Artigo dominical

Eucaristia: pão da unidade, alimento da missão
          Dom Pedro José Conti, Bispo de Macapá

Peço desculpa a Santíssima Trindade se, por esta vez, não refletirei sobre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Falarei um pouco sobre a Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, que celebraremos na quinta-feira da próxima semana. Pensamos de organizar, em 2016, um Congresso Eucarístico Diocesano, por isso iniciaremos, nesta data, dois anos que podemos chamar de “animação eucarística”. Tudo isso porque, em agosto desse, acontecerá em Belém, Pará, o XVII Congresso Eucarístico Nacional. A Arquidiocese se ofereceu para acolher, na capital paraense, este Congresso e, assim, solenizar os 400 anos da sua fundação. Como diocese vizinha e parte do mesmo Regional, nós também queremos viver intensamente o tempo que nos separa daquele evento celebrando o nosso Congresso Eucarístico Diocesano. Este evento deverá acontecer no final de última semana de maio de 2016, logo após a quinta feira de Corpus Christi.

Palavra de Deus, Liturgia e Caridade são os três eixos fundamentais da vida cristã. Em nossa Diocese, a respeito da Palavra estamos dando continuidade ao projeto de Círculos Bíblicos “A Palavra de Deus crescia”. Depois do Antigo Testamento chegamos, já no quarto ano, ao Evangelho de Mateus. O Projeto, lembramos, é para percorrer em dez anos toda a Bíblia. Palavra significa também oferecer uma boa evangelização e catequese a adultos, jovens e crianças. Muitos voluntários se dedicam a esse serviço precioso. Para a vida litúrgica, nunca deixamos de promover encontros de estudo e reflexão com os quais queremos colaborar com as pessoas que se dedicam à animação da Liturgia. Por fim, no campo da Caridade estamos comprometidos com diversas obras assistenciais e caritativas organizadas através das pastorais sociais, movimentos e grupos vários que, de muitas formas, colocam-se a serviço dos pobres e dos pequenos. Não faltam também incentivos para uma presença mais marcante e comprometida dos católicos nas organizações sociais, na política, na cultura e nos meios de comunicação.

Os próximos dois anos de “animação eucarística” têm como objetivo ajudar as nossas comunidades a integrar, ao redor da Eucaristia, todo o trabalho de evangelização e de caridade. Para um cristão, a participação na Missa dominical não pode ser o único momento de sua vida cristã como se fosse algo de separado do restante dos seus dias. Na Missa, todos nós escutamos a mesma Palavra, nos alimentamos com o mesmo Pão da vida, a Eucaristia, e devemos viver, na prática, o mandamento do amor. As maneiras de viver este amor fraterno serão conforme as possibilidades de cada um; no entanto, somente se tomarmos a sério o que escutamos – a Palavra de Deus – e o que celebramos – os Mistérios da nossa fé – podemos dizer que a Missa continua em nossas vidas. Por essa razão, e muitas outras, ninguém pode ser um simples espectador da ação litúrgica. Sem envolvimento com a nossa vida cotidiana, os momentos passados na Igreja ficam isolados, não incidem nas nossas decisões, não mudam a nossa maneira de pensar e agir.

Sempre queremos melhorar as nossas celebrações litúrgicas, mas isso não significa tanto caprichar nas músicas, nos gestos, no ambiente, quanto chegar a incidir na vivência cristã das pessoas. O ambiente, a acolhida, a animação podem ajudar, mas devem ser a Palavra, a Eucaristia e o amor fraterno a tocar no coração dos participantes. Isso corresponde a dizer que o cristão não somente deve participar da Santa Missa, mas, sobretudo, deve deixar-se alcançar pelo amor de Jesus que nos acorda do nosso torpor, consola-nos e fortalece em nossas fraquezas, envia-nos em missão. Também não basta simplesmente receber a Eucaristia: o Corpo “dado” de Jesus, o seu sangue “derramado”. Precisamos nos alimentar de Jesus para aprender de novo, com ele a fazer das nossas vidas um dom para os irmãos. Coragem, todos nós temos um longo caminho a percorrer.

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