A cada ano eleitoral no Amapá a liberdade de expressão é violentamente golpeada. Tenta-se de todas as formas arrancar do cidadão o direito que ele tem de manifestar seu pensamento, tenta-se colocar mordaça nos jornalistas e blogueiros, tenta-se, a qualquer custo, roubar da sociedade o direito que ela tem à informação.
A Constituição é rasgada e a Declaração Universal dos Direitos Humanos é queimada.
Acordei pensando no que aconteceu ontem à noite na TV Record, em Macapá. Lembrei-me que na últimas eleições gerais, em 2006, Sarney quis calar os jornalistas e blogueiros amapaenses movendo mais de cem processos contra nós. Contra mim foram mais de 20 e fui condenada ao pagamento de multas estratosféricas. Sofremos o maior assédio judicial que se tem notícia neste país. Mas não nos calamos. Meu blog e o Repiquete, da minha irmã Alcilene, foram tirados do ar, mas voltamos. Somos mulheres guerreiras.
Em 2010 tudo recomeça. Esta semana, um senador moveu três ações contra o Repiquete e conseguiu tirar postagens do ar.
A tentativa de acabar com a liberdade de expressão vem de várias formas: processos, ameaças veladas ou não, assédios e violência física, como o que aconteceu ontem à noite na TV Record.
Vejam bem: de “conselhos” para não “mexer” com certas políticos, a coisa evolui para ameaças, daí para processos judiciais e ontem chegou-se a violência física.
Daí para o assassinato de jornalistas e blogueiros é um passo. Um passo muito curto, por sinal. E tanto quanto a violência, me espanta o “cruzar de braços” da sociedade, da OAB, das instituições que deveriam defender os direitos humanos e de jornalistas, radialistas e blogueiros que porque ainda não sofreram nenhuma ameaça ou intimidação ficam caladinhos achando que não tem nada a ver com isso.
Aí me vem um poema de Eduardo Alves da Costa – que muita gente atribui a Maiakoviski – que é um verdadeiro alerta aos que permanecem de braços cruzados.
Leia-o e reflita:

“Na primeira noite, eles chegam mansamente
e roubam uma flor do nosso jardim.
E nós não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem.
Pisam nas flores de nosso jardim, batem em nosso cão
e nós, mais uma vez, não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles entra em nossas casas,
violenta a nossa família, bate em nossas crianças
e arranca-nos a voz da garganta.
E nós já não podemos falar nada,
porque já não temos voz….”