Bom dia com poesia

Igarapés
José Pastana

Seu moço, cuidado com o revolto do rio
A cobra Norato habita os igarapés
Pode engolir os sonhos dos ribeirinhos
O Curupira é o protetor das florestas
Dizem que ele é impiedoso
Com quem devasta a natureza
Presta atenção ainda, seu moço, no Boto!
Ele pode engravidar a moça bonita
Porque hoje é noite de lua cheia
E ela faz parte do nosso imaginário.

(Extraído do livro Poemas e Um Amor, que será lançado nesta sexta-feira, 8, às 19h na Biblioteca Elcy Lacerda)

José Pastana lança nesta sexta-feira seu quarto livro de poemas

Poeta, professor, escritor, imortal da Academia Amapaense de Letras  e atual gerente da Biblioteca Elcy Lacerda, José Pastana lança nesta sexta-feira, 8, seu quarto livro de poesias. “Seus poemas soam como uma bela música aos nossos ouvidos”, diz a professora Mara Silvia Jucá Acácio, mestra em Linguística. E ressalta: “Em Poemas e Um Amor, Pastana traz à tona seu próprio mundo interior, traduzindo, brilhantemente, as sensações do seu eu-lírico”.
Para o  poeta paraense Rui do Carmo “navegar nas páginas de Pastana é mergulhar em um mundo de lirismo” Essa obra, diz Rui, é um buquê de belos versos bem trabalhados e construídos, sobre o estro das divinas criações.
“Vida e amor são os ingredientes primordiais nessa obra que conquistará até o mais duro coração”, assegura o professor de literatura José Leonardo Santos.

Recomendo a leitura da resenha literária de Poemas e Um Amor feita pelo renomado escritor, sociólogo e também imortal da Academia Amapaense de Letras Fernando Canto publicada  hoje no Blog De Rocha. Para ler clique aqui

Bom dia com poesia

Procura

Eu estava lá quando o sol
jogou sorrisos dourados no rio-mar.

Eu ainda estava lá
quando uma estrela riscou o céu
e um pescador apanhou uma estrela do mar.

Por testemunha tenho um bem-te-vi
que bem me viu
quando as andorinhas bailavam no ar.

Quis fundir ouro com prata,
estrela cadente com estrela do mar
e cantar um canto novo
para sair bailando contigo.
Mas
tu não estavas lá.
(Alcinéa Cavalcante)

Um poema de Isnard Lima para Alcy Araújo

AL.
Isnard Lima (1941-2002)

Tu, poeta,
deverias ser o jardineiro
que falta na praça
que amo como garoto
e odeio
como homem.

Plantarias rosas rubras
muito suaves e muito belas
para as moças
que ficam à tarde
na moldura
das janelas.

E nós teríamos
rosas vermelhas
para oferecer
à namorada ausente.

Aquela que ficou
na estrada
acenando amor.
(Do livro Rosas para a Madrugada, 1967 – Macapá-AP)

Isnard Lima e Alcy Araújo eram compadres.  Isnard Lima estaria completando hoje 78 de idade. Faleceu aos 61 anos em 2002. Alcy Araujo faleceu em abril de 1989 aos 65 anos.

Eu estava lá

Eu estava lá

Eu estava lá quando o sol
jogou sorrisos dourados no rio-mar.

Eu ainda estava lá
quando uma estrela riscou o céu
e um pescador apanhou uma estrela do mar.

Por testemunha tenho um bem-te-vi
que bem me viu
quando as andorinhas bailavam no ar.

Quis fundir ouro com prata,
estrela cadente com estrela do mar
e cantar um canto novo
para sair bailando contigo.

Mas, que pena!
Tu não estavas lá.
(Alcinéa Cavalcante)

Bilhetinho

Bilhetinho

Meu caro:
recebi tuas bem traçadas linhas.

Tua caligrafia é muito linda.
Porém, confesso, o que mais me encantou
foi o selo colado
no envelope “par avion”.

Arranquei-o com cuidado.
Ele agora faz parte da minha coleção.

Tua missiva eu guardei
naquela caixinha cor-de-rosa.

Prometo  responder
assim que tiver um tempinho.
(Alcinéa Cavalcante)

O Fim do Mundo

O Fim do Mundo

Quando disseram
que o mundo ia acabar
Tia Lila pegou seu terço
e pôs-se a rezar.

O dono da venda
dividiu toda a mercadoria
com seus funcionários
e distribuiu o dinheiro do caixa
para os mendigos.

A recatada dona Clotilde
jogou-se aos pés do marido
e implorando perdão
confessou que o tinha traído com o compadre.

Seu Joaquim, um santo homem,
ajoelhou-se no meio da rua
ergueu as mãos para o céu
e pediu perdão a Deus
pelos assassinatos que cometeu
como matador de aluguel.

No dia seguinte
o dono da venda pedia esmolas,
a recatada Clotilde, expulsa de casa,
foi morar num velho puteiro,
Seu Joaquim foi preso.

Só Tia Lila continuou do mesmo jeito.
De terço na mão continuou rezando
e entre uma oração e outra murmurava:
– É mesmo o fim do mundo
– Dona Clotilde, hein, quem diria?
– Seu Joaquim com aquela cara de santo, hein!
É o fim do mundo! É o fim do mundo!

(Alcinéa Cavalcante)

Um poema de Marven Franklin

Balé de Vozes
Marven Junius Franklin

a menina baila
sobre a infância
terna

(Macapá era um zéfiro
a roçar em suas pernas)

Baila a menina
em tardes mudas

distâncias eram vozes
e sinfonias do atrás

(Macapá era um cântico
que emanava do Rio-mar)

A poesia de Saulo Ribeiro atravessa fronteiras

Com o poema “Doce Menina”, o amapaense Saulo Carneiro Ribeiro (foto) vai mostrar agora seu talento além do Rio Amazonas. Ele foi, entre quase dois mil inscritos, um dos 250 selecionados para a edição deste ano da famosa e já tradicional Antologia Poética Sarau Brasil.

Advogado, servidor do TRF-1ª Região, nas horas vagas dedica-se à literatura. Ele conta que começou a exercitar sua veia poética em 2012 quando mudou-se para Belém para trabalhar na SJ/PA. Foram quatro anos exercendo  suas atribuições lá e nesse período sentia uma imensa saudade de Macapá. “Por mero passatempo, comecei a exercitar minha veia poética como forma de amenizar a saudade da terrinha”. Ele diz que foi assim que, de tema em tema e de mais erros que acertos, acabou adquirindo o gosto pela literatura, em especial pela poesia.
Em homenagem ao seu avô Errazuris Torquato Carneiro (já falecido),  Saulo costuma apor, após seu nome, o pseudônimo S.C. Ribeiro Torquato.

De repente, incentivado por amigos resolveu participar este ano do Concurso Nacional Novos Poetas promovido pela Vivara Editora Nacional e logrou êxito. Este certame está entre os mais destacados concursos literários da língua portuguesa.

Eis o poema:

Poema Doce Menina
Algumas vezes absorto, do nada,
Com uma simples ideia apenas,
Um imperfeito rabisco, uma canetada,
Saio a lançar palavras às dezenas,

Assim como faço agora.
Depois de um tempo não sei,
Aquela ideia que era só isso, outrora,
Levado sou pra outra que não pensei,
Que nunca foi minha,

Mas ante tamanha majestade não resisto,
Sou forçado a dobrar-me àquela rainha,
E assim, resignado, de mim desisto.

É quando acontece algo difícil de explicar,
Porque me escapa como dizer o indizível:
Esse frenético lançar de frases no ar,
Que à evidência parece não ser crível.

Mas no quadro geral que se desenha…,
Após mirar diversos prismas gradativamente,
Sinto então a ideia sufragada, a resenha,
Que rebenta na praia do meu pensamento.

E uma vez parida, essa doce menina,
Ainda que acaso a julguem,
Terá nome e sobrenome, será alguém,
E um dia quem sabe há de cumprir sua sina.

Autor: Saulo Carneiro Ribeiro
Pseudônimo: S.C. Ribeiro Torquato