Cronistas do blog

A Imprescindível
Cléo Farias de Araújo

Mês de dezembro é assim:
Mais dinheiro pra receber,
mais compromissos a saldar.
Muita coisa pra fazer,
Tanta coisa pra comprar.
Brinquedos pra adquirir,
Roupas para nos vestir:
Será que o dinheiro dá?

Depois de tudo, quando sobra alguma coisa, lembramos daquela reforma que espera pacientemente pra ser feita em nossa casa.

Aproveitando o ensejo, depois de contar o dinheiro que sobrou, contratei um pedreiro para fazer um muro bem alto, pois o que temos serve apenas para os atletas do alheio treinarem para as olimpíadas do crime.
Expliquei o serviço, acertamos o preço e, após as negociações, combinamos que o pedreiro e os ajudantes fariam as refeições no local da obra.
E assim foi. Considerando que a Dona Raimunda, minha secretária, faz quitutes maravilhosos, não seria de estranhar que o pedreiro e seu pessoal gostassem do contrato: Era café, almoço e merenda da tarde.
Numa terça-feira, às vésperas de um feriado, tendo chegado o final do expediente da minha secretária do lar, nos despedimos:

— Tchau, D. Raimunda. Até quinta!
Ela me olhou da cabeça aos pés, várias vezes e disse:
— O senhor vai viajar?
Respondi que não. Apenas que o dia seguinte seria feriado e não havia motivos para ela vir me “perturbar”.

Foi aí que ala revelou todo o seu bom coração, ao explicar sua preocupação com seus semelhantes, principalmente com o pedreiro e seus ajudantes. E saiu com esta:
— Mas meu patrão, se eu não vier amanhã, o que é que os homens vão comer?

  • É a nosso lado humano muito forte,só os nortistas tem essa preocupação com os semelhantes.Simplicidade e humildade acima de tudo.Um grande abraço.

    • Ei, amigo João. Conheci alguém, lá no IETA, cuja bondade e humildade resplandecia em toda a comunidade ietana. Seu Bené, de puro coração, me socorreu quando, jogando basquete, “quebrei a cabeça”, como se dizia antigamente. A calma e zelo com os alunos era tarefa recorrente na vida daquele exemplar servidor. Um abraço!

  • É uma pena que o comprometimento da D. Raimunda não seja contagioso. Já pensou se nossos “epresentantes políticos”adotassem a mesma postura?

  • E é verdade, pois a D.Rai se preocupava demais com os pedreiros e porque será hein? Quem conhece a D.Raimunda sabe a pessoa maravilhosa que ela é, e muto generosa. Pois a mesma mereceu essa cronica e concerteza lá em Belém ela ta se preocupando como estamos nos virando por aqui 😀
    E gostei da cronica, bem legal e bem escrita.

  • Bom retorno Cléo, sem rodeios, porém, significativa.
    Acredito que se a contratação for por empreitada, Dona Raimunda cozinhará pouco apesar dos quitudes citados, mas se for por diária, então amigo, faça um grande rancho lá no Fortaleza, compre mais botijões de gas e pesque bastante tucunaré pitanga que a curva de progresso do cronograma da obra se afastará consideravelmente do projetado.
    No bojo, a bondade feminina prevalece.
    Sds,

    • É, amigo Ruy. bem lembrado o orçamento. Na “empelêita” é bem melhor. Mas não esqueça o duplo sentido da frase que fecha a crônica. Abração.

      • È exatamente o motivo da defasagem das curvas amigo, alguém já tinha observado isso, fui por outro caminho.
        Saudações e nos brinde sempre com suas crônicas.

    • Ah, Ruy, esta crônica foi escrita em verso-prosa, uma figura literária criada por um amigo gago, cujo apelido é “deputado”.

  • Muito legal essa crônica. Mais, a parte que chamou minha atenção é a forma carinhosa e valorosa que vc trata a funcionária que trabalha em sua residência. Essas pessoas são indispensáveis em nossas vidas. E é um previlégio encontrarmos secretárias com disposição para o trabalho e o coração igual o da D.Raimunda.

    • Vc entendeu que tratar bem é a tônica. Independentemente de quem ocupa qual cargo, devemos mostrar a educação que nossos pais nos deram. Dona Raimunda tem um coração de ouro. Obrigado por participar.

  • Adorei a metáfora “o que temos serve apenas para os atletas do alheio treinarem para as olimpíadas do crime”. Parabéns, Cléo! Curto suas crônicas, assim como do sr. Sapiranga.

    • Êh, Roque. Infelizmente os amigos do alheio estão mais audaciosos e a gente, mais covarde. Subir o muro foi o remédio mais urgente. Feliz 2012.

  • Pequena, porém consistente. Não precisa ser grande para ser interessante. Gostei da simplicidade e preocupação da dona Raimunda, embora a frase possa ser entendida com outro sentido.

  • A gente tem que ter cuidado com o que se fala. Do contrário, acaba cometendo cacófatos e outras mazelas da língua. Crônica simples, mas com o bom humor arrematando ao final. òtimo!

    • Verdade, amigo. às vezes, nas brincadeiras que fazemos com os amigos, surgem frases de duplo sentido. Então, vamos ter cuidado!

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