Soneto da ilusão – Bruno Muniz

Soneto da ilusão
Bruno Muniz

Cortejo as linhas fúteis do teu corpo
Que outrora foram minhas por direito
Fuligens de um orvalho tortuoso
Migalhas desse amor que tens no peito.

Servi-me das descrenças que são tuas
Fui frio entre sóis de primavera
Deixei minhas verdades todas nuas
Tombei-me ante a dor que degenera.

E hoje lembro inócuo e reticente
O dia em que jurei não mais querer-te
O dia em que entreguei-me à solidão.

Não pude te esquecer eternamente
Por mais que eu jurei não pertencer-te
O fiz sem perguntar meu coração.

Chá da tarde

Distante do teu amor
Arilson de Souza

Um barco sem rumo e sem vela
um furacão sem vento
Uma alma que não se revela
um ponto parado no tempo

Uma música sem melodia
Um arco íris sem suas cores
um mundo sem poesia
Um beija flor sem sua flor

Assim é a minha vida
distante do teu amor!!!

A Magia da Poesia

A Magia da Poesia
Arilson de Souza

A poesia tem poder de magia …
Transcende o racional.

Nos meus versos
as noites são dias;
o ódio se converte em amor;
A tristeza se dilui em folia ;
E o espinho jamais fere a flor.

Nas minhas rimas
A lua é uma açucena;
“O mar vira sertão”
A natureza é vida plena;
E tua moradia, é o meu coração. 

Uma poesia de Maria Áurea

Alexandre Vaz Tavares
Maria Aurea dos Santos

Nosso destino é traçado
Por diversas marés.
Nos altos e baixos da vida
Aguerridos, sempre de pés.

Alexandre Vaz Tavares
Alcançou também seus pilares
Hoje lisonjeado,
Pioneirista considerado.

Retrata a história e a memória.
Filho de Antônio e Florianda.
De berço amapaense
Fruto Tucujulense.

De estudante a doutor
Político, professor
Como poeta se fortaleceu
Quando ”Macapá” escreveu.
Para homenagear com fervor
A terra onde nasceu.

Em 08 de agosto
Dia da poesia.
Com grande primazia
Estamos a laurear
Este poeta do Amapá.

À todos os escritores
Que em suas composições.
Sintam-se inspirados
Nesse patrono estimado.

(Em 04/08/18 às 9:00h
Autora: Maria Aurea dos Santos)

Do livro Ave Ternura

De Alcy Araújo (1924-1989)

“Uma lua sonâmbula espia pela janela os meus olhos molhados de olhar. No cinzeiro, uma ausência impede esquecimentos, sinto uma vontade imensa de gritar dentro da noite, de pedir uma aurora sem vínculos e sem saudade. E essa lua enorme espiando lembranças que doem como espinhos. E este relógio tic-tac-ando recordações. Ninguém vem orvalhar esta falta de azul. Os olhos molhados queimam, o coração queima, o luar queima. E esta insônia, meu Deus, acendendo trevas em meu tédio.”

Poema para o amigo

Poema para o amigo
Alcinéa Cavalcante

É possível que eu te conte
uma história de príncipes e fadas
que escutarás com o olhar perdido na infância.
Ou que te conte uma piada tão engraçada
que rolaremos de tanto rir.
Nossas gargalhadas contagiarão os passantes
e de repente todo mundo estará rindo
sem nem saber por quê.

É possível
que eu faça um café com tapioca e te chame
pois café, tapioca e amigo tem tudo a ver.

É possível que eu chegue na tua casa sem avisar
só pra te ofertar uma rosa que acabara de nascer
e te oferecer um Johrei.

É possível que eu te ofereça uma música no rádio
ou te mande, pelo Correio,
uma carta numa folha de papel almaço.

É possível que eu te ligue
no meio da noite
no meio do dia
a qualquer hora
– mesmo na mais imprópria –
só pra dizer:
Amigo, eu amo você.

Chá da tarde

Pra você
Rostan Martins

Só pra você,
todo o meu amor,
todo o meu carinho,
o meu coração,
a minha emoção.

Só pra você,
toda a minha amizade,
toda a minha tranquilidade,
toda a minha serenidade,
toda a felicidade.

Só pra você,
com toda a minha paixão,
vou fazer uma oração,
com emoção,
coração.

Só pra você,
toda a beleza das flores,
todas as cores.

Só pra você,
o nascer do sol,
o pôr do sol,
o sol.

Só pra você,
a minha alma,
a minha calma,
as calmas,
o meu poema,
os poemas só, pra você.