Glicerão 70 anos – Guardo com muito carinho

Em 1975, ano do jubileu de prata do estádio Glicério de Souza Marques, o Glicerão, eu ganhei da Federação Amapaense de Desportos-FAD (hoje Federação Amapaense de Futebol) esta linda medalha de Honra ao Mérito. Foi o reconhecimento do meu trabalho como repórter esportiva, numa época em que os homens dominavam o jornalismo esportivo.
Guardo até hoje, com todo cuidado e carinho, essa medalha.
Era comemorado também os 30 anos de fundação da Federação.
1975 foi um dos anos em que o Amapá exportou mais jogadores para outros estados e a imprensa paraense referia-se ao então Território Federal assim: Amapá, um celeiro de craques. O presidente da Federação era Manuel Antônio Dias e o vice era Pedro Assis de Azevedo.

E olha aí minha credencial de 1976 (a de 1975 não tenho mais):
Cobri muitos jogos no Glicerão, que amanhã completa 70 anos. Entrevistei os maiores craques do futebol amapaense.
Como repórter esportiva cobri também jogos do campeonato nacional, em outros estados, e entrevistei vários jogadores da seleção brasileira tricampeã do mundo.

Um pouco da história do Mercado Central

O novo Mercado Central tem iluminação cênica com 10 projetores que reproduzem 256 cores diferentes na entrada. O espaço, que será entregue nesta quinta-feira, 16, totalmente revitalizado à população, foi reformado com recursos oriundos de emenda parlamentar do senador Randolfe Rodrigues, no valor de R$ 2,5 milhões, e contrapartida do Município, de R$ 1,2 milhão.

Um pouco da história do Mercado

Construído em 1952 e inaugurado em 13 de setembro de 1953 pelo prefeito Claudomiro de Moraes e  governador Janary Nunes, o Mercado Central é um dos principais lugares para quem busca produtos variados. A meta principal dessa praça de comércio era, inicialmente, vender produtos da roça que desembarcavam no Trapiche Eliezer Levy, carnes bovinas, suínas, de aves e de peixes, verduras, legumes, frutas e outros gêneros alimentícios. Mas não somente isso. Ali também funcionavam ourivesaria, barbearia, drogaria, perfumaria, relojoaria, lanchonetes, restaurantes e oficinas de consertos de sapatos.

Enquanto está prestes a ser reaberto, a prefeitura viajou no tempo e foi procurar alguns “segredos” e curiosidades acerca do novo Mercado Central, que completa 67 anos em 2020, pois muito aconteceu desde sua inauguração. A arquitetura do Mercado Central foi concebida pelo desenhista Júlio Batista do Nascimento, também conhecido como Mestre Júlio.

O estilo predominante na arquitetura do espaço é o colonial. A praça onde o Mercado Central foi construído se chama Theodoro Mendes, em homenagem a um prefeito que ficou no cargo por vinte anos (1896-1916).

Se você é de Macapá, com certeza já ouviu falar do estabelecimento mais antigo do local, que é o Bar Du Pedro. E falar de mercado é contar a história de quem o viu e o ajudou a nascer, como relata Luiz Gonzaga Nery, atual proprietário do famoso Bar Du Pedro, point etílico tradicional da cidade. “Sou nascido e criado neste bar. Vi a cidade inteira crescer e a memória mais viva que tenho é do Mercado Central lotado e meu pai conversando com os clientes”, relembra.

As  paredes e prateleiras do Bar Du Pedro contam parte da história da cidade.
Entre garrafas de bebidas, a história é contada através de fotos de prédios, solenidades, esporte e de autoridades e gente simples que frequentava o bar. Há também recortes de jornais emoldurados e objetos antigos, como o rádio que você vê nessa foto.

Em frente ao Mercado Central existia um estabelecimento chamado Clip Bar, que também era um ponto de ônibus. O Clip Bar surgiu antes da construção do Mercado Central. Foi extinto no governo ditatorial sob acusação de alojar reuniões de subversivos (comunistas guerrilheiros).

(Com informações da assessoria de comunicação da  Prefeitura de Macapá e fotos de Max Renê, Alcinéa Cavalcante e arquivos de Edgar Rodrigues e dos blogs Porta-Retrato e www.alcinea.com)

Quem foi Glicério Marques

Texto: João Lázaro, do blog Porta-Retrato
Glycério de Souza Marques nasceu no dia 13 de maio de 1915, no Estado do Pará.
Filho do militar Raimundo Gonçalves Marques e D. Luzia de Souza Marques.
Estudou nas escolas de Belém e ingressou na Escola Militar dando baixa no ano de 1938 com a patente de 2º-tenente.
Quando jovem dedicou-se ao escotismo.
Veio para Macapá no início do ano de 1945, convidado pelo Governador Janary Gentil Nunes com a missão de implantar o escotismo no Território Federal do Amapá, juntando-se ao Chefe Escoteiro Clodoaldo Carvalho do Nascimento.
Trabalhou inicialmente como Inspetor do Ensino primário; foi também Diretor da Escola de Iniciação Agrícola da Base Aérea do Amapá; em 1953 foi nomeado Diretor da Escola Profissional Getúlio Vargas que, posteriormente, se chamou Escola Industrial; participou da criação de clubes esportivos; foi presidente da União dos Escoteiros do Brasil em Macapá; da Federação de Desportos; da Sociedade Artística de Macapá; Instrutor do Tiro de Guerra 130 do Amapá; foi postulante à construção de um estádio de futebol o qual foi construído e foi dado o seu nome Estádio Glycério de Souza Marques; foi Diretor da Rádio Difusora de Macapá.
Glycério casou-se no primeiro matrimônio com a Sra. Nely de Miranda Marques; em segundas nupciais com D. Natália dos Santos Marques com quem teve os filhos: José Glymar, Luzia e Carmem.
Glycério faleceu no dia 25 de dezembro de 1955 deixando um grande vazio no coração da juventude escoteira do Amapá e saudades a todos os desportistas.
(Fonte: Informações e foto extraídas da obra Personagens Ilustres do Amapá de Coaracy Barbosa Vol III (não impresso) – em PDF – via APES – Associação Amapaense de Escritores).

Sapiranga viu no Glicerão

Meu amado amigo Milton Sapiranga Barbosa (foto), jornalista aposentado e um dos grandes repórteres esportivos da época de ouro do futebol amapaense, estava na inauguração do estádio Glicério Marques, há 70 anos.
“Menino pobre, morando  vizinho do estádio, distante a apenas quatro  quadras  e  sabendo que  festa patrocinada pelo governo, sempre tinha  refrigerantes, doces  e salgados de montão,   eu  não poderia ter perdido aquela boca livre. Eu estava lá”, contou.

E de vez em quando me conta coisas que viu no Glicerão desde sua inauguração, como essas:

01 – VÍ, num jogo AMAPÁ CLUBE X EXPORTE CLUBE MACAPÁ, clássico vovô do futebol amapaense, que  nas décadas de 50 e 60, era aguardado com grande expectativa pelos torcedores dos dois times, o ótimo goleiro do Amapá Clube, Edgar, cruzar os braços e  deixar uma  bola que lhe fora recuada pelo Armando Pontes, entrar em sua meta. É que eles haviam discutido durante um treino e trocado de mal(como se costuma dizer). Macapá 1 a 0. È,  mais depois o Edgar fechou o gol  e o Amapá acabou vencendo por 2 a 1.  Edgar era tão bom, que num amistoso contra  o Paissandu, ele disse ao zagueiro Evandro, que se preparava para cobrar uma penalidade máxima, que defenderia com a cabeça. Evandro mandou um chute fortíssimo,  e o Edgar ainda conseguiu resvalar na bola com a cabeça. Dizem, eu entre eles, que Edgar, que depois foi para o Clube do Remo, foi um dos melhores goleiros do futebol  amapaense.

02 – VÍ , também por ocasião de outro  confronto entre alvinegros e azulinos, o técnico do Macapá, Jomar Tavares, usar de malandragem para poder vencer  um  jogo em que seu time não conseguia sobrepujar a zaga adversária, formada por Mucuim, Justo e Façanha, com maior destaque para Justo, que em tarde inspirada, barrava todas as pretensões do Leão Azul. Que fez o astuto treinador? Mandou buscar  o Falconeri, que não tendo sido convocado para o jogo, estava biritando com os amigos lá pras bandas do Laguinho.
Após tomar um banho forçado, Falconeri foi orientado a entrar em campo e tirar o Justo de Campo. Ele não se fez de rogado, entrou em campo e chegado perto do Justo, tascou-lhe um tapa no rosto. O tempo fechou, pois o zagueiro alvinegro, “pelhudo” da gema, não era de levar desaforos pra casa. Os dois foram expulsos e o Macapá, graças a astúcia de seu técnico, tirando de campo o melhor defensor adversário,  acabou vencendo o jogo por 1 a 0. ( Jomar Tavares, que foi quem levou PALITO para treinar no Vasco da Gama).

03 –
VÍ, durante um jogo no Gigante da Favela, o Dicão, então pertencente ao GRUCI – Grupamento de Combate a Incêndio,  dar uma bicuda, com um coturno número 44, bico largo, num torcedor que estava sentado num degrau abaixo ao que ele escolhera para torcer pelo Juventus contra o CEA CLUBE.// Num ataque do Moleque Travesso, Joca, centro avante juventino armou  o chute e o Dicão acompanhou o gesto do artilheiro e mandou ver, bicudando o  torcedor sentado a sua frente, que ficou  se contorcendo  em dores, enquanto os demais torcedores riam que riam da inusitada situação.
04 – Ví, no próprio da municipalidade,  meus grandes ídolos do Fluminense, os craques: Castilho, Pinheiro, Valdo, Robson, Escurinho, Altair e Denilson, entre outros. Também vi, o maior pugilista brasileiro de todos os tempos, o galo de ouro Éder Jofre, o demônio das pernas tortas Mané Garrincha, Dario, Roberto Dinamite, Os Trapalhões (Dedé, Didi, Mussum e Zacarias), Canarinho, Elza Soares, Tony Ramos, Antônio Pitanga, Dari Reis, João Carlos Barroso e outros grandes artistas da música, da comédia e da bola.

05 – Vivi, cenas de violência que prefiro esquecer, mas também cenas hilárias, como durante um jogo entre 11 Brasileiros  e o time de  alunos do CCA.  Lançado na corrida por Romeu, deixei a zaga adversária para trás para ficar cara a cara com o goleiro. Que goleiro?  Ele não estava em sua meta e aproveitei para fazer o gol mais fácil de minha carreira futebolística no campo e no futebol de salão. Minutos depois, lá vem o goleiro Severino saindo de trás de um barracão instalado nos fundos  do Glicerão, explicando para todos : “Tô com uma dor de barriga desgraçada”.  Caímos na risada, inclusive seus companheiros do time do CCA, que perdoaram seu abandono de campo, que permitiu  a vitória do 11 Brasileiros.

06 –  VÍ, durante um clássico entre Ypiranga e Macapá, o meio campo Zezinho usar  de um expediente não muito lícito para poder parar a dupla de armação do azulino, formada por Haroldo Santos e Aldemir França, que naquele dia  estavam jogando o fino, realizando jogadas sensacionais./ Zezinho, impotente diante da dupla, aproveitou uma parada no jogo para atendimento de um atleta e encheu uma das mãos com benguê e passou no rosto do Aldemir França. Aldemir França lavou o rosto várias vezes mas não consegui se livrar do ardor  da pomada, pois quando corria o suor escorria para seus olhos  e ele foi obrigado a deixar o campo de jogo, propiciando que o negro anil equilibrasse as ações,  mas  contudo  sem conseguir vencer o leão azul da avenida FAB.

Especial – Glicerão 70 anos

Inauguração do estádio Glicério Marques

Mais antigo que o Maracanã, o estádio municipal Glicério Marques, em Macapá, foi inaugurado em 15 janeiro de 1950, com um jogo entre as seleções do Amapá e Pará.
Comecei a frequentar o estádio – que era chamado de Gigante da Favela e de Glicerão – no início dos anos 70, quando trabalhava como repórter esportiva do Jornal do Povo. Na época não havia iluminação, portanto nada de jogos à noite. O campeonato era disputado no domingo à tarde, com a preliminar (chamada de esfria-sol) começando às 14 horas e a principal às 16h.
Geralmente a preliminar era feita pelos times menores, como o União e 13 de Setembro. O 13, coitado, certa vez não tinha dinheiro nem para comprar as chuteiras e os “craques” tiveram que jogar de chulipa – que não tem atrito – aí era um “cai-cai” que não acabava mais.
Em 1975 quando Manuel Antônio Dias era presidente da FAD (hoje Federação Amapaense de Futebol) o “Gigante da Favela” passou por uma grande reforma, talvez a mais importante da sua história, visto que recebeu iluminação e um gramado que era um primor. Ah! as torres de refletores deixavam o povão boquiaberto, pois nunca se tinha visto isto por aqui. Era uma beleza!
Para a reinauguração a FAD mandou buscar a Seleção Brasileira de Amadores que veio com todos os seus craques, entre eles o Éder, ponta-esquerda do Atlético Mineiro e da Seleção Brasileira.

Para não esquecer Alcy Araújo

Hoje, 7 de janeiro, comemora-se 96 anos de nascimento do poeta, escritor, compositor e jornalista Alcy Araújo Cavalcante, meu pai. Um dos nomes mais importantes da cultura amazônica. Ele está nas principais enciclopédias e antologias brasileiras.
Alcy faleceu em 22/04/1989

Com uma saudade imensa dele, retirei do fundo do baú  esta entrevista que ele concedeu no dia 6 de novembro de 1981, na Rádio Equatorial, aos repórteres e radialistas Pedro Silveira e Edivar Mota.

Pedro – Você está disposto a conceder a entrevista e responder perguntas mesmo indiscretas?
Alcy
– Em primeiro lugar não gosto de dar entrevistas nem de entrevistar. Mas a seqüência tem que ir ao ar e eu subo ao patíbulo.

Pedro – Qual é a sua, poeta? Você é profissional de imprensa. Com mais de 40 anos de tarimba…
Alcy
– Certo. Mas não gosto de conceder entrevistas porque nem sempre as perguntas são inteligentes. Agora mesmo não sei se vocês vão fazer perguntas inteligentes.

Pedro –  Não se preocupe que eu e o Edivar bolamos algumas perguntas inteligentes. Afinal de contas a gente integra o que você já chamou de “trio de ouro” da radiofonia amapaense. Lá vai a primeira pergunta: Você parece ter idade indefinível e possui traços fisionômicos caboclos, amazônicos. Por que?
Alcy – Tenho a idade que aparento. Nem um ano a mais, nem um ano a menos. Vim do espaço sideral e aterrissei em Peixe-Boi, na extinta Estrada de Ferro de Bragança, Pará, Brasil, município de Igarapé-Açu.

Pedro – Quer dizer que sua terra natal é Peixe-Boi?
Alcy – Exato. Por isso não sou carne nem peixe. Mas sou estradeiro como o doutor Alberto Lima, o doutor Pedrosa e meu compadre José Epifânio de Souza.

Pedro – Seu nascimento em Peixe-Boi justifica os traços caboclos. Mas, em que ano você chegou ao planeta Terra?
Alcy – No conturbado ano de 1924. Em janeiro, dia 7.

Pedro – Você aterrissou em Peixe-Boi. E depois?
Alcy – Fui crescendo. Aprendi a profissão de marceneiro, de polidor de móveis e de fazedor de versos e mais alguma coisa.

Pedro – Nesta alguma coisa está o jornalismo. Quando foi que começou?
Alcy – O jornalismo foi uma questão de salário e não de vocação. Eu ganhava salário mínimo, na marcenaria São Pedro, na Rua Sete de Setembro, em Belém, perto da Praça da Bandeira. Eram seis mil réis por oito horas de batente pesado. O jornal “A Folha do Norte”, do Paulo Maranhão, pagava oito mil réis por um plantão de revisão. Troquei a bancada da oficina por uma mesa de jornal. Daí a coisa foi indo naturalmente. Repórter de polícia, de esporte, de política, noticiarista, redator, secretário de redação, diretor, editor …. passei pelas redações do “O Estado do Pará”, “Pará Ilustrado”, “Diário Associados” e “O Liberal”.

Pedro – Como foi que você veio para o Amapá?
Alcy – Coisa de política. O Magalhães Barata, meu saudoso amigo, foi derrotado eleitoralmente para o governo do estado, depois de uma campanha terrível onde foi assassinado Paulo Euletério Filho, moço de grande inteligência, intelectual, que foi o primeiro chefe de polícia aqui do Território do Amapá integrando a equipe de Janary Nunes. Aí a coisa ficou difícil em Belém, não dava mais pra ficar lá. Então eu escrevi uma carta para o poeta Álvaro da Cunha, oficial de gabinete do governador Janary Nunes, dizendo que aceitava um convite que me havia sido feito para trabalhar no Amapá, em 1947. Vim, fiquei, estou aqui.

Edivar – Como funcionário público você venceu aqui no Amapá?
Alcy – Funcionário não vence. Tem vencimentos. Eu hoje em dia nem isto tenho. Tenho proventos de aposentado.

Edivar – Mas você ocupou cargos de relevo em algumas administrações. Eu lembro que você ocupou os cargos de diretor da Imprensa, oficial de gabinete, chefe do gabinete do governador, secretário geral. Falta alguma coisa?
Alcy – Falta. Fui chefe de expediente da Secretaria Geral, chefe da Assessoria Técnica do governador, assessor técnico da Câmara, diretor da Difusora, assessor de imprensa e assessor de relações públicas.

Edivar – Isto compensou sua vinda para o Amapá?
Alcy – Compensou. Valeu pelo que foi possível realizar numa terra em estágio pioneiro de desenvolvimento. Eu sou testemunha e participante de um período da  história do Amapá.

Pedro – Dizem que você é um técnico em ideias gerais. O que você realizou nessa estranha profissão?
Alcy – Muitos trabalhos. Alguns bem gratificantes moralmente. Tutu mesmo não deu. Atuei na elaboração do primeiro plano qüinqüenal da SPVEA e no plano de emergência para o mesmo organismo após o golpe de 1964. Esses trabalhos carrearam grandes recursos para a região.

Pedro – Um aparte. A SPVEA foi transformada no que é hoje a Sudam.
Alcy – Exatamente. Sou autor do quadro de pessoal da Câmara de Macapá e do plano de classificação do legislativo macapaense. Integrei a equipe que elaborou os projetos de desenvolvimento do Amapá, para o governo Jânio Quadros. Foi uma experiência frustrante. No dia em que a equipe concluiu os trabalhos o homem da vassoura renunciou. Mas existem outros trabalhos, como conferências, projetos, monografias e o mais ….

Pedro – E na literatura, o que você fez?
Alcy – Escrevi. Poemas, contos, crônicas que andam por aí em livros, antologias, suplementos literários e esta coisa toda.

Pedro – Há informações de que você vai lançar mais um livro
Alcy – Os originais do livro “Poemas do Homem do Cais” já se encontram no Rio de Janeiro e o lançamento está previsto para dezembro, quando completarei 40 anos de profissão como jornalista.

Pedro – Por falar nisto, como jornalista quais são os destaques de sua vida profissional?
Alcy – Não há destaques. Como jornalista a gente escreve para o dia e pronto. É o fato passando. É a ocorrência diária.

Pedro – Mas você foi contemplado com “menção honrosa” em concursos de reportagem e tem seu nome incluído em antologias e enciclopédias até no estrangeiro. Não considera isto como destaque?
Alcy –  Quando eu escrevi a reportagem “Amapá – verde Território da esperança” eu não visava prêmio, mas mostrar o Amapá para o leitor dominical. Aí deu “menção honrosa” e isso foi bom. Quanto as antologias e enciclopédias estão por aí. Modernos Poetas do Amapá, Brasil e Brasileiros de Hoje, Grande Enciclopédia da Amazônia, Grande Enciclopédia Portuguesa-Brasileira e outras.

Edivar – Você disse que não gosta de entrevistar. Qual é o motivo?
Alcy – É que o entrevistado sempre veste roupa limpa por cima da roupa de baixo, nem sempre imaculada. Diz meias verdades, meias mentiras e, quando percebo isto, fico chateado.

Edivar – Quem você já entrevistou?
Alcy – Muita gente. Assassinos, dignatários da Igreja, ladrões, políticos, presidentes e ministros da República, governadores, atletas, artistas, intelectuais. Todo mundo. Inclusive a Rachel de Queiroz, a pessoa mais difícil de entrevistar que eu já encontrei. Nesta época em que a realeza está em baixo astral, quando se diz que vão restar apenas cinco cabeças coroadas – que são as quatro do baralho e a da Inglaterra – eu já entrevistei um rei. (aqui Alcy ri)

Pedro – Peraí, Alcy, que rei foi este?
Alcy – Foi o Sacaca, rei momo do nosso carnaval.

Edivar – De que é que você gosta?
Alcy
– Gosto de flores, de juventude, de gente bonita passando, de mar, de noite, de anjos, de crianças sorrindo, de pato, pato vivo, pato assado, pato no tucupi e de outras coisas que Deus deve gostar também.

Edivar – E do que você não gosta?
Alcy – De gente burra, música tocando alto, gritos de dor, guerras, violência, bebida ordinária. E peço perdão por não gostar de alguma coisa que deve ser amada.

Pedro – Fale um pouco da sua vida particular
Alcy – Sou jornalista. Não tenho vida particular. Só tenho a pública. Acontece que há a vida íntima e desta eu não falo. A vida íntima pertence a cada homem, seja ele o Papa João Paulo II ou um gari da Prefeitura. De minha intimidade eu não falo.

Pedro – E das mulheres? Quantos amores em sua vida?
Alcy
– Ah, as mulheres. Acho que tenho um pouco de Vinicius de Moraes, mas ele ganhou o jogo. Ele deixou o gramado por morte e eu por aposentadoria.

Edivar – E como radialista, como é que tem sido?
Alcy – Tem pouca coisa pra dizer. Comecei lá pelos anos 40, na antiga PRC-5, Rádio Clube do Pará, nos tempos de Roberto Camelier. Depois estive fora dos microfones por uns 15 anos. Só retornei aqui no Amapá, numa emergência para apresentar o programa “Umas e Outras” do Agostinho Souza, na Rádio Difusora. Depois veio a Rádio Equatorial onde fui diretor de jornalismo. Em seguida, trabalhei na projeção e organização da Rádio Educadora. Fiz tudo ou quase tudo em rádio. Locução, produção, animação de auditório e o mais. Agora estou de volta aqui na nova rádio Equatorial.

Pedro – Fale agora do compositor.
Alcy – Na realidade não sou compositor, sou poeta e letrista. Tenho viajado muitas canções com Nonato Leal. Tenho parcerias com Aimoré Batista, Jacy Rodrigues, Nair Miranda e não sei quem mais.

Pedro – Você já venceu festivais e carnavais de rua
Alcy – Fui vencedor do Primeiro Festival da Canção Amapaense, com Nonato Leal. Com o mesmo parceiro consegui um segundo e um quinto lugar e com Jacy Rodrigues um segundo lugar. Nos carnavais de rua, de escola de samba,  consegui três primeiros lugares com Lendas e Mitos da Amazônia, Mãe Luzia e Banco do Brasil.

Pedro – Vamos parar. Uma vida como a do tio Alcy não cabe numa entrevista. Muita coisa deixa de ser perguntada e muita coisa deixa de ser respondida. Resta apenas saber uma coisa: você, Alcy, foi sincero?
Alcy
– Fui sincero comigo mesmo.

Pedro – E comigo, com o Edivar e com os ouvintes?
Alcy – Falei algumas verdades, algumas meias verdades e nenhuma mentira.

Retrato em preto e branco

Ex-governador General Ivanhoé Martins discursando e os jornalistas Hélio Penafort, Benedito Andrade (primeiro apresentador de televisão no Amapá) e Agostinho Souza fazendo a cobertura