Sobre uma certa caneta dourada

Sobre uma certa caneta dourada
Rui Guilherme*

O Wilson Simonal cantava em vida, e continua a cantar em filme sobre sua trajetória: – “Numa casa de caboclo /Dois é bom e um é pouco/Mais de três já é demais / Nem vem que não tem…”

O amigo e confrade PAULO TARSO mandou-me de Macapá “Caneta Dourada”, a mais recente produção da jornalista, professora, poeta e escritora (assim está na orelha) ALCINÉA CAVALCANTE, Ed. Mágico de Oz, Ilha da Madeira/Portugal, 2019.

O livro, com apenas 90 páginas, deixa um gosto de quero-mais. Está um mimo. Da produção gráfica, de esmerada diagramação e revisão meticulosa, habilmente prefaciado pelo acadêmico CLÉO ARAÚJO, poeta e músico festejado na noite equatorial, ao conteúdo cativante. Lá aparecem poemas consagrados (“Prazer, sou Maria”, “Poema para o Amigo”) e outros – para mim – novos: – “Caneta Dourada”, que dá título ao livro; “Amor Acebolado”, onde se relembra que no casamento é possível chorar, assim como é certo que se chora ao descascar a cebola antes de transformá-la em alianças douradas ao calor do azeite que ferve na frigideira. Ou na vida.

Alcinéa tranca a porta para a saudade que machuca, afirmando:- “Gosto daquela saudade / que chega de mansinho / trazendo lembranças perfumadas / um verso e um riso / toma um cafezinho / e vai embora.”

Poeta desde os dez anos, mana Néa segue a vida poetando, fiel à herança de seu pai, grande bardo da Turma do Trapiche. Não para de fazer poesia, nem quando deixa o cantar embalado de seus versos e nos transporta pelos córregos da prosa. É assim que a poeta, surpresa, descobre que a aeterna puella ficara sex. Assim mesmo: sex sem y, que y é letra de fala gringa, surge a mulher sex que, ao descambar na terceira idade (argh!), não deixa, pés descalços, de continuar chapinhando nas poças de água da chuva de ontem e de sempre.

Descobre-se poesia no feijão mussunga, ainda que nele estejam ausentes o bucho e os miúdos salgados. Para que mais sal do que o sal que não deixa que se esconda o virtuoso sabor da couve?

Tem poesia na revolta da Matilde que tanto se esmerou para fazer o seu famoso lombo caramelizado. À toa. O casal de amigos Fdp foi tomar banho no igarapé do sítio da Martinha e sequer teve a decência de mandar um sms avisando que não iriam dar as caras; que não iriam prestar as esperadas homenagens aos dotes culinários da anfitriã. Muita sacanagem!

Foi em junho que Alcinéa autografou meu exemplar da “Caneta Dourada”. Na dedicatória, ela diz com doçura:- “Para meu mano, poeta e escritor Rui Guilherme, que parte meu coração de saudade.” Leva-me, então, a retornar à malandragem do Wilson Simonal, forçando-me a dizer-lhe:- Eu, poeta?!? Nem vem que não tem. Poeta és tu, minha mana. Tu, que com teus cantares despertas em teus leitores saudades que nem mesmo batem à porta pedindo licença para entrar: simplesmente metem o pé e arrombam. Sem pudor algum, invadem o quarto no escuro da madrugada. Sentam-se na beira da cama com roupas sujas da viagem. Instalam-se na ponta do sofá, na cadeira ao lado da mesa do computador, e não param de nos falar de gentes que se foram, de amores que se foram, de lugares a que não se voltará, de músicas que persistem em ficar zumbindo na cabeça da gente, ecoando sonoridades que se pensavam esquecidas, contaminando-nos a alma com incurável melancolia.

Estes são vocês, os poetas do Lençol da Poesia; os desassombrados declamadores que acordam a cidade com seus dizeres de coisas do espírito; que penduram versos em varais; que botam na prosaica rotina do dia-a-dia uma vontade marota de cabular aulas; que são sempre meninos e meninas, sexagenários ou nem tanto; meninos para os quais o tempo… ora, o tempo!

Aos sizudos cidadãos preocupados com aquelas coisas sérias e úteis, responsáveis que são pelos caminhos do progresso, fica a advertência poética que lhes faz o Mário Quintana: eles passarão; os poetas, passarinhos.

Poeta, eu, mana Alcinéa? Euzinho? Nem vem que não tem…

*Rui Guilherme é poeta, escritor, professor, autor de vários livros livros e juiz aposentado, atualmente mora no Rio de Janeiro

Amanhã é o Dia Estadual da Poesia

Instituído pela Lei N. 580, de 21/06/2000, 8 de agosto é o Dia Estadual da Poesia. A data foi escolhida em homenagem ao poeta, médico, professor e ex-prefeito de Macapá Alexandre Vaz Tavares, nascido em Macapá no dia 8 de agosto de 1858. Consta que ele foi o primeiro a escrever poemas sobre Macapá. Sua poesia “Macapá”  foi publicada pela primeira vez em agosto de 1889, na Revista de Educação e Ensino do Pará.
Vaz Tavares morreu em abril de 1926, aos 67 anos.

Vale ressaltar que a iniciativa de instituir o Dia Estadual da Poesia partiu dos poetas José Pastana, Ricardo Pontes e Leão Zagury. Eles fizeram a minuta de um projeto de lei e apresentaram ao então deputado Edinho Duarte, que abraçou a causa, fez o projeto e apresentou na ALAP, sendo aprovado por unanimidade.

Songbook de Nonato Leal será lançado nesta terça

O songbook com partituras instrumentais de autoria do músico Nonato Leal será lançado nesta quarta-feira, 30, às 16h, na praça Floriano Peixoto. A obra é uma iniciativa da Prefeitura de Macapá, proposta na gestão do prefeito João Henrique, e que na atual gestão foi resgatado e atualizado. São dez partituras de músicas autorais, que eternizam o talento de Nonato Leal, que completou recentemente 92 anos. O songbook é traduzido para a língua inglesa e conta  a história musical e de vida do mestre.

Raimundo Nonato Barros Leal nasceu no município paraense de Vigia, onde aos 8 anos iniciou com o pai sua trajetória musical. Ao completar 18 anos sabia tocar nada menos que violino, banjo, violão tenor, viola e bandolim, e antes dos 20 anos fez sua primeira composição, Tauaparanassu, quando seguiu para Belém onde fez parte do elenco da Rádio Clube do Pará e conquistou espaço em cadeia nacional no Rio de Janeiro, imitando o violonista Dilermano Reis. Passou pela Rádio Marajoara por onde percorreu o Pará com músicos e cantores da emissora.

Sua chegada em Macapá foi no ano de 1952, atendendo convite de seu irmão Oleno Leal, e logo entrou para a Rádio Difusora de Macapá. No ano seguinte se encantou com Paracy Leal, com quem casou e gerou seis filhos, sendo dois herdeiros do talento musical do pai, Venilton e Vanildon Leal.
Ângela Maria, Nelson Gonçalves, Waldick Soriano, João do Valle, Luiz Gonzaga, Agnaldo Rayol, foram alguns dos artistas que o mestre acompanhou. Participou de programas de Rádio no Ceará, e caiu no samba, compondo enredos para agremiações carnavalescas de Macapá.

Nonato Leal foi o primeiro professor de violão do antigo Conservatório de Música, e introduziu dezenas de alunos na arte musical. Deixou registradas suas composições em três CDs, dois produzidos pelo maestro Manoel Cordeiro (Lamento Beduíno e Coração Popular) e um por Venilton Leal, com quem atuou na TV Tucuju no programa De Pai pra Filho. Sebastião Mont’Alverne, Amilar Brenha, Hernani Guedes, Aimorezinho, Manoel Cordeiro foram alguns músicos que dividiram palco com Nonato Leal.

Na gestão do prefeito  Clécio Luiz o projeto Mestres da Música foi resgatado, e a intenção é executá-lo inteiro, com a produção dos songbooks de mais três músicos regionais:  Amilar Brenha, Oscar Santos e Professor Tiago.
Uma equipe de renome e experiente assumiu a condução do trabalho, formada pelos músicos Fernando Canto, Alan Gomes, Miguel Maus e Nelson Santos, e os colaboradores da PMM, Clícia Di Miceli e Sérgio Lemos. As  fotos que ilustram a obra são de Henrique Silveira, Jelbes Lima, Max Renê e Nay Magalhães.

(Texto: Mariléia Maciel – Foto:Max Renê)

Sexta-feira tem Estação Poesia

Uma das  novidades do Macapá Verão 2019 é a Estação Poesia, que ocorrerá sexta-feira, 26, a partir das 16h na Praça Veiga Cabral.
Haverá declamação de poesias, varal de poemas, origamis poéticos, exposição de arte, sessões de autógrafos, feira de artesanato e shows musicais.
Além dos escritores e poetas amapaenses participam também dois poetas consagrados nacionalmente: José Inácio Vieira de Melo e Salgado Maranhão. Eles encerram a programação com um show lítero-musical.

O mestre Nonato Leal

O mestre Nonato Leal está de aniversário hoje e desde bem cedinho vem recebendo homenagens de uma multidão de amigos e fãs. Nonato completa nesta data 92 anos de vida feliz, abençoada e musical.

Nonato e meu pai, o poeta Alcy Araújo, foram grandes amigos e parceiros. Vencedores de vários festivais de música e compositores de grandes sambas de enredo.

(Este vídeo gravei dia 4/5/2018 na Biblioteca Pública Elcy Lacerda)

Machado de Assis e Joaquim Nabuco são homenageados em selo

Os fundadores das cadeiras 23 e 27 da Academia Brasileira de Letras (ABL), Machado de Assis e Joaquim Nabuco, são homenageados em emissão dos Correios que será pré-lançada nesta quinta-feira (18). A cerimônia ocorrerá na sede da instituição, no Rio de Janeiro, às 17h30.

Joaquim Maria Machado de Assis, jornalista, contista, cronista, romancista, poeta e teatrólogo, nasceu no Rio de Janeiro (RJ) em 21 de junho de 1839. Iniciou a carreira com a tradução de Queda que as mulheres têm para os tolos (1861). Seu primeiro livro de poesias, Crisálidas, saiu em 1864. Em 1867, foi nomeado ajudante do diretor de publicação do Diário Oficial. Dois anos depois, em 12 de novembro, casou-se com Carolina Augusta Xavier de Novais, que foi sua companheira por 35 anos.

Machado colaborou na Revista Brasileira, participando do grupo que planejou a criação da ABL, inaugurada em 28 de janeiro de 1897. Naquele ano, foi eleito presidente da Instituição, cargo que ocupou por mais de dez anos. O escritor se dedicou à Academia até o fim da vida, falecendo em 29 de setembro de 1908, também na cidade do Rio de Janeiro.

Escritor e diplomata, Joaquim Aurélio Barreto Nabuco de Araújo nasceu no Recife (PE) em 19 de agosto de 1849. Era filho do Senador José Tomás Nabuco de Araújo e de Ana Benigna Barreto Nabuco de Araújo. Iniciou o curso de Direito em São Paulo, a partir de 1865, mas formou-se em seu Estado natal, em 1870. Foi Adido de Primeira Classe em Londres, depois em Washington, de 1876 a 1879.

De 1881 a 1884, Joaquim Nabuco viajou pela Europa e publicou sua primeira obra, O Abolicionismo. Ao ser proclamada a República, em 1889, já de volta ao país, retirou-se da vida pública, dedicando-se à sua obra e ao estudo. Nessa fase, enquanto escrevia duas de suas obras mais importantes: Um Estadista do Império e Minha formação, estreitou relações de amizade com Machado de Assis e participou das reuniões preliminares de instalação da ABL, sendo designado secretário-geral da Instituição na sessão de 28 de janeiro de 1897. Exerceu o cargo até 1899 e, também, de 1908 a 1910, quando faleceu em Washington (EUA).

A emissão – As fotos dos Imortais da ABL foram trabalhadas digitalmente para refletir um tom quase dourado. No centro da composição, foi aplicado o ex-libris da Academia em vetor, com único toque em cor verde e os nomes inseridos em faixas idênticas, ressaltadas por suave sombra para dar destaque. As técnicas utilizadas foram fotografia e computação gráfica.

A emissão tem tiragem de 120 mil selos, no valor de R$ 2,10 a unidade. As peças estarão disponíveis, a partir do dia 20 de julho, nas principais agências de todo o país e também na loja virtual dos Correios.

(Fonte: Correios)

Lá vem o Banzeiro

Domingo tem Cortejo de Verão do Banzeiro do Brilho-de-fogo em Fazendinha

No próximo domingo, 7 de julho, o Cortejo de Verão do Banzeiro do Brilho-de-fogo  faz a festa no balneário de Fazendinha, animando os banhistas na abertura do Macapá Verão. Batuqueiros, mulheres do Cordão das Açucenas e crianças do Jardim do Banzeiro desfilarão ao som de músicas da cultura amapaense ritmadas por caixas de marabaixo e instrumentos de sopro. O Cortejo sai às 16h, atravessando a rua principal do balneário em direção ao ponto de ônibus.

O projeto Banzeiro do Brilho-de-fogo iniciou em 2014, por iniciativa de artistas e produtores, para difundir as músicas tradicionais do Amapá, chamando a atenção de todos para os sons e a cultura, herança deixada pelos antepassados, que resistiram para manter  os costumes das danças do marabaixo e batuque. Oficinas e ensaios são realizados durante o ano, para formação de novos batuqueiros, que se apresentam três vezes ao ano, aniversário de Macapá, Macapá Verão e Cortejo de Dezembro. Além de batuqueiros, o Cordão das Açucenas e Jardim do Banzeiro compõe o projeto, que tem o apoio da Prefeitura de Macapá (PMM).

A concentração para o Cortejo será às 15h, no final do balneário, e o desfile terá a participação do grupo de teatro Marco Zero e marabaixeiros. O repertório é de músicas que retratam a cidade de Macapá, pessoas, costumes e tradições, produzidas por artistas locais. No colorido desfile, o público tem a oportunidade de prestigiar também os adereços que representam a cultura regional, como bonecas dançadeiras de marabaixo, beija-flor e flores, e as caixas, confeccionadas por mestres populares dos bairros Laguinho e Favela, e de comunidades tradicionais.

Neste ano os moradores do distrito de Fazendinha poderão participar do Cortejo. Uma oficina de preparação para batuqueiros foi realizada na última semana na escola Caetano Thomás, com a participação de alunos, que puderam ainda aprender artesanato para confecção de adereços. Após o Cortejo de Verão as oficinas reiniciam em agosto e seguem até novembro, quando começam os ensaios para o cortejo de encerramento do projeto.

(Texto e fotos:  Mariléia Maciel/Assessoria de Comunicação – Projeto Banzeiro)

O lugar da literatura na imprensa hoje

A Academia Brasileira de Letras dá continuidade à sua série de Seminários “Brasil, brasis” de 2019 com o tema O lugar da literatura na imprensa hoje, sob coordenação geral do Acadêmico, professor, escritor e poeta Domício Proença Filho (quinto ocupante da Cadeira 28, eleito em 23 de março de 2006), e coordenação do Acadêmico e romancista Antônio Torres (Oitavo ocupante da Cadeira 23, eleito em 7 de novembro de 2013). Participante convidado: jornalista e escritor Rogério Pereira. O seminário está programado para o dia 25 de junho, terça-feira, às 17h30min, no Teatro R. Magalhães Jr, Avenida Presidente Wilson, 203, Castelo, Rio de Janeiro. Entrada franca.

O convidado
Rogério Pereira
nasceu em Galvão (SC), em 1973. É jornalista, editor e escritor. Em 2000, fundou em Curitiba o jornal de literatura Rascunho. De janeiro de 2011 a abril de 2019, foi diretor da Biblioteca Pública do Paraná. Entre as curadorias realizadas, destacam-se as bienais do livro do Paraná, Manaus e Minas. Em 2006, criou o projeto Paiol Literário, do qual participaram cerca de 70 escritores. Tem contos publicados no Brasil, Alemanha, França e Finlândia. É autor do romance Na escuridão, amanhã, finalista do prêmio São Paulo de Literatura, menção honrosa no Prêmio Casa de Las Américas (Cuba), e traduzido na Colômbia.

O Seminário Brasil, brasis terá transmissão ao vivo pelo Portal da ABL