Macapá era assim

Avenida Mendonça Furtado entre as ruas Jovino Dinoá e Odilardo Silva

O bairro da Favela (hoje Bairro Central) era  cheio de áreas de ressacas e muito verde. Nos igapós as crianças se divertiam pegando peixinhos e tomando banho, ouvindo lendas e criando histórias cheias de encantos e magias. O bairro era habitado em sua maioria por intelectuais, boêmios e artistas. A ponte sobre o igapó era também ponto de encontro dessa turma que, após o trabalho, se reunia para contar as novidades e “tomar uma” para desestressar.

(Querido leitor, se quiser escrever sobre Macapá -antiga ou atual-, postar fotos, contar causos, ou qualquer outra coisa sobre esta cidade cortada pela Linha do Equador você tem espaço garantido neste blog. Basta enviar seu texto e/ou fotos para o email alcinea.c@gmail.com  que seu material será imediatamente publicado.)

Era assim…

O velho Trapiche Eliezer Levy, de muitas histórias, causos e lendas. Nele atracavam embarcações de bandeiras de vários países e os gringos aproveitavam para tomar um sorvete, servido em taça de inox pelo famoso garçom Inácio, no Macapá Hotel.

Era desse trapiche que saiam os navios com destino a Belém. No final das férias iam lotados de universitários que voltavam para as faculdades (não havia ensino superior no Amapá).

Nas tardes de domingo o velho trapiche era a passarela da juventude. Depois da sessão da tarde nos cines João XXIII e Macapá os jovens iam como em procissão passear ali. Era um passeio obrigatório.

À noite era comum ver na ponta do trapiche um pescador solitário. Um pescador de peixes, ou de estrelas, ou de poesia ou de raios da lua.

A foto é do tempo em que ainda existia a tão cantada em verso e prosa “Pedra do Guindaste” de muitas lendas. Uns diziam que meia noite a pedra transformava-se num navio de ouro maciço enfeitado com diamantes e esmeraldas. Outros contavam que era uma princesa encantada e tinha gente que jurava ter visto “com esses olhos que a terra há de comer” a pedra se transformar em princesa quando o relógio marcava meia-noite.

Um dia colocaram a imagem de São José, padroeiro de Macapá, em cima da pedra. Pouco tempo depois um navio chocou-se com ela e praticamente nada restou dela. No lugar foi construído um pedestal de concreto para São José.
O santo padroeiro fica de costas para a cidade, mas abençoando todos que aqui chegam pelo majestoso rio Amazonas.

Macapá era assim

Praça da Matriz em 1935  (hoje Veiga Cabral)

No coreto se apresentavam as bandas de música da Guarda Territorial e do Mestre Oscar. Foi ouvindo estas bandas que interpretavam de forma magistral clássicos da música que muitos casais começaram a namorar e casaram, aí pertinho do coreto mesmo, na bicentenária igreja de São José.

O poeta Arthur Nery Marinho – que veio para o Amapá em 1946 – chegou a tocar  no coreto e relembra a velha praça nesta poesia publicada no livro “Sermão de Mágoa”, em 1993.

Praça Antiga
Arthur Nery Marinho

Velha praça, velha praça,
tenho saudade de ti.
Não da bonita que estás
mas da que eu conheci.

A praça do tio Joãozinho
e do seu Naftali:
o primeiro era Picanço
e o segundo Bemerguy.

A praça do João Arthur
também a praça do Abraão,
a praça que outrora foi
da cidade o coração.
A praça em que se jogava
todo dia o futebol,
esporte que só parava
quando já dormia o Sol.

Parece que isto foi ontem,
mas tanto tempo passou,
o que deixou de existir
minha saudade gravou.
Vejo a barraca da Santa,
vejo ali o ABC.
Há muito tempo não existem
mas a minha saudade os vê.

Da igreja o velho coreto
eu avisto, neste ensejo.
Do mestre Oscar vejo a banda
e lá na banda eu me vejo.

Eu considero um castigo
não apagar da lembrança
o que me foi alegria
e agora é desesperança.

Velha praça, velha praça,
renovaste e linda estás.
Não tens, porém, a poesia
do que ficou para trás.

Macapá era assim

Avenida Mendonça Furtado entre as ruas Jovino Dinoá e Odilardo Silva

O bairro da Favela (hoje Bairro Central) era assim, cheio de áreas de ressacas e muito verde. Nos igapós as crianças se divertiam pegando peixinhos e tomando banho, ouvindo lendas e criando histórias cheias de encantos e magias. O bairro era habitado em sua maioria por intelectuais, boêmios e artistas. A ponte sobre o igapó era também ponto de encontro dessa turma que, após o trabalho, se reunia para contar as novidades e “tomar uma” para desestressar.
Sabe quem são esses distintos senhores da foto? Lembras quando o bairro era assim?

(Querido leitor, se quiser escrever sobre Macapá (antiga ou atual), postar fotos, contar causos, ou fazer qualquer outro tipo de homenagem a esta cidade cortada pela Linha do Equador você tem espaço garantido neste blog. Basta enviar seu texto e/ou fotos para o email alcinea.c@gmail.com  que seu material será imediatamente publicado.)

Lembras da Vacaria?

Onde era a Vacaria hoje é o bairro do Santa Inês. Era lá que o Sr. Barbosa criava gado.
A molecada, principalmente do bairro do Trem, gostava de ir lá pra ver bem de pertinho o gado.
Mais abaixo havia uma praia e muita gente se banhava ou pegava sol, principalmente aos sábados e domingos. Naquele tempo a Fazendinha era longe, não havia transporte para lá, então as praias mais frequentadas eram a do Araxá, Elesbão e Vacaria.
Lembras?

Macapá era assim

1962 – Lembra quando Macapá era assim? Lembra da Doca da Fortaleza? Era lá na Doca que a gente ia comprar farinha, frutas, mel, peixes, verduras e legumes fresquinhos direto nas canoas.
A garotinha na foto é a Dayse Pelaes. Os adultos são Antonia Pelaes  e Domingos Pelaes, avó e tio da Dayse.

Macapá era assim

favela

Avenida Mendonça Furtado entre as ruas Jovino Dinoá e Odilardo Silva

O bairro da Favela (hoje Bairro Central) era assim, cheio de áreas de ressacas e muito verde. Nos igapós as crianças se divertiam pegando peixinhos e tomando banho, ouvindo lendas e criando histórias cheias de encantos e magias. O bairro era habitado em sua maioria por intelectuais, boêmios e artistas. A ponte sobre o igapó era também ponto de encontro dessa turma que, após o trabalho, se reunia para contar as novidades e “tomar uma” para desestressar.
Sabe quem são esses distintos senhores da foto? Lembras quando o bairro era assim?