Canadá e o aviso para o mundo – Por Leandro Távora

Canadá e o aviso para o mundo
Leandro Távora*

A coluna estava pronta quando se iniciaram os ataques a Ucrânia. Todavia, deixo aqui minha solidariedade ao povo Ucraniano. Que Deus abençoe e os proteja da saga incessante e sanguinária de poder de Vladimir Putin.

Tem se tornado comum em diversas partes do mundo, protestos contra o passaporte sanitário, mecanismo utilizado por várias nações para incentivar a vacinação contra COVID-19. Parte dessas populações tem ido as ruas protestar contra governantes que decretam medidas visando restringir entrada de pessoas não vacinadas em estabelecimentos públicos e privados.

No Canadá, inúmeros caminhoneiros aderiram aos protestos e bloquearam a Ponte do Embaixador, principal ligação entre os EUA e Canadá, o protesto, autointitulado “Comboio da Liberdade” pede entre outras coisas, o fim da exigência de apresentação do certificado de vacinação na fronteira, isso porque os trabalhadores transitam com frequência pela fronteira e é exigida a apresentação do passaporte vacinal tanto para sair, quanto para retornar.

Acontece que nos últimos dias o protesto vem saindo do controle e o bloqueio dessa principal ligação entre os países, afeta diretamente a economia, haja vista que com o trânsito bloqueado, entregas não são feitas, acarretando problemas na cadeia de suprimentos.

A questão é que com a escalada dos protestos nas últimas semanas e o movimento ganhando ainda mais força, o Primeiro-Ministro do Canadá, Justin Trudeau, invocou no dia 14/02, uma lei nunca utilizada na história do país, a Lei de Emergências, conhecida por lá como “Emergencies Act” e que dá poderes extraordinários ao premiê.

E foi ai que entrou o grande problema, simultaneamente a isso, a Ministra das Finanças do Canadá, Chrystia Freeland, anunciou que o país estava autorizando os bancos a congelarem ativos financeiros de pessoas suspeitas de participarem dos protestos ou que estejam colaborando para tal. E isso nos remete a 1990, quando a então Ministra da Fazenda do recém empossado Presidente Fernando Collor, anunciou o congelamento dos saques das cadernetas de poupança na tentativa de conter a inflação.

O problema é que, a população não pode padecer pelas decisões políticas. Paremos para pensar, como a população se viu em meio a um bloqueio das economias de suas vidas em 1990? Ainda nos dias atuais, há quem não tenha conseguido reaver seu dinheiro fruto do congelamento das cadernetas, muitos até faleceram na esperança de um dia ter seu dinheiro de volta.

O que aconteceu no Brasil em 1990, e no Canadá atualmente, nos mostra que estamos refém de um sistema fiduciário controlado pelos políticos, nessas horas entra novamente em pauta o assunto das “moedas descentralizadas” como é o caso do Bitcoin. Pelo ativo ser associado a diversos golpes, para muitos, se tornou uma palavra impronunciável, mas para muitos investidores, que enxergam nele uma oportunidade de refúgio da saga autoritária e incompetente de alguns governantes, por ser uma moeda considerada como reserva de valor, inconfiscável e imune a inflação, ainda que seja difícil que ocorra no Brasil um novo confisco, pelo menos por medida provisória como aconteceu no Governo Collor (após esse fato houveram mudanças na lei caso houvesse novamente a intenção de um confisco), fica cada vez mais claro que tê-lo na carteira não é mais uma opção e sim uma proteção, pois seria possível fazer transações em bitcoins (caso eles estejam na sua carteira pessoal), de qualquer lugar do mundo, mesmo que seus ativos financeiros estivessem bloqueados no seu país de origem.

Com a invasão da Rússia a Ucrânia se concretizando, houve uma saraivada de críticas ao Bitcoin, por ele também ter sofrido impactos (no caso uma queda relevante) em um cenário que todos esperavam que não houvesse, caso ocorresse. Acontece que a título de constatação, a Ucrânia limitou saques de correntistas em virtude da corrida aos caixas na tentativa de obter dinheiro físico. Em um momento como esse, em qual moeda seria possível fazer transações e utilizar como moeda de troca?

*Leandro é empresário, pecuarista e investidor, formado em Direito pela Estácio Seama com MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getulio Vargas.
Ele escreve toda quarta-feira neste site sobre economia, investimentos e negócios.

Twitter: @leandrotavora
Instagram: @leandrotavora

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