Chá da tarde

Bênção
(Alcy Araújo)

Que te abençoe o sol nos dias luminosos de verão
e as estrelas nas noites claras de setembro.

Que te abençoe o mar
o grande mar
e as areias brancas
que receberam as marcas dos teus pés
naquela manhã esquecida na infância.

Que te abençoe a lágrima
chorada certa tarde
quando eu não estava
e te abençoe o verde
que inaugurou a tua esperança.
Que te abençoe o azul do céu
e o branco da inocência
Que te abençoe a sombra
que acolheu o peregrino
e a água que matou a sede
do empoeirado viandante.

Que te abençoe a rosa
e te abençoe o pássaro liberto.
Não te falte nunca a larga bênção
da árvore à margem do caminho
nem a bênção que vem dos sinos
quando a tarde cai acendendo mistérios.

Que te abençoe o Anjo
que guarda a tua ternura
e não te falte jamais
a bênção do amor.

Que te abençoe o sofrimento
e a cor branca do luar
também a música
e o vento que acaricia teus cabelos.

Que te abençoe o perdão
que te negaram
e te abençoe a paz
a imensa paz da oração.

Que te abençoe a fé
perdida nos caminhos
e a fé que ainda permanece
no coração dos que amam.

Que te abençoe a dor
dos que sofrem sem perder a esperança
e as angústias dos injustiçados.

Que te abençoe a ternura
e um rio de lágrimas
que me pertenceram lave a tuas aflições.
Que te abençoe o sal da terra
e a terra que germina a semente do carvalho
para os que necessitam de sombra
e o grão de trigo para os que têm fome.

Que te abençoe a alegria da aurora
e a tristeza translúcida da tarde
e te abençoe o silêncio
e o riso claro das crianças felizes.

Que te abençoe finalmente
a infinita bondade de Deus
que te criou à imagem e semelhança
do meu sonho de poeta.

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