Clube do Filme

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Luana Maranha

Encontros e desencontros
Por Luana Maranha

Em meio à imensidão de Tóquio, a diretora e roteirista Sofia Coppola captura uma experiência de vida única: um encontro casual que culmina em uma bela amizade, que se desenrola  em meio ao humor natural dos americanos inseridos na cultura japonesa. É uma vitrine perfeita para Bill Murray, que utiliza seus habituais improvisos de forma brilhante; Scarlett Johansson surge igualmente bem com seu olhar encantador. Ambos interpretam Bob Harris e Charlotte. Bob é um astro decadente dos anos 70 que está na cidade para gravar uma propaganda de uísque. Charlotte uma jovem solitária e confusa que acompanha o marido fotógrafo em uma viagem de trabalho. 
 
O título ”Lost in translation” (original) não poderia ser mais adequado, pois embora tenha como ideia principal a dificuldade de comunicação entre pessoas de diferentes idiomas, explicita também a limitação de diálogo entre os personagens e seus cônjuges e que, ainda que cercados por várias pessoas, continuam se sentindo sós, numa das piores formas que esse sentimento pode tomar. E mesmo que exista uma tensão amorosa entre os protagonistas, gostei da construção da amizade pelo estranhamento, é como dizer que os estranhos se atraem. A possibilidade de fuga da realidade que ocorre quando Bob e Charlotte estão um na companhia do outro pode ser sentida pelo espectador, assim como a atmosfera bucólica que o filme transmite, mesmo que a trama se desenvolva em um grande centro urbano.
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No bar do hotel, cenário principal do filme
O filme é, sem dúvidas, um retrato fiel das diversas manifestações do tédio na vida humana, deixando uma indagação: teria o tédio relação com o lugar ou seria ele um reflexo do estado de espírito? Apesar disso, é inegável a mudança de ambiente que ocorre quando Bob e Charlotte se encontram. A sensação de estar perdida não só em um lugar desconhecido, mas sim na vida de ambos, isso se mistura a uma belíssima fotografia, ora cinzenta e solitária, ora numa metrópole colorida e agitada. Além de uma excelente trilha que mescla bem com cada imagem e situação. O filme deixa de ser uma sucessão de imagens e se torna a mais bela e pura poesia. 
Encontros e desencontros mostra que a obra não precisa ser milionária para nos encantar e despertar nosso interesse por questões relevantes que passam despercebidas em nosso cotidiano. É incrível como as luzes de Tóquio contrastam com a solidão e angústia dos personagens. Uma história de amor que aconteceu sem nunca acontecer. é daqueles filmes que precisa de identificação. Acredito que caso você não esteja passando por um momento de inquietude da alma/vazio existencial ou já viveu isso alguma vez, fica difícil captar o que a Sofia tenta passar ali.“Lost in translation” é simples como a vida.
E aos que acham o filme parado ou chato —- “For relaxing times, make it Suntory time!”.
(Luana Maranha escreve toda quinta-feira a coluna “Clube do Filme”  neste blog)
  • Luana, assisti esse filme há muito tempo, mas lembro que gostei muito, não só do enredo, mas, principalmente, da trilha sonora e dos diálogos. Recomendo!

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