Macapá era assim

Quem diria que o bairro Central de Macapá já foi assim? Pois é. A ponte – onde essas figuras estão fazendo pose – ficava na avenida Mendonça Furtado entre as ruas Jovino Dinoá e Odilardo Silva, antigo bairro da Favela, que meu pai chamava de “Favela dos meus amores”.

Aí havia um igapó onde a molecada ia pegar peixinhos em vidros de soro . Naquela época os frascos de soro eram de vidro e a criançada usava-os como aquário. Eu mesma peguei muitos peixinhos ali.

Aquele prédio de madeira lá atrás era o comércio da Dona Júlia, depois funcionou ali a Agência Zola – onde a gente comprava baratinho revistas sem capa.

O nome da rua – Saiba quem foi Acelino de Leão

Nascido em Macapá em 17 de junho de 1881, quando o Amapá ainda pertencia ao Pará, Acelino de Leão é nome de avenida do bairro do Trem. A Prefeitura grafou de forma errada seu nome e assim permaneceu. Seu nome correto era Acylino.
Acylino de Leão Rodrigues, filho de Gregório Rodrigues e Maria Gil de Leão Rodrigues.
Foi médico sanitarista, formado em 1909 na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Participou da fundação da Faculdade de Medicina do Pará e lá lecionou por muitos anos. Também foi professor na Faculdade de Direito do Pará, presidente da LBA, em Belém, e presidente do Sindicato Médico Paraense
Escritor, Acylino de Leão foi membro da Academia Paraense de Letras  e é o patrono da cadeira 1 da Academia Amapaense de Letras.

Além de médico, advogado, escritor e professor, ele foi deputado estadual e deputado federal.

Acylino de Leão faleceu em Belém no dia 27 de setembro de 1950, aos 69 anos.

Hoje, 17 de junho, completa 143 anos de seu nascimento.

Mundo Pixinguinha – 126 anos do nascimento de Pixinguinha

Mundo Pixinguinha
Por Tiago Pestana (*)

Hoje, 23 de abril, Alfredo da Rocha Viana Filho, o Pixinguinha é lembrado pelos seus 126 anos de nascimento. Compositor, orquestrador, flautista e saxofonista, Pixinguinha é autor de sucessos como Carinhoso, Lamento, Um a zero, Naquele tempo e Vou vivendo assim como por integrar o lendário grupo Os Oito Batutas, emplacando o chorinho e o samba carioca no mundo.

Mundo Pixinguinha é o título do álbum lançado em 2013 pelo bandolinista Hamilton de Holanda, uma verdadeira celebração da música e da cultura, unindo artistas de diferentes partes do mundo para homenagear o legado de Pixinguinha. A inclusão de músicos renomados como Wynton Marsalis, Chucho Valdés, Stefano Bollani, Richard Galliano e Mario Laginha adicionou uma riqueza única às interpretações das composições de Pixinguinha, definido por Holanda como capaz de “transcender fronteiras culturais e unir elementos diversos, como o samba, a valsa e a polca, em sua música, criando uma linguagem universal que continua a inspirar artistas ao redor do mundo.”

O Professor João Pereira, do Departamento de Antropologia da USP, enquanto escrevia sua tese de doutorado, sobre O negro e o rádio brasileiro, registrou sua entrevista com Pixinguinha, na Casa Gouveia, bar que o músico frequentava e onde tinha mesa cativa.

Pixinguinha falou de sua experiência como músico indicando que sua carreira começou aos 15 anos, ganhando oito mil réis por mês, tocando, primeiro, em casa de chope (descritas por ele como boates), das oito à meia-noite e em cinemas, executando trilha sonora dos filmes mudos.
Na entrevista Pixinguinha também abordou a criação do grupo Os Oito Batutas e a viagem à Europa patrocinada pelo empresário Arnaldo Guinle – herdeiro da família Guinle, uma das mais proeminentes do Brasil durante o século XX. – e de sua atuação na Rádio Sociedade do Rio de Janeiro a convite do antropólogo Edgard Roquette-Pinto.

Com o rádio, Os Oito Batutas, adentravam um ambiente de maioria branca, dizia:
– Nós chegamos e fomos escurecendo o rádio.

Contou, também, que havia muita resistência por causa de sua cor, mas que sabia onde recebiam e não recebiam pretos, evitando ir e, por isso, “não foi barrado”, procurando evitar as barreiras construídas numa sociedade fortemente racializada.

E comparou Pixinguinha:
– Em casa de preto, a festa era na base do choro. Na casa do branco tocavam-se valsas e polcas, músicas europeias, francesas… Na casa de preto, na sala de visita era o choro e até outras músicas. Na sala de jantar, ou mais para dentro da casa, era o samba. No terreiro, no quintal, era a batucada. Nos fundos do quintal de algumas casas de tias, a gente armava os ranchos que iriam desfilar nos dias santificados.

Pixinguinha deixou uma longa produção musical destacando-se ainda na parceria com Vinicius de Moraes, produzindo a trilha do filme Sol sobre a lama, 1963, de Alex Viany:
– Vi desde logo que a música de Pixinguinha me seria tão indispensável quanto a história – disse o diretor em entrevista ao Jornal Ultima Hora.

Pixinguinha morreu no Rio de Janeiro, no dia 17 de fevereiro de 1973. Sua trajetória de dedicação e trabalho não caberiam neste pequeno texto. Seu nome marca uma geração e nos projeta uma notável personalidade negra em nossa história.

(*) historiador e integrante da diretoria Étnico-Racial da ABI

(Foto: Walter Firmo)

Fonte: Portal da Associação Brasileira de Imprensa

Há 35 anos o poeta e jornalista Alcy Araújo partia para o cais definitivo

“Canto a terra
a dor dos aflitos
e a inútil esperança dos desesperançados.
Também os negros, os índios e o verde
e presto relevantes serviços topográficos
demarcando itinerários de poesia.”
Alcy Araújo
(1924-1989)

Há 35 anos o poeta dos anjos, dos jardins, do cais Alcy Araújo partiu para o cais definitivo

Encontro sempre Deus no meu jardim à noite principalmente se há luar.
(Alcy Araújo)

“Eu sou Alcy Araújo, poeta do cais. Proprietário de canções e esperanças
quando são mais nítidas as horas de sofrer.”

Alcy Araújo Cavalcante – o  poeta do cais, dos anjos, das borboletas, do jardim clonal, dos marinheiros e de tudo que merece ser amado – nasceu no distrito de Peixe Boi (PA), no dia 7 de janeiro de 1924.
Criança ainda transferiu-se com a família para Belém, vivendo depois em pequenas cidades da região norte para onde seu pai, Nicolau Cavalcante, era destacado para implantar os serviços de Correios e Telégrafos.
De retorno a Belém, Alcy cursou a Escola Industrial tornando-se mestre marceneiro e de outras especialidades relacionados ao ofício, que exerceu por algum tempo.

No entanto o talento literário, a vocação pelo jornalismo e um precoce desenvolvimento intelectual levaram Alcy a trocar a bancada da oficina pela escrivaninha do jornal, em 1941, com 17 anos de idade.
Por mais de uma década trabalhou nos principais jornais do Pará como repórter,articulista,  redator e chefe de reportagem, entre eles a Folha do Norte, O Estado do Pará e O Liberal.

Veio para o Amapá na década de 50, trazido pelo poeta e amigo Álvaro da Cunha, a convite do governador. Aqui exerceu importantes cargos, assessorou vários governadores, dirigiu jornais, lutou pela emancipação política e administrativa desta região, combateu a exploração dos recursos naturais, fez importantes trabalhos de pesquisa sobre rizicultura, erosão dos solos, pesca no litoral, entre outros. Contudo, acredito que a maior contribuição dele ao Amapá deve ser aferida pela sua imensa e constante participação na vida intelectual e artística – tanto através da imprensa, como nos demais instrumentos e instâncias da cultura amapaense.
Amante das artes, foi ele que lutou, ao lado de R.Peixe, pela criação da Escola de Artes Cândido Portinari e do Teatro das Bacabeiras.
Ocupou a cadeira 25 da Academia Amapaense de Letras.

“Aqui estão as minhas mãos, falando palavras feitas de pássaros e de ausências e
cantando canções sonhadas em segredo.” (Alcy Araújo)

Junto com Álvaro da Cunha, Ivo Torres, Arthur Nery Marinho e Aluízio da Cunha, movimentou o segmento cultural amapaense criando clubes de arte, promovendo noites lítero-musicais, apoiando artistas plásticos, músicos, poetas e escritores,  fundando e dirigindo revistas culturais difundindo a cultura do Amapá por este Brasilsão, entre mais tantas coisas que deixariam imenso este texto se fossem listadas aqui.

“Ele foi um dos mais macapaenses de todos os paraenses que ajudaram a desenvolver o Amapá”, escreveu certa vez o jornalista Hélio Penafort.

Foi editor, noticiarista, diretor, colunista, articulista e editorialista de vários jornais amapaenses. Jornalista emérito, arguto analista dos problemas dos problemas sócio-econômicos do Amapá, foi na poesia que Alcy Araújo universalizou mais profundamente seu talento. É um dos poucos poetas do Norte a figurar na “Grande Enciclopédia Brasileira Portuguesa”, editada em Lisboa. Está também nas enciclopédias “Brasil e Brasileiros de Hoje”  e “Grande Enciclopédia da Amazônia”e em tantas outras obras como “Introdução à Literatura do Pará”, “Poesia do Grão Pará”, Antologia Internacional Del Secchi, Coletânea Amapaense de Poesia e Crônica, Antologia Modernos Poetas do Amapá e coletânea “Contistas do Meio do Mundo”.

Em 1965, pela Editora Rumo, foi lançado seu primeiro livro: Autogeografia (poemas e crônicas). Em 1983, comemorando os 40 anos de Alcy dedicados à poesia,  a Editora do MEC lançou no Rio de Janeiro seu livro “Poemas do Homem do Cais” e em 1997 foi lançado pela Associação Amapaense de Escritores o livro “Jardim Clonal”.

Numa noite de sábado, 22 de abril de 1989, Alcy Araújo partiu para o cais definitivo levado pelas mãos do seu Anjo da Guarda. Partiu deixando inéditos, prontinhos para publicação, os livros “Ave Ternura” (que foi lançado postumamente pela Prefeitura de Macapá em 2021), “Histórias Tranquilas”, “Cartas pro Anjo”, “Mundo Partido”, “Terra Molhada”, “Tempo de Esperança”, “Poemas pro Anjo do Natal”, entre outros, que a família tem esperança de um dia vê-los publicados e sonha com a publicação da “Poesia Completa”, deste que foi o maior poeta do Amapá.
Alcy Araújo Cavalcante, meu pai, tinha a alma pura,  de criança que acredita no Natal e na Esperança e assim cheio de esperança colocou sua poesia a favor da luta por um sociedade melhor, livre das desigualdades e das injustiças.

Participação
Alcy Araújo

Estou convosco.
Participo dos vossos anseios coletivos.
Vim unir meu grito de protesto
ao suor dos que suaram
nos campos e nas fábricas.

Aqui estou
para juntar minha boca
às vossas bocas no clamor pelo pão
sancionar com este rumor que vai crescendo
a petição de liberdade.

Estou convosco.
Para unir meu sangue ao sangue
dos que tombaram
na luta contra a fome e a injustiça
foram vilipendiados em sua glória
de mártires
de heróis.

Vim de longe
percorrendo desesperos.
Das docas agitadas de Hamburgo
das plantações de banana da Guatemala
dos seringais quentes do Haiti.
Vim do cais angustiado de Belém
dos poços de petróleo do Kuwait
das minas de salitre do Chile
Passei fome nos arrozais da China
nos canaviais de Cuba
entre as vacas sagradas da Índia
ouvindo música de jazz no Harlem.
Afundei nas geladas estepes russas.
morri ontem no Canal da Mancha
e hoje no de Suez.
Tombei nas margens do Reno
e nas areias do Saara
lutando pela vossa liberdade
pelo vosso direito de dizer
e de amar.

Estou convosco.
Voluntariamente aumento o efetivo
dos que não se conformam
em viver de joelhos
morrendo sufocando lágrimas
nas frentes de batalha
nas prisões
para dar à criança recém-parida
o riso negado aos vossos pais
o pão que falta em vossas mesas.

Meu filho
e o filho do meu filho
saberão que o meu poema não se omitiu
quando vossas vozes fenderem o silêncio
e ecoarem inutilmente nos ouvidos de Deus.

Alcy não se separava da sua máquina de escrever – uma olivetti portátil – nem quando precisava ficar internado para cuidar da saúde. Na foto, o poeta internado no Hospital São Camilo, recebendo a visita do amigo e compadre padre Jorge Basile e escrevendo.

Escolas de samba foram espaço de resistência à repressão da ditadura

Da Agência Brasil

Consideradas território de alegria, diversão e preservação cultural, as quadras das escolas de samba já foram locais de dor e sofrimento. Durante os anos do regime militar, algumas agremiações acabaram se transformando em espaços de resistência da cultura e das liberdades sociais para se contrapor às ações de agentes do governo federal.

A repressão e a censura se impuseram às atividades dos sambistas. Até aquele momento as batidas policiais que sofriam eram por discriminação porque os sambistas eram considerados uma categoria marginalizada da sociedade. Com a ditadura, a situação se agravou. Escolas como Vai-Vai, Camisa Verde e Branco e Unidos do Peruche, em São Paulo, e Império Serrano, no Rio de Janeiro, além de verem suas quadras invadidas, tiveram que buscar meios para manter seus enredos e as atividades em comunidade.

Aos 77 anos, o jornalista Fernando Penteado, atual diretor cultural da Vai-Vai, considerado um griô ou griot do samba, que na cultura africana é a pessoa que mantém viva a memória do grupo, contando as histórias e mitos daquele povo, lembrou que na década de 1960 o samba era meio marginalizado e não tinha a aceitação pública que tem atualmente. Mas, durante o regime militar a perseguição ficou maior, especialmente, contra compositores que eram mais de esquerda política. Segundo Penteado, o Bixiga, onde a escola foi fundada, era um bairro contestador, o que a tornou mais visada pela repressão.
(Leia a matéria completa aqui)

Memória – O Rei Momo Sucuriju

Ele era a cara e a alegria do carnaval amapaense. Caiu no samba ainda gitinho, foi ritmista de bateria de escola de samba, passista cheio de breque e ginga e um dos melhores mestres-sala. Daqueles que comprava o sapato branco com bastante antecedência e passava cera no solado para deslizar na avenida com leveza e elegância. Elegância no gingado que só quem nasceu pra ser o rei do carnaval tem.
Raimundo Tavares, o Sucuriju, que deu muitas alegrias ao Boêmios do Laguinho e fundou a escola de samba Jardim Felicidade.
De sorriso largo e franco, conversador, contador de histórias, causos e piadas do carnaval amapaense, Sucuriju foi o Rei Momo do Amapá de 2003 até sua morte em 3 de fevereiro do ano passado, 2023.

Alzira Soriano, primeira prefeita eleita no Brasil

A primeira prefeita do país foi Alzira Soriano, eleita em 1928 para comandar  o município de Lajes, no estado do Rio Grande do Norte, com 60% dos votos. Durante sua administração, ela promoveu a construção de estradas, mercados públicos municipais e a melhoria da iluminação pública. O jornal norte-americano The New York Times inclusive a citou, à época, como a primeira prefeita eleita em toda a América Latina. Com a Revolução de 1930, perdeu o mandato por não concordar com o governo de Getúlio Vargas.

A responsável pela indicação de Alzira como candidata à Prefeitura de Lajes foi a advogada feminista Bertha Lutz, uma das figuras pioneiras do feminismo no Brasil.

(Fonte: TSE)

Craques do futebol amapaense

Craques do futebol amapaense
Por João Silva

Dois campeões, dois irmãos, dois craques que deram muitas alegrias ao torcedor amapaense: o quarto-zagueiro Faustino e o centro-avante Jangito.

A foto é dos anos 60, quando os dois irmãos bons de bola foram campeões pelo CEA Clube, antes de se transferiram para o futebol paraense, para o Clube do Remo. Faustino foi titular absoluto e jogou mais tempo no Leão Azul, Jangito jogou menos; depois foi levado para o futebol acreano onde brilhou intensamente atuando pelo Juventus e Independência.

Jangito começou no campinho da Matriz, no Juventus Esporte Clube cá de casa, fundado pelos padres do PIME.

Faustino, depois do Remo, foi jogar no futebol amazonense, pelo Nacional e Sul-America, sagrando-se bicampeão amazonense de futebol; o quarto-zagueiro clássico faleceu em 1998 em Manaus, como funcionário da Andrade Gutierres;

João do Carmo Tavares, o Jangito é economista, e funcionário aposentado do Banco do Brasil; na ativa chegou a assumir a gerência local do BB, e depois que pendurou as chuteiras virou técnico da Sociedade Esportiva e Recreativa São José; era um atacante inteligente, de chute forte, artilheiro nato; é casado, tem filhos, está vivo, vai completar 81 anos e mora com a família em São Paulo.

Os dois também jogavam basquetebol com bom desempenho.

Hoje – 134 anos do nascimento do Mestre Julião

“Aonde tu vai rapaz
nesse caminho sozinho?
Vou fazer minha morada
lá nos campos do Laguinho”

Há exatos 134 anos (em 9 de janeiro de 1890) anos nascia em Macapá Julião Tomaz Ramos, o Mestre Julião, uma das figuras mais expressivas do Marabaixo, exímio tocador de caixa e cantador e líder da comunidade negra.
Foi com Mestre Julião que o primeiro governador do Amapá, Janary Nunes, iniciou os diálogos para a retirada dos negros da Praça Barão para que ali fossem construídas as casas para os funcionários do governo, ocupantes do primeiro escalão.
Com o apoio de Julião, que era o líder da comunidade, Janary convenceu os negros a deixarem o lugar, oferecendo a eles casas no bairro do Laguinho, na época chamado de campos do laguinho.
(Os que não aceitaram a proposta, mudaram-se para a Favela – hoje bairro Central e Santa Rita-  sob a liderança de Gertrudes Saturnino.)

Julião foi servidor público. Era ele o zelador do campo de aviação – o primeiro aeroporto de Macapá, que ficava na Av. FAB.

Foi casado com Januária Simplício Ramos, com quem teve seis filhos: Felícia Amália Ramos, Alípio de Assunção Ramos, Apolinário Libório Ramos, Benedita Guilhermina Ramos e Joaquim Miguel Ramos.

Mestre Julião morreu em Macapá em junho de 1958.