Jornalistas – Encontro marcado

Encontro Marcado
Evandro Luiz

O tempo já não joga mais ao nosso favor. A vida, apressada, enche nossas agendas e esvazia os dias de encontros simples. Ainda assim, há algo em nosso passado que insiste — quase exige — que a gente pare. Que encontre uma brecha para rir, para se olhar nos olhos e dizer, sem cerimônia: valeu a pena te conhecer.

Então a gente se reúne. Evandro Luiz, Alcinéa Cavalcante, Osvaldo Simões e Aníbal Sérgio

Mais café na xícara, por favor. E que não falte a fatia generosa de bolo de macaxeira — combustível afetivo que sustenta não só o corpo, mas a memória. Porque é ali, entre goles e risos, que revisitamos o que fomos: quantas brigas atravessamos, quantas pazes celebramos, quantos porres nos fizeram jurar nunca mais — promessas quebradas no carnaval seguinte.

Foram tantos carnavais, tantas escolas de samba, tantas escolhas diferentes… mas, no fim, todos éramos campeões de alguma coisa invisível, dessas que não se medem, só se sentem.

Nem todos aparecem. Nos convites, muitos dizem que vão. Mas são sempre os mesmos que chegam: os românticos, os loucos, os desvairados — aqueles que ainda não desaprenderam a alegria e não têm vergonha de ser felizes. São esses que permanecem. Fiéis. Presentes. Oferecendo o ombro amigo, porque sabem que o fardo, às vezes, pesa.

E pesa mesmo.

A solidão, essa velha conhecida disfarçada de companhia, costuma nos enfraquecer em silêncio. Mas basta um encontro — um único encontro — para que algo dentro da gente se reorganize. Um café entre amigos tem esse poder quase secreto de reacender o que parecia esquecido.

Sândala Barros, Evandro, Alcinéa, Osvaldo e Aníbal

O tempo de antes, é verdade, não volta. Aqueles dias claros ficaram guardados em algum lugar onde só a memória alcança. Ainda assim, há um consolo sereno: saber que tudo valeu a pena.

E que, de algum jeito misterioso, o destino foi — e talvez ainda seja — nosso cúmplice.

(As fotos foram feitas pela Sândala Barros, sábado no nosso feliz encontro na casa da Alcinéa. Para o próximo encontro já estão convocados Paulo Silva e Elton Tavares)

Coisas de repórter

Eleito governador do Amapá em 1994, João Alberto Capiberibe (PSB) implantou o programa de desenvolvimento sustentável do Amapá, o famoso PDSA – apoiado por muitos e combatido por tantos outros.

Candidato à reeleição, em junho de 1998 Capiberibe reúne a imprensa no Palácio do Setentrião para uma entrevista coletiva. Como sempre, falou quase uma hora sem parar sobre as vantagens do PDSA.
Quando abriu para perguntas, um coleguinha da Rádio Difusora de Macapá – a emissora oficial do governo – apressou-se em levantar a mão para fazer a primeira e, claro, levantar a bola para o governador. A Difusora transmitia ao vivo a coletiva.
Repórter – Pode-se dizer que o senhor é o pai do PDSA e…
Capi – Não! Não! Não! Eu sou pai da Artionka, da Luciana e do Camilo.

Elton Tavares por Elton Tavares

Nunca fui
Elton Tavares*

Nunca fui sonhador de só esperar algo acontecer. Sou de fazer acontecer. Não sou e nunca serei anjo. Não procuro confusão, mas não corro dela, nunca!

Nunca fui de pedir autorização pra nada, nem pra família, nem pra amigos. No máximo para chefes, mas só na vida profissional.

Nunca fui estudioso, mas me dei melhor que muitos “super safos” que conheci no colégio. Nunca fui prego, talvez um pouco besta na adolescência.

Nunca fui safado, cagueta ou traíra, mesmo que alguns se esforcem em me pintar com essas cores.

Nunca fui metido a merda, boçal ou elitista, só não gosto de música ruim, pessoas idiotas (sejam elas pobres ou ricas) e reuniões com falsa brodagem.

Nunca fui “pegador”, nem quis. É verdade que tive vários relacionamentos, mas cada um a seu tempo. Nunca fui puxa-saco ou efusivo, somente defendi os locais por onde passei, com o devido respeito para com colegas e superiores.

Nunca fui exemplo. Também nunca quis ser. Nunca fui sonso, falso ou hipócrita, quem me conhece sabe.

Nunca fui calmo, tranquilo ou sereno. Só que também nunca fui covarde, injusto ou traiçoeiro.

Nunca fui só mais um. Sempre marquei presença e, em muitas vezes, fiz a diferença. A verdade é que nunca fui convencional, daqueles que fazem sentido. E quer saber, gosto e me orgulho disso. E quem convive comigo sabe disso.”

*Elton Tavares é jornalista e escritor

Sexta-feira – Sebrae anuncia vencedores da 12ª edição do Prêmio de Jornalismo

O Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Amapá (Sebrae), reconhece na 12ª Edição do Prêmio Sebrae de Jornalismo (PSJ), os melhores trabalhos no tema ‘Empreendedorismo com foco nos pequenos negócios’. Os vencedores da etapa estadual, serão anunciados na sede da instituição, no Salão de Eventos Macapá, nesta sexta, 24 de outubro, às 19h. No Amapá, foram inscritos 63 trabalhos nas categorias – Texto, Áudio, Vídeo, Fotojornalismo e na categoria especial Jornalismo Universitário.

Para a superintendente do Sebrae, Alcilene Cavalcante, a premiação reforça o papel essencial da imprensa na construção de uma sociedade mais empreendedora e destaca exemplos que inspiram esse ecossistema e que o prêmio é um reconhecimento à importância do jornalismo local, na visibilidade e credibilidade das histórias que movem a economia, promovem inclusão e transformam comunidades.

“É a valorização desse olhar atento e comprometido da imprensa que ajuda a contar essas histórias de coragem, resiliência, inovação e impacto social. Nós, do Sebrae, acreditamos muito nesses conteúdos que amplificam as vozes que constroem o futuro do estado e mostram para o Brasil a força do empreendedorismo amapaense”, afirmou a superintendente Alcilene Cavalcante.

Nacional
Os classificados para a final nacional da 12ª edição do PSJ, serão anunciados pelo Sebrae Nacional, via e-mail encaminhado aos finalistas, com cópia para os coordenadores das Unidades da Federação (UFs) e, em seguida, o anúncio público, com o nome dos finalistas e estados, em matéria jornalística, que será publicada na Agência Sebrae de Notícias (ASN). A final nacional do prêmio, será realizada em Brasília (DF), na quinta, 4 de dezembro.

(Denyse Quintas – Sebrae/AP)

Há 110 anos

Em 11 de julho de 1915 circulou o primeiro número do jornal “Correio de Macapá”, fundado pelo tenente-coronel Jovino Dinoá.
Um dos redatores era o padre Júlio Maria Lombaerd.
O “Correio de Macapá” era semanal.
Não sei por quanto tempo circulou.

Vida de jornalista

Não lembro exatamente os anos, mas foi na segunda metade da década de 1980.
Eu, Alcinéa Cavalcante,  entrevistando o governador do Território Federal do Amapá, Jorge Nova da Costa.Nova da Costa governou o Amapá de julho de 1985 a abril de 1990. Foi nomeado pelo então presidente José Sarney. Na época não havia eleição para governador.
Mas antes disso, lá pela década de 1950, Nova da Costa morou alguns anos no Amapá exercendo cargo na Divisão de Produção (o que corresponde a Secretaria de Agricultura. Na época não existiam secretarias).

Um Natal para nunca esquecer – Ernâni Motta

Jornalista, bancário aposentado, escritor Ernâni Motta – amapaense que mora no Rio de Janeiro –  já passou muitos Natais inesquecíveis e aceitou contar um deles aqui no site.
Conta aí, Ernâni:

UM NATAL PARA NUNCA ESQUECER
Ernâni Motta *

Naquele ano, a família combinou de passar o Natal na casa do meu sogro, afinal, havia, nos anteriores, um motivo para faltar alguém e naquele estávamos todos próximos! Eu e os meus eram os que morávamos mais distantes, nada, porém, que não desse tempo de chegarmos, bastava que para lá partíssemos um pouco mais cedo! Esse, contudo, foi o problema, porquanto uma chuva torrencial, que havia começado ao cair da tarde, insistia em nos assustar com a possibilidade de não chegarmos na hora para a comemoração!

Quando a noite já avançava e a meia-noite já se anunciava, a chuva deu um tempo, então, partimos o mais rápido que conseguíamos, pois, as ruas estavam alagadas! E o trânsito, obviamente, engarrafado, em todos os sentidos! Como era a noite de Natal, um visível espirito de solidariedade espalhava paciência e boa vontade entre os motoristas e, assim, fomos vencendo a distância e o engarrafamento!

Ao chegarmos ao nosso destino, a casa do meu sogro, estávamos nos derradeiros minutos que nos separava da meia-noite! Mas um contratempo surgiu, é que tinha um convidado, no meu carro, que não podia pisar naquele chão tomado pela lama! Então, chama um daqui, outro dali, a fim de conseguirmos um lugar mais seco, até que um dos cunhados da minha mulher decidiu tirar o carro dele de onde havia estacionado, para que eu pudesse encostar o meu!…

Ao parar o carro, o convidado saltou, deixando as crianças em uma agitação incontrolável e os adultos boquiabertos, o meu convidado era ninguém menos do que Papai Noel, que, naturalmente, não podia pisar naquela lama, deixada pela chuva! Ele então saltou, pegou o seu saco de presentes e soltou o seu indefectível “ho ho ho!” para deixar os pequenos ainda mais inquietos!

O Papai Noel entrou na casa e sentou em uma das poltronas da sala e começou a distribuir os presentes, chamando um por um com uma voz roufenha, o que intrigava as crianças, que se enchiam de curiosidades para saber como o Bom Velhinho sabia dos seus nomes? Os adultos já haviam percebido de quem se tratava, mas mantiveram a discrição e contribuíam ainda mais para a animação dos pequerruchos!

Eis, então, que fui surpreendido, por um dos sobrinhos, talvez o mais perspicaz, que me perguntou: – Tio, a minha tia não veio, por quê? Quase não me contive, com a vontade rir!… Afinal, não havíamos pensado na possibilidade de um deles perceber a ausência da minha mulher! É que, como tive de trazer Papai Noel, o carro ficou cheio, mas já, já ela chega, foi o que me ocorreu naquele momento de sufoco, e disse-lhe, como resposta! Nem preciso dizer, como o suor escorreu-me pelo rosto e o frio tomou conta da minha barriga! Para minha sorte, ainda bem, ele, conformado, não me fez outros questionamentos!

Uma das minhas cunhadas, que viu a cena, socorreu-me e chamou o pequeno, oferecendo-lhe algumas guloseimas! Ele, cujo estômago era maior que a curiosidade, a acompanhou, em busca dos doces e salgados! E, como todos já tinham os seus presente e com eles se distraíam, Papai Noel saiu furtivamente e entrou no carro! De igual modo, tomei a direção do carro, demos uma volta, pelo quarteirão e retornamos à casa do meu sogro!

Papai Noel que, na verdade, era a Mamãe Noel, desfez-se das roupas vermelhas, da barriga de travesseiro e assumiu a sua identidade civil! Um retoque na maquiagem, uma ajeitada nos cabelos, me deu um beijo e voltamos para a festa! Saiu de cena Papai Noel e chegou Marli, a minha mulher!

Foi um Natal, como nunca mais tivemos outro, feliz, esperançoso, crentes nas promessas de Cristo e uma festa à vista das crianças!

E este texto é uma homenagem à minha Mulher, Marli, que, até hoje, se emociona, quando se lembra daquele Natal!

*Ernâni Motta é jornalista e cronista

Essência Amazônica: TJAP promove exposição fotográfica centrada na cultura e no povo do Amapá

Com o propósito de fortalecer a memória, as tradições e costumes do povo amapaense por meio da fotografia e a efetiva valorização de um profissional que atua no Poder Judiciário, o Tribunal de Justiça do Amapá (TJAP) promoverá, no período de 4 a 7 de dezembro de 2024, a exposição “Essência Amazônica”, resultado de duas décadas e meia do trabalho do fotógrafo Serginho Silva.
A mostra poderá ser visitada no horário das 10h às 13h, no 1º piso da sede do TJAP (Rua General Rondon 1295, Centro, Macapá).

Com 30 fotos, a mostra contará com imagens de paisagens naturais dos municípios amapaenses, além de personagens característicos do contexto amazônico do estado, como indígenas, quilombolas e ribeirinhos.
A exposição reforça a importância da preservação da identidade e cultura amazônidas, sob o olhar aguçado do fotojornalista – ele atua há dois anos na Secretaria de Comunicação do TJAP.

De acordo com Serginho Silva – que adotou o Amapá como seu lar há 24 anos -, a exposição reunirá uma seleção minuciosa do seu acervo fotográfico e trajetória como fotógrafo no Amapá. Segundo ele, a mostra retrata a identidade cultural do estado. Ele reforça que cada imagem carrega a assinatura de quem aprendeu a observar com o coração e a alma da Amazônia amapaense, em composições precisas e cheias de vida.

“As fotos foram escolhidas com muito carinho, entre milhares de registros feitos no Amapá, ao longo da minha carreira nesse estado lindo. Fico feliz em acumular a experiência em capturar momentos que vão além do registro, e contam histórias que revelam a essência de um povo: o amapaense. Não é somente registro fotográfico, é também pertencimento. Pois são fotos de lugares, gente das localidades tradicionais e identitárias, presentes em todo o estado”, detalhou Serginho silva.

Sobre Serginho Silva

Com 35 anos de profissão no audiovisual, Pedro Sérgio da Silva, de 59 anos, é pai de duas filhas. Nascido em Fortaleza (CE), já trabalhou em seu estado natal, no Rio de Janeiro, no Amazonas e adotou o Amapá há mais de 20 anos. Atuou em TVs, agências de publicidade, produtoras e instituições públicas.

“Serginho Silva é um profissional renomado, repeitado e com talento comprovado dentro e fora do estado. Ele reúne em sua trajetória um olhar que traduz a beleza e a cultura com sensibilidade. A mostra é mais do que um reconhecimento ao trabalho de nosso fotógrafo, é uma celebração da arte que nos conecta ao ambiente e às pessoas do Amapá. Essa exposição mostra o comprometimento da gestão com a cultura do Estado e em valorizar este profissional, senhor do seu ofício”, comentou a secretária de comunicação do TJAP, jornalista Bernadeth Farias.

“Aproveito para agradecer ao Tribunal de Justiça por essa oportunidade. Gratidão ao presidente do TJAP, desembargador Adão Carvalho, ao secretário-geral, Veridiano Colares, e à secretária de Comunicação, Bernadeth Farias”, disse Serginho Silva.

(Texto: Elton Tavares/Secretaria de Comunicação do TJAP)

Prêmio Vladimir Herzog: inscrições encerram sábado

Termina no próximo sábado, 20 de julho, o prazo para inscrições ao 46º Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos (PVH).

A premiação é dirigida a jornalistas, repórteres fotográficos, escritores e artistas do traço cujas reportagens e produções cotidianas contribuem com a disseminação de valores e princípios democráticos e defendem os direitos humanos.

Os interessados podem acessar o site www.premiovladimirherzog.org e conferir o regulamento. São aceitos trabalhos jornalísticos publicados ou veiculados no período compreendido entre 31 de julho de 2023 a 20 de julho de 2024, inclusive.

São sete as categorias de premiação:

• Produções jornalísticas em texto publicadas em veículos impressos ou eletrônicos
• Produções jornalísticas em áudio – reportagens ou documentários
• Produções jornalísticas em vídeo – reportagens ou documentários
• Produções jornalísticas em multimídia publicadas na internet
• Fotografia – foto ou série fotográfica publicada em veículos impressos ou eletrônicos
• Arte – ilustrações, charges, cartuns, caricaturas e quadrinhos publicados em veículos impressos ou eletrônicos
• Livro-reportagem – obras editadas e lançadas no ano de 2023

(ABI)

Elton Tavares por Elton Tavares

“Nunca fui sonhador de só esperar algo acontecer. Sou de fazer acontecer. Não sou e nunca serei anjo. Não procuro confusão, mas não corro dela, nunca!

Nunca fui de pedir autorização pra nada, nem pra família, nem pra amigos. No máximo para chefes, mas só na vida profissional.

Nunca fui estudioso, mas me dei melhor que muitos “super safos” que conheci no colégio. Nunca fui prego, talvez um pouco besta na adolescência.

Nunca fui safado, cagueta ou traíra, mesmo que alguns se esforcem em me pintar com essas cores.

Nunca fui metido a merda, boçal ou elitista, só não gosto de música ruim, pessoas idiotas (sejam elas pobres ou ricas) e reuniões com falsa brodagem.

Nunca fui “pegador”, nem quis. É verdade que tive vários relacionamentos, mas cada um a seu tempo. Nunca fui puxa-saco ou efusivo, somente defendi os locais por onde passei, com o devido respeito para com colegas e superiores.

Nunca fui exemplo. Também nunca quis ser. Nunca fui sonso, falso ou hipócrita, quem me conhece sabe.

Nunca fui calmo, tranquilo ou sereno. Só que também nunca fui covarde, injusto ou traiçoeiro.

Nunca fui só mais um. Sempre marquei presença e, em muitas vezes, fiz a diferença. A verdade é que nunca fui convencional, daqueles que fazem sentido. E quer saber, gosto e me orgulho disso. E quem convive comigo sabe disso.”

(Elton Tavares é competente jornalista, faz parte da assessoria de comunicação do Tribunal de Justiça, editor do bombado site  DeRocha escritor e, claro, meu amigo muito querido)

A violência contra jornalistas e comunicadores na Amazônia

Alertar a sociedade sobre a relação de crimes contra o meio ambiente e a violência contra jornalistas na Amazônia é o objetivo do estudo Fronteiras da Informação – Relatório sobre jornalismo e violência na Amazônia, lançado nessa quarta-feira (23) pelo Instituto Vladimir Herzog (IVH), em Belém.

O material traça um panorama sobre a situação na região amazônica, palco de crescente onda de violência, atingindo diretamente os profissionais de imprensa.

Dados da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) revelam a ocorrência de 230 casos de violência contra liberdade de imprensa nos nove estados da Amazônia Legal, nos últimos dez anos. Segundo a Fenaj, o Pará é o estado mais violento para repórteres na Amazônia, com 89 casos registrados em uma década, seguido por Amazonas (38), Mato Grosso (31) e Rondônia (20).

Um dos casos mais emblemáticos e que chocou o Brasil e o mundo foi o assassinato do jornalista inglês Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira, em 2022

Segundo o coordenador de Jornalismo e Liberdade de Expressão do Instituto Vladimir Herzog, Giuliano Galli, a morte brutal dos profissionais levou o instituto a se debruçar com maior atenção aos casos de violência na região. O instituto desenvolve projetos relacionados à proteção de jornalistas em todo o país.

“Especificamente, nos últimos anos, principalmente após o assassinato do Bruno e do Dom, a gente começou a receber um volume de denúncias muito maior de jornalistas e comunicadores que atuam na região amazônica. Então, a grande motivação foi produzir um documento que embasasse essa nossa percepção – de ter um número de casos maior naquela região – para que a gente pudesse utilizar para um trabalho de incidência junto a atores do Estado brasileiro para que possa adotar medidas e criar políticas públicas de proteção aos jornalistas e comunicadores na Amazônia.”, disse Galli à Agência Brasil.

O relatório traz diversos relatos de casos em que a violência contra os profissionais aparece diretamente ligada às investigações sobre crimes ambientais. Outro dado presente no documento diz respeito ao fato de que, em 2022, por exemplo, ano eleitoral, o registro de violência contra jornalistas na Amazônia mais que dobrou em relação a 2021. Foram 45 casos contra 20 no ano anterior, segundo levantamento da Fenaj.

“Os relatos que a gente recebe é que, especificamente no Vale do Javari, a situação ainda continua bastante perigosa e pouco foi feito desde então. Então, não deixa de ser uma motivação para evitar que casos parecidos como o do Bruno e do Dom se repitam, não só no Vale do Javari, mas em toda a Amazônia e em todo o país”, acrescentou Galli.

Para o coordenador de Jornalismo e Liberdade de Expressão do Instituto Vladimir Herzog, o relatório é claro ao apontar a relação de atividades ilegais como garimpo, mineração, ocupação de territórios indígenas e a ausência de de políticas públicas de proteção. Ele destaca ainda que a violência não é sofrida apenas por jornalistas e comunicadores, mas também por defensores de direitos humanos em geral.

(Fonte: Agência Brasil)