Artigo dominical

Provérbio chinês
 Dom Pedro José Conti -Bispo de Macapá

“Quando os sabres estão enferrujados e as pás luzidias, as prisões vazias e os celeiros cheios, os degraus do templo gastos pelos passos dos fiéis…
Quando as cortes estão cobertas de mato, os médicos andam a pé, os padeiros andam a cavalo, e quando há muitas crianças, o Império é bem governado”
 (proverbio chinês).

A sabedoria do povo chinês é milenar e sempre podemos refletir sobre alguma coisa. Também fique bem claro que não estou criticando um ou outro governo. Convido a ler e reler algumas vezes o provérbio e a se perguntar se é isso que gostaríamos ou não. Armas enferrujadas e trabalho para todos; prisões e tribunais vazios; povo com saúde e fartura de alimentos. A paz, enfim, com muitas crianças brincando felizes. Sonho da sabedoria do povo simples ou projeto de uma outra sociedade? Cada um responda como melhor pensa. Cabe a mim explicar o que tem a ver tudo isso com a página do evangelho de Lucas que encontramos neste domingo.

Se não tivéssemos informações por outros trechos evangélicos, estaríamos simplesmente num povoado anônimo, na casa de duas mulheres, que acolhem Jesus: Marta e Maria. Logo fica evidente que esta acolhida é diferente para cada uma delas. Marta está atarefada com “muitas coisas” e, facilmente, as podemos imaginar porque sabemos o que acontece quando temos algum hospede em casa. Maria, ao contrário, está sentada aos pés de Jesus escutando as palavras do mestre. Muito realista, Lucas nos apresenta a reclamação de Marta e o seu pedido para que Jesus ordene a Maria a ajudá-la nos trabalhos. Mas Jesus aproveita para nos dar mais uma lição. Vivemos no meio de tantas coisas para fazer, muitos compromissos e responsabilidades. Jesus não diz que tudo isso não vale nada, mas que, de todas, “uma só coisa é necessária” e é a parte melhor, aquela que Maria escolheu: ser discípula, atenta para aprender com o mestre Jesus.

Sempre haverá quem queira contrapor Marta e Maria. Isso porque cada um de nós tem as suas diferenças e preferências. Os mais ativos se reconhecem em Marta e acham acomodados e preguiçosos os demais. Ao contrário, os mais reflexivos julgam que os outros erram porque são precipitados e incapazes de planejar. Em ambos os casos tudo serve para polemizar e, quem sabe, defender a própria posição. Essa não foi a preocupação de Jesus no trecho de Lucas. Simplesmente nos é oferecida uma fonte onde atingir para motivar e escolher o nosso agir.

Todo ser humano é inteligente; não somos movidos só pelos instintos. Com mais ou menos consciência, todos temos razões que explicam o nosso agir. Por exemplo: a fome e a sede levam qualquer pessoa a buscar comida e bebida. O pavor de ficar sem alimentos nos faz construir as geladeiras ou os celeiros. Quem quer ser o dono do mundo, da vida e da morte das pessoas, constrói armas cada vez mais poderosas. A insaciabilidade da ganância organiza a sociedade para o consumo, sem levar em conta o desperdício, o lixo acumulado e o esgotamento do planeta. O medo dos assaltos nos faz transformar as nossas casas em pequenas fortalezas. Todos achamos que o objetivo da nossa vida é o maior e o mais importante, mas, no fundo, sabemos que, muitas vezes, além de ser extremamente egoísta é também bem mesquinho. Para muitos, a única coisa que interessa na vida é ele ou ela mesmo, o seu bem-estar, o seu sucesso ou o seu poder. Jesus já sabia dos projetos dos grandes e dos poderosos, mas disse que entre os seus discípulos não devia ser assim (Lc 22,26). Ele quer nos ajudar a encontrar uma meta que valha a pena mesmo, que não seja mero desperdício de inteligência e capacidades. Podemos chamar esse objetivo de paz universal, de amor entre as pessoas, de justiça e bondade, e assim por adiante, mas para que não sejam só palavras bonitas, precisamos de uma referência, de alguém que nos amou até o fim, de alguém que não foi um homem qualquer, mas o Filho de Deus. Alguém no qual podemos acreditar sem medo. Se não queremos confundir e errar a meta da nossa vida, precisamos sentar todos aos pés de Jesus e aprender com ele.

O furo na parede

O furo na parede
Dom Pedro José Conti
Bispo de Macapá

Havia uma casa de espessas paredes, construída há muito tempo no alto do monte. Estando isolada não era servida pela rede elétrica. Uma bela manhã, o velho camponês que a habitava, viu subir até a sua propriedade um carro cheio de material.

– Estamos para passar uma linha elétrica pelo planalto. Ela vai ficar perto da sua casa. O senhor gostaria de ser ligado a ela?

– Certamente! Seria maravilhoso! Terei enfim luz todas as noites, corrente para a serra e o torno, as imagens da televisão o dia inteiro!

– Mas as paredes da sua casa são espessas. Teremos que fazer um furo para a linha passar.

– Isso nunca! Vai fazer barulho, encher tudo de poeira! Na minha casa vocês não vão entrar! Não vão mexer nas minhas paredes! E o camponês teimoso, por não aceitar fazer uma brecha em sua carapaça de velhos hábitos, ficou sem luz em sua casa. Preferiu ficar no escuro e no escuro ficou.

Peço desculpa por contar uma historinha boba no domingo no qual encontramos uma das páginas mais lindas e comprometedoras dos evangelhos: a parábola do bom samaritano. A “compaixão” é a brecha que abre o nosso coração e deixa entrar a luz de Deus Amor. Dos três homens que encontraram o desafortunado caído no chão, somente um se deixou envolver, comprometeu-se e gastou do que era seu para ajudar. Somente ele se tornou “próximo” de verdade do ferido. Os outros dois, apesar da sacralidade e respeitabilidade do ofício, passaram adiante. Todos nós sabemos que é muito fácil encontrar desculpas para tentar justificar o nosso coração de pedra. Para muitos, hoje, a “compaixão”. É uma fragilidade sentimental. Para Jesus era só amor ao próximo, sem enfeites ou holofotes, sem tantas leis, verbas, projetos, ONGs e tudo mais. Algo, enfim, ao alcance de todos. Basta um coração amoroso e compassivo. Um coração “humano”, a imagem e semelhança do coração de Deus.

No final do trecho evangélico, ficamos sabendo que o mestre da Lei, que tinha feito a pergunta, entendeu o ensinamento. A ele, e a todos nós, Jesus diz: “Vai e faze a mesma coisa” (Lc10, 37). “Fazer”! A parábola do bom samaritano não é simplesmente um bom conselho ou uma orientação moral, é a exemplificação da identidade do cristão. “A vida eterna” é mais do que um prêmio ou uma herança para o outro mundo, após a nossa morte. Ela é a presença de Deus em nossa vida agora, deve ser a luz que ilumina e dá sentido ao nosso agir no dia a dia. O que virá depois será pura gratuidade de Deus da sua infinita misericórdia e bondade.

Nós, cristãos, tomamos muito a sério o “mandamento” de Jesus: “Fazei isso em minha memória”. Fazemos isso em todas as missas. É a “memória litúrgica” de Jesus à qual deveria corresponder a “memória existencial”, porque não pode ter separação entre o que cremos e celebramos e o que vivemos. Quem tem dupla personalidade está doente. Deve se deixar curar. E a cura vem do outro “mandamento” que Jesus nos deixou também na Última Ceia, antes da sua paixão e morte. No fim do lava-pés, Jesus perguntou aos discípulos se tinham entendido o seu gesto e, à resposta afirmativa deles, disse: “Dei-vos o exemplo, para que também vós façais assim como eu vos fiz” (Jo 13,15). De novo, um “fazer”! A fé cristã é mais que um conjunto de do utrinas e práticas religiosas. É uma maneira de encarar a vida humana com todas as suas belezas e fraquezas, com seus anseios e esperanças, mas também dúvidas e incertezas. Toda escolha traz um risco e revela em que confiamos mesmo. Se nos tornamos próximo dos sofredores é sinal que acreditamos no amor fraterno, que a nossa esperança não está tanto nas coisas e nos bens materiais, mas na possibilidade do coração humano de se tornar como deveria ser, fraterno e não inimigo, solidário e não indiferente. A luz da nossa vida não pode ser o dinheiro ou o último lançamento tecnológico ou a mais badalada diversão, só pode ser a capacidade de amar e fazer o bem a que precisar. Isto é possível a todos, cristãos e não, “homens de bem” e malfeitores. Basta abrir uma brecha. A luz do amor, que é Deus, entrará.

O incêndio – Dom Pedro José Conti

O incêndio
Dom Pedro José Conti – Bispo de Macapá

 Tempos atrás, num vilarejo, aconteceu um incêndio. Um rico e um pobre, até aquele dia bons vizinhos, perderam tudo o que tinham. O pobre ficou em paz; ao contrário, o rico caiu no desespero.

– Amigo – disse ele ao outro – Como é possível que você esteja tão tranquilo depois que perdeu tudo no incêndio?

– A mim ficou o meu Deus – respondeu o pobre – o seu queimou junto com a casa!.

Chegamos ao Sexto Domingo do Tempo Pascal. Encontramos mais umas palavras de Jesus aos discípulos na Última Ceia do jeito que o evangelista João as quis nos transmitir. Mais do que palavras de despedidas, são palavras de “presença”. Parece uma contradição, mas não é, porque Jesus nunca nos deixou “órfãos” (Jo 14,18). Ele continua no meio de nós, vivo e ressuscitado, mas de uma forma diferente de quando andou pelos caminhos da Palestina. Somente com o olhar da fé podemos “ver o invisível”, com a gratuidade do amor experimentar a sua presença e com a luz da esperança enfrentar os desafios da construção do Reino.

A principal condição para que a presença de Jesus – e do Pai e do Espírito Santo – não seja uma mera imaginação é a de “guardar” a palavra do Senhor. Isto é tão importante que esta será sempre a missão do “Defensor”, o Espírito Santo. A fidelidade à palavra do Senhor é a primeira garantia da sua presença. Porque nós cristãos, a Comunidade, grande ou pequena, chamada Igreja, não seguimos um “Jesus” imaginário, adaptado às circunstâncias mais ou menos favoráveis, úteis ou vantajosas para nós. Não devemos nos deixar enganar por critérios meramente humanos de quantidade, sucesso, riquezas e poder. Que a Igreja “católica” seja “importante” ou não, que influencie toda a sociedade ou não, é bastan te relativo e nunca pode acontecer à custa do esquecimento ou negação de alguma palavra de Jesus. Vale desde o Papa até o último cristão, porque somente assim “o meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada” (Jo 14,23). Jesus disse que os cristãos devem ser “sal da terra e luz do mundo”. Não significa poder, dominação, controle ou algo semelhante, mas serviço amoroso e, sobretudo, consciência crítica dos valores inegociáveis da vida, da dignidade humana, da liberdade, da justiça e da paz. Qual paz?

Mais uma vez o próprio Jesus disse que a paz que ele ia deixar para os seus amigos, não tinha nada a ver com a paz que o mundo também promete. Desde sempre a humanidade fez guerras para organizar “a paz”, mas como resultado do silêncio do medo e da morte. São as duas formas mais antigas de calar quem pensa diferente dos sistemas dominantes. Aconteceu com Jesus. Hoje, porém, corremos o perigo de uma outra paz que usa até o nome de Deus. Acontece quando a Palavra dele, as orações e certas manifestações religiosas, na prática, servem como autoajuda, entorpecem as consciências e nos dão a impressão de nos “sentir bem”. Não significa que a palavra do Evangelho nos deve dar convulsões, tampouco, que deve paralisar a nossa “fome e sede de justiça”, por exemplo. A paz de Jesus vem da certeza de trabalhar por uma causa grand e, justa, capaz de transformar as estruturas excludentes e desumanas da nossa sociedade. Não é um jeito para apaziguar o coração dos chamados “homens de bem”, mas, ao contrário, os questiona se o tão badalado “bem” talvez seja a vantagem ou o lucro somente deles.

Por fim, Jesus diz: “Não se perturbe nem se intimide o vosso coração” (Jo 14,27b). Andar na contramão dos projetos de ganância e de poder, de dominação e violência, gera dúvidas e incertezas. Sempre seremos tentados a ficar omissos, a nos fechar dentro de igrejas e sacristias e a falar só para nós mesmos. São Paulo já escreveu aos cristãos de Roma: “De fato, vós não recebestes espírito de escravos, para recairdes no medo, mas recebeste o Espírito que, por adoção, vos torna filhos, e no qual clamamos “Abbá Pai”! (Rm 8,15). Já queimaram e ainda estão queimando casas e igrejas de cristãos, com as chamas, as calúnias, o desprezo, mas a “paz” de quem tem Deus no coração ninguém tira.

Salve Maria, Rainha da Amazônia Missionária é tema do Círio de Nazaré 2019

A Diocese de Macapá apresentou ontem, 20, o cartaz do Círio de Nazaré 2019. A maior festa mariana do estado do Amapá traz o tema “Salve Maria, Rainha da Amazônia Missionária” e o lema: “O Senhor fez por nós maravilhas, Santo é seu nome” (Lc 1,46-55).

Este ano, a festividade oportunizará a reflexão sobre a missionariedade e ecologia integral, em alusão ao sínodo da Amazônia e o Mês Missionário Extraordinário, declarado pelo Papa Francisco para outubro deste ano, quando a Igreja irá celebrar o centenário da exortação apostólica “Maximum Illud” de Bento XV, que trata sobre a atividade desenvolvida pelos missionários no mundo.

O cartaz traz ao centro a imagem de Maria de Nazaré com o menino Jesus, que deve ser o ponto de partida para os cristãos. Ao fundo um quebra-cabeças que é construído com imagens típicas da Região Norte, sua cultura, fauna, flora e os povos da floresta, além de alguns espaços em branco, que representam todo o trabalho que está sendo realizado, as graças alcançadas, os dons, desafios e muito do que ainda precisa ser vivido e realizado, disse o coordenador-geral da festividade do Círio, padre Rafael Donneschi.

A programação do Círio 2019 terá o concurso para universitários e estudantes do ensino médio, a produção de um curta-metragem e revista sobre a festividade, missas, peregrinações e corrida. Seu ponto máximo acontece no dia 13 de outubro, quando haverá a tradicional missa campal, seguida de procissão pelas ruas e avenidas da cidade com a imagem de Nossa Senhora de Nazaré até a Igreja São José.

(Diocese de Macapá)

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Duas estrelas
Dom Pedro José Conti –Bispo de Macapá

Um tempo atrás, vivia um homem muito austero que tinha feito a promessa de não tocar nem no alimento e nem na bebida até o pôr do sol. Ele acreditava que o seu sacrifício fosse agradável a Deus, porque todas as noites, sobre a montanha mais alta daquele lugar, resplandecia uma estrela muito luminosa. Certo dia, o homem decidiu subir a montanha e um rapazinho insistiu para ir com ele. No meio do caminho, devido ao calor e ao esforço, os dois tiveram sede. O homem disse ao menino para tomar a água, mas ele falou: “Tomarei somente se você tomar também”. O pobre homem ficou sem jeito; não queria quebrar a promessa, mas também não queria fazer sofrer o rapaz. No fim, tomaram água juntos. Aquela noite o homem não tinha coragem de levantar os olhos para o céu. Temia que a estrela tivesse desaparecido para sempre. Grande foi a sua surpresa, quando olhou o c& eacute;u, viu que resplendeciam nele duas estrelas.

No terceiro domingo de Páscoa, encontramos, no evangelho de João, mais uma “aparição” pós-pascal de Jesus ressuscitado. Desta vez na beira do mar de Tiberíades. É uma página cheia de simbolismos bíblicos. Tem algo de comum e algo de extraordinário ao mesmo tempo. Talvez seja esta a mensagem que podemos reconhecer: a vida nova da Páscoa não está – e nem deve estar – fora ou longe do nosso dia a dia. Ela deve iluminar e transformar o nosso cotidiano. O simples dessa página evangélica é, em primeiro lugar, o trabalho dos pescadores. Voltaram ao que sabiam fazer, ainda não estavam prontos para o novo. Voltaram lá, por onde tudo iniciou. São somente sete, uma pequena comunidade. Porque tudo começa pequeno. Comum também é a busca do alimento. Sem comida é impossível sobreviver e trabalhar. O p róprio Jesus pergunta se tem “alguma coisa para comer”. Não pode faltar o necessário, mas também precisamos daquele alimento que somente ele pode oferecer: é ele mesmo, feito “comida e bebida” para nós. Extraordinária é a pesca, como também as brasas, o peixe e o pão que Jesus já tinha preparado na beira do mar. No entanto, sentar-se juntos à mesa, como irmãos, como família, partilhando alegrias e desafios, esperanças e dificuldades deveria ser sempre o gesto comum dos amigos. É “o discípulo que Jesus amava” a reconhecer o Senhor. Nos surpreende, porém, o mergulho na água de Pedro, após ter vestido a roupa. Talvez uma antecipação simbólica da nova missão dele e de todos os batizados revestidos de Cristo, renovados e confirmados. Por fim, temos a pergunta essencial de Jesus a Pedro: “Tu me amas?”. E a resposta sincera dele: “Senhor, tu sabes que eu te amo!” Somente por amor e nunca por interesse ou poder é que Pedro poderá apascentar o rebanho do Senhor. Na nova comunidade de Jesus Crucificado e Ressuscitado toda missão, responsabilidade e serviço só deverá ser motivado e sustentado pelo amor. Não podia ser diferente para os discípulos daquele que nos “amou até o fim”. O novo e o repetitivo, o corriqueiro e o marcante se entrelaçam.

Com isso, o evangelista João nos apresenta um retrato realista da comunidade dos discípulos de Jesus. A Igreja tem uma missão extraordinária, deve ser sinal e germe do Reino presente na história, continuar a oferecer a Palavra de Vida e os Sacramentos, testemunhar o mandamento do amor, a nova e única lei que Jesus deixou. Tudo isso junto com as fraquezas humanas, consciente de que os primeiros a ter que se converter e mudar, a gastar as suas vidas por amor, devem ser os próprios cristãos batizados e alimentados pela santa Eucaristia. O que o Senhor nos pede não são compromissos ou promessas extraordinárias, prática, ou correntes de orações milagrosas nas quais acabamos confiando mais que na própria gratuidade e generosidade do amor de Deus. Não nos salvaremos pelos nossos jejuns ou por qualquer outro merecimento inventado ou imaginado por nós. A caminha da é longa e difícil. Cansamos. Temos fome e sede como todos os seres vivos. A única diferença é que, por graça de Deus, sabemos onde encontrar a fonte da vida e da alegria, o alimento que não perece. É Jesus, luz do mundo. Quando praticamos o bem, um pouco da sua luz resplandece também em nós.

Há 5 anos – Canonização de Anchieta

Há exatamente cinco anos o papa Francisco assinou  decreto de canonização do beato José de Anchieta, um dos jesuítas fundadores da cidade de São Paulo.

José de Anchieta nasceu em 1534, na Espanha. Ingressou na Companhia de Jesus e, quando se tornou jesuíta, veio para o Brasil, em 1553, como missionário. Em 1554, chegou à capitania de São Vicente, onde, junto com o padre Manoel da Nóbrega, fundou  a cidade de São Paulo. No local, foi instalado um colégio e seu trabalho missionário começou.

José de Anchieta faleceu em 9 de junho de 1597, na cidade Reritiba, situada na capitania do Espírito Santo.

No portal São Francisco tem a biografia completa de José de Anchieta. Para ler clique aqui

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O ritual
Dom Pedro José Conti – Bispo de Macapá

Uma tribo de índios da América do Norte tem um “ritual” para marcar a passagem da adolescência para a idade adulta. Quando o rapaz completa os anos estabelecidos, o pai o leva à mata. Com um pano, venda os olhos dele. Depois o deixa sozinho, sentado num toco de árvore. O jovem deve ficar naquela situação a noite inteira e não pode tirar a venda até ao amanhecer. Não pode pedir ajuda para ninguém. Se resistir, ao nascer do dia, será proclamado homem. Aquela noite é de grande medo para o rapaz. Escuta ruídos estranhos, assobios e rangidos, animais que se arrastam, lobos que uivam, murmúrios e grunhidos, lutas ferozes na moita. O jovem só tem a sua coragem. Aperta os punhos e aguenta, sentado no tronco, com o coração na boca. Finalmente, depois daquela noite terrível, o sol aparece e ele pode tirar a venda. Somente naquele momento des cobre que o pai estava ali por perto, sentado num tronco vizinho. O pai, não tinha saído, tinha ficado a noite inteira em silêncio, para proteger o filho de qualquer possível perigo, mas sem que o filho pudesse percebê-lo.

No quarto domingo de Quaresma, encontramos uma das páginas mais bonitas dos evangelhos e, também, uma das mais desafiadoras. Jesus é questionado, pelos fariseus e os mestres da Lei, sobre a aproximação que tinha com os pecadores. Ele responde com a parábola “do filho pródigo”, ou, mais propriamente, “dos dois filhos” ou “do pai misericordioso”. Qualquer seja o título que vamos dar a esta parábola, dos três protagonistas, o mais surpreendente é, com certeza, o pai. De fato, o filho mais novo representa a busca da liberdade na ilusão de encontrá-la o mais longe possível de qualquer autoridade ou controle. Para muitos, ainda hoje, ser donos de si mesmo, poder satisfazer os próprios impulsos e caprichos. Não ter que prestar conta da própria vida para ninguém, é sinônimo de liberdade orgulhosamente alcan&cc edil;ada. Do lado oposto, está o filho mais velho, rigorosamente obediente e conformado com a situação de trabalhar na casa do pai. Na realidade, ele esconde uma grande insatisfação: acha que o pai não reconhece, como deveria, o seu serviço. Cultiva, também, rancor com o irmão, não porque foi embora, mas porque levou a parte da herança que assim foi perdida. Só deu prejuízo.

Entre os dois filhos está a figura do pai, aparentemente, silencioso. Não questiona a escolha do filho menor; ao contrário, lhe entrega a parte legítima da herança. Igualmente, sabemos só no final, estranha o ódio do filho mais velho com o irmão. Esse filho estava em casa, trabalhavam juntos, mas não sabia que era considerado por ele mais um padrão exigente que um pai amoroso. Com essa parábola, Jesus quer nos fazer conhecer a grandeza da misericórdia do Divino Pai eterno. Ele é tão paciente que não intervém a cada instante para nos corrigir. Aguarda que cada um de nós perceba o que perdeu deixando a casa paterna. Igualmente, espera que aprendamos, com ele, a acolher sempre de novo, de volta, os irmãos, sem julgá-los, condená-los e, com isso, excluí-los do perdão e do amor fraterno. Nunca o Pai ficou indiferente. Simplesm ente estava esperando para festejar, todos juntos, a volta do filho menor e a decisão do filho maior de se comportar, também, como irmão e não como adversário do outro. Um Pai que nada diz no início da parábola, mas depois fala no abraço ao filho que voltou e não deixa de explicar o porquê de tanta alegria ao outro filho, incapaz de perdoar. Entendemos que é uma parábola desafiadora para todos nós. A cada momento, podemos ser os filhos que menosprezam o Pai e dele só sabemos cobrar a herança ou o cabrito. Também podemos ser interesseiros: querer os favores dele para nós, mas considerar injusto o seu perdão com quem, no nosso mesquinho entender, mereceria um castigo exemplar. A capacidade de perdoar é uma “prova” de maturidade cristã para todos nós. Até não aprendermos a prática da misericórdi a continuaremos imaturos. Por que ter medo de ser bons?  Devemos fazer a nossa parte, mas não estamos sozinhos na escuridão da floresta da vida. Na luta do bem contra o mal, o Pai nunca abandona os seus filhos.

Shalom faz retiro de carnaval em Santana

O município de Santana  será sede de mais uma edição do “Renascer”, o retiro de Carnaval da Comunidade Católica Shalom. “Cristo é a nossa Paz” é o tema do evento que se realiza de 3 a 5 de março, a partir das 8h, na quadra da Escola Augusto Antunes, bairro Nova Brasília.

“Você que deseja viver um Carnaval diferente e ter uma experiência com o amor de Deus, venha para o Renascer 2019” é o convite da organização.

O encontro contará com missas, adoração, além de palestras do Seminário de Vida no Espírito Santo e aprofundamento de temas da fé cristã. Para mais informações, os interessados devem entrar em contato através de (96) 96 8121-0919 ou no facebook na página Shalom Missão Macapá.

Outro destaque no Renascer é o espaço reservado para a evangelização das crianças com o Resnascer Kids. A entrada é gratuita.

No carnaval “Alegrai-vos no Senhor”

A Renovação Carismática Católica do Amapá (RCC Amapá) realiza de 3 a 5 de março o retiro “Alegrai-vos no Senhor” em Mcapá.

Com o tema “Deus nos amou primeiro” o evento chega a sua 28ª edição e, neste ano, também comemora os 30 anos de existência da RCC no estado.

Segundo a presidente do Conselho Diocesano da RCC Amapá, Mônica Torrinha, “neste tempo de Carnaval a importância de realizarmos o retiro é mostrar para a sociedade que podemos viver as alegrias ou dificuldades do nosso dia a dia na presença de Deus”.

Para Mônica, “se o Carnaval é tempo de se alegrar, então vivamos a alegria que vem do Espírito”, explica. O “Alegrai-vos no Senhor 2019” acontece na quadra da Escola São Benedito, no bairro do Laguinho, a partir das 8h.

Em Santana, a RCC Amapá promove o “Vem Louvar”, que reúne fiéis do município na quadra da Igreja São Bento, bairro Paraíso, com a programação de 2 a 5 de março. No interior do estado, em Laranjal do Jari, acontece o “Rebanhão de Carnaval”, nos dias 2 e 3 de março, na quadra da Escola Raimunda Capiberibe. Em Porto Grande, o “Exultai em Cristo”, na Paróquia Nossa Senhora do Brasil Aparecida e em Serra do Navio ocorre o “Celebrai a Cristo 2019” no mesmo período.

Os encontros de Carnaval da RCC Amapá são abertos ao público, sem taxa de inscrição. Missas, adoração, pregações, animação e shows, fazem parte da programação.

(Fonte: Diocese de Macapá)