65 anos do acidente aéreo que matou Coaracy Nunes, Hamilton Silva e Hildemar Maia

Destroços do avião “Paulistinha” que no dia 21 de janeiro de 1958 caiu na região do Macacoari

No acidente morreram o deputado federal Coaracy Nunes, o promotor público Hildemar Maia e o piloto Hamilton Silva.
Os três tinham ido participar da festa em louvor a São Sebastião naquela comunidade no dia anterior. No retorno, o pequeno avião apresentou problema, bateu numa árvore e explodiu.
Coaracy Nunes foi o primeiro deputado federal do Amapá. Estava exercendo o terceiro mandato quando morreu. Foi eleito pela primeira vez em 1946. Nesta época o Amapá tinha apenas 2.712 eleitores. Coaracy foi eleito com 2.385 votos.
Chamado de   “Deputado da Amazônia” foi reconhecido nacionalmente por suas ações em defesa  da região e não apenas do Amapá. Sua primeira grande luta ao assumir o mandato foi pela criação da SPVEA (depois Sudam). É de sua autoria o projeto de criação da Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA) e autorização da construção da Hidrelétrica do Paredão.
A chegada dos corpos de Coaracy Nunes, Hildemar Maia e Hamilton Silva no trapiche Eliezer Levy
O último adeus – Manhã de 22 de janeiro as urnas funerárias com os corpos de Coaracy Nunes e Hildemar Maia são embarcadas numa aeronave da Cruzeiro do Sul.
Hildemar foi sepultado em Belém; Coaracy Nunes no Rio de Janeiro, no cemitério São João Batista. O corpo do piloto Hamilton Silva está sepultado em Macapá, no cemitério N.S. da Conceição (Centro).
No sétimo dia a comunidade de Macacoari fez uma caminhada até o local do acidente onde foi celebrada a missa pelo padre Ângelo Bubani.

As vovozinhas e vovôs de mãos santas

Há algum tempo em suas andanças atrás de notícias, o meu amigo jornalista Sílvio Souza  foi bater no bairro Novo Horizonte e lá viu este anúncio na frente de uma casa. Fotografou e mandou pra mim.
Revendo hoje a foto, lembrei de uma vizinha chamada Otília que curava rasgadura nas costas. Com uma linha branca enfiada numa agulha, ela fingia que estava costurando enquanto fazia uma oração. Terminada a reza, colava um emplastro Sabiá (lembram?)  na costa rasgada e mandava que só fosse tirado quando começasse a coçar. E dava certo, viu?
No meu bairro da Favela (hoje chamado de Centro) moravam, além de Otília, outras pessoas de mãos santas, das quais lembro agora Zeca Caiana, “Tio” Congó, Antônia Mangabeira, Seu Zuza, Dona Maria Sabiá, Antônia Duarte, Antonio Lopes e  “Tia” Maria Grande.

(Falar em seu Zuza, lembrei que minha irmã Alcilene quando era criancinha queria ter como bichinho de estimação um filhotinho de onça. Seu Zuza prometeu e… Outro dia eu conto essa história)

Quem nunca conheceu uma velhinha ou teve um avô ou vizinho de “mãos mágicas” que rezava em cima da rasgadura, “puxava” barriga de grávida e dava jeito em pé desmentido? Se você teve, conte aqui no blog na caixa de comentários ou mande para o email [email protected]
Vamos contar a história dessas pessoas de mãos santas.

Você e o Papai Noel

Claro que você já foi criança, já fez cartinha  pro Papai Noel jurando que se comportou direitinho o ano inteiro e por isso merecia ganhar presentes.
Eu sei que você pendurava a cartinha na árvore e no outro dia cedo, mal acordava, ia correndo ver se o Papai Noel já tinha levado sua cartinha.

Eu sei também que às vezes o Papai Noel trazia exatamente aquilo que você tinha pedido; outras vezes trazia um presente diferente. Também às vezes você pedia cada coisa, né? Coisas que as finanças do Papai Noel não permitiam ou que não eram encontradas nas lojas por onde ele andava. Acho que você pediu também coisas que nem existiam.
O tempo passou e  você passou a ajudar o irmãozinho ou a irmãzinha  a fazer a cartinha, mais tarde o filho…
Conta um pouquinho aí na caixa de comentários sobre as cartinhas que você fazia, os presentes que você ganhou do Papai Noel, aquele presente com o qual você sonhou o ano inteiro e como se comportou bem o Papai Noel trouxe e aquele que você pediu tanto e nunca ganhou.
Ah, eu sei também que nas noites de Natal você fazia um esforço danado pra ficar acordado pra flagrar o Papai Noel entrando no teu quarto. Vai dizer que não?

Minha primeira lembrança de Copa do Mundo

A primeira lembrança que tenho de Copa do Mundo é de 1962, quando o Brasil foi bicampeão no Chile.
Estávamos no Rio de Janeiro mamãe, eu e meu irmão Alcione. A cidade maravilhosa toda enfeitada. Eu era muito criança ainda e quase nada entendia do que se passava. Sabia apenas que o Brasil estava participando de algo muito importante e que todos torciam pelo sucesso.
Só se falava nisso, mas eu nem dava trela. Era conversa de adulto e eu só queria brincar.
No dia que a Seleção chegou ao Brasil trazendo o título foi a maior festa. O povo se amontoando nas ruas e nas janelas dos edifícios para saudar os bicampeões do mundo. Mas para mim, tão criança ainda, o espetáculo foi a chuva de papel picado que caía dos edifícios e foi essa chuva que guardei na memória. Que coisa linda para uma criança ver. Eu nem olhava para o carro aberto que conduzia os jogadores, nem lembro como estavam trajados. Eu só olhava para cima, encantada com a chuva de papeizinhos coloridos.
Não pergunte em que rua ou avenida estávamos para ver o desfile da Seleção. Sei que fomos – eu e meu irmão – com minha mãe, pois ela era muito fã do goleiro Gilmar e do lateral Djalma Santos, por isso queria vê-los de perto e aplaudi-los.

Só muitos anos depois me interessei pelas histórias da Copa. Principalmente dessa em que vi pela primeira vez uma chuva de papel picado.

Pois bem, em 1962 o Brasil foi bicampeão com um timaço onde formavam Gilmar, Djalma Santos, Nilton Santos, Didi, Zagalo, Vavá, Pepe, Bellini, Zito, Garrincha, Pelé e Amarildo.
O Gilmar, de quem minha mãe era super fã, foi um dos maiores goleiros do Brasil. Aliás, do mundo. Foi considerado pela FIFA como um dos vinte maiores goleiros do mundo do século XX.

O Brasil fez uma campanha bonita. Foram cinco vitórias e um empate. 14 gols a favor e 5 contra. Venceu o México por 2 a 0; a Espanha por 2 a 1; a Inglaterra por 3 a 1; o Chile por 4 a 2; empatou com a Tchecoslováquia na primeira fase em 0 a 0.
A final foi no dia 17 de junho no estádio nacional do Chile com o Brasil sagrando-se bicampeão ao derrotar a Tchecoslováquia por 3 a 1. O placar foi aberto por Josef Masopust aos 15 minutos do primeiro tempo, mas dois minutos após Amarildo fez o gol de empate. O primeiro tempo terminou 1 a 1. No segundo tempo o Brasil entrou com mais garra em campo e aos 24 minutos Zito marcou o segundo gol do Brasil e aos 33 minutos Vavá fechou o placar.

Daqui a pouco, às 16h, o Brasil entra em campo em Catar para enfrentar a Sérvia. Já não sonho com chuva de papel picado; sonho com a vitória da nossa seleção nesse seu jogo de estreia e nos demais.

(Alcinéa Cavalcante em 24/11/2022)

Quem foi que disse que essa mulher não voa? 

Quem foi que disse que essa mulher não voa?
Alcione Cavalcante*

Gal atravessou, ainda atravessa e vai continuar a atravessar minha vida até o fim dos meus dias.

Ali pelo final da década de 60 e início dos anos 70, em casa, tivemos o primeiro contato com o trabalho de Gal. A minha irmã Alcinéa foi a responsável pela apresentação aos irmãos do primeiro manifesto musical do Tropicalismo, o LP Tropicália ou Panis et Circensis, onde aquela que viria a ser uma das mais importantes vozes do planeta emerge, límpida, juntamente com Caetano, Gil, Tom Zé Nara Leão.

O impacto se deve em parte ao fato de que à época ouvíamos em casa, a bossa nova de João Gilberto e Tom, clássicos como Mozart e Chopin, preferidos do nosso pai Alcy Araújo, além de Elza Soares, Ataulfo Alves, Miltinho e Doris Monteiro, estes mais ao feitio de nossa mãe Delzuite Cavalcante. Ou seja, em tudo muito diferente do conteúdo estético de Panis, de Mamãe, Coragem, composição de Caetano e Torquato.

Mas o encanto mesmo veio, definitivo, com a bolacha Gal Costa, com Baby e Não Identificado, ambas compostas por Caetano. A primeira feita para Bethânia e segunda pra Gal, que acabou, ambas, por força das interpretações apropriadas à Gal.

Posteriormente, em 1973, ainda debutando em Curitiba, onde estudei Engenharia Florestal, deparei-me com o LP Índia, aquele onde Gal, pra desespero dos puritanos de plantão, aparecia de tanga na capa, e que a censura impôs sua comercialização num envelope plástico de cor azul, levemente mais pálida que a “seda azul do papel que envolve a maçã”, como definiu Caetano muito mais tarde em Trem das Cores. Talvez a peça publicitária involuntária mais eficiente, promovida pela ditadura em prol de um desafeto político da resistência cultural. O LP vendeu demais, por sua qualidade evidentemente, mas também pela força do marketing ditatorial.

De Índia destaco “Dá Maior Importância”, uma canção de quase namoro feita por Caetano pra Gal, a esplêndida “Presente Cotidiano” do Luiz Melodia, e a guarânia “Índia” em tudo diferente das intepretações da minha infância.

Outro momento que guardo foi o Show Doces Bárbaros, que tive a oportunidade de assistir no Teatro Guaíra em Curitiba, nos idos de 76, quando já se aproximava o fim de minha estada na cidade. Ver ali, no que era até então um dos melhores teatros da América Latina, Caetano, Bethânia, Gal e Gil juntos foi um momento de intensa felicidade, afinal juntar quatro talentos incrivelmente diferenciados artisticamente, ainda que de mesma cepa, não é muito simples e fácil. Mesmo a plateia conservadora da idem Curitiba da época, se rendeu e ao final explodiu em reconhecido aplauso ao quarteto. Guardei durante muitos anos o canhoto do ingresso desse evento, do qual tenho a bolacha até hoje. Particularmente gosto muito da canção “Eu te Amo” de Caetano onde Gal exuda um mar de carinho e ternura.

Outra coisa legal aconteceu com o CD Mina d’água do meu canto (1995), que se perdeu de mim e que vim a resgatá-lo ao desistir de reparar um aparelho som que não possuía peça de reposição no Brasil. O mesmo se encontrava no local de reprodução de CD, intacto mesmo anos depois. Produzido por Jaques Morelenbaum e formado exclusivamente por músicas de Caetano e Chico Buarque é um dos que guardo com cuidado e carinho, do qual destaco “O Ciúme” de Caetano e a apaixonada “Futuros Amantes” do Chico.

A última apresentação que vi de Gal Costa foi a live comemorativa de seus 75 anos, onde apesar de alguns problemas técnicos mostrou a incrível cantora que Gal Costa sempre foi desde seu primeiro disco.

Há pouco tempo li “Não se Assuste Pessoa! As Personas Políticas de Gal Costa e Elis Regina na Ditadura Militar”, de Renato Contente, o qual recomendo a leitura a todos interessados na trajetória de Gal. O nome do livro é emprestado da música “Dê Um Rolê” de Moraes e Galvão, que Gal também gravou (Enquanto eles se batem/Dê um rolê e você vai ouvir/ Apenas quem já dizia/Eu não tenho nada/Antes de você ser eu sou/Eu sou, eu sou o amor da cabeça aos pés).

Por fim lembro de versos da canção “Sem Medo nem Esperança” de Arthur Nogueira e Antônio Cicero), do CD Estratosférica onde Gal manda o recado: “Nada do que fiz / por mais feliz / está à altura / do que há por fazer”.

Gal nos deixou, não sem antes, em seu último show, em setembro, nos pedir para votar direitinho, destacando seu compromisso com a democracia, fazendo o “L”, para delírio dos presentes. LeGal.

*Alcione Cavalcante é engenheiro florestal e cronista

Só tenha vergonha da sua pobreza se ela for de espírito…

Só tenha vergonha da sua pobreza se ela for de espírito…
Por Heraldo Costa*

Esse registro é de 1981. Eu com 13 anos e mano Heraclito Junior com poucos meses de vida, no colo, pois nasceu em dezembro de 1980. Ronaldo, segundo irmão mais velho, estava empolgado com uma máquina fotográfica e saia registrando vários momentos do cotidiano. Eu tinha chegado de fazer algum mandado pra mamãe.
Nesse tempo, além da escola, da venda de madeiras do papai que estava começando, ainda vendia chopp pela cidade. Ronaldo havia já saído do negócio. Quando tinha tempo ainda dava umas voltas de bicicleta, sentado no varão, acompanhado do amigo Paulo Nunes (que ainda mora na casa ao lado até hoje), poucos anos mais novo, que é esse garoto ao fundo com a mão na cintura.
O início dos anos 80 representa um limiar de oportunidades.
Nessa década conclui o ensino fundamental (1982) na escola Roraima. Conclui meu ensino médio no CCA (1985) estagiei no jornal fronteira do Pará (1985), tive meu primeiro e segundo emprego (1987 e 1988). Fui líder de jovens evangélicos no Buritizal e geral (86 e 87). Casei (1989). Enfim, não sabia eu mas Deus cimentava meu caminho pro futuro, enquanto também Ele preparava meus irmãos Junior, Renilda (tomando mingau no banco) e Renivaldo (a meu lado) para a vida.
Galibis 847, no Buritizal. A rua da mangueira. Era nosso endereço. Nessa casa, moraram os dez filhos com nossos pais.

*Heraldo Costa, juiz titular da Comarca de Tartarugalzinho

Centenário de nascimento de Darcy Ribeiro

Darcy Ribeiro, antropólogo, educador e romancista, nasceu em Montes Claros (MG), em 26 de outubro de 1922, e faleceu em Brasília, DF, em 17 de fevereiro de 1997. Eleito em 8 de outubro de 1992 para a Cadeira nº 11, sucedendo a Deolindo Couto, foi recebido em 15 de abril de 1993, pelo acadêmico Candido Mendes de Almeida.

Diplomou-se em Ciências Sociais pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo (1946), com especialização em Antropologia. Etnólogo do Serviço de Proteção aos Índios, dedicou os primeiros anos de vida profissional (1947-56) ao estudo dos índios de várias tribos do país. Fundou o Museu do Índio, que dirigiu até 1947, e colaborou na criação do Parque Indígena do Xingu. Escreveu uma vasta obra etnográfica e de defesa da causa indígena. Elaborou para a UNESCO um estudo do impacto da civilização sobre os grupos indígenas brasileiros no século XX e colaborou com a Organização Internacional do Trabalho na preparação de um manual sobre os povos aborígenes de todo o mundo. Organizou e dirigiu o primeiro curso de pós-graduação em Antropologia, e foi professor de Etnologia da Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil (1955-56).

Diretor de Estudos Sociais do Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais do MEC (1957-61); presidente da Associação Brasileira de Antropologia. Participou com Anísio Teixeira, da defesa da escola pública por ocasião da discussão de Lei de Diretrizes e Bases da Educação; criou a Universidade de Brasília, de que foi o primeiro reitor; foi ministro da Educação e chefe da Casa Civil do Governo João Goulart. Com o golpe militar de 64, teve os direitos políticos cassados e se exilou.

Viveu em vários países da América Latina, conduzindo programas de reforma universitária, com base nas idéias que defendeu em A Universidade necessária. Professor de Antropologia da Universidade Oriental do Uruguai; foi assessor do presidente Salvador Allende, no Chile, e de Velasco Alvarado, no Peru. Escreveu nesse período os cinco volumes dos estudos de Antropologia da Civilização (O processo civilizatório, As Américas e a civilização, O dilema da América Latina, Os brasileiros – 1. Teoria do Brasil e Os índios e a civilização), nos quais propõe uma teoria explicativa das causas do desenvolvimento desigual dos povos americanos.

Ainda no exílio, escreveu dois romances: Maíra e O mulo, aos quais acrescentou, mais tarde, Utopia selvagem e Migo. Publicou Aos trancos e barrancos, que é um balanço crítico da história brasileira de 1900 a 1980. Publicou também a coletânea Ensaios Insólitos e um balanço da sua vida intelectual: Testemunho. Editou, juntamente com Berta G. Ribeiro, a Suma etnológica brasileira. Publicou, pela Biblioteca Ayacucho, em espanhol, e pela Editora Vozes, em português, A fundação do Brasil, um compêndio de textos históricos dos séculos XVI e XVII, comentados por Carlos Moreira e precedidos de longo ensaio analítico sobre os primórdios do Brasil.

Em 1976, retornou ao Brasil, e foi anistiado em 1980. Voltou a dedicar-se à educação e à política. Participando do PDT com Leonel Brizola, foi eleito vice-governador do Estado do Rio de Janeiro (1982). Foi cumulativamente secretário de Estado da Cultura e coordenador do Programa Especial de Educação, com o encargo de implantar 500 CIEPs no Estado do Rio de Janeiro. Criou também a Biblioteca Pública Estadual, a Casa França-Brasil, a Casa Laura Alvim e o Sambódromo, em que colocou 200 salas de aula para fazê-lo funcionar também como uma enorme escola primária.

Em 1990, foi eleito senador da República, função que exerceu defendendo vários projetos, entre eles uma lei dos transplantes que, invertendo as regras vigentes, torna possível usar os órgãos dos mortos para salvar os vivos. Publicou, pelo Senado Federal, a revista Carta, onde os principais problemas do Brasil e do mundo são analisados e discutidos.

Entre suas atividades conta-se haver contribuído para o tombamento de 98 quilômetros de belíssimas praias e encostas, além de mais de mil casas do Rio antigo. Colaborou na criação do Memorial da América Latina, edificado em São Paulo com projeto do arquiteto Oscar Niemeyer. E mereceu títulos de Doutor Honoris Causa da Sorbonne, da Universidade de Copenhague, da Universidade do Uruguai, da Universidade da Venezuela e da Universidade de Brasília (1995).

Entre 1992 e 1994, ocupou-se de completar a rede dos CIEPs; de criar um novo padrão de ensino médio, através dos Ginásios Públicos; e de implantar e consolidar a nova Universidade Estadual do Norte Fluminense, com a ambição de ser uma Universidade do Terceiro Milênio.

Em 1995, lançou seu mais recente livro, “O povo brasileiro”, que encerra a coleção de seus Estudos de Antropologia da Civilização, além de uma compilação de seus discursos e ensaios intitulada O Brasil como problema. Lançou, ainda, um livro para adolescentes, Noções das coisas, com ilustrações de Ziraldo, considerado, em 1996, como altamente recomendável pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil.

Em 1996, entregou à Editora Companhia das Letras seus Diários índios, em que reproduziu anotações que fez durante dois anos de convívio e de estudo dos índios Urubu-Kaapor, da Amazônia. Seu primeiro romance, Maíra, recebeu uma edição comemorativa de seus 20 anos, incluindo resenhas e críticas de Antonio Callado, Alfredo Bosi, Antonio Houaiss, Maria Luíza Ramos e de outros especialistas em literatura e antropologia. Ainda nesse ano, recebeu o Prêmio Interamericano de Educação Andrés Bello, concedido pela OEA.

(Fonte: Academia Brasileira de Letras)

A velha casa

Esta velha –  e era tão charmosa –  casa, localizada na rua Eliezer Levy com Desidério Antônio Coelho foi fotografada por Floriano Lima.
Ele conta que sempre que passa por lá lança-lhe um olhar pensando em “quantas gerações já passaram por ela, quantas histórias alegres, talvez outras nem tanto. Ela deve guardar como aquele amigo fidedigno segredos ao longo de tantos anos”.

Hoje  ao passar novamente por ela, Floriano viu muitos tijolos, areia, seixo. E disse: “Parece que ela queria me dizer, estou chegando ao fim, envelheci, o viço da minha juventude foi embora, já não agrado tanto e pensei em nossos ‘velhos’, que muitos deixam de tratar como merecem, de ouvi-los mesmo quando só balbuciam. Olhei-a demoradamente e falei: estás guardada nos arquivos da minha memória afetiva.”