O desrespeito aos professores do “Projeto Semeando”

O desabafo da professora Fernanda Gomes sobre o desrespeito da Secretaria de Educação com os professores que criaram e desenvolvem há anos o importante projeto “Semeando a Vida”

Ontem quando alguém perguntou quando acabou o IETA (Instituto de Educação do Amapá). Outro respondeu o ano. Me deu vontade de escrever e compartilhar um momento triste que estamos vivendo na Secretaria de Estado da Educação (Seed).
Quando o IETA “acabou” um grupo de educadores fortalecidos pelo trabalho de gestão compartilhada trilhado naquela instituição e pela amizade construída naquela convivência decidiu construir um projeto de educação continuada para os educadores das escolas do estado.
Batista, Magno, Eugênio, Gilvando, Nestor, Orivaldo, Deusa, Maria José, Mara, Simone, Nazilda, Graça, Samira, eu… escrevemos um belo projeto de formação continuada para todos os trabalhadores das escolas: o Projeto Semeando Vida. Queríamos com ele levar a possibilidade de numa relação dialógica, unir a dimensão cognitiva com a dimensão amorosa. Um construção já vivenciada por nós no IETA.

Apresentamos na época ao governador Waldez em seu primeiro mandato. Ele ficou “empolgado” com a proposta e instituiu a gerência de formação continuada. Batista foi o gerente do projeto. Ficamos neste período ainda no CRDS depois UEAP (prédio do IETA). Começamos a ir as escolas com nossas “Rodas de Abraços” – encontros em que a metodologia era recheada de música, poesia, místicas, dança, brincadeiras, estudo, reflexão.

Em 2005 fomos “intimados” a ir pra dentro da Seed. Fomos e continuamos o nosso fazer visitando escolas em todos os municípios. Nunca tivemos problemas em tirar “do nosso bolso” para adquirir material. No decorrer desse tempo, Nestor se aposentou compulsoriamente, Samira faleceu, Orivaldo também se aponsentou e outros se juntaram ao grupo. Inclusive ex alunos.

Não sei precisar em quantas escola fomos nem quantos educadores reunimos, mas temos esses dados e foram muitos. Inclusive encontramos  nossos queridos alunos nessas caminhadas. Cada encontro uma festa.

Mas agora essa nova administração decidiu que para ser formador dentro da Seed era necessário fazer um teste de seleção, apresentação de currículo, etc e tal… assim como também foi feito paras as escolas de tempo integral. Acreditamos que já havíamos feito concurso. Já estamos desenvolvendo o nosso trabalho, assim como todos os demais. Também iria contra tudo que acreditamos, que levamos às instituições por onde passamos: a não competição, a vivência em cooperação, a não violência, a cultura de paz e tantos outros princípios que construímos no processo ensino aprendizagem lá no nosso querido IETA e que fortalecemos em nossas caminhadas. Pois é…amanhã Batista, Eugênio, Graça, Mara, Deusa e outros colegas devem se apresentar na Seed para serem encaminhados para as escolas. E foi tudo de maneira tão desrespeitosa com todos do CRH que não fizeram a seleção ou que não foram aprovados.  Como sou federal, assim como a Nazilda e Maria José ficaremos. Mas não podemos mais fazer formação continuada porque não participamos do processo seletivo.
Precisava dividir com vocês um pouquinho da minha tristeza nesse momento.
Fernanda Gomes

  • Compartilhamos a vivencia de uma educação centrada na vida, com princípios que fortalecem a relação dialógica, cuidante e terna. Acreditamos que educar é construir juntos, dialogar, refletir e aprender com o outro. O acolhimento, a mística, o relaxamento, os estudos, as músicas, as poesias, as danças fazem parte da nossa cultura brasileira e essas linguagens são a base para o aprendizado compartilhado, prazeroso e alegre. Somos semeadores e semeadoras de uma educação onde a cultura de paz é embalada em nossos braços durante nossas rodas porque acreditamos que é com amor e ternura que construímos um mundo para o bemviver.

  • Como professora da rede pública estadual tive a oportunidade de participar durante a semana pedagógica na escola em que eu trabalhava do Projeto Semeando. Sou testemunha da importância e riqueza desta metodologia. Considero lamentável toda essa situação e falta de respeito para com os colegas professores. Vivemos dias que somos comparados a coisas descartáveis. Assim ocorre com os professores que lecionam nas escolas que serão em tempo integral e da mesma forma aqueles das escolas que serão militarizadas. “Você não quer assim? ??? Então, descarta-se” . A secretaria de educação e muitos dos seus burocratas pensam que somos “trapos velhos”. Profere um discurso hipócrita de que ” quem não se atualizar. …”. Mas como diz o poeta: “Eles passarão, eu passarinho”. Portanto meus colegas, esses que aí estão, empolgados com seus cargos políticos. …passarão. E nós? ?? Somos sementes germinando sempre.

  • Realmente todos nós estamos sensibilizados e, ao mesmo tempo ,perplexos com todos esse processo de desmoronamento do grupo semeando porque também por estarmos e convivermos juntos no Nufoc, nos sentimos parte dele. Grupo que tão valorosas e incontáveis contribuições trouxe para a educação do Estado do Amapá e como sabiamente afirmou a amiga Jamile “deixarão um legado de incalculável valor “tanto histórico, cultural e, principalmente humano para todos nós. Creio que, urgentemente nossas chefias deviam parar ainda que por um momento avaliar a situação é procurar diálogar com o Grupo Semeando, saber de suas angústias e anseios, mesmo porque falamos tanto em humanização agora não podemos, nem devemos entrar em contradição!

  • Somos sementes de um sonho sonhado bem antes. E cada um-uma de nós tem uma cestinha de sementes nas mãos e um sonho no coração. Portanto, nosso jardim é o mundo é como bem diz o Duilo, nossa escola não tem muros. A falta de delicadeza não é um problema nosso. Aprendi que a grande maioria das pessoas dá o que tem. Dá o que não tem é para poucos.
    Um grande abraço à todos-todas que caminham e deixam flores por onde passam…

  • O mundo nos encontra, nasci e me criei no Sul do Estado do Amapá, tive a alegria de vivenciar momentos no processo de ensino aprendizagem com o coletivo do Projeto Semeando, pois os mesmos acreditam que a educação transcendem os muros da escola e nos encontramos nas formações de educação popular nos movimentos sociais. Acompanhei o trabalho deste projeto na Região Sul do Estado do Amapá e posso confirmar o excelente trabalho de formação continuada para os Professores, Diretores, coordenação pedagógica e equipe de apoio da Rede pública de Ensino, acredito que é o único da SEED. A retirada do único projeto de formação continuada da SEED, só comprova a falta de compromisso com a Educação do Governo atual e dos Gestores da Educação no Governo do Estado.

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