A história de Aleksandr e uma lição de diversificação – Por Leandro Távora

A história de Aleksandr e uma lição de diversificação
Leandro Távora*

Aleksandr é professor na Rússia, ganha em média 104.137 rublos de acordo com o site glassdoor, a partir de informações obtidas através de fontes confidenciais. Isso é equivalente a quase 8,5 salários-mínimos do país. Aleksandr, aprendeu a poupar desde a faculdade e religiosamente, todos os meses, investe de 10 a 20% de sua renda. Como começou a investir desde muito novo, tem um patrimônio considerável em ações de empresas na bolsa Russa e títulos da dívida soberana. Ele seguiu exatamente à risca a filosofia de investimentos de longo prazo, com exceção de uma regra: diversificar os investimentos globalmente.

Apesar de Aleksandr nascer, crescer e viver na Rússia, que tem como presidente Vladimir Putin há mais de 20 anos, ter constatado o conflito na Chechênia, Geórgia, Criméia, ele não contava com um novo conflito. Desta vez entre Rússia e Ucrânia, o que levou seu país a sofrer sanções antes nunca vistas e é nesse cenário que o problema começa.

Desde os primeiros ataques, em 24 de fevereiro, a moeda russa, o rublo, desvalorizou quase 37%, ou seja, o seu salário que antes era equivalente a US$ 1.380,00 dólares, hoje só valem US$ 868,00. E os problemas não param por aí, pois, uma das primeiras medidas para controlar a fuga de capital do país foi o fechamento da bolsa de valores de Moscou e que permanece fechada até a data de publicação desta coluna. Ou seja, o patrimônio de Aleksandr e de outros milhares de investidores não podem ser movimentados enquanto ela permanecer fechada, portanto, ele se viu sem poder usar as economias de sua vida porque um ditador tomou a decisão de retornar aos tempos de União Soviética.

A lição de diversificar não se limita só a investir em mais de um país, se Aleksandr tivesse no seu portfólio de investimentos apenas ações do Sberbank, o maior banco russo, o que seria o equivalente internamente ao Banco do Brasil (dado a ingerência estatal), ele teria visto seu patrimônio virar pó da noite para o dia, as ações, também listadas na bolsa de Londres, em meados de fevereiro valiam 15 libras o papel, após o anúncio da paralisação de suas operações na Europa (grande parte em virtude das restrições impostas pelo próprio Banco Central Russo) e da invasão da Rússia a Ucrânia, caíram 95%.

Aleksandr é um personagem fictício, mas em algum lugar da Rússia, eu tenho a plena convicção de que alguém está vivendo essa situação por não ter compreendido que nos investimentos, diversificar classe de ativos, ativos e localização, é uma regra que não deve haver exceção e a intenção aqui, por mais que tenha parecido, não é de maneira alguma assustar potenciais investidores que desejem começar, pois não há risco maior do que o de não investir, pelo contrário, é transmitir antes mesmo que comecem, a importância de possuir uma carteira bem diversificada, principalmente residentes de países que possam vir a viver momentos de instabilidades econômicas, políticas, é claro que por óbvio, uns menos que os outros, como é o caso, por exemplo, dos EUA.

*Leandro é empresário, pecuarista e investidor, formado em Direito pela Estácio Seama com MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getulio Vargas.
Ele escreve toda semana neste site sobre economia, investimentos e negócios.

Twitter: @leandrotavora
Instagram: @leandrotavora

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