ser chamado de “Deputado Dalto Martins”, por meio do Projeto de Resolução de autoria do deputado Michel JK (PSDB), motivado pelo exemplo da forte atuação política deixado por Dalto.

“O Dalto viveu intensamente o parlamento nas mais diversas situações, nada mais justo que homenageá-lo. Foi um deputado combatente, de posicionamento firme, que lutava pelo que acreditava ser o melhor para o Amapá”, declarou Michel.

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A mãe de Dalto Martins, Maria Costa Martins, bastante emocionada limitou-se ao agradecimento “É muito difícil falar nesse momento. Só quero agradecer ao deputado Michel pela linda homenagem ao meu filho”, disse.

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Moisés Souza (PSC) recordou de alguns momentos vividos com o colega. Lembrou que Dalto era o primeiro parlamentar a chegar na casa e fazia questão de cumprimentar os funcionários e destacou sua personalidade forte, seus posicionamentos polêmicos que geravam profundas discussões.

“Sempre atuou com pujança e determinação. Um homem extremamente humanista que buscou dentro de suas convicções dar o melhor de si pela política e assim ajudar a construir um Amapá melhor. Deixou um vácuo no parlamento e um grande exemplo. É uma justa homenagem”, concluiu Moisés.

(Texto e foto:Departamento de Comunicação/ALAP)

Chá da tarde

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 22/04/14 as 3:55 pm

Bênção
(Alcy Araújo)

Que te abençoe o sol nos dias luminosos de verão
e as estrelas nas noites claras de setembro.

Que te abençoe o mar
o grande mar
e as areias brancas
que receberam as marcas dos teus pés
naquela manhã esquecida na infância.

Que te abençoe a lágrima
chorada certa tarde
quando eu não estava
e te abençoe o verde
que inaugurou a tua esperança.
Que te abençoe o azul do céu
e o branco da inocência
Que te abençoe a sombra
que acolheu o peregrino
e a água que matou a sede
do empoeirado viandante.

Que te abençoe a rosa
e te abençoe o pássaro liberto.
Não te falte nunca a larga bênção
da árvore à margem do caminho
nem a bênção que vem dos sinos
quando a tarde cai acendendo mistérios.

Que te abençoe o Anjo
que guarda a tua ternura
e não te falte jamais
a bênção do amor.

Que te abençoe o sofrimento
e a cor branca do luar
também a música
e o vento que acaricia teus cabelos.

Que te abençoe o perdão
que te negaram
e te abençoe a paz
a imensa paz da oração.

Que te abençoe a fé
perdida nos caminhos
e a fé que ainda permanece
no coração dos que amam.

Que te abençoe a dor
dos que sofrem sem perder a esperança
e as angústias dos injustiçados.

Que te abençoe a ternura
e um rio de lágrimas
que me pertenceram lave a tuas aflições.
Que te abençoe o sal da terra
e a terra que germina a semente do carvalho
para os que necessitam de sombra
e o grão de trigo para os que têm fome.

Que te abençoe a alegria da aurora
e a tristeza translúcida da tarde
e te abençoe o silêncio
e o riso claro das crianças felizes.

Que te abençoe finalmente
a infinita bondade de Deus
que te criou à imagem e semelhança
do meu sonho de poeta.

A caneta do meu pai

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 22/04/14 as 11:51 am

SONY DSCA famosa caneta Parker que o poeta, escritor e jornalista Alcy Araújo ganhou de Tancredo Neves. Foi com ela que Alcy autografou vários livros e escreveu muitos poemas.

25 anos de saudade

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 22/04/14 as 11:20 am

“Canto a terra
a dor dos aflitos
e a inútil esperança dos desesperançados.
Também os negros, os índios e o verde
e presto relevantes serviços topográficos
demarcando itinerários de poesia.”
Alcy Araújo
(1924-1989)

alcy1Há 25 anos o poeta dos anjos, dos jardins, do cais Alcy Araújo partiu para o cais definitivo

Encontro sempre Deus no meu jardim à noite principalmente se há luar.
(Alcy Araújo)

A família manda celebrar hoje, às 18h culto na Igreja Messiânica (Av. Almirante Barroso entre Hamilton Silva e Manoel Eudóxio) e missa às 19h na Igreja dos Capuchinhos (Av. Fab).

“Eu sou Alcy Araújo, poeta do cais. Proprietário de canções e esperanças
quando são mais nítidas as horas de sofrer.”

Alcy Araújo Cavalcante – o  poeta do cais, dos anjos, das borboletas, do jardim clonal, dos marinheiros e de tudo que merece ser amado – nasceu no distrito de Peixe Boi (PA), no dia 7 de janeiro de 1924.
Criança ainda transferiu-se com a família para Belém, vivendo depois em pequenas cidades da região norte para onde seu pai, Nicolau Cavalcante, era destacado para implantar os serviços de Correios e Telégrafos.
De retorno a Belém, Alcy cursou a Escola Industrial tornando-se mestre marceneiro e de outras especialidades relacionados ao ofício, que exerceu por algum tempo.

Na redação do jornal “Folha do Norte”, em Belém

No entanto o talento literário, a vocação pelo jornalismo e um precoce desenvolvimento intelectual levaram Alcy a trocar a bancada da oficina pela escrivaninha do jornal, em 1941, com 17 anos de idade. Por mais de uma década trabalhou nos principais jornais do Pará como repórter,articulista,  redator e chefe de reportagem, entre eles a Folha do Norte, O Estado do Pará e O Liberal.
Veio para o Amapá na década de 50, trazido pelo poeta e amigo Álvaro da Cunha. Aqui exerceu importantes cargos, assessorou vários governadores, dirigiu jornais, lutou pela emancipação política e administrativa desta região, combateu a exploração dos recursos naturais, fez importantes trabalhos de pesquisa sobre rizicultura, erosão dos solos, pesca no litoral, entre outros. Contudo, acredito que a maior contribuição dele ao Amapá deve ser aferida pela sua imensa e constante participação na vida intelectual e artística – tanto através da imprensa, como nos demais instrumentos e instâncias da cultura amapaense.
Amante das artes, foi ele que lutou, ao lado de R.Peixe, pela criação da Escola de Artes Cândido Portinari e do Teatro das Bacabeiras.

“Aqui estão as minhas mãos, falando palavras feitas de pássaros e de ausências e cantando canções sonhadas em segredo.” (Alcy Araújo)

Junto com Álvaro da Cunha, Ivo Torres, Arthur Nery Marinho e Aluízio da Cunha, movimentou o segmento cultural amapaense criando clubes de arte, promovendo noites lítero-musicais, apoiando artistas plásticos, músicos, poetas e escritores,  fundando e dirigindo revistas culturais difundindo a cultura do Amapá por este Brasilsão, entre mais tantas coisas que deixariam imenso este texto se fossem listadas aqui.

“Ele foi um dos mais macapaenses de todos os paraenses que ajudaram a desenvolver o Amapá”, escreveu certa vez o jornalista Hélio Penafort.

Foi editor, noticiarista, diretor, colunista, articulista e editorialista de vários jornais amapaenses. Jornalista emérito, arguto analista dos problemas dos problemas sócio-econômicos do Amapá, foi na poesia que Alcy Araújo universalizou mais profundamente seu talento. É um dos poucos poetas do Norte a figurar na “Grande Enciclopédia Brasileira Portuguesa”, editada em Lisboa. Está também nas enciclopédias “Brasil e Brasileiros de Hoje”  e “Grande Enciclopédia da Amazônia”e em tantas outras obras como “Introdução à Literatura”, “Poesia do Grão Pará”, Antologia Internacional Del Secchi, Coletânea Amapaense de Poesia e Crônica, Antologia Modernos Poetas do Amapá e coletânea “Contistas do Meio do Mundo”.

Em 1965, pela Editora Rumo, foi lançado seu primeiro livro: Autogeografia (poemas e crônicas). Em 1983, comemorando os 40 anos de Alcy dedicados à poesia,  a Editora do MEC lançou no Rio de Janeiro seu livro “Poemas do Homem do Cais” e em 1997 foi lançado pela Associação Amapaense de Escritores o livro “Jardim Clonal”.

Numa noite de sábado, 22 de abril de 1989, Alcy Araújo partiu para o cais definitivo levado pelas mãos do seu Anjo da Guarda. Partiu deixando inéditos, prontinhos para publicação, os livros “Ave Ternura”, “Histórias Tranquilas”, “Cartas pro Anjo”, “Mundo Partido”, “Terra Molhada”, “Tempo de Esperança”, “Poemas pro Anjo do Natal”, entre outros, que a família tem esperança de um dia vê-los publicados e sonha com a publicação da “Poesia Completa”, deste que foi o maior poeta do Amapá.
Alcy Araújo Cavalcante, meu pai, tinha a alma pura,  de criança que acredita no Natal e na Esperança e assim cheio de esperança colocou sua poesia a favor da luta por um sociedade melhor, livre das desigualdades e das injustiças.

Participação
Alcy Araújo

Estou convosco.
Participo dos vossos anseios coletivos.
Vim unir meu grito de protesto
ao suor dos que suaram
nos campos e nas fábricas.

Aqui estou
para juntar minha boca
às vossas bocas no clamor pelo pão
sancionar com este rumor que vai crescendo
a petição de liberdade.

Estou convosco.
Para unir meu sangue ao sangue
dos que tombaram
na luta contra a fome e a injustiça
foram vilipendiados em sua glória
de mártires
de heróis.

Vim de longe
percorrendo desesperos.
Das docas agitadas de Hamburgo
das plantações de banana da Guatemala
dos seringais quentes do Haiti.
Vim do cais angustiado de Belém
dos poços de petróleo do Kuwait
das minas de salitre do Chile
Passei fome nos arrozais da China
nos canaviais de Cuba
entre as vacas sagradas da Índia
ouvindo música de jazz no Harlem.
Afundei nas geladas estepes russas.
morri ontem no Canal da Mancha
e hoje no de Suez.
Tombei nas margens do Reno
e nas areias do Saara
lutando pela vossa liberdade
pelo vosso direito de dizer
e de amar.

Estou convosco.
Voluntariamente aumento o efetivo
dos que não se conformam
em viver de joelhos
morrendo sufocando lágrimas
nas frentes de batalha
nas prisões
para dar à criança recém-parida
o riso negado aos vossos pais
o pão que falta em vossas mesas.

Meu filho
e o filho do meu filho
saberão que o meu poema não se omitiu
quando vossas vozes fenderem o silêncio
e ecoarem inutilmente nos ouvidos de Deus.

(Do livro Poemas do Homem do Cais, do poeta Alcy Araújo Cavalcante,lançado no Rio de Janeiro em 1983)

Alcy não se separava da sua máquina de escrever – uma olivetti portátil – nem quando precisava ficar internado para cuidar da saúde. Na foto, o poeta internado no Hospital São Camilo, recebendo a visita do amigo e compadre padre Jorge Basile e escrevendo.

Psolistas animados

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 22/04/14 as 11:05 am

A última pesquisa do Ibope deixou os psolistas bastante animados.
É que na região Norte/Centro Oeste, o pré-candidato do PSOL a presidente da República, Randolfe Rodrigues, já aparece em terceiro lugar, com 5% das intenções de votos. Está na frente de Eduardo Campos (PSB) que tem 4%.
Dilma está em primeiro com 39% e Aécio em segundo com 13% na região.

O macapaense está cantando assim

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 20/04/14 as 7:50 pm

“Era uma rua muito engraçada
que de asfalto não tinha nada
Ninguém podia andar nela não
Porque buraco tinha um montão
Ninguém podia dirigir ali
Porque o carro ia sumir
Mas era feita com muito esmero
Pelos políticos do Marco Zero.”

Feliz Páscoa!

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 20/04/14 as 3:16 pm

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Artigo dominical

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 20/04/14 as 2:57 pm

Páscoa é hoje, Páscoa é aqui,
Dom Pedro José Conti, Bispo de Macapá

      A festa da Páscoa chega sem alarde. Chega depois de um tempo silencioso, de recolhimento, caridade e oração: o tempo da Quaresma. Não tem os pisca-piscas do Natal e nem a correria de final de ano. Talvez seja melhor. O novo da Páscoa não está na exterioridade, mas sim numa passagem inesperada, acontecida no silêncio da noite, algo que será descoberto por algumas mulheres somente ao amanhecer do primeiro dia da semana. Mas a notícia se espalha logo, ainda inacreditável, mas real. Jesus está vivo! Aquele que amou sempre, que amou a vida toda, até os inimigos na hora da morte, venceu e agora triunfa glorioso.

Apesar das suas palavras, quase ninguém acreditava. A condenação pelas autoridades e a morte na cruz foram demais para os seus seguidores. Agora, também, com ele vivo e ressuscitado, ainda eles têm muitas dúvidas. Tudo é novo demais. Sempre será assim. Para acreditar na ressurreição de Jesus não basta a experiência, o bom senso, alguma explicação com a pretensão de ser histórica ou científica. Somente a fé pode acolher algo que é mais do que simplesmente humano, mais do que um sonho ou uma ilusão, algo que é o começo de uma vida nova. – Jesus é o Senhor! – ensinarão os apóstolos. – “Meu Senhor e meu Deus!”, dirá Tomé caindo aos pés do ressuscitado.

A cada ano, a cada Páscoa, precisamos reavivar esta nossa fé. Sempre corremos o perigo de achar quase normal o acontecido, de considerá-lo pouco atual, uma lenda do passado, bonita, mas útil só para consolar alguns desavisados. O tempo passa, as ideias mudam, a sociedade avança, o dia a dia nos sufoca. Por que perder tempo com tudo isso? Como cristãos, não devemos nos espantar; não cabe ao mundo testemunhar a fé na ressurreição de Jesus, cabe a nós provar, com as nossas vidas, que algo de realmente novo aconteceu e sempre está acontecendo. Jesus continua vivo, à frente do seu povo, caminhando conosco. Quem não deve e não pode desanimar, quem não pode perder o foco da novidade somos nós. Esta é a nossa missão.

Para superar o desânimo precisamos, talvez, recomeçar a acreditar, de uma forma nova e mais viva. A rotina cansa também os mais generosos, mas a fé reanima e a confiança sustenta. Aquele pingo de apóstolos não tinha nem recursos e nem prestígio. Não faltava o temor, mas eles arriscaram, perderam as suas vidas e a boa notícia cresceu. Hoje inventamos desculpas para justificar a nossa falta de entusiasmo. Queremos ver resultados antes de nos entregarmos à missão. Queremos ganhar alguma coisa antes de gastar tempo e energias. Queremos negociar com as coisas do mundo, queremos ter a nossa cota de fama e de sucesso, porque gostamos de aparecer.

Não foi esse o caminho de Jesus e nem dos apóstolos. Jesus falava do Pai a quem queria obedecer custe o que custar. Os primeiros cristãos só falavam de Jesus porque era ele o mais importante, era ele que tinha morrido na cruz e ressuscitado por amor a nós pecadores. Muitas vezes, nós mesmos, nos lembra papa Francisco, estamos demais preocupados com a nossa organização, a nossa segurança, a nossa doutrina. Esquecemos que o que vale é a mudança em nossas vidas, a conversão, o jeito novo de fazer o bem, jeito que sempre escandalizará os mundanos.

Outro segredo para não desanimar é entender que a Páscoa continua, não acabou naquele dia. Somente começou e continua acontecendo na vida daqueles que sabem amar e perdoar, naqueles que se esquecem de si para fazer felizes os outros; naqueles que comunicam alegria, esperança, constroem a fraternidade e a paz; aqueles que têm fome e sede de justiça. Quase sempre tudo isso é pequeno, muito pequeno. Acontece no silêncio das casas, dos corações, à vezes, entre lágrimas. Mas esta é a verdadeira novidade que marca a vida das pessoas e as faz voltar a sorrir e a se abraçar. É a vida de Jesus que venceu o mal e a morte uma vez por todas. Cantemos, sem medo, e sempre o Aleluia pascal. Feliz Páscoa para todos.       

Chá da tarde

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 19/04/14 as 3:30 pm

Bilhete

No Marabaixo da Favela
recebi tua carta
escrita num pedacinho do céu.
Quando a manhã chegar
dourando o dia
pego emprestado um raio de sol
escrevo a resposta
numa pétala de flor
e te mando enfeitadinha
com um laço de amor.
(Alcinéa)

CONTO ABRIL – SÉCULO XX

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 19/04/14 as 2:38 pm

*Alcy Araújo
(1924-1989)

É abril. Esta, a grande e universal verdade. Abril – Século XX, explico. Relembrando Judas, o que traiu, e Pilatos, o que lavou as mãos, e Pedro, o que negou. Abril trazendo até nós a lembrança de que numa sexta-feira do Mundo crucificaram o Homem Bom. O que acreditava na remissão dos homens. O que andou sobre a poeira escaldante dos caminhos e sobre a leveza das espumas, conduzindo de público o gesto de bondade. O que não traiu. O que não foi indiferente. O que não negou. Eu sou a Verdade, disse. Capaz de todos os sofrimentos e de amar sobre todas as coisas. Sabia que amar é um modo de sofrer.

Numa sexta-feira do Mundo, o Homem Bom subiu a colina fora da cidade. Com o Homem, o Cireneu, as mulheres, os centuriões, a turba. Do alto da cruz elevou-se ao seu reino. César era de outro mundo. Ficaram a turba, os centuriões, as mulheres, o cireneu.

Vinte séculos depois de trinta e três anos de exemplos, envergonhado e triste, diante do templo, da imagem, círios lacrimais, o poeta não tem coragem de pronunciar seu santo nome.

Bastaria isto. Estariam salvas as almas migratórias, desencontradas, exodoidais que habitam as latitudes do poeta.

Sabeis. Muitos séculos viveu o poeta. Do Gênesis a abril do corrente século. Mais precisamente. Do caos ao hoje. Por isso os sentimentos. A traumatização da palavra sagrada, disse, há pouco. Melhor direi inibição. Melhor ainda. Descoberta de velhos sentimentos, na contemplação das almas do poeta.

Contarei a descoberta. O poeta contemplava nesta hora do século os olhos de suas almas multiplicadas, fixos nos céus, por onde passam anjos, estrelas, música de rádio, imagens de TV. E o poeta, cheio de experiências bem vividas – Caos, Paraíso, Dilúvio, Sodoma, Babilônia, Cartago, Roma, Wall Street, etc. etc – se comoveu.

Suas almas, almas de poeta, todas ali sem faltar nenhuma, na muda contemplação do azul, do infinito, dos horizontes do Pai. Emotivo e feliz, o poeta chorou. O poeta chora como os anjos.

Seus olhos, então, alçaram vôo, enquanto a mão emocional acariciava os cabelos cor de lago da alma recém-nascida.

Era chegado o momento. Tudo consumado. Ao longe, imóvel, pairava o disco voador.

Perdoai, Senhor, elas não sabem o que fazem. É abril – século XX.

(Do livro Autogeografia, lançado em 1965. O poeta, escritor e jornalista Alcy Araújo, meu pai, nasceu no Pará em 7 de janeiro de 1924 e faleceu no Amapá em 22 de abril de 1989)

Marabaixo da Santíssima Trindade

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 19/04/14 as 2:04 pm

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Imagem da Santíssima Trindade

O pedestal é enfeitado com um terço e fitas coloridas dos promesseiros

Antes da gengibirra, do rufar dos tambores e da dança o festeiro faz uma oração à Santíssima Trindade pedindo proteção para todos que participam do Marabaixo. Após isso todos juntos rezam o Pai Nosso e a Ave Maria. Ouve-se o som das caixas e diante da imagem são cantados os primeiros versos, assim: “Santíssima Trindade venho te louvar/ dá-me a Tua proteção/ na hora que eu precisar.”
Aí a  foguetaria anuncia que o marabaixo está começando, dançadeiras, tiradores de ladrões e tocadores de caixa vão para o meio do salão e começam a tocar, dançar e cantar. E todo mundo entra na roda numa festa que só acaba quando é servida a última dose de gengibirra.
É assim a abertura do Ciclo do Marabaixo, no bairro da Favela.

“Quem tem roupa vai a missa lê lê
quem não tem faz como eu lê lê
Rosa branca açucena lê lê
case com a moça morena lê, lê”

As filhas de Gertrudes

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 19/04/14 as 1:35 pm

marabaixo4As irmãs Izabel, Natalina e Maria José,  filhas da “tia” Gertrudes -que foi uma das maiores expressões do Marabaixo.
Izabel, 68 anos, ainda dança e canta até o amanhecer
Natalina – que está com 84 anos de idade – já não dança nem toca caixa, mas é em sua casa que é realizado o  marabaixo da Favela. Numa cadeira de balanço ela acompanha batendo palmas, canta baixinho e conta pra quem quiser como os negros se mudaram da frente da cidade para o Laguinho e Favela na época do governador Janary Nunes.
Maria José Libório, 75 anos, que canta, dança e toca caixa e é autora de lindos “ladrões”.

Sapiranga no Marabaixo

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 19/04/14 as 1:08 pm

Marabaixo na Favela e a Festa dos Inocentes
Milton Sapiranga Barbosa

Durante o ciclo  do Marabaixo, que no meu tempo de criança era realizado na casa da  dona Gertrudes, um  dia  era reservado para a garotada se divertir  denominado de  festa dos inocentes, realizada no segundo domingo de maio, Dia das Mães. Naquela  época, de muito respeito,  criança não se metia na dança  dos adultos, como hoje é tão comum. A meninada podia ficar piruando, mas bem sentadinha nos bancos que  circundavam  o salão da casa da Tia Gertrudes com tio Caba Branca, seu esposo.

A Festa dos Inocentes tinha  três  acontecimentos  ansiosamente esperados e festejados  pelos garotos e garotas do  bairro: o  primeiro, era quando os batuqueiros aceleravam  os toques nas caixas, sinal   para se jogar capoeira, sem técnica nenhuma, é claro, mas era tanta pernada e rabo de arraia, que era bonito de  se ver.  Quando um moleque ia ao chão, era vaiado  e o  que aplicara o golpe, era muito festejado, principalmente pelos pais. Os campeões  na virada  das caixas, até por  herança genética, eram: Venturoso ( filho do seu Vadoca  com dona Natalina)  e o Raimundo Calango Sêco ( filho do sr. Zeca Costa  com  Dona Mundica), é mole. O segundo e melhor  momento da festa era o almoço, servido  sempre que  o relógio marcava 12 horas. Ninguém ficava sem comer. Era tanta comida, que sobrava, e a dona Gertrudes  dava para as mães levarem para suas casas. A terceira parte, a mais engraçada,  ocorria durante uma representação teatral, feita por  um menino e uma menina escolhidos dias antes da festa do Marabaixo começar. Numa dessas apresentações, o Arideu, filho da dona Margarida fez uma encenação com a Isabel, filha caçula de dona Gertrudes; o Arideu, todo pomposo chegava  e dizia para Isabel, sua pretendida na peça: “ bela minhá menina, o que tu me achas?”  e a Isabel, para gargalhada geral dos presentes respondia: “Olha a cara dele, até parece uma bolacha”. Meu amigo e vizinho Arideu sofreu muito nas mãos dos moleques da Favela, mas daquele dia em diante, quando chegava outro ano e o Ciclo do Marabaixo iria começar, ele  passava longe da casa da Tia Gertrudes, temendo ser outra vez  escolhido como ator principal da peça.
O Marabaixo e  a Festa dos Inocentes são   boas  lembranças da minha infância feliz vivida no meu querido bairro da Favela.

A voz do leitor

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 19/04/14 as 12:05 pm

Onde moro. Onde desejo e mereço morar melhor
Dulcivânia Freitas

Desde que surgiu, há quase 26 anos, o Conjunto Embrapa, no bairro Universidade, jamais recebeu pavimentação. Muito tempo, não é mesmo?! Os moradores nem lembram mais quantas vezes viram funcionários da Prefeitura de Macapá fazendo medições nas ruas, perpetuando por anos a ilusão de que o próximo passo seria a terraplenagem, até chegar o asfalto.

No dia 30 de agosto de 2013 estivemos juntos na entrada do Conjunto, as proximidades da Rodovia JK, fazendo um protesto que tornou mais “visível” a situação deste pedaço esquecido da cidade. As consequencias nos encheram de esperança concreta. O primeiro resultado é que o prefeito Clécio Luis esteve conosco, no próprio conjunto, mais precisamente na residência do Dr. Márcio Alves (Procurador de Justiça), na noite do dia 25 de setembro de 2013. Inicialmente, o prefeito detalhou a contabilidade da Prefeitura, com balanço resumido de receitas, despesas, cifras disponíveis e previsíveis para investimentos e custeio. Enfim, uma situação que o morador de Macapá medianamente informado já tinha conhecimento. Porém, o momento é de busca de soluções, de definir os compromissos que sejam possíveis de serem executados. Na ocasião, o prefeito se comprometeu com o asfaltamento do Conjunto Embrapa em 2014 e o recapeamento da via principal (Avenida Inspetor Marcelino) já em novembro do ano de 2013, o que até o momento não aconteceu.

O interessante daquela reunião em setembro de 2013 é que finalmente nos pareceu que a pavimentação do Conjunto Embrapa entrou na pauta de trabalho da Prefeitura de Macapá, deixando para trás o “status” de problema invisível nas pranchetas de trabalho dos gestores da área de urbanismo. Pois bem. No dia 14 de abril deste ano, tivemos mais um desdobramento desta luta. O prefeito recebeu uma comissão de moradores em seu gabinete, e a exemplo do encontro de 2013, relatou as dificuldades financeiras que a prefeitura atravessa. Mas existe uma boa nova: a parceria com o Governo do Estado para o asfaltamento de vários quilômetros de vias dentro de Macapá, inclusive prevendo a avenida principal do Conjunto Embrapa. Clécio Luis reiterou as dificuldades com máquinas que não existem em Macapá, mão de obra e principalmente o material para a fabricação do asfalto, bem como o período de chuva que não há possibilidade de se trabalhar a contento com serviços de pavimentação. Nesta reunião, os moradores foram informados de que a Prefeitura já assinou um contrato com uma grande empresa de Belém, que entrará com toda a estrutura necessária para a realização dos serviços de asfaltamento em Macapá onde o Conjunto Embrapa está incluso, e afirmou que esta fase da obra terá início já em julho ou agosto deste ano, assim que passar o período chuvoso.

O senhor Guilherme Lima, Presidente da comissão informou ao prefeito que a decisão para o agendamento deste encontro, foi tomada durante a última reunião realizada em sua residência, no dia 26 de março. Relembrou que o Conjunto Embrapa é um dos mais antigos de Macapá, porém sempre foi esquecido pelo poder público, e o momento é de oportunidade para realizar um trabalho de qualidade, inclusive com obras de drenagem. Acrescentou ainda que a área em frente ao Conjunto continua ociosa, e que poderia ser utilizada para uma obra que proporcione bem estar e saúde aos moradores do conjunto e seu entorno, como por exemplo uma praça de lazer, inclusive com academia ao ar livre estimulando a prática de exercícios.

O prefeito se comprometeu em mobilizar os órgãos da gestão municipal para realizar o asfaltamento do Conjunto Embrapa, com material de qualidade e drenagem, até por concordar que o mesmo é o primeiro de Macapá e já deveria ter recebido melhorias.

Hoje tem Marabaixo na Favela

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 19/04/14 as 11:59 am

Ciclo do Marabaixo na Favela inicia hoje com inauguração da Biblioteca Cultural
Mariléia Maciel

O Ciclo do Marabaixo do bairro Santa Rita, antiga Favela, inicia neste sábado, às 16h,  e prossegue até o mês de junho, seguindo a tradição. A Associação Berço do Marabaixo prepara os festejos religiosos e lúdicos na casa da Dona Natalina, que todo ano realiza a programação junto com os festeiros, que em 2014 está a cargo de Loren Mendes e Marinês Lopes, descendentes dos primeiros moradores de Macapá. Neste Sábado da Aleluia elas recebem os participantes e convidados para a festa, que inicia com a inauguração da Biblioteca Cultural Gertrudes Saturnina.

– Na Favela somente a Santíssima Trindade é louvada na festividade, que começa hoje e só termina no dia de Corpus Christi. Ela é um dos Mistérios da crença cristã, que acredita em um só Deus, formado pelo Pai, Filho e Espírito Santo. Familiares contam que dona Gertrudes fez uma promessa para Santíssima pedindo que sua filha Natalina engravidasse, e com a bênção alcançada, foi feito um almoço para doze crianças, que representam os apóstolos, que se repete até hoje.

Tradição e Respeito – Atualmente, para garantir sua manutenção sem causar problemas para a comunidade, algumas adaptações tiveram que ser feitas. Hoje os fogos só são estourados até 22h nos dias de festa, e o som que reproduz as caixas de marabaixo não ficam no volume máximo. Os Bailes dos Sócios foram substituídos pelas rodas de marabaixo alternativo, e, para ajudar a preservar o meio ambiente, somente um mastro é tirado no Curiaú, o outro é em acrílico. Outra medida é o incentivo dado para que as crianças tragam da mata muitas mudas para serem plantadas no bairro.

Programação – Este ano uma iniciativa da Associação vai contribuir para a manutenção da história. Hoje, às 16h, será inaugurada a Biblioteca Gertrudes Saturnina, com obras literárias e de arte de artistas com trabalho voltado para a cultura afro. Logo após inicia o marabaixo que encerra à meia-noite. A programação continua no dia 30 de abril, e mais dois marabaixos em maio. No mês de junho,  quatro rodadas completam o ciclo.