Leandro Távora – Twitter está de chefe novo?

Twitter está de chefe novo?
Leandro Távora

Na terça, dia 25/04, após algumas semanas da oferta inicial de Elon Musk pela compra do Twitter, o empresário e a plataforma finalmente chegaram a um acordo, US$ 44 bilhões foi o valor da transação, descontados os 9,2% de participação que Musk já detinha, adquiridos nos primeiros meses do ano corrente. Muito se especulou sobre a aquisição, afinal, qual seria de fato o interesse de Musk e por que o homem mais rico do mundo partiu com uma ofensiva para a aquisição da rede social?

Musk, há algum tempo, vem criticando publicamente, através de tweets e enquetes na própria rede social, algumas políticas referentes a moderação da liberdade de expressão da plataforma, tais como, exclusão de postagens e usuários, restrição de conteúdo, peso maciço de robôs na plataforma etc. Ele, como um NÃO usuário de redes socais como Instagram e Facebook e assíduo do Twitter, reclama do que deixa a entender como uma “ofensiva a liberdade de expressão”.

Foi então, que em janeiro de 2022, começou a adquirir ações a mercado do Twitter todos os dias, até que chegou à participação de 9,2% em março e de acordos com a regras da SEC – uma espécie de CVM americana – essa participação acionária teve que ser divulgada (divulgação essa sob fortes boatos de que não teria atendido ao prazo regulamentar). Com o tamanho da participação, Elon poderia participar do Conselho de Administração e chegou a ser convidado, numa tentativa do Conselho para frear as críticas do empresário a plataforma, uma vez como integrante, ele teria sérias restrições ao falar da empresa, o que frustrou uma gama muito grande de usuários.

Logo, iniciarem-se as especulações a respeito das intenções de Elon Musk. No dia 14 de abril, o empresário fez uma oferta para comprar o restante da empresa, US$ 54,20 por ação, o empresário definiu aquela como “sua última e melhor oferta”.

Acontece que, no mercado financeiro, uma proposta desse tipo, em que não é solicitada pela empresa e é divulgada dessa maneira, é considerada “hostil”. O conselho do Twitter chegou a anunciar uma “poison pill” – basicamente, trata-se de um instrumento para proteger a empresa de uma aquisição desse tipo, ou seja, quando um investidor adquire 15% de participação do capital da empresa sem a aprovação do conselho, todos os demais acionistas, recebem um bônus de subscrição para aumentarem suas participações, afim de diluir a do investidor que adquiriu os 15% – para frear a oferta e ganhar tempo para uma negociação que atendesse os anseios dos acionistas majoritários, haja vista que o valor oferecido por ação era menor do que o pico de US$ 77 batido em 2021. A “poison pill” – pílula do veneno – faz referência as pílulas levadas para serem ingeridas, em caso de captura, pelos espiões inimigos.

Cabe destacar que, há algum tempo, Musk vem sendo acusado de manipular alguns ativos através de postagens no Twitter, principalmente àqueles ligados ao mercado de criptoativos. Diante da oferta de aquisição do Twitter, o que mais se especulou, era se tal oferta não seria mais uma manobra de “manipulação” do mercado como as consideradas anteriormente.

Musk, é um visionário, não é à toa que, tornou a Tesla – empresa de carros elétricos – a maior fabricante de veículos do mundo, pelo menos em valor de mercado – ela vale, mais que as 15 maiores fabricantes de carro do mundo juntas. Com a Space X, empresa do ramo espacial, Elon conquistou o espaço com uma eficiência superior à dos americanos. Enquanto a Força Aérea dos EUA gasta 400 milhões de dólares por um lançamento, a Space X gasta 100 milhões ao reaproveitar peças, feito inédito antes por uma empresa, além de levar o primeiro foguete ao espaço tripulado apenas por civis.

E quais são seus objetivos para o Twitter? Elon Musk vem há alguns bons anos criticando o funcionamento das redes sociais, pois o código-fonte não é público (o que gera desconhecimento nos usuários das maneiras que a plataforma utiliza para engajar e entregar conteúdo) e elas tem ligeiramente, ao seu entender, “proibido” a liberdade de expressão de fato, como no caso, por exemplo, da suspensão do perfil do ex-presidente Donald Trump.

Um dos inúmeros objetivos de Musk para o Twitter, é a eliminação de robôs, e quiçá a mais esplendorosa, pois os usuários reais seriam autenticados e aquele que criam perfis somente para atacar desafetos, estariam com os dias contados.

Musk afirmou na própria proposta de aquisição feita ao Conselho de Administração que outra medida, será fechar o capital da empresa, ou seja, as ações não seriam mais negociadas em bolsa. Elon Musk, tem a característica de tornar o impossível, possível, a aquisição do Twitter é o 3º maior acordo da década, ficando atrás apenas de negócios como a aquisição da Activision Blizzard pela Microsoft e da IHS Markit pelo S&P Global.

É preciso olhar do ponto de vista dos resultados gigantescos que criou com as empresas de seu conglomerado. Assim que finalizado o processo de aquisição, aguardemos para ver qual será o futuro da rede social.

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