Nosso almoço de Páscoa

Pratos à base de bacalhau e camarão rosa e um filé ao molho madeira,  ovos e coelhinhos de chocolate, creme de graviola e muito amor e afeto.
A família quase toda reunida na casa da mana Alcilene para celebrar a Páscoa. Quase toda porque o mano Zoth e alguns sobrinhos não moram em Macapá. Fizeram falta, assim como a segunda família de nosso pai.
Mas foi um domingo abençoado, alegre, terno e doce. Do jeito que devem ser todos os dias.
Antes do almoço, uma oração pedindo que Deus abençoe e ilumine sempre não só a nossa família, mas toda a humanidade.

Manos Alcione e Alcilene: pratos temperados com amor

Artigo dominical

Por que estais procurando entre os mortos aquele que está vivo?
Dom Pedro José Conti, bispo de Macapá

Se quisermos saber como tudo começou com a fé cristã sempre teremos somente uma resposta: com a morte e a ressurreição de Jesus. O resto: ritos, escritos, organização, história e tradição vieram depois. Isto significa também que a Páscoa de Jesus é o centro e a novidade da fé cristã. Não se entenderia “o resto” sem a luz da ressurreição.
Esta boa notícia foi espalhada de toda forma e de todo jeito. Com gritos de exultação,  cantos de festa, relatos surpreendentes. Não foi fácil, e nem nunca o será, falar de algo como a ressurreição de Jesus que não está ao nosso alcance imediato, porque não faz parte da nossa experiência do dia a dia, ao contrário da morte, companheira de viagem desde o início da nossa caminhada neste mundo. A ressurreição é uma novidade absoluta porque não é a simples volta à mesma vida anterior. É algo totalmente novo também como foi totalmente nova a morte de Jesus na cruz, conclusão anunciada de uma vida oferecida por amor.
Paulo, o primeiro a escrever sobre Jesus somente fala da sua morte e ressurreição. Na prática apresenta os últimos três dias da vida de Cristo. Nenhum discurso, nenhuma parábola, nenhum milagre. Marcos, o evangelho mais curto, relata um pouco dos últimos três anos da vida de Jesus.  Nada de nascimento, infância, vida escondida. Somente Lucas e Mateus tentaram reconstruir a vida dele desde o início. João vai mais além e precisaria uma explicação específica. É fácil entender que, se tudo começou com os relatos da paixão, morte e ressurreição, é porque lá estava a notícia que podia iluminar e dar esperança à vida e à morte de todos os seres humanos.
Esta notícia deveria, de fato, nos surpreender e nos deixar desestabilizados a respeito de muitas das nossas certezas tão comuns. A primeira é a nossa morte. Organizamos nossas vidas nos detalhes, segundo critérios materiais: saúde, sucesso, poder, dinheiro, vida segura e tranqüila. Tudo bem palpável, mensurável. Dificilmente nos organizamos neste mundo pensando no outro, confiando em outros valores.
Porém, se tivermos a graça de acreditar na ressurreição de Jesus muda completamente o horizonte de nossa vida. Podemos pensar mais longe, muito mais longe. Os verdadeiros tesouros serão aqueles recolhidos junto de Deus, obras de bem e de paz. A avaliação da nossa vida não será sobre a posição ocupada, as atividades desenvolvidas, os bens acumulados neste mundo, mas será sobre o bem feito, inclusive sem saber a quem e sem cálculos, na total gratuidade e generosidade. O grande amigo pronto para nos acolher e nos dar vida nova será justamente Jesus, vencedor da morte, do mal, do egoísmo e do ódio.
Conta uma velha historinha que três grupos de amigos vão nos acompanhar na hora da nossa morte. O primeiro grupo vai garantir o melhor enterro deste mundo, com tudo o que de bom e de melhor um enterro pode ter. Contudo este grupo de amigos vai pedir desculpa por não nos poder acompanhar além da porta do cemitério. São as riquezas, com o seu poder e seu alcance limitado. O segundo grupo de amigos é formado pelos familiares, parentes e amigos. Estes vão acompanhar o caixão dentro do cemitério, mas vão se desculpar também porque não poderão ir além do túmulo. Ficaremos sozinhos, na hora da morte, na hora da passagem e do julgamento?  Ainda tem um terceiro grupo de amigos: são as obras de bondade, estas vão dizer para nós que sim, podem nos acompanhar além do túmulo, elas serão a única bagagem que poderemos levar. O bem feito por amor, o carinho doado sem interesse, a solidariedade oferecida pela alegria de ajudar, serão o melhor e único tesouro que terá valor na outra vida. Foi o que o grande amigo Jesus nos ensinou, foi o que ele viveu até o fim, num amor total, tão grande que somente Deus podia amar assim esta humanidade desgarrada e confusa.
Se acreditarmos, a ressurreição de Jesus muda todos os nossos critérios. O derrotado aos olhos do mundo, agora é o vencedor. O espetáculo de crueldade transformou-se em cantos de festa e de alegria. Um amor assim venceu as garras da morte. Esta é e sempre será a boa notícia da Páscoa. Esta é a fé dos cristãos. É pegar ou largar. Se fingirmos acreditar, nunca faremos, de verdade, a experiência da vida nova de Jesus.