Rússia X Ucrânia e as possíveis consequências na economia do Brasil

Rússia X Ucrânia e as possíveis consequências na economia do Brasil
Leandro Távora*

– Nas últimas semanas, a escalada nas tensões entre Rússia X Ucrânia tem sido manchete em quase todos os noticiários mundo afora, uma possível invasão Russa a Ucrânia tem elevado os ânimos no leste Europeu e consequentemente no globo em virtude não só do massacre que poderia ocorrer, mas dos impactos econômicos que essa invasão poderia gerar nos principais países que tem relações comerciais com ambos.

– Apenas para contextualizar, as tensões sempre houveram entre ambas nações em virtude de diversos contextos geopolíticos, históricos, culturais, principalmente a  disputa pela região da Criméia, mas aumentaram nos últimas dias após a possível integralização da Ucrânia à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), o que para Vladimir Putin foi uma afronta, pois posicionaria, de forma teórica, tropas dos EUA e de outros inimigos muito próximos a Moscou, capital da Rússia.

Do ponto de vista econômico, que aqui é o intuito ponderar, em um primeiro momento, crises como essa, de iminência de guerra, gerariam uma grande fuga de liquidez de ativos mais voláteis, como ações listadas em bolsas de valores, para títulos públicos de grandes economias, como os do EUA, por exemplo. O que derrubaria os mercados financeiros e faria com que moedas fortes, como o dólar, se valorizassem.

A Rússia é uma das maiores exportadoras de gás para a Europa e de petróleo para o mundo, então há o temor que haja o corte da ligação desse gasoduto, impedindo assim a distribuição do gás em pleno inverno europeu.

Ela também é um parceiro comercial importante para o Brasil, só em 2020 foram negociados em produtos russos a cifra de quase R$ 15 bilhões de reais. Desse montante, quase R$ 300 milhões foram em óleos combustíveis. Se o conflito por lá se agravar e houver uma diminuição no fornecimento de petróleo, haja vista que a Rússia é uma grande exportadora, haveria uma enorme disparada no preço do barril de petróleo e consequentemente aumento no valor do combustível, podendo chegar a R$ 10,00 o litro da gasolina que já é caríssima no Brasil, o que pressionaria ainda mais a inflação.

Sem contar que, em torno de 25% dos fertilizantes usado nas lavouras do Brasil é importado da Rússia, ou seja, um possível conflito elevaria os preços dos produtos importados e na pior das hipóteses,  cessaria o fornecimento, impactando diretamente o agronegócio brasileiro, que responde por quase 30% do produto interno bruto – PIB, o que consequentemente geraria escassez de produtos ou preços ainda mais altos dos que os já vemos.

– Nos últimos dois dias, o presidente russo deu sinais de que não haveria invasão, em vídeos veiculados na internet de conversas com seus ministros, deu a entender que as tropas, lentamente, estariam sendo esvaziadas da fronteira com a Ucrânia. Mas ontem, no final do dia, mais uma vez, o presidente americano Joe Biden, subiu o tom e voltou a reforçar a possível invasão a Ucrânia a qualquer momento e a comentar as prováveis sanções que sofreria a Rússia, caso a invasão se concretize. Por ora, os ânimos seguem mornos.

*Leandro é empresário, pecuarista e investidor, formado em Direito pela Estácio Seama com MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getulio Vargas.
Ele escreve toda quarta-feira neste site sobre economia, investimentos e negócios.

Twitter: @leandrotavora
Instagram: @leandrotavora

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