SELIC e o impacto no cotidiano do brasileiro

SELIC e o impacto no cotidiano do brasileiro
Leandro Távora*

Inicio essa coluna agradecendo primeiro a Deus e depois a Alcinéa, pelo convite e oportunidade de publicar e assim ampliar o alcance da mensagem que tento incessantemente transmitir ao maior número de pessoas da sociedade, seja ela sobre investimentos, business e economia.

Na primeira coluna, vamos tratar sobre um assunto que impacta diretamente na vida de todos os brasileiros, o aumento da Taxa SELIC, que já era esperado e que foi objeto da última reunião do COPOM – Comitê de Política Monetária do Brasil, ocorrida hoje. Primeiramente, cabe esclarecer, do que ela trata. A Taxa SELIC é a taxa básica de juros do país, ou seja, é através dela, que as instituições financeiras, sejam elas, públicas ou privadas, se lastreiam na hora de definir suas taxas de juros, aquelas que comumente são usadas para emprestar dinheiro ou para financiamentos aos correntistas.

Ela tem importância fundamental ao investidor, pois a Taxa SELIC influencia diretamente na rentabilidade de investimentos de renda fixa e até da bolsa de valores. De forma mais simples, o valor da Selic indica quanto o governo paga de juros para as instituições financeiras e pessoas físicas que compram títulos públicos do Tesouro Nacional, o investimento mais seguro do país são os títulos públicos, especialmente o Tesouro SELIC, ele e os outros são facilmente comercializados através do Tesouro Direto. Ou seja, quando há um ambiente de SELIC alta, os investidores tendem a migrar para renda fixa pela segurança de estar “emprestando” dinheiro a união, o que faz com haja uma queda no preço das ações pela pressão da migração desses investimentos. É aí que aparecem as oportunidades de comprar excelentes empresas na bolsa de valores, por um preço menor ao que elas valem, mas trataremos disso em colunas subsequentes.

O ponto mais curioso da SELIC, é que ela é usada para controlar a inflação do país. Isso mesmo, aquela palavra que você ouve frequentemente nos jornais e que é responsável pelo aumento generalizado dos preços dos produtos, é quem define de que forma caminhará a SELIC, com inflação mais alta, há o aumento da SELIC para conter o consumo da população e assim diminuir a demanda por produtos, fazendo com que seus preços caiam. SELIC baixa, significa taxas de juros mais baixas, logo, há busca maior por crédito no mercado, o que acaba aumentando dinheiro em circulação, essa é uma das formas da política monetária do país para aquecer a economia.

Em suma, com esse ambiente de SELIC em dois dígitos veremos alguns cenários: alguns investidores migrando para renda fixa visando a estabilidade e segurança das aplicações em detrimento da renda variável, freio na busca por crédito no mercado em virtude das taxas de juros mais altas praticadas pelas instituições financeiras, na tentativa de conter a inflação.

Segundo a projeção do Banco Central, provavelmente a Taxa SELIC se manterá em dois dígitos durante todo o ano de 2022, pois com inflação também em dois dígitos, deverá demorar até que esse aumento impacte diretamente a diminuição dela. Ainda veremos por algum tempo os preços dos produtos em patamares elevados.

*Leandro é empresário, pecuarista e investidor, formado em Direito pela Estácio Seama com MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getulio Vargas.
A partir de hoje Leandro Távora escreverá toda quarta-feira neste site sobre economia, investimentos e negócios.

Twitter: @leandrotavora
Instagram: @leandrotavora

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