As cores do entardecer


O belo entardecer neste primeiro dia de primavera em Macapá (Fotos: Alcinéa Cavalcante)

Todo mundo quer informação

Todo mundo quer informação
Ivan Carlo*

Minha mulher me conta que, quando ela e a família moravam no interior, havia um objeto que jamais faltava na casa: o radinho de pilha. Era por ele que chegavam as informações sobre o que estava acontecendo no Estado, no país e no mundo. Essa história demonstra uma característica essencial do ser humano: a necessidade de informação.

Não importa como (internet, rádio, jornal, televisão), estamos sempre procurando novidades, querendo sair do marasmo do “nada de novo”. Essa necessidade é claramente visível nas crianças. O bebê que leva um objeto à boca está, a seu jeito, procurando informações sobre aquele objeto. É duro? Mole? Gostoso? Amargo? Doce?
Talvez eu seja um exagerado, mas acredito, sinceramente, que todos os grandes projetos da humanidade foram motivados pela busca da novidade. Por que Colombo descobriu a América? Porque a curiosidade o impelia. E os portugueses? Por que navegavam? Porque eles buscavam o novo, o diferente, o inusitado. A necessidade de informação era tão grande que eles desafiavam todo e qualquer perigo, real ou imaginário e perseveraram em suas viagens ao redor da costa Africana. Como dizia o poeta, “Navegar é preciso, viver não é preciso”.
Sim, eu sei. Muitos discordarão, argumentando que as grandes navegações tinham como objetivo a busca de riquezas. Verdade. Mas será que riqueza era a única coisa que impelia aventureiros como Cristóvão Colombo? Além disso, para que serve a riqueza? Para comprar novida-
des. Um vestido novo é uma novidade e, portanto, informação. Nunca ouvi falar de alguém são que pretendesse ficar rico para viverenclausurado em um quarto vazio.
Quero dar um exemplo recente: a chegada do homem à Lua. Os EUA gastaram milhões de dólares para quê? Para matar a curiosidade humana. O que há lá em cima? Como será andar na lua?
Claro, havia a guerra fria, que dava um grande incentivo ao programa espacial norte-americano. Mas será que foi a guerra fria que fez com que milhões de pessoas acompanhassem os passos de Neil Armstrong? Não. Foi a curiosidade. Todos queriam saber como seria a chegada da nave à Lua, o que aconteceria com os destemidos astronautas…
Essa é a razão pela qual a profissão de jornalista é tão importante: a matéria-prima do jornalismo é a informação. É o jornalista que leva as novidades às pessoas, seja através da internet, da televisão, do jornal ou de um radinho de pilha em uma casinha na beira do rio…
*Ivan Carlo é escritor, jornalista e professor. O presente artigo está publicado em seu excelente blog – o  Ideias de Jeca-tatu, que é uma das minhas leituras diárias e que recomendo a todos.

Papaléo Paes no palanque de Davi Alcolumbre

“Cutelado” pelo governador Waldez Góes (PDT) – que é candidato a reeleição –  Papaléo Paes, que em agosto renunciou ao cargo de vice-governador,  entrou pra valer na campanha de Davi Alcolumbre (DEM), o único candidato que registrou crescimento em pesquisa do Ibope.
Sorridente, com cara de “feliz da vida”, Papaléo tem participado de caminhadas e outras atividades de campanha de Davi. E para que não fique nenhuma dúvida sobre sua opção, ele não economiza em adesivos na camisa.
Para o Senado ele apoia Randolfe (REDE).

Remember
Dizendo-se traído, enganado, cassado e cutelado, João Bosco Papaléo Paes (PSD)  protocolou no dia 7 de agosto  sua carta de renúncia na Assembleia Legislativa.
Antes concedeu entrevista coletiva no Palácio do Setentrião (sede do governo) onde contou que em 2014 ao aceitar ser vice de Waldez Góes (PDT) foi firmado um acordo pelo qual em 2018 ele, Papaléo, seria o candidato do governo ao Senado em 2018. Este primeiro acordo foi quebrado quando Góes, que concorre à reeleição, convenceu Papaléo a desistir de tentar o Senado para continuar na vice. Papaléo aceitou. Mas eis que nos primeiros dias de agosto foi “cutelado” por Góes que decidiu que para se reeleger era mais negócio ter na sua chapa como vice o empresário Jaime Nunes (PROS).
Assim Papaléo considerou que foi “cassado” seu direito de disputar qualquer cargo eletivo este ano, uma vez que pela legislação eleitoral como já havia assumido o governo  na ausência do titular só poderia ter registro de candidatura como vice-governador.
Na entrevista , Papaléo Paes ressaltou que alguns secretários de estado – que ele chama de menudos –  influenciaram a “mente cansada” de Góes fazendo-o optar por Jaime Nunes na vaga de vice.

Cai o feriado de São Tiago

O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF)  declarou ontem  inconstitucional a Lei 1.696/2012 do Amapá, que instituiu o dia 25 de julho como feriado estadual em comemoração ao Dia de São Tiago. A decisão foi tomada na análise da ADI 4820, ajuizada em 2012 pelo então governador Camilo Capiberibe (PSB) – que é candidato a deputado estadual.
A Lei 1.696/2012 é de autoria da deputada Marília Góes (PDT). Aprovada pela Assembleia foi vetada por Camilo. O veto foi derrubado, a lei promulgada,  e então Camilo recorreu para o STF.

Natação: três gerações de ouro

Pai, filho e neto colecionam medalhas desde 1953

Anselmo sendo cumprimentado pelo então governador Janary Nunes

Professor de educação física aposentado, Anselmo Guedes, 77 anos, aprendeu a nadar com 3 anos de idade na Ilha Maracujá (Afuá) onde morava em 1945. Brincadeira de criança para ele era nadar nos rios e igarapés do interior.
Em 1949 a família mudou-se para Macapá e em 1952   o menino Anselmo logo descobriu a Piscina Territorial. Foi lá e humildemente pediu ao professor Expedito Cunha Ferro, o 91, que o deixasse nadar ali. Noventa e Um tinha olho clínico e apostou no menino que no ano seguinte já foi escalado para disputar uma competição nacional no Rio Grande do Sul. Voltou com a medalha de segundo lugar. Aos 14 anos, em 1956, Anselmo Guedes conquista, na piscina do Pacaembu (SP),o título de  bicampeão brasileiro de natação (50m costa e 50m livre). Festa no Amapá!
E a paixão pela natação aumentava  a cada dia. Veio o sonho de ser técnico, então foi fazer a faculdade de educação física no Pará e tornou-se um dos técnicos mais queridos e conceituados da região norte.
Anselmo Guedes com o filho Anselmo Junior: campeões de natação e flamenguistas

E como filho de peixe peixinho é, brincadeira de sua prole tinha que ser dentro d’água, tanto que a filha mais velha, Monique, sagrou-se campeã do Copão da Amazônia de Natação nos anos 1980.
Anselmo Junior, 40 anos, tem um grande baú cheinho de medalhas. Como o pai, aprendeu a nadar aos 3 anos de idade. “O papai dava aula na piscina olímpica e eu ia pra lá olhar, quando ele se descuidava eu pulava na água, queria brincar. Fiz o papai perder um monte de relógios pulando na água para me salvar”, conta Junior, que aos 10 anos de idade começou a participar de competições. Com 12 anos ganhou a primeira medalha de ouro disputando o campeonato estadual. Hoje já perdeu a conta de quantas medalhas ganhou, embora tenha ficado alguns anos parado, época em que se dedicou aos estudos (ele é formado em Administração e pós-graduado em Gestão). De volta às raias, já na categoria master, Junior participa de campeonatos por todo o Brasil e nunca retorna sem medalhas na mochila. Em 2015, por exemplo, no Norte-Nordeste, trouxe cinco medalhas: 3 de ouro, uma de prata e uma de bronze; no Torneio da Integração mais cinco de ouro e assim vai. Até difícil relacionar todos os torneios e campeonatos dos quais participa e traz medalhas (ia faltar espaço para listar tudo aqui. O mais recente que participou foi mês passado: o XXV Norte-Nordeste, em Fortaleza. De lá trouxe quatro medalhas de ouro (duas individuais e duas revezamento) e o título de bicampeão nos 50m peito, categoria 40+
O filho Tomás, que tem 11 anos de idade, estava lá assistindo a vitória do pai.

Anselmo Junior e o filho Tomás em Fortaleza (CE)

Como o pai e como o avô, Tomás aprendeu a nadar aos 3 anos de idade; competiu pela primeira vez em 2016, num torneio em Mazagão, conquistando suas primeiras medalhas. Já tem na mochilinha ouro, prata e bronze.

Anselmo pai curte a aposentadoria entre Belém e Macapá. Já não nada, mas caminha todas as manhãs. Gosta de conversar com os amigos, relembrar a juventude e falar coisas de Macapá “que conheço como a palma da minha mão”.
Anselmo Junior continua viajando disputando competições (já está entre os oito melhores nadadores brasileiros e continua treinando para chegar entre os primeiros), trabalha, faz academia duas vezes por semana, nada todos os dias, joga vídeo-game com o filho e assiste muitos filmes.

Tomás, menino inteligente e meigo, faz o quinto ano no Colégio Bartoloméa, se diverte jogando vídeo-game e leva a sério os treinos de natação na Piscina Olímpica, tendo como técnicos Marcos Bandeira e  Silvio Guilhermino, que foi pupilo de Anselmo pai. Na foto, ele exibe algumas das suas medalhas, inclusive a sua primeira de ouro.

Publicado em: Esporte Ir para o Post
  • Excelente documentário, vale ouro para a história do nosso Amapá e Brasil, parabéns Alcinéa pelo registro destes atletas e mostrar ao mundo suas existências, eles são merecedores de todos os troféus, pois, são atletas determinados e objetivos; um grande abraço a todos voces.

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Chá da tarde

A Rede
(Glória Araújo)

A rede velha comeu foi fogo
com nós dois pra lá e pra cá,
O suor cobria nosso corpo
Ajeita a rede, balança a rede,
A rede querendo rasgar
E nenhum queria parar.

Eu rangia os dentes e gemia
Ele dizia: agüenta, meu bem,
Que já vou terminar.

Depois de muito esforço
puxamos a rede e o que vimos
valeu todo o sacrifício
O peixe era enorme
dava para o almoço e jantar.

Relendo

Estou relendo “Retalhos e Linhas“, da poeta, cronista, contista e professora Deusa Ilário lançado em março de 2012.
Com prefácio do professor, músico e poeta Orivaldo Souza e capa de Ana Maria Barbosa e Márcio Wendel, o livro tem 284 páginas impregnadas de lirismo, ternura e amor.
Sou um pouco de flor, sou um pouco de pedra, sou relva e sou selva”, define-se a poeta.  Sobre Deusa, a professora Maria  José Costa da Silva – que assina a orelha do livro – diz: “Essa doce mulher é a própria poesia no corpo, na alma.” É verdade. Deusa é pura poesia, é maré cheia de versos, é chuva de lirismo.

Quem lê Retalhos e Linhas faz uma viagem em uma canoa. cujo remador tem habilidade, sensibilidade, carinho e desejo de sempre manter o remo no lugar certo, de modo que as águas que navegamos, enquanto leitores, estão sempre tranquilas. ternas como se tivessem, e estão cuidando de todas as vidas embarcada nesta canoa”, ressalta Orivaldo no prefácio.

 

Chá da tarde

Vida de rio
Mauro Guilherme

É esse o rio que me leva,
Flutuo, volteio, passo,
Como o vento a ir e vir.
Ondas do meu mundo,
Águas ternas e doces,
Deixem-me a brisa sentir.
O rio é tão grande,
A vida é tão dura,
Às vezes tufões a seguir.
Rios da minha vida,
Águas dos meus olhos,
Ainda estou por aqui.

Retrato em preto e branco

O poeta e jornalista  Alcy Araújo não se separava da sua máquina de escrever – uma olivetti portátil – nem quando precisava ficar internado para cuidar da saúde. Na foto, o poeta internado no Hospital São Camilo, recebendo a visita do seu amigo e compadre padre Jorge Basile – que também era jornalista.