Para não esquecer Waldemiro Gomes

Waldemiro Gomes (foto)  só andava de calça branca de linho, camisa branca mangas compridas, sapatos pretos impecavelmente engraxados e cinto preto. E não se separava nunca do seu guarda-chuva preto.
Morava numa casa toda branca, parecia uma casa encantada que despertava a curiosidade de toda a molecada da pequena cidade de Macapá. A primeira vez que estive lá – acho que eu devia ter uns onze ou doze anos de idade – era como se eu estivesse realizando um sonho e podia me sentir superior aos outros colegas.
Fiquei encantada com a casa que de tão branca me pareceu ter sido pintada com nuvens das tardes de verão.
Nas paredes, poesias emolduradas e alguns desenhos do boto, saci-pererê, iara, curupira, feitos por sua filha Maria do Céu. Livros e cadernos de anotações em todos os cômodos, em cima de todos os móveis mostravam a sede de conhecimento e a sabedoria daquele homem. No quintal, plantas medicinais, árvores e uma criação de galinhas.
Estive lá acompanhando minha mãe que buscava uma informação que não lembro sobre o que. E aquele homem falava de remédios medicinais, de poesia, de minérios, da fauna e da flora amazônica e tantos outros assuntos dos quais eu nada entendia. E ficava boquiaberta diante dele.
Mais tarde comecei a visitar o Museu Histórico-Científico Joaquim Caetano da Silva, do qual ele era diretor. Ia ali pra conversar com ele, pra aprender tanta coisa e para ouvi-lo tocar serrote. Sim! Ele tocava serrote e eu que naquela época pensava que serrote só tinha utilidade para os marceneiros e carpinteiros. Ele tinha tanta paciência com os jovens, adorava conversar e nos ensinar. Gostava de nos mostrar como a Amazônia era rica e nos falava das madeiras, dos óleos, dos minérios, das plantas, dos rios e das lendas.
Ensinava que se pode fazer tudo que se quer e contrariando os agrônomos provou que era possível cultivar uvas no Amapá. E ali, na frente do Museu, em plena avenida Fab (a avenida principal de Macapá) plantou dezenas de pés de uva.
Naquela época em Macapá só se via uva nos livros escolares (lembram da lição “O Ivo viu a uva”?). Não deu outra. A molecada se dividia em dois grupos: um ficava conversando com o “doutor” para distrai-lo, enquanto o outro roubava as frutas. Um assobio informava que tarefa havia sido cumprida com sucesso. O grupo que estava lá dentro se despedia apressadamente e partia para a pracinha do Hospital Geral, onde se juntava ao outro, para saborear as frutas
Mais tarde o museu mudou para uma sala do Macapá Hotel. Eu já me considerava íntima do cientista e pedi para trabalhar ali com ele. Eu era menor de idade, mas implorei que me deixasse trabalhar de graça com ele porque o que eu aprenderia ali valeria muito mais do que qualquer salário, do que qualquer dinheiro. Ele topou. E muito do que sei e do que sou devo a ele.
O Museu era visitado por pessoas de todas as classes. Era gente em busca de remédio fitoterápico, gente em busca de informações sobre tanta coisa, gente vinda do exterior atrás de um remédio que ele produzia com a planta “pata de vaca” para combater o diabetes.
Waldemiro Gomes era cientista, poeta, jornalista, músico,  nascido em Belém em 4 de dezembro de 1895. Fez seus estudos no Brasil e em Portugal, especializando-se em Botanica Médica, Parasitologia, Química e Fisica Médica, Antropologia Cientifica e Fisiológica, Agricultura, Apicultura, Extração de Princípios Ativos Vegetais e Histologia dos Vegetais. E colocou todo seu conhecimento à disposição do Amapá, depois de ter assessorado vários cientistas, entre eles Gaspar Viana, no Rio de Janeiro.
Chegou ao Amapá em 1935 e não abandonou mais esta terra. Fez o primeiro mapa de ocorrências minerais da região do Amapari, montou e dirigiu o Museu Histórico-Científico Joaquim Caetano da Silva, catalogou igarapés do Amapá, fez inúmeros estudos e pesquisas sobre de madeiras, minerais, fibras e óleos industriais.
Waldemiro Gomes morreu em 21 de agosto de 1981. Foram 46 anos dedicados ao Amapá. Estado que muito lhe deve e que ainda não lhe prestou uma grande homenagem. Quando Waldemiro Gomes morreu, o governador da época deu seu nome ao Museu de Plantas Medicinais. Mas no governo Capiberibe o nome do museu foi mudado e Waldemiro Gomes foi rebaixado para nome de uma salinha do Museu do Desenvolvimento Sustentável.
O Amapá é injusto e ingrato com este grande homem. O Amapá já prestou homenagens a quem nunca fez nada por esta terra, já homenageou gente que nunca colocou os pés aqui e já deixou de homenagear muita gente que merece ser homenageada.

Aviso no bar

Prezado Cliente, atenção:

Não Beba – Você pode ser PRESO E MULTADO pela Lei Seca.
Não Fume – Você pode ser PRESO E MULTADO pela Lei Antifumo.
Não Faça Barulho – Você pode ser PRESO E MULTADO pela Lei do PSIU.
Não Paquere – Você pode ser PRESO E MULTADO pela Lei de Assédio Sexual.

Se não gostar, vá para casa e DIVIRTA-SE!

Chá da tarde

Vem comigo!
Alcinéa Cavalcante

Vem comigo!
Vamos sair por aí plantando alegrias.
Traz um pincel, eu levo a tinta
e pintaremos de verde-esperança
todas as venezianas daquela ruazinha
por onde passeamos tantas vezes de corações dados.

Vem comigo!
Vamos plantar dálias, rosas e margaridas na velha praça
onde dividíamos algodão-doce no arraial do padroeiro
quando ainda tínhamos medo de pecar.

Vem comigo!
Vamos plantar papoulas vermelhas e amarelas nos canteiros da ladeira
para alegrar a cidade e os passantes.
E depois – cansados e felizes – tomaremos um sorvete.
Eu te darei um beijo sabor tucumã
tu retribuirás com um beijo sabor açaí.
Vendo isso, o Anjo que nos acompanha
– cheinho de ciúme – dará de asas
(tu sabes, poeta, os anjos nunca dão de ombros)
mas Deus sorrirá e acenderá sóis na nossa estrada.

Os resultados da CardioStart no Amapá

Mais feliz que festeiro de Marabaixo o deputado e cardiologista Furlan usou hoje a tribuna da Assembleia Legislativa para comemorar o sucesso da missão CardioStart, que veio ao Amapá como resultado de uma articulação dele.

Me sinto feliz e  realizado por ser o autor deste projeto social no Estado, pois sabemos das necessidades na área da saúde, e como  médico e parlamentar me sinto na responsabilidade e dever cumprido”, disse ele.

Durante duas semanas a equipe humanitária internacional, juntamente com a equipe de saúde de Furlan,  realizou 17 cirurgias em crianças e adultos, 244 ecocardiogramas e 147 atendimentos clínicos em Macapá, Santana e Mazagão, além de palestras para profissionais da saúde e universitários.
Esta é a terceira vez que a CardioStart veio ao Brasil, sendo duas ao Amapá.

PCdoB deve lançar Marcivânia ao Senado

A deputada federal Marcivânia Flexa pode ser a candidata do PCdoB ao Senado ano que vem. O convite já foi feito pela direção nacional do partido, mas ela ainda não decidiu se vai encarar ou não esse desafio. Se aceitar, será uma das poucas mulheres a disputar uma vaga no Senado pelo Amapá.
Marcivânia ocupa pela segunda vez o mandato de deputada federal. Na primeira, em 2011, ela acabou deixando o cargo após poucos meses no mandato, sendo substituída pela deputada Janete Capiberibe. Reeleita em 2014, ela trocou o PT pelo PC do B; em 2016 foi candidata a prefeita de Santana e ficou em segundo lugar.

Chá da tarde

Ventania
Deusa Ilário

Um vento forte passou por dentro de mim,
varreu o jardim, derrubou os lírios,
esmagou os jasmins.
Adubou o chão…
Semeou perdão…
Arou com amor…
O verde voltou, a semente brotou
e as dálias se encheram de pétalas azuis.
Os olhos cheios de água denunciavam
que a tristeza ali passara
Mas foi o sorriso que mexeu comigo
e acenou com o lenço branco
da saudade.

ZYE-2

Olhaí o antigo prédio da ZYE-2 Rádio Difusora de Macapá, uma voz do Amapá a serviço do Brasil (como anunciava o locutor Pedro Silveira) na época do Grande Jornal Falado E-2, da rádio-novela, dos cantores de rádio, programas de auditório, gincanas e muita informação.

Naquela época para ser radialista tinha que ter vozeirão, excelente dicção, cultura e, claro, não falar besteira e muito menos falar errado.

O Humberto Moreira começou a carreira de radialista por lá, no Departamento de Esportes, e chegou a ser considerado o melhor narrador esportivo da região Norte.

Lembras de outros radialistas que passaram por lá? Quais programas você ouvia e dos quais participava mandando cartinha ou telefonando?

Lembras do “Carnê Social” que todo mundo ouvia para saber quem estava aniversariando e onde ia ter festa?

Na sua opinião…

Até que horas os bares, boates e similares devem funcionar?

Em debate o horário de funcionamento dos bares

Representantes do Governo do Estado do Amapá (GEA), Prefeitura de Macapá (PMM), Câmara de Vereadores (CMV), empresários e trabalhadores da noite voltaram a se reunir nesta terça-feira (15), na sede da Procuradoria-Geral de Justiça, para debater a fiscalização e as normas que tratam do horário de funcionamento de bares, restaurantes e casas noturnas.
Essa foi a segunda reunião mediada pelo Ministério Público do Amapá (MP-AP) para discussão do tema na busca de ajustes na legislação. No encontro anterior foi definido que um Comitê formado pelos presentes auxiliará na formulação de uma lei municipal para o controle de horários e atividades noturnas. Esta lei atualizará a legislação atual, feita em 2004. O vereador de Macapá, Gian do NAE, é o representante da Câmara no comitê.

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Andando por aí

Em Combu, pertinho de Belém (PA), as casas dos ribeirinhos são cheias de arte. A arte do grafite dá um toque especial, torna tudo mais alegre e mais belo.
Meu irmão Alcione Cavalcante andou por lá, fotografou e mandou para o blog. Não é uma beleza?
(Querido leitor, você que anda, passeia, caminha por qualquer lugar, mande fotos também para este blog. O email é alcinea.c@gmail.com)