Encontro Marcado
Evandro Luiz
O tempo já não joga mais ao nosso favor. A vida, apressada, enche nossas agendas e esvazia os dias de encontros simples. Ainda assim, há algo em nosso passado que insiste — quase exige — que a gente pare. Que encontre uma brecha para rir, para se olhar nos olhos e dizer, sem cerimônia: valeu a pena te conhecer.
Então a gente se reúne.
Evandro Luiz, Alcinéa Cavalcante, Osvaldo Simões e Aníbal Sérgio
Mais café na xícara, por favor. E que não falte a fatia generosa de bolo de macaxeira — combustível afetivo que sustenta não só o corpo, mas a memória. Porque é ali, entre goles e risos, que revisitamos o que fomos: quantas brigas atravessamos, quantas pazes celebramos, quantos porres nos fizeram jurar nunca mais — promessas quebradas no carnaval seguinte.
Foram tantos carnavais, tantas escolas de samba, tantas escolhas diferentes… mas, no fim, todos éramos campeões de alguma coisa invisível, dessas que não se medem, só se sentem.
Nem todos aparecem. Nos convites, muitos dizem que vão. Mas são sempre os mesmos que chegam: os românticos, os loucos, os desvairados — aqueles que ainda não desaprenderam a alegria e não têm vergonha de ser felizes. São esses que permanecem. Fiéis. Presentes. Oferecendo o ombro amigo, porque sabem que o fardo, às vezes, pesa.
E pesa mesmo.
A solidão, essa velha conhecida disfarçada de companhia, costuma nos enfraquecer em silêncio. Mas basta um encontro — um único encontro — para que algo dentro da gente se reorganize. Um café entre amigos tem esse poder quase secreto de reacender o que parecia esquecido.
Sândala Barros, Evandro, Alcinéa, Osvaldo e Aníbal
O tempo de antes, é verdade, não volta. Aqueles dias claros ficaram guardados em algum lugar onde só a memória alcança. Ainda assim, há um consolo sereno: saber que tudo valeu a pena.
E que, de algum jeito misterioso, o destino foi — e talvez ainda seja — nosso cúmplice.
(As fotos foram feitas pela Sândala Barros, sábado no nosso feliz encontro na casa da Alcinéa. Para o próximo encontro já estão convocados Paulo Silva e Elton Tavares)
Nunca fui de pedir autorização pra nada, nem pra família, nem pra amigos. No máximo para chefes, mas só na vida profissional.
Não lembro exatamente os anos, mas foi na segunda metade da década de 1980.
Nova da Costa governou o Amapá de julho de 1985 a abril de 1990. Foi nomeado pelo então presidente José Sarney. Na época não havia eleição para governador.
Naquele ano, a família combinou de passar o Natal na casa do meu sogro, afinal, havia, nos anteriores, um motivo para faltar alguém e naquele estávamos todos próximos! Eu e os meus eram os que morávamos mais distantes, nada, porém, que não desse tempo de chegarmos, bastava que para lá partíssemos um pouco mais cedo! Esse, contudo, foi o problema, porquanto uma chuva torrencial, que havia começado ao cair da tarde, insistia em nos assustar com a possibilidade de não chegarmos na hora para a comemoração!
Com o propósito de fortalecer a memória, as tradições e costumes do povo amapaense por meio da fotografia e a efetiva valorização de um profissional que atua no Poder Judiciário, o Tribunal de Justiça do Amapá (TJAP) promoverá, no período de 4 a 7 de dezembro de 2024, a exposição “Essência Amazônica”, resultado de duas décadas e meia do trabalho do fotógrafo Serginho Silva.
Jornalista Dulcivânia Freitas, competente assessora de comunicação da Embrapa-AP, é uma flor que adora as flores. Na foto (feita pela colega jornalista Bernadeth Farias), Dulcivânia alegrando ainda mais o meu jardim.