Crack é a droga mais consumida pelos moradores de rua

Consultório na Rua já fez 2.680 atendimentos
O Centro de Atenção Psicossocial faz em média 52 atendimentos/mês
Os Anjos da Vida atendem todos os sábados cerca de 900 pessoas

Na audiência pública que tratou sobre a criação do albergue para moradores de rua de Macapá as galerias ficaram lotadas. No plenário, os convidados detalharam informações sobre a situação destas pessoas.

Na explanação feita por representantes do município, informações sobre os atendimentos, muitos deles dentro do projeto Consultório na Rua que funciona em um veículo modelo micro ônibus que disponibiliza duas equipes. A primeira atua no bairro Perpétuo Socorro e a outra no bairro Santa Inês, na unidade de saúde Rubim Aronovitch.

Desde o começo dos atendimentos, a coordenação disse já ter contabilizado nada menos que 2.680 atendimentos. Eles mapearam os pontos de concentração usados como dormitório para atuar com mais eficácia. Entre eles está o Formigueiro, localizado nos fundos da Igreja de São José; Hospital Alberto Lima, Hospital de Emergências, Unidade de Saúde Lélio Silva e Praça da Bandeira.

O levantamento também serviu para confirmar que quase a totalidade dos moradores de rua enfrentam problemas com drogas e álcool. Maioria desta população é de homens, mas existem mulheres grávidas e profissionais do sexo. Foi detectado um caso de HIV e quatro de transtorno mental.

Entre as moradias improvisadas a mais precária abriga 15 pessoas que hoje ocupam a arquibancada de um extinto campo de futebol próximo ao atracadouro do bairro Perpétuo Socorro. O local fica em frente à residência governamental. Lá, maioria dos residentes disse ter família, mas saíram de casa por problemas de convivência surgidos a partir do uso de drogas e do alcoolismo.  O trabalho que já existe há três anos enfrenta, segundo a coordenação, a falta de profissionais e de condições para ampliar o serviço.

Já a coordenação do Centro de Atendimento à População de Rua também identificou as drogas como uma constante e especificou o crack como o entorpecente mais consumido por quem mora na rua. O abuso de álcool vem em segundo lugar.

O trabalho feito no Centro de Atenção Psicossial tem como primeiro passo o acolhimento e depois parte para a socialização. Os moradores de rua são encaminhados para o cadastramento no programa Bolsa Família. É a partir daí que eles podem ter renda para comprar o que vestir e utensílios de higiene pessoal. Neste grupo estão flanelinhas, pedintes e profissionais do sexo. Em 2016 foram 835 atendimentos, uma média de 52 ao mês.

Bruno Teles, da Organização Não Governamental (ONG) Anjos da Vida fez um pronunciamento preocupado com os moradores de rua que sofrem de problemas mentais. Segundo ele, o trabalho do poder público está mais voltado para o consumo de drogas e o alcoolismo.

Teles reforçou a preocupação falando das restrições clínicas destas pessoas, que hoje não podem mais ficar em manicômios e geralmente não são abrigadas pelas famílias. Os Anjos da Vida atendem todos os sábados, cerca de 900 pessoas com a distribuição de sopa e também fazem a doação de roupas. Ribeirinhos que buscam atendimento médico em Macapá e acabam sem ter onde ficar, também são ajudados pela ONG.

A Comunidade Terapêutica Reviver, que hoje atende 15 internos também mostrou preocupação com as doenças mentais de quem vive na rua. De acordo com o presidente da entidade, o psicólogo Rosivaldo Batista, ex-morador de rua, os problemas psíquicos são adquiridos pelo abuso dos entorpecentes e do álcool.

Ele sugeriu a criação de uma lei de iniciativa popular que enfoque um programa anti drogas, além de um conselho formado por secretarias e órgãos ligados à gestão estadual e municipal. Segundo Batista, não há políticas para resolver o avanço e nem os efeitos sociais causados pelo consumo de entorpecentes no Estado do Amapá.

Para o vereador Caetano Bentes, organizador do evento, a audiência foi um desfile de informações de onde se tornou possível identificar vários pontos para futuras atuações. “Criar a estrutura é um ponto inicial. De posse de tudo que foi dito aqui e com a ajuda destas pessoas, poderemos agora seguir a luta para colocar o albergue em prática”, considerou.

O deputado Pedro Da Lua reforçou as declarações do vereador. “Juntamos as informações que já tínhamos, com as informações que foram trazidas hoje para cá. Saímos daqui sabendo muito mais para que esse projeto se torne real”, finalizou.

(Texto: José Marques Jardim)

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