Cordel encantado

Cordel encantado
Manoel Bispo

Como quem pinta uma tela ou escreve um belo poema
Como quem faz uma torta pra chaleirar os padrinhos
Ou anda às voltas com o emaranhado de um teorema
Assim vivo eu nossa história de amor em quadrinhos.

Como quem visse estrelas de olhos postados no mar
Como quem faz de conta pra viver a ilusão de verdade
E só precisasse de uma gota de chuva pra se derramar
Assim vivo a saga de quem anda em busca da felicidade.

Como quem tivesse nas mãos o domínio de raios e trovões
Nadasse nas nuvens, voasse a galope nas ondas dos mares
Quem fosse manso albatroz e capaz de domar mil dragões

Como se achasse no leque das cores o afago mais delicado
Como quem ao teu lado provasse purezas de santos altares
Assim vivo eu de nós dois esse amor de cordel encantado.

(Da coletânea “Poemas, poesias e outras rimas” que será lançada em 23 de fevereiro em Macapá)

Sábado é o lançamento do livro de poemas de Mary Paes

Mary Paes lança seu primeiro livro solo, no sábado (3), em Macapá. O evento conta com a participação de artistas, amigos da autora.  Além do lançamento, vai rolar música, exposição e performances inspiradas nos poemas do livro. O público pode se preparar para algumas surpresas. Continue lendo

Caras velhas – Sombras são

Caras velhas – Sombras são
Luiz Alberto Guedes

Velas ao mar revolto!
Revolta de um mar sem velas,
De caravelas,
De caras velhas,
Cansadas, enrugadas,
Como as águas desse rio;
Como os rios desse mar;
Velhas caras!

Velas que balançam
Num mar de gaivotas,
Num rio de cobra-grande,
De sombras,
De ação,
De polos de ação
Da poluição.
Ação de embarcação,
Sem mão nem contramão,
Talvez haja assombração,
– Embarca não, João!
– Pois não!

Tua vela, João,
Já era: – Rasgou com o tufão!
Vento terral: – que maldição, João!

Ação de sombras
São sombras
Com assombração
No mar-rua-rio, João,
As caras velhas
São velhas caras,
Caríssimas!

(Da coletânea “Poemas, poesias e outras rimas” que será lançada em 23 de fevereiro em Macapá)

Rosário de ouro

Rosário de Ouro
José Pastana

Uma mulher linda
Um livro de poesia
Uma dose de whisky
Uma cerejeira florida.

Um amor cristalino
Mãos que acariciam
Uma flor que se abre
Um louvor a Deus.

Um igarapé encantado
Uma estrela sozinha
Uma lua prateada
Um rosário de ouro.

Um coração prometido
Um sorriso renovado
Uma história de amor
Um beijo apaixonado.

(Da coletânea “Poemas, poesias e outras rimas” que será lançada em 23 de fevereiro em Macapá)

Um pouco de mim

Um pouco de mim
João Barbosa

Ao discorrer sobre meu caminho,
Não me julgo como plebeu.
Na vida soube amar, construir meu ninho
E insistir no sonho meu.

Com humildade conquistei meu mundo.
Do entusiasmo lucrei o vencer.
Na profissão podei os espinhos
E com todos aprendi a crescer.

Crescer com a beleza da fragrância…
Com prazer namorar a esperança,
Ter como irmãs a honestidade, dignidade…
E me casar com a perseverança.

(Da coletânea “Poemas, poesias e outras rimas” que será lançada em 23 de fevereiro em Macapá)

Saudade

Saudade
Jô Araújo

Meu peito apertado
Esmaga meu coração
Que se agita desconsolado
Porque me és solidão.

Essa falta que vem de ti
Anuvia minha alegria
E chove monotonia
Nas flores do meu jardim.

Alheio do meu sentir
Te fazes em mim existir
Sem saber do meu sofrer
E nem do meu bem querer.

E nesse momento oprimido
Na garganta um quase gemido
Sinaliza essa dor
Da falta do teu amor.

(Da coletânea “Poemas, poesias e outras rimas” que será lançada em 23 de fevereiro em Macapá)

Pássaros

Pássaros
Jaci Rocha

Pássaros formam ninhos
E voam!
E cantam quando descansam
– Será que eles amam? …

Pessoas foram voos
E ninhos
E cantam quando amam
– Será que descansam?

O elegante movimento do universo
Não responde o labirinto
Apenas do que é feito a matéria
Que o formou…

Aquele canto que o passarinho entoou
Não tinha um adeus, nem até breve
O vento que sopra suas asas
É mais leve…

(Da coletânea “Poemas, poesias e outras rimas” que será lançada em fevereiro em Macapá)

Tempo e dor

Tempo e dor
Hamilton Antunes

O tempo nos cobra
ele é obra
do destino inacabado
malfadado, apressado
que manobra e muda de lado

Dizem que o tempo
tudo resolve
mas ele apenas dissolve
a dor no esquecimento
coloca cimento
no vazio do viver.

E as feridas escondidas
nos vácuos da vida
cobram medidas
e atitudes que tragam
beatitude tranquila

E somente um novo amor
cura a dor e fecha cicatrizes
em felizes recomeços
e resgata o preço
que o tempo cobra.

(Da coletânea “Poemas, poesias e outras rimas” que será lançada em fevereiro em Macapá)

As máscaras

As máscaras
Fabio Nescal

Há tantos rostos inocentes
Neste cenário universal
Rostos suaves e irreverentes
Não usam máscara de carnaval.

Rostos tristonhos… indiscretos
Ser vivente, dissimulado…
Rostos secretos escondem mistérios
Às vezes são mal-encarados.

Rostos fingidores… sedutores
Não demonstram o que há
Por trás dessas máscaras
O que vamos encontrar?

A máscara da hipocrisia
Intensifica perante a sociedade
Nas ilusões do dia a dia
Sem a essência da dignidade.

(Da coletânea “Poemas, poesias e outras rimas” que será lançada em fevereiro em Macapá)